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domingo, 22 de setembro de 2019

A profecia do usufrutuário Viriato Soares de Almeida!




plantação a 21 de março deste ano na Quinta da Boavista em que participaram além da ADEP, movimento Cidadãos do Mundo e Natureza Viva!


Deixar tudo como afinal ainda está passados 20 anos do falecimento de D. José ou encontrar formas para não deixar "esmagar a casa"? Esta interrogação foi proferida em alta voz sobrepondo-se às palavras da Vereadora. Hoje que passa um mês do falecimento de Viriato, que desenvolvimentos? 
O Município permitiu que actuais usufrutuários vendessem a terceiros o seus direitos?
Neste dia recordamos o momento em que este ano ainda plantamos carvalhos na Quinta da Boavista com Viriato Soares de Almeida que nos deixou há um mês atrás.






















Martinho Rocha

quinta-feira, 28 de março de 2019

Cedro da Frutuária está a ser classificado.

a nossa proposta para alterar a rotunda

agradecemos ao autor a utilização da foto

Foto de pintura a óleo de Conceição Martins Correia



O carismático cedro da Frutuária da espécie Cedrus atlântica, junto à  rotunda das Estradas 222 e 224 está, por iniciativa do Movimento Cidadãos do Mundo, em processo de classificação de Interesse Público, pela I. C. N. F. Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. Este exemplar, único no local e raro na região, terá sido mandado plantar pelo Conde de Castelo de Paiva para delimitar a sua "Propriedade" que a seguir às Quintas da Boavista e da Bafareira, incluia os lugares da Frutuária, Santa Cecília ou Olival e confrontava com a vizinha Quinta da Camosa.


Como forma de salvaguardar a sua integridade, como visa o processo de classificação, propomos que seja alterado o desenho da rotunda; a mesma terá de ser deslocada para norte e reordenado o acesso a Corvite/Vegide, bem como fechado o trânsito entre o Cedro e a "casa do povo"/ADEP.
Aproveitamos para pedir a atenção das autoridades no que respeita à afixação reiterada de publicidade com pregos.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

A rua do bom ar, ou a do melhor eco" !


Também de coisas simples, triviais até, que nos foram legadas, pelos nossos antepassados, algumas que estão em desuso mas que guardamos na memória, gestos que respeitamos e/ou praticamos, conhecimentos, conselhos e avaliações que reconhecemos podem ser carreadas para a nova redenominação toponímica e antroponímica das nossas ruas, praças  e caminhos que se está a fazer no concelho. 

Tivemos o grato prazer de abrir o nosso espaço de Biblioteca “Manuel Afonso da Silva” ao jovem Luís Moreira, na qualidade de membro de movimento dedicado às causas cívicas e da cultura, onde buscou informação que resultou na proposta entregue ao Município que pretende denominar praças e caminhos do concelho ao abrigo do recente Regulamento criado para o efeito.

Aconteceu nos anos oitenta que a ADEP foi a autora de proposta que, aceite pela Comissão de então, implementou a maior redenominação que ainda hoje é conhecida e patente nas ruas e praças designadamente do casco urbano.

Passados que foram estes anos e considerando o propósito de levar a todo o território, e não apenas à sede do concelho, contributos como este, de identificação,  de conhecimento, até de reconhecimento, ganharemos todos por passarmos no dia a dia a referir, a conhecer e a dar notícia de factos, pessoas, locais, acontecimentos, profissões, produtos, valores, etc. , que nos são caros.
E são muitos os nossos rios, montes e vales, campos e minas onde viveram, trabalharam e morreram os nossos antepassados. Há imensos temas de trabalho, cá e fora para onde emigraram. Há formas de crer, de estar e comemorar que se manifestam em inúmeros eventos. Temos locais de encontro de passagem e de acolhimento.

Pinho Leal, personalidade que dispensamos apresentar aqui por já o termos feito, disse de determinado local ribeirinho de Paiva que tinha o melhor eco que algum dia conheceu...Também temos em Bairros, o melhor Vinho verde Tinto; temos o melhor rio: "A Paiva";  Paiva, é terra dos ascendentes de Santo António e berço da Língua Materna!

Agora que com esta proposta o “trambolho”, começa a ganhar forma de arte, é fácil acrescentar mais este nome, mais aquele local e/acontecimento, e quantos mais forem apresentados melhor será; em todo o caso estamos certos que a Comissão  terá a última e a melhor palavra…

Também no terreno, a traça dos edifícios mais antigos e emblemáticos, as praças, as fontes, devem ser respeitados e não deixar acontecer o que se passou com o acesso romântico (sec. XIX) da Bafareira à Meia Laranja, e outras onde se removeram lages de passeios e sinais de antigos trilhos e caminhos, como a foto documenta (por onde passava o antigo caminho vindo da Frutuária, Vegide e Camosa e Moimenta em direcção à Igreja de Sobrado).



Um voto de encorajamento ao autor pelas propostas apresentadas que na sua maioria subscrevemos.

































Martinho Rocha


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Fenómeno ou milagre da Oliveira?


Está por explicar, mas que o caso é inédito é.
Por aqueles lados de Real, não há memória de tal acontecer. Estão ainda por apanhar as azeitonas!...
O cuidador desta oliveira, e homem de outros afazeres, como todos conhecemos, orgulhoso do fenómeno deixou-se fotografar.
Num ano como o de 2017, quente e seco, esta longevidade, só pode resultar de forças ocultas, ou mezinhas, interessadas em manter o moinho de azeite a funcionar durante todo o ano!














Martinho Rocha

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Sábado dia 2, vamos dar uma oportunidade às sementes !


A acção vai decorrer durante todo o dia se houver interessados. O local de encontro e início de jornada é às 10,00 e  14,00 horas, junto às Bombas de combustível  (GALP) Irmãos Beleza, no Bom Retiro.
Pretende-se também dado o actual quadro de catástrofe no panorama florestal do concelho (devido aos incêndios e monocultura de eucalipto) transformar esta iniciativa numa campanha anual participada por crianças, jovens e adultos, cientes do exemplo cívico e da atitude que a todos compete.
Fica o convite para dia 2 na Quinta da Boavista, todos vamos dar uma oportunidade às sementes!
Recomenda-se o uso de luvas e calçado adequado.
Quem puder divulgar e convidar pode e deve fazê-lo.
Pelas notícias que temos contamos poder recolher sementes de carvalho, castanheiro, sobreiro e lodão, podendo as mesmas ser cedidas no momento ou ser destinadas a iniciativa futura. Além de associados e directores contamos com a participação de escuteiros, professores a alunos.

domingo, 16 de julho de 2017

Vamos reabilitar o quê ?



Figura 54 Património imóvel da ARU da Vila de Sobrado
Fonte: SIG do Município de Castelo de Paiva

Sistema de Referência: PT-TM06/ETRS89




Programa Estratégico  de Reabilitação Urbana do Município de Castelo de Paiva

Estamos na recta final e faltará apenas  uma semana (como determina o aviso publicado no DR de      14 de Junho) para quem queira se possa dirigir à Câmara Municipal e deixe o seu contributo, no uso do seu direito de participação, no âmbito da discussão pública de tão importante documento.

A vontade de todos nós em cuidar da melhor forma do nosso património edificado, seja ele propriedade privada ou colectiva, está condicionada pelas opções e critérios que terão de ser aferidos num processo legal que atenda às prioridades e ao interesse público, como é  natural que assim seja.
E porque assim é, o assunto a todos interessa e diz respeito – sabendo nós que esta matéria não é indiferente aos grandes interesses imobiliários – só num processo com a maior abertura à divulgação e participação pública se poderá garantir a transparência necessária.

O envolvimento e participação de todos  neste processo poderia ganhar para a causa pública mais apoio e compreensão  sobre a urgência e  justeza  da intervenção pública em espaços emblemáticos e históricos sejam eles públicos ou  privados de uso público, tantos são os problemas de degradação a que assistimos. Não encontramos referenciado algum do património edificado e monumentos que muito representa para a história da terra (em Sobrado por exemplo: Pias dos Mouros, Capela e Casa Torre de Vegide, Paço de Gondim e Portal da Serrada).

Quando tantos meios se mobilizam hoje em dia para divulgar o mais insignificante dos acontecimentos domésticos, um assunto desta importância parece bastar-se com um simples aviso no Diário da República...

segunda-feira, 19 de junho de 2017

E agora, ...de novo eucaliptos ?...





Castelo de Paiva integra nas estatísticas o pequeno grupo dos concelhos de Portugal com mais taxa de arborização - acima dos 72% - ocupando mesmo a 6.ª posição.
Se como diz o presidente da câmara e a imprensa o concelho ardeu em 80% do território e a visão que se tem não o desmente, então o último sábado e domingo serão mais uma data negra para a nossa história a juntar a outros acontecimentos recentes igualmente tristes e trágicos.
Impõe-se refletir sobre os erros e causas do sucedido, que terão a ver numa primeira linha com a nossa organização de protecção civil, mas também devemos ponderar sobre se algum dia foram aferidas as nossas reais possibilidades de defesa de uma catástrofe como a que o tipo de florestação ameaçava.
A legitimidade de todos e de cada um para se ôpor à permissividade da florestação - exploração em monocultura de eucalipto - resulta da iníqua distribuição da riqueza e do prejuízo. É que, enquanto a anarquia permitiu o benefício apenas a alguns, a catástrofe faz agora distribuir cegamente por todos os prejuízos, ou não iremos agora todos ser chamados para as consequências?

A discussão nacional que se espera aconteça e as medidas que venham a ser adoptadas, pode ser que nos ajudem e que o façam na dimensão do sucedido. Esperamos sinceramente que a lição nos faça escolher outro caminho. A arborização que nos atribuía a estatística, não pode nunca mais ser permitida em exclusividade ao eucalipto.

Nós, dissê-mo-lo muitas vezes: a monocultura do eucalipto não é a melhor escolha. A nossa floresta autócne tinha castanheiros, sobreiros, carvalhos, amieiros, etc. que hoje não se vêem O desordenamento, provocado pela plantação de grandes e contíguas manchas, sem zonas de intermediação com espécies resistentes ao fogo, o desrespeito pelas linhas de água, enfim a ambição, a não fiscalização, a permissividade da tutela, que até sábado e domingo deram sossego e benefício a alguns, passaram agora a dar preocupação, prejuízo e sofrimento para todos.












escreveu Martinho Rocha 
17-10-2017



Assunto sobre que Jorge Paiva já falou em Paiva, em evento da ADEP, há mais de 20 anos:


Os incêndios e a desertificação do Portugal florestal







Antes da última glaciação, Portugal estava coberto por uma floresta sempre-verde (laurisilva). Durante essa glaciação a descida drástica da temperatura fez desaparecer quase por completo essa laurisilva, tendo sido substituída por uma cobertura florestal semelhante à actual taiga. Após o período glaciar, a temperatura voltou a subir, ficando o país com um clima temperado como o actual. Assim, a floresta glaciar foi substituída por florestas mistas (fagosilva) de árvores sempre-verdes (algumas delas relíquias da laurisilva) e outras caducifólias, transformando o país num imenso carvalhal caducifólio (alvarinho e negral) a norte, marcescente (cerquinho) no centro e perenifólio (azinheira e sobreiro) para sul, com uma faixa litoral de floresta dominada pelo pinheiro-manso e os cumes das montanhas mais frias com o pinheiro-da-casquinha (relíquia glaciárica). Por destruição dessas florestas, particularmente com a construção das naus (três a quatro mil carvalhos por nau) durante os Descobrimentos (cerca de duas mil naus num século) e da cobertura do país com vias férreas (travessas de madeira de negral ou de cerquinho para assentar os carris), as nossas montanhas passaram a estar predominantemente cobertas por matos de urzes ou torgas, giestas, tojos e carqueja. A partir do século XIX, após a criação dos "Serviços Florestais", foram artificialmente re-arborizadas com pinheiro-bravo, tendo-se criado a maior mancha contínua de pinhal na Europa. A partir da segunda década do século XX, apesar dos alertas ambientalistas, efectuaram-se intensas, contínuas e desordenadas arborizações com eucalipto, tendo-se criado a maior área de eucaliptal contínuo da Europa. Sendo o pinheiro resinoso e o eucalipto produtor de óleos essenciais, produtos altamente inflamáveis, com pinhais e eucaliptais contínuos, os incêndios florestais tornaram-se não só frequentes, como também incontroláveis. Desta maneira, o nosso país tem já algumas montanhas transformadas em zonas desérticas.
Sempre fomos contra o crime da eucaliptização desordenada e contínua. Fomos vilipendiados, maltratados, injuriados, fomos chamados à Judiciária, etc. Mas sabíamos que tínhamos razão. Infelizmente não vemos nenhum dos que defenderam sempre essa eucaliptização vir agora assumir as culpas destes "piroverões" que passámos a ter e que, infelizmente, vamos continuar a ter. Também sempre fomos contra o delapidar, por sucessivos Governos, dos Serviços Florestais (quase acabaram com os guardas florestais). Isso e o êxodo rural (os eucaliptos são cortados de 10 em 10 anos e o povo não fica 10 anos a olhar para as árvores em crescimento tendo, por isso, sido "forçado" a abandonar as montanhas e a ficar numa dependência económica monopolista, que "controla" o preço da madeira a seu belo prazer) tiveram como resultado a desumanização das nossas montanhas pelo que, mal um incêndio florestal eclode, não está lá ninguém para acudir de imediato e, quando se dá por ele, já vai devastador e incontrolável.
Infelizmente vamos continuar a ter "piroverões" por mais aviões "bombeiros" que comprem ou aluguem. Isto porque, entre essas medidas, não estão as duas que são fundamentais, as que poderiam travar esta onda de incêndios devastadores que nos tem assolado nas últimas décadas. Uma, é a re-humanização das montanhas, que pode ser feita com pessoal desempregado que, depois de ter frequentado curtos "cursos de formação" durante o Inverno, iria vigiar as montanhas, percorrendo áreas adequadas durante a Primavera e Verão. A outra medida fundamental seria, após os incêndios, arrancar logo a toiça dos eucaliptos e replantar a área com arborização devidamente ordenada. Isto porque os eucaliptos rebentam de toiça logo a seguir ao fogo, renovando-se a área eucaliptada em meia dúzia de anos, sem grande utilidade até porque o diâmetro da ramada de toiça não é rentável para as celuloses. Mas como tal não se faz, essa mesma área de eucaliptal torna a arder poucos anos após o primeiro incêndio e assim sucessivamente. Muitas vezes, essas mesmas áreas são também invadidas por acácias ou mimosas, bastando para tal que exista um acacial nas proximidades ou nas bermas das rodovias, pois as sementes das acácias são resistentes aos fogos e o vento ajuda a dispersá-las por serem muito leves. As acácias, como são heliófitas (plantas "amigas" do Sol), e não havendo sombra de outras árvores após os incêndios, crescem depressa aproveitando a luminosidade e ocupando aquele nicho ecológico antes das outras espécies se desenvolverem.
Mas como vivemos numa sociedade cuja preocupação predominante é produzir cada vez mais, com maior rapidez e o mais barato possível, as medidas propostas são economicamente inviáveis por duas razões: primeiro, porque é preciso pagar aos vigilantes e respectivos formadores; segundo, porque arrancar a toiça dos eucaliptos é muito dispendioso (custa o correspondente ao lucro da venda de três cortes, isto é, o lucro de 30 anos). É bom também elucidar que os eucaliptais só são lucrativos até ao terceiro corte (30 anos). Depois disso, estão a abandoná-los, o que os torna um autêntico "rastilho" ou, melhor, um terrível "barril de pólvora", áreas onde os seus óleos essenciais, por vaporização ao calor, são explosivos e, quando a madeira do eucalipto começa a arder, provocam a explosão dos troncos e respectiva ramada, lançando ramos incandescentes a grande distância. Este "fenómeno" tem sido bem visível nos nossos "piroverões".
Por outro lado, pelo menos uma destas medidas (arranque da toiça e re-arborização ordenada) não tem resultados imediatos mas a longo prazo. Por isso os governantes não estão interessados na aplicação dessas medidas, pois interessa-lhes mais resultados imediatos (as eleições são de quatro em quatro anos...) do que de longo prazo.
Assim, sem resultados imediatamente visíveis e com uma despesa tão elevada, os governos nunca vão adoptar tais medidas. Preferem gestos por vezes caricatos, como distribuir telemóveis aos pastores, mas que nunca não acabarão com os "piroverões".
Finalmente, após a referida delapidação técnica e funcional dos Serviços Florestais (antigamente, os incêndios florestais eram quase sempre apagados logo no início e apenas pelo pessoal e tecnologia dos Serviços Florestais), esqueceram-se da conveniente profissionalização e apetrechamento dos bombeiros, melhor adaptados a incêndios urbanos.
Se os nossos governantes continuarem, teimosamente, a não querer ver claramente o que está a acontecer, caminharemos rapidamente para um amplo deserto montanhoso, com a planície, os vales e o litoral transformados num imenso acacial, tal como já acontece em vastas áreas de Portugal. Biólogo


recortamos do Público

domingo, 30 de outubro de 2016

PAIVA: TERRA DE RIOS, BARCAS DE PASSAGEM E DE PONTES









MEMÓRIAS DE CASTELO DE PAIVA
TERRA DE RIOS, BARCAS DE PASSAGEM E DE PONTES

Outrora, até finais do século XIX, as terras de Paiva, ou Paiva de Ribadouro, podiam designar-se por território de rios e barcas de passagem, dado que na falta de pontes, as travessias dos rios faziam-se através de barcas: as barcas de passagem. E as pontes tardavam em chegar a estas terras mais interiores do país.
Foi necessário chegar aos finais do século XIX, mais propriamente à década de 80, para se dar início à construção de pontes sobre os rios que fazem parte do território do concelho de Castelo de Paiva: rios Arda, Sardoura, Paiva e Douro. E as pontes, mas também as estradas, construíram-se quase todas em simultâneo. Graças à acção voluntariosa do 1.º Conde de Castelo de Paiva.
Deve ter sido um período áureo da construção de vias terrestres no concelho.
Sem pontes, os habitantes de Castelo de Paiva viviam praticamente isolados das terras circundantes. Esse isolamento terminou com a construção das seguintes pontes intermunicipais: Pontes do Arda e de Pedorido sobre o rio Arda; pontes da Bateira e de Caninhas sobre o rio Paiva e ponte de Entre-os-Rios sobre o rio Douro, ponte esta projectada por Hintze Ribeiro, destruída pela queda de pilares, em 4 de Março de 2001, que ficou conhecida pela ”tragédia de Entre-os-Rios”, e que foi posteriormente substituída por uma nova estrutura. Estas pontes são todas de ligação aos concelhos vizinhos e três delas confinam com os distritos fronteiriços de Porto e Viseu.
Também sobre o rio Sardoura se construíram as pontes municipais de Vale de Fens e a denominada ponte do Concelho.
Dada a importância destas infra-estruturas rodoviárias para o concelho de Castelo de Paiva e avivando um pouco a história destas pontes, não resisto a transcrever, a propósito, parte do texto do Livro Castelo de Paiva Terras ao Léu, de Guido de Monterey:
“” A área do concelho de Castelo de Paiva está cortada, em todas as direcções, por magníficas estradas”. (Do jornal a Gazeta de Paiva de 1 de Outubro de 1884).
Mas neste final do século XIX, não são apenas boas as estradas, mas de incomensurável valor as pontes que atravessam os rios Douro, Paiva, Arda e Sardoura, tornando  o concelho de Castelo de Paiva não só comunicável entre si, mas também com o exterior.
O mesmo não podem dizer alguns concelhos limítrofes, cuja única estrada continua a ser o rio Douro.
“Os infelizes, por desajudados, concelhos de Baião, Marco de Canaveses, Cinfães e Resende, importantíssimos pela sua fertilidade de solo e por uma população nada inferior a oitenta mil almas, vivem ali definhando no mais cruel isolamento, sem comunicação nem convivência entre eles ”. (Do jornal Gazeta de Penafiel de 5 de Janeiro de 1870).
A ponte de Entre-os-Rios, com a colocação da primeira pedra a 29 de Fevereiro de 1884, teve inauguração a 1 de Dezembro de 1887. Aliás, uma inauguração deveras castiça.
“Foi ontem inaugurada a ponte de Entre-os-Rios, sobre o rio Douro, pela primeira viagem seguida da mala-posta de Cete a Paiva.
Ao meio-dia e um quarto chegou ao local da ponte o carro da mala-posta empavezado de bandeiras e tirado por cinco cavalos enfeitados de murta e de artemísias. A ponte achava-se toda adornada com bandeiras, galhardetes e troféus.
Retiradas as vedações, o carro seguiu por entre foguetes que estrugiam nos ares”. (Do jornal O Comércio do Porto de 2 de Dezembro de 1887).
Não teve a inauguração desta ponte nem autoridades, nem música, nem discursos. Nem sequer houve uma palavra de gratidão para o seu impulsionador, o Conde de Castelo de Paiva.
“Lêmos com prazer, em diversos jornais desta cidade (Porto), notícia circunstanciada do acabamento da ponte de Entre-os-Rios.
Estranhamos que não se nomeasse o nome do Exmo. Sr. Martinho Pinto de Miranda Montenegro, o homem que mais concorreu para se levar a cabo aquela ponte, a individualidade a quem o concelho de Paiva tem o sacratíssimo dever de memoriar, porque, sem ele, Paiva continuaria a ser o burgo pobre, sem vida, sem comércio, sem progresso”. (Do jornal O Primeiro de Janeiro de 12 de Junho de 1886 - deve ser 1888).
A ponte da Bateira ficou concluída em 1893, a de Pedorido em 1894 e a ponte de Caninhas em 1897.
Servido o concelho por múltiplas estradas, uma delas, a estrada real nº 40, entre Ovar e Entre-os-Rios, encontrava-se paralizada em 1895.
Em 1906 faz-se a ligação da Estrada Real 40 à Distrital 61””.

ADEP - Castelo de Paiva, 27 de Outubro de 2016
Mário Gonçalves Pereira




E hoje que por coincidência faz 130 anos que foi inaugurado o primeiro tabuleiro (superior) da ponte D. Luís (antecipando-se a Entre-os-Rios apenas 1 ano...) é oportuno dar o nosso contributo/opinião sobre a solução para novas travessias pedonais do Douro, entre Porto e Gaia. Parece-nos que a melhor será a que construir uma nova ponte assente nos pilares de cantaria da antiga ponte pêncil D. Maria II


sábado, 18 de abril de 2015

Quem conhecia a Meia Laranja?

No muro direito da meia Laranja para a Bafareira, tudo o que restava de elementos de granito trabalhado, foi serrado e vai ficar dentro da cofragem do novo murete, a fazer em cimento!
Esperava-se um mínimo de consideração pelos nossos mestres pedreiros; esperava-se sim a elevação do mesmo e a manutenção desses elementos que são património, falam da arte do seu tempo, da revolução nas estruturas viárias feita pelo Conde no séc. XIX. É lamentável o que se está a fazer, esssas pedras eram já as últimas visíveis de todo o conjunto romântico (não românico) que abria a entrada para a Vila como conheciamos que começava na Bafareira e terminava de forma apoteótica  com o recanto de repouso e com duas frondosas e raras árvores de garrafa na Meia Laranja. Todo o conjunto de granito já foi igualmente, retirado, destruido e escondido, nesta e na anterior empreitadas...
E tão caras nos ficaram essas pedras (recordamos que essas lages dos passeios e das estruturas de alguns dos nossos mais bonitos edificios terão dado cabo de monumentos como a Anta do Vale da Rua, Penedo do Cão e  penedos Del´Rei Garcia...), assistir a esta fúria, dá que pensar...




Que a nossa pégada ecológica vai deixar marcas indeléveis aos nossos vindouros ninguêm tenha dúvidas ...

domingo, 23 de novembro de 2014

Nomes das ruas

Ai está o que prometemos: todas as páginas do processo que desenvolvemos ao propôr novos nomes e a reformulação toponímica das ruas da Vila já nos idos anos oitenta.
Um processo a necessitar de continuação. Há ruas que não tem nome e há nomes que seriam dignos dessa justa homenagem por parte da Autarquia. Temos falado disso. E a talho de foice digamos que também neste capitulo devemos ser consequentes: se  nessa data se atribuiram os nomes de Santo António, da mãe e do pai do Santo o que se fez para dignificar os espaços/edificios/monumentos? Temos em Paiva esta coisa patetica de comemorar o S.João com grande foguetório; já quanto a Santo António, nem uns miseros trocos tem havido para cuidar do que temos de material e que está no estado em que todos conhecemos : Casa da Torre de Vegide, Gondim, Serrada, Pias dos Mouros, Marmoiral, Boavista...).
E se há inumeros espaços e locais a merecer cuidados (o que se pode fazer- em certos casos - com poucos custos), atenção que os fins não justificam todos os meios. Temos denunciado trabalhos de intervenção urbana que mais não são que autenticos terramotos destinados a arrasar com alguns dos mais romanticos e singulares espaços de memória (v.g. entre a Frutuária e a Meia Laranja, ainda assim é benvindo tudo o que seja restituir marcas e perfis da antiga arquitectura viária onde havia muretes, bancos, passeios e portais, alguns  encimados por esferas em granito, vamos ver..). 
Que não são consensuais não é novidade ou não fossem as recentes intervenções, ainda assim outras podiam ser as alterações: ordenação do trânsito na rotunda da Frutuária e acessos a Vila Verde e Vegide/Corvite; acesso à Vila em dois sentidos; manutenção da "Ponte", da Meia Laranja e Marmoiral e de criação de acesso pedonal...
Quanto aos nomes das ruas e suas razões, aí vai:

















sábado, 5 de julho de 2014

Adega da Casa da Boavista

Nestes dias em que se cantam loas ao vinho, se molham as gargantas, se embebedam os sentidos e se alienam os cérebros, lembramos um trabalho que está por fazer; todos os paivenses e visitantes gostariam de incluir no roteiro deste dia uma das adegas mais imponentes da terra e que se encontra neste estado, apesar de ser propriedade do Municipio !



Este tema já foi objecto de iniciativa de denuncia pública em calendário de parede da ADEP, para o ano de 1999. Hoje retomamos o tema com oportunidade redodrada já que esta adega integra o monumento classificado Casa e Quinta da Boavista.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A Meia Laranja de outros tempos, quem se lembra ?

Em 1984 a ADEP participou numa comissão municipal incumbida de estudar a toponímia das ruas da Vila. Alguns membros, com o especial empenho de Domingos Quintas Moreira, meteram mãos à obra e deram  o seu contributo para que algumas ruas fossem baptizadas pela primeira vez. É pena que passados tantos anos não tenha sido tomada mais nenhuma iniciativa de relevo nesta matéria. Há ruas que não tem nome e há nomes que seriam dignos dessa justa homenagem. Já temos falado disso. Há espaços e locais a merecer cuidados - o que se pode fazer com poucos meios. Por outro lado tem havido trabalhos de intervenção urbana que mais não são que autênticos terramotos destinados a arrasar com alguns dos mais românticos e singulares espaços de memória e louvor aos nossos granitos e seus mestres canteiros; veja-se o que aconteceu à Meia-Laranja e seu acesso poente também conhecido pel'a ponte" da Bafareira.
Hoje apenas se divulga uma pequena parte desse trabalho.





















































escreveu Martinho Rocha