Mostrar mensagens com a etiqueta rabelo - Turismo/Divulgação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta rabelo - Turismo/Divulgação. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O Douro lá, e nós cá, a ver passar os barcos...

No dia 23 a imprensa diz que o Douro vai funcionar 24 horas por dia...no dia 30 que os barcos-hotel vão ter novos ancoradouros na Lixa - Gondomar,  e no Porto Carvoeiro - Feira...
Vão ser criadas novas centralidades, pontos de abastecimento logistico e interfaces com o aeroporto e as novas acessibilidades (CREP).
São expectaveis mais soluções para os produtos locais e emprego, menos custos na exportação de matérias primas e consequentemente traduzir-se-á num importante impulso para a economia local.
E nós que ao longo dos anos acreditamos no potencial do Douro e apelamos à necessidade de valorizar os nossos recursos endógenos (história, paisagem e tradição) que vimos assistindo à degradação do património e desinteresse por parte das entidadades públicas  em verdadeiras politicas de desenvolvimento sustentável, quer parecer-nos que uma vez mais vamos ficar a vê-los passar...

A nossa vivência ribeirinha com longinqua tradição, as nossas belezas naturais, recursos como o Rio Paiva e o Pejão,  deveria dar-nos outro estatuto nestas parcerias; e se não formos condidados deveriamos ao menos bater à porta. É que comparativamente ao concelho da Feira que tem dois palmos de margem no Douro nós temos mais de uma dezena de Kilómetros!



escreveu, Martinho Rocha

sábado, 23 de maio de 2015

QUE TURISMO FLUVIAL QUEREMOS ?






                                 QUE TURISMO FLUVIAL QUEREMOS ?

O interior merecia mais atenção, isto é, deveria haver uma espécie de contingente na elaboração de roteiros, que obrigasse as empresas que exploram o Douro a incluir estes concelhos/territórios que foram prejudicados com as barragens - as mesmas que proporcionam hoje a navegabiliadde do Douro. Não temos o retorno que nos é devido, (seja na electricidade, seja no turismo), que possa compensar-nos pelo que nos foi levado: As praias, o sável, a lampreia, a natureza viva! É certo que os autarcas tem responsabilidades nessa matéria mas também os governos nada fazem no sentido de uma maior democratização e distribuição dos proveitos desta nova realidade. Há concelhos, e muitos,que ficam totamente à margem e não é por lhe faltarem valores históricos, arqueológicos, paisagisticos; veja-se o caso de Castelo de Paiva!

Não nos conforta assistir a esta forma de estar. Uma outra politica turistica/fluvial poderia ser uma alavanca no nosso desenvolvimento. E não tivesse este concelho um historial tão rico de vivencias associados ao rio Douro, aos rabelos, às pescarias, às Minas porque não, e toda a nossa civilização que a apartir daí se foi implantando ... E se falamos deste assunto é porque acreditamos e modéstia à parte é porque temos estatuto para isso. Já demos o nosso contributo  É necessário no entanto mudar politicas. Entre outros aspectos que defendemos a temática do rabelo e tudo o que com ele se relaciona não deve ser esquecido. As barcas de passagem dos mineiros. Os rabões da esquadra negra são adaptações nossas dos rabelos - porque só aqui se fizarem!Mas também infraestruturas - como cais de acostagem: em Pedorido e no Castelo, que aliciem e permitam acordos fáceis com empresas que sobem o rio com turistas. 
Batalhamos neste tema há quase trinta anos e ainda não  nos convenceram que estejamos errados!..


                                        Barco Rabelo

O Turismo no Douro e em Paiva (ou a arte de vender gato por lebre)


           Actualmente e com bastante frequência - a suficiente para nos causar repulsa - vemos e ouvimos promover e divulgar viagens e passeios no Douro em barco rabelo. Chamar barco rabelo àquela embarcação, que vimos passar, é pura e simplesmente mentira e ao fazê-lo, as agências, as câmaras municipais e outros interessados estão a prestar um mau serviço ao turismo.
        (...)
           Um rabelo tem um tipicismo próprio, tem vela, remos e cordame, tem uma apegada e o remo maior, na ré,  é a chamada espadela. O barco rabelo para Armando Matos é “ a mais típica e sugestiva embarcação dos rios nacionais” e o Arquitecto Filgueiras transcreve na sua obra “Barco rabelo – um retrato de família” o que ele considera a descrição tipológica mais evidente “Barcaça familiar do Douro que tem por leme um remo grande a que chamam espadela, e que tem mais dois remos de cada banda com que se governa”.
            Será legitimo usarmos hoje em proveito do turismo essa mais valia que é a história e a epopeia  da vivência e da faina fluvial no Douro, para ganharmos turistas, e assim nos desenvolvermos, mas desvirtuando um dos símbolos mais importantes – o rabelo ? Símbolo que felizmente ainda existe, e Castelo de Paiva é disso exemplo, ainda que hoje já não navegue; não deixando de o ser por isso. Achamos que não!

             Recordamos que por iniciativa da ADEP, no já distante ano de 1986, foi construída de raíz, às mãos de artesãos profissionais, o rabelo “Douro Paiva”, que depois velejou no Douro,  a partir do Cais do Castelo, relembrando a imensa actividade sócio-económica, que também a partir daí se desenvolvia, desde longa e imemorial data, como interposto comercial que era com a vizinha cidade do Porto e, também, por causa do trânsito do vinho, rio abaixo.
           Connosco nasceu a ideia de fazer turismo no Douro em barco rabelo, precedendo a que se faz hoje, com outro tipo de embarcações, mas - o projecto - muito avançado para a época, esbarrou na burocracia da administração pública. A embarcação venceu algumas dificuldades, não todas, prestou inúmeros serviços à região, podendo quase dizer-se que testou a navegabilidade do Douro e a funcionalidade das eclusas das barragens, fez publicidade, passeou turistas, estudantes, jornalistas, artistas, políticos e até participou em regatas, formou uma escola de marinhagem, etc. Contribuiu também, porque não dizê-lo, para que alguns dos concelhos ribeirinhos despertassem para a realidade e responsabilidade da sua história e localização, quantos deles de costas voltadas para o rio… atitude que não nos surpreende e que inflizmente ainda se nota hoje... É a mesma a que nos habituaram as mais diversas  instituições nos dias de vida do nosso rabelo, dias que  terminaram,  se calhar, mais cedo do que era previsível e necessário, dados os custos necessários à sua recorrente manutenção, contra os poucos apoios disponibilizados por quem de direito. E se alguém tiver dúvidas que trate de inquirir porque será que em Aveiro se deu o movimento inverso e os moliceiros passaram a ser vistos, a fazer turismo na Ria e a participar em regatas…
        Lembrar a falta de apoios e os problemas com a legalização da construção e da utilização, a necessidade de  adesão a um curso de formação de marinheiros, na Régua, o recurso ao Provedor de Justiça, o projecto de parceria com a Rota da Luz num circuito turístico distrital, abortado à pressa - em plena campanha eleitoral - em troca da construção de uma sede para a região de turismo, é enfim uma Via Sacra de enganos e desilusões que fica para o capítulo das memórias amargas, a  mostrar uma vez mais o quão longe se poderia ter ido.

                   Águas passadas…, mas a pergunta de hoje é: - Deveremos promover a região e o concelho à margem da riquíssima história que foi a nossa ligação e das nossas gentes ao Rio Douro, ao comércio, ao rabelo? Será curial atrair o turismo enganando ou passando ao lado desta temática que nos é tão cara, ou, deveremos reunir todo esse espólio, material e imaterial (de que também a ADEP é uma importante e única depositária) e usá-lo nessa batalha que hoje pode representar uma nova fase de desenvolvimento para a região ?
                   Com novas promessas de muitos turistas a subir o Rio impõe-se também repensar a forma de apoiar os poucos artesãos e instituições que ainda sabem fazer bem meia dúzia de coisas valiosas (trabalhos no linho, bordados, tecelagem, cestaria, tamancaria, miniaturas em madeira, fósseis, gastronomia, etc.) e como será avisado cuidar da paisagem bom será não esquecer que vão ser precisos apoios para a agricultura biológica e de subsistência, pois só assim se garantirá no futuro próximo a preservação da nossa cultura, paisagem, história e património com verdade.


Foto 1 - Calendário de parede da ADEP do ano 2015
Foto 2 - “Douro Paiva” aquando da descida do Douro do Senhor Presidente da República Dr. Mário Soares, em 1988 (acompanhado de várias  personalidades como António Guterres, Pinto Balsemão, etc.).



 " recorte de artigo publicado na imprensa regional, textos e foto de   Martinho Rocha"

terça-feira, 29 de julho de 2014

"As lojas interactivas são as rotundas da era moderna"



"As lojas interactivas são as rotundas da era moderna"


O presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho, está chocado com a proliferação de lojas interactivas de turismo, em concelhos fronteiriços e com baixos índices de atracção turística. Até 2015, vão abrir 65 lojas, existindo, para o efeito, 20 milhões de euros de apoios comunitários. Só no Norte, já funcionam mais de 25.

no Jornal de Notícias de ontem
vale a pena ler : ontem o betão/alcatrão, hoje o pechisbeque: entretanto o património degrada-se...






domingo, 31 de março de 2013

O rabelo, o turismo a partir do Douro




Em 1988 Castelo de Paiva e a ADEP podem orgulhar-se de com um corpo de antigos marinheiros ter hospedado e conduzido no rabelo “Douro Paiva” o mais alto magistrado na Nação – O senhor Presidente da República, Dr.  Mário Soares e sua comitiva (foto anexa) na descida do Douro, apoteótica no Porto, como era seu desejo como forma de se inteirar das grandes linhas de desenvolvimento do Douro.
Em 2005 publicamos no TVS – Terras do Vale do Sousa, enquanto nos deixaram, entre outros, o texto na página anexa que procura lembrar-nos da valia da nossa história e do importante recurso que constitui a nossa situação geográfica. Falamos também da epopeia que foi reunir artesãos construtores e marinheiros para construir (em 1986) um rabelo e pô-lo a navegar,  “obrigar” a administração pública a legalizá-lo e a encarar um projeto de turismo para o Douro.
O Rio, o turismo a partir do Douro, o artesanato e o saber das gentes, nas suas mais variadas áreas de vida, são um potencial que tem sido ignorado. Este desprezo, como erro que é,  há-de pagar-se caro…numa terra  “do leite e mel” a que chamaram já “ Suíça Portuguesa”, onde ao longos séculos se formaram homens de trabalho e engenho que de longa data dominaram as artes da pesca dos sáveis e das lampreias com que pagavam os foros e aprenderam a confecionar lautas refeições, para venerar os seus santos, trabalharam na mina, amanharam a terra, cultivaram o pão, o vinho, o azeite e o linho,  desbravaram as terras, construíram socalcos,   igrejas e capelas, construiram casas e caminhos, fontes, levadas e moinhos; teares onde teceram o bragal, para as suas roupas, e até os barcos com que comerciaram no Porto todas as qualidades de fruta, animais e produtos agrícolas, onde não faltava também o mel, a compota e a manteiga.
Hoje, volvidos estes anos, mergulhados na crise que todos conhecemos, constatamos que perdemos esse trilho e desconhecemos  se ainda  o saberemos reencontrar.


 












escreveu Martinho Rocha