sexta-feira, 12 de outubro de 2018
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
As comemorações da República em Paiva, faziam-se com estrondo!
O que diz a Gazeta de Paiva em 1919:
“O frontespicio dos
Paços do concelho está galhardamente embandeirado àquela hora e tem um aspecto
admirável. O Largo 13 de Fevereiro, ainda no dia 4 tem hasteadas as bandeiras das nações
aliadas e no meio um coreto para a música. Dia cinco de manhã salvas de tiros
de fogo de dinamite, foguetes, a música, e a Portuguesa percorrendo as ruas da
vila. Os edifícios dos republicados estão embandeirados. Sessão solene. Toma a
palavra o sr. José Duarte da Cunha, a seguir Aureliano Ribeiro que faz um cerrado
ataque ao dezembrismo e ao movimento monárquico do norte. Depois ainda fala o
Mestre Professor de Real, sr Manuel Moreira da Fonseca que exulta o povo a ser republicado
e a amar a República. Todos os oradores foram muito aplaudidos. Erguem-se Vivas
à República, ao Dr. Afonso Costa, ao Dr. António José de Almeida. À noite
organiza-se uma marcha com centenas de pessoas a percorrer as ruas da vila e a
aclamar a República. Girândolas de foguetes estralejam constantemente. Por
volta da uma hora da madrugada, terminam os festejos, não, sem antes se queimar
seis dúzias de foguetes de dinamite que ribombavam como trovões!"
Transcrevemos livremente os textos cujas imagens juntamos e que fazem parte do nosso espólio bibliográfico da nossa biblioteca Manuel Afonso da Silva
Martinho Rocha
Tentativa para mudar a viagem dos barcos rabelos, entre a praia do Castelo (Fornos, Castelo de Paiva) e o Porto, de domingo para segunda feira.
O Pároco da freguesia de Fornos, Padre José S. Correia de
Noronha, no ano de 1933, apesar do seu esforço, (e do seu estatuto - já que era vereador da Câmara e membro da União Nacional) não conseguiu mudar as viagens
dos barcos rabelos de domingo para segunda-feira, proporcionando assim o
descanso semanal ao domingo aos 38 arrais e negociantes e aos 120 homens que trabalhavam
sob as suas ordens.
Em 1942, o Cais do Castelo aparece referenciado
como o de maior movimento em todo o rio Douro, constituindo um autêntico entreposto
com a capital do norte. No ano de 1947, segundo a obra da Dr.ª Margarida Rosa
Moreira de Pinho – “Elementos para a História de Castelo de Paiva” ainda o
Castelo tinha barcos de carreira para o Porto aos domingos!...
Damos ao conhecimento dos leitores um texto do Arquivo
Paroquial da freguesia de Fornos. Aproveitamos para agradecer ao Rev. Padre Carlos Luís S. Correia o facto de nos
ter possibilitado a reconstituição deste mesmo texto no nosso arquivo
documental.
“Há na praia do Castelo o costume imemorial de partirem ao
domingo para o Porto os barcos do tráfego semanal.
Só nós párocos sabemos o quanto de transtorno e
prejuízo isto não custa à vida religiosa da freguesia e por tal motivo, já em
tempos o Rev. Sr. Padre Francisco dos Santos Cunha (*) tentou mudar essa viagem
para as segundas-feiras, não o conseguindo.
Tentei eu também essa mudança em 1933. Para isso, convidei
para uma reunião em minha casa todos os arrais e negociantes do Castelo,
comparecendo os senhores, José Pinheiro Branco, Joaquim Pinheiro Branco,
António Gomes da Silva Serra, Francisco de Oliveira Vagaroso, Joaquim Teixeira
de Melo, Manuel Teixeira Inverneiro Júnior, Manuel Pereira Mil-Homens; António
Pinto, Luiz Pinto, Bernardo de Almeida, António de Oliveira Ribas, Jacinto de
Sousa, Francisco Teixeira Moranguinho, João Pereira, Manuel Marques, Manuel de
Sousa Pitada, José Gabriel de Oliveira, Manuel Teixeira Inverneiro (Anté),
Serafim Alves. Heitor Pereira Mil- Homens e Joaquim de Almeida (Mano),
representado pelo filho. Todos estes arrais e negociantes concordavam na
mudança, com a condição de todos concordarem, tanto desta praia, como das de
Bitetos, Fontelas, Vimieiro, Fontaínhas da Raiva e Pé de Moura da Lomba, pois
ficando alguns sem se comprometerem, estariam no mercado da Ribeira logo na
segunda de manhã fazendo seu negócio antes dos outros chegarem, o que
representa a sua ruína.
Havendo alguns que se recusaram a aderir (da praia do
Castelo, não compareceram Francisco Teixeira Arranjinho e Joaquim Nunes
(Russo), procurei conseguir no Governo Civil do Porto que fosse proibida que a
praça da Ribeira fosse aberta às segundas-feiras, antes das 12 horas, mas
responderam-me que era isso atribuição da Câmara Municipal do Porto, por isso
lhes dirigi o seguinte ofício: Ex. mos Senhores, Presidente e Câmara Municipal
do Porto: Eu, José Soares Correia de Noronha, pároco de Fornos, Castelo de
Paiva, auxiliado pelos meus colegas da Raiva, Souselo, Várzea do Douro e Lomba,
respectivamente dos concelhos de Castelo de Paiva, de Cinfães, do Marco e de
Gondomar, convidei a viajarem às segundas-feiras todos os arrais do rio Douro e
negociantes que fazem viagens todos os domingos para o Porto, para fazerem a
praça da Ribeira às segundas-feiras, tendo em vista o meu convite que 120
homens que trabalham sob as ordens daqueles arrais tivessem o seu descanso
semanal ao Domingo como desejam. Trinta e cinco arrais e negociantes que
concorrem à praça da Ribeira nas segundas-feiras, cujas assinaturas junto a
este pedido, prontificando-se com satisfação
a mudar as suas viagens para as segundas-feiras; mas para não serem
prejudicados por gananciosos, pede-se para a praça desses dias na Ribeira, não
começar antes das 12 horas.
Nas cinco praias que concorrem à praça da Ribeira, só três
arrais deixaram de a assinar, sem alegar o menor motivo. Será por ganância ?
Será por hostilidade ao suplicante, que é vereador da Câmara e membro da União
Nacional Concelhia de Paiva? Hostilidade política, portanto?
Não o disseram, nem tem explicação o seu procedimento.
Por isso, para prevenir os interesses dos arrais e
negociantes que assinaram a quasi totalidade (35 contra 3) e porque se trata de
uma medida de grande alcance moral e social para estas terras, venho pedir à
Ex.ma Câmara do Porto, a sua intervenção decisiva, mandando que a praça que se
realiza todas as semanas às segundas-feiras, no cais da ribeira, não possa
começar, de hoje em diante, antes das doze (12) horas, podendo continuar por todo
o dia de terça-feira.
Desta sorte, os barcos do Castelo e demais praias concorrentes
podem partir na madrugada das segundas-feiras, por forma a estarem na Ribeira
ao meio dia, começando todos a essa hora os seus negócios, sem prejuízo para ninguém.
Para bem da Nação. Fornos de Paiva, 14 de Julho de 1933. P.e José Soares
Correia de Noronha.
Respondeu a Câmara
do Porto a este ofício, dizendo não ser das suas atribuições o que se pedia,
mas sim da Capitania Marítima.
Dizia-se ao tempo que
a nova lei do descanso semanal abrangeria toda a espécie de comércio, e, como o
tráfico do rio Douro era comércio, esperei a ver se a Lei fazia, sem favor, o
que pretendíamos. Infelizmente nada se fez. Oxalá este meu esforço sirva de
exemplo e incentivo a outro mais feliz. Ass. P.e José Soares Correia de Noronha”.
P.S. – O concelho
deve uma homenagem a esta gente de marinheiros, arrais, construtores de barcos,
carreteiros e negociantes de toda a espécie de produtos (ovos, animais, fruta, vinho, azeitona, carvão, etc. etc.).Esse gesto hoje em dia, deve ser por forma a ter um efeito multiplicador, dinamizando a economia, agregando portanto
instituições e pessoas, servindo de âncora ao turismo, pelo que pode muito bem
ser materializado na promoção e salvaguarda do imenso espólio físico e espiritual
recolhido e/ou localizado por efeito das iniciativas levadas a cabo pela ADEP
(Associação de Estudo e Defesa do Património Histórico-Cultural de Castelo de
Paiva), ao longo dos seus últimos 30 anos de intensa actividade.
É que é tempo de
alterar procedimentos que custam milhares de contos ao erário público com a
feitura de fontes luminosas, festarolas e foguetórios, rotundas e mamarrachos, enquanto estes monumentos e memórias estão esquecidos pelos entes públicos...
(*) - Pároco que veio a ser da freguesia de S. Martinho de Sardoura.
Texto revisto do já publicado no TVS, nos finais dos anos 90.
Martinho Rocha
Texto revisto do já publicado no TVS, nos finais dos anos 90.
Martinho Rocha
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
FEIRA DO SÉCULO XIX - Regulamento 2018
REGULAMENTO
DA FEIRA 2018
1. Denominação: 21.ª
Feira à Séc. XIX.
2. Data de realização: Domingo, 14 de Outubro de 2018
3. Responsabilidade,
Organização e marcação de espaços: ADEP.
4. A inscrição a
fazer na ficha própria deverá ser entregue até ao dia 10 de Outubro.
5. Hora de chegada e
permanência de veículos no local de venda: das 7h30 às 9,30horas.
6. Horário de abertura ao
público, com revista prévia: das 10,00h às 18,00h.
7. Quem pretender montar
a barraca, poderá fazê-lo na véspera (durante a tarde), dando essa indicação na
ficha de inscrição. As
coberturas (a montar pelos participantes) devem ser de pano, serapilheira,
oleados (cobertos com colmo ou ramalhos) e nunca plastificados. Não podem ser
usados fios nem cordas de naylon ou sintéticos. No interior dos espaços e à
vista, não pode estar nenhum produto plastificado (vasilhas, sacos, baldes,
bidões ...) nem panelas de alumínio ou outros utilitários modernos. Nesse
espaço durante o dia não é permitida a presença de pessoas não trajadas nem
veículos. No final, não é permitido deixar no recinto da feira qualquer
barraca, construção ou lixos.
8. TRAJE – Os participantes nas exposições e vendas na Feira devem
apresentar-se cuidadosamente trajados como nas Feira no séc. XIX e o traje
deverá ser adequado à função que desempenham. As
senhoras deverão usar lenço na cabeça ou o cabelo apanhado; não são permitidas
unhas pintadas nem as faces. Não são permitidos relógios de pulso, pulseiras de
plástico, telemóveis nem pc,s. Não é permitida a permanência de pessoas
não trajadas, ainda que acompanhantes dos vendedores, junto ou atrás das
bancas.
9. EMBALAGENS, PRODUTOS E
SERVIÇOS EXPOSTOS – Exemplo: artesanato da região, gastronomia (pratos típicos,
petiscos, fumeiro, enchidos, etc. ), água doce, limonada, chá (vendedores
ambulantes), tanoaria, ferreiro e ferrador, tipografia, barbearia, carpintaria,
engraxador, tamanqueiro e sapateiro, pelaria, alfaiataria, latoaria, produtos
hortícolas e frutícolas, animais provenientes de agricultor ou outros de
interesse ao tema. A organização reserva o direito de definir quais os
produtos que não estejam adequados às feiras do séc. XIX. As embalagens
dos produtos a vender devem ser como antigamente: de papel, pano de algodão ou
linho, serapilheira e nunca de plástico ou poliester. Não é permitida a venda de plantas em vasos plásticos. A
organização habitualmente promove a venda de sacos de papel e de pano a preços
simbólicos e reserva o direito de confiscar todos os produtos de plástico.
10. A todos se pede a
necessária colaboração. O desrespeito pelas normas poderá ser punido com o
encerramento do respetivo espaço de venda. Os aspectos fiscais e de higiene são
da responsabilidade dos participantes.
11. DIREITOS IMAGEM
- Os conteúdos e imagem
produzidos tem direitos reservados, apenas a sua recolha por profissionais está
condicionada à sua acreditação junto da organização.
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
21.ª feira do século XIX, a 14 de Outubro!
As concertinas, cantares, baile, teatro de rua, presença de animais e jogos tradicionais animarão o exterior, que contará ainda com quadros de vida rural: da mina com o Grupo dos Mineiros do Pejão; do campo, dos engenhos e do linho, com o Grupo do Linho de Real; do rio, com o barco rabelo e as histórias das gentes do rio (do Castelo).
A ADEP vai abrir as suas salas de Museu "Primeiras Artes", Casa dos Engenhos "Dr. Justino Strecht" e exposição fotográfica alusiva ao evento.
O vinho e alguns dos nossos petiscos e pratos de tradição não faltarão.A entrada é livre e gratuita!
sábado, 15 de setembro de 2018
416 milhões de anos de vida no território de Paiva!
Hoje fomos comprovar o que temos em paiva deste período!
alguns dos participantes na saída de campo de hoje
aNTÓNIO pATRÃO
Período Devoniano
Por National Geographic Writing
5 de setembro de 2010
Quando o período Devoniano ocorreu há cerca de 416 milhões de anos, o
planeta estava mudando sua aparência. O grande supercontinente de Gondwana
estava gradualmente se dirigindo para o norte, para longe do Pólo Sul, e um
segundo supercontinente começou a se formar, estendendo-se através do
Equador. Conhecido como Euroamerica, ou Laurasia, foi criado pelo encontro
de áreas da América do Norte, Norte da Europa, Rússia e Groenlândia.
Alguns sedimentos de cor vermelha, gerados quando a América do Norte
colidiu com a Europa, deram nome ao Devoniano, uma vez que essas rochas
características foram estudadas pela primeira vez em Devon (Inglaterra).
O Devoniano, parte da era paleozóica, também é conhecido como a Era
dos peixes , já que produziu uma considerável variedade de
peixes. Os mais formidáveis eram os
placodermes com proteção óssea, uma espécie que apareceu pela primeira vez
durante o siluriano com poderosas mandíbulas alinhadas com placas em forma de lâminas que agiam como dentes. Os primeiros placodermos se alimentavam de moluscos e outros invertebrados,
mas as últimas espécies se tornaram monstros ferozes, fatias que mediam até 10
metros de comprimento. Outros tipos de peixes com placas ósseas que não
tinham mandíbulas desenvolveram uma grande variedade de formas
estranhas. Espécimes fósseis incluem espécies com cabeças em forma de
ferradura e outros que se pareciam com escudos redondos.
Antepassados de tubarões
Apesar de sua forte proteção, esses peixes primitivos não durariam. Os
ancestrais devonianos dos peixes que hoje habitam pertenciam a dois grupos
principais sem proteção óssea. O peixe cartilaginoso, assim chamado pela
cartilagem que formava seus esqueletos, deu origem a tubarões e
raias. Eles tinham escamas pequenas e ásperas, barbatanas dorsais fixas e
dentes afiados e substituíveis. O segundo grupo, o peixe com espinhos,
estava coberto de escamas e tinha barbatanas dorsais manobráveis e bexigas cheias de gás para
controlar sua flutuação. A maioria dos peixes modernos tem
espinhos.
Entre estes estavam os peixes finned. Assim chamado porque a base
grossa, carnuda de suas barbatanas, peixe de nadadeiras lobadas são creditados
a grande avanço evolutivo que levou à anfíbios, tornando os
peixes finned-lobo nos ancestrais de todos os vertebrados com quatro membros da
terra, incluindo dinossauros e mamíferos. Os fósseis desses animais
extraordinários vêm das rochas vermelhas de Devon. Alguns peixes de
nadadeiras lobadas ainda estão vivos hoje, como o famoso peixe "fóssil vivo",
o celacanto.
Uma criatura fóssil descoberta recentemente do Devoniano foi saudada como
um elo vital entre os peixes e os primeiros vertebrados a caminhar em
terra. Encontrado no Ártico canadense em 2004, o Tiktaalik tinha
uma cabeça semelhante à de um crocodilo e barbatanas fortes e espinhosas, que
os cientistas acreditam que ele usava como pernas para se mover em águas rasas
ou mesmo em terra. O peixe mostrou outras características de animais
terrestres, incluindo costelas, pescoço e buracos no focinho para respirar ar.
Os primeiros anfíbios respiraram através de pulmões simples e sua
pele. Eles devem passar a maior parte de suas vidas na água, deixando-a
sozinha para escapar da atenção dos peixes predadores.
Os primeiros amonóides também apareceram durante o
Devoniano. Relacionados com o polvo e a lula, estes animais marinhos
sobreviveram até o final do período Cretáceo, há 65 milhões de anos.
Proliferação de plantas
As plantas começaram a se espalhar dos pântanos durante o Devoniano,
desenvolvendo novos tipos que poderiam sobreviver em terra seca. No final
do Devoniano, as primeiras florestas apareceram quando as
plantas com caule desenvolveram estruturas fortes e lenhosas capazes de
suportar galhos e folhas altas. Algumas árvores Devonianas são conhecidas
por atingir 30 metros de altura. No final do período, as primeiras
samambaias, cavalinhas e plantas com sementes também apareceram.
A nova vida
que floresceu na terra aparentemente escapou dos piores efeitos da extinção em
massa que acabou com o Devoniano. As principais vítimas foram criaturas
marinhas, das quais até 70% das espécies desapareceram. As comunidades que
formaram os recifes desapareceram quase completamente. As teorias
propostas para explicar esta extinção incluem o resfriamento global devido à
regulação de Gondwana, ou a redução dos níveis de dióxido de carbono
atmosférico com efeito estufa devido à arborização dos continentes. O
impacto de um grande asteróide também foi sugerido.
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
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