quarta-feira, 8 de maio de 2013

Carvalho Mau - Paraíso: 5000 anos de história aguardam Roteiro !



O principal está feito e deve-se à ADEP. A iniciativa, o desenho, a intervenção a limpeza e o suporte informativo deram este resultado. E tudo correu bem mais depressa que a colocação da sinalética de rua e da definição de quem vai assegurar no futuro a limpeza e manutenção.

Até aqui conseguimos a colaboração de diversas instituições públicas e privadas, mas falta agora ver incluído o monumento e uma parte significativa da nossa história num roteiro que o valorize e que  divulgue o nosso património histórico-cultural.

Refira-se que da primeira noticia da intervenção de emergência em 1989 o Arqueólogo Eduardo Jorge Lopes da Silva, investigador da Universidade Portucalense, informa que foi recolhida grande quantidade de materiais, que foram registados, entre os quais várias dezenas de fragmentos cerâmicos com grande variedade de tipos decorativos e uma forma inteira, integralmente decorada, duas pontas de seta em sílex e uma espiral metálica, presumivelmente de prata, bastante bem conservada, materiais que que como muitos outros temos defendido que deveriam regressar ao concelho, este que também tarda em assegurar condições mínimas dignas de musealização.



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ara romana publicada!

A Ara romana (do sec. I d. C.) descoberta em Vila Verde em 2007,  foi descodificada pelo Investigador José D'Encarnação da Universidade de Coimbra e já integra o Ficheiro epigráfico (suplemento da revista Conimbriga) destinado a divulgar inscrições romanas inéditas de toda a Península Ibérica.
A descoberta e divulgação de mais este testemunho, dos mais antigos e estudados, da era romana no concelho fica a dever-se ao trabalho e persistência da ADEP.

sábado, 27 de abril de 2013

Património geológico do concelho

Na terceira saída de campo para reconhecimento de  locais de antigas minas de exploração mineral hoje foi possível com ajuda de distintos cicerones recolher fotos e/ou amostras em diversos pontos do concelho, a saber nas freguesias de Pedorido, Raiva e Real.
Paralelamente foram referenciados locais onde António Patrão tem recolhido fósseis, considerados de grande valia por especialistas paleontólogos do Geoparque, fósseis e território que vão ser objecto de plano de estudo.

domingo, 21 de abril de 2013

A Geologia e uma das lendas do Paiva "O Poço Negro" !





Nos próximos dias vamos ter a oportunidade de conhecer melhor alguns aspectos do Paiva. Vamos ter entre nós geólogos e paleontólogos que querem ver e estudar testemunhos de antigas explorações minerais e aspectos da nossa geologia, designadamente acidentes orográficos e fósseis do couto mineiro do Pejão.
Alguns mitos e lendas contados e recontados pelos nossos avós refletem muito do imaginário associado a aspectos curiosos e vestígios deixados pela vivência de povos antigos que por aqui habitaram.
O Paiva não é exceção e por isso hoje vamos deixar uma das versões da lenda do  Poço Negro:

"Reza a lenda, que no fundo do maior poço do rio Paiva, o Poço Negro, existe uma grade e dois bezerros em ouro.
Outrora existiu um habitante local, que conseguiu retirar das águas o tesouro e, com grande esforço, levou-o para cima do monte. Parou para descansar e adormeceu. Quando acordou o tesouro tinha desaparecido, levado por uma Moura encantada, guardiã do tesouro, que o levou de novo para as profundezas do rio.
Ainda hoje, muita gente acredita que o tesouro permanece no mesmo sítio e que é visível em dias de muita luz, mas ninguém arrisca recuperá-lo com medo de ficar cativo da Moura encantada, que alguns juram ter visto sobre o penedo do Poço Negro ou ouvido os seus lamentos.
Dizem também os mais antigos que existem ligados a esse poço, dois túneis. Num deles existe uma grande quantidade de gás letal que matará quem ousar lá entrar. No outro, há uma imensa riqueza lá depositada pelos Mouros que outrora viveram nesta região.
Muita gente, segundo dizem, desejava apoderar-se de tal riqueza, mas com medo de entrar no túnel errado e lá ficar para sempre, não ousam arriscar as suas vidas.
Assim o tesouro permanece ainda no mesmo lugar onde os Mouros o esconderam."








escreveu, Martinho Rocha
21-04-2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

O Pelourinho da Justiça


Publicamos o texto anexo inserido na entrada Foral, em jeito de homenagem ao Professor José Maria Seabra Strecht, que nos deixou. Pessoa dedicada à causa pública, interventivo na política, nosso associado e diretor, era nos jornais que ocupava muito do seu tempo livre, redigindo textos mordazes sobre a política local e notas informativas sobre assuntos variados, da cultura e património muitos deles integrados em rubrica da ADEP.
Texto interessante por se propor  levantar o véu que ensombra a localização do nosso Pelourinho, que nas suas inquirições se terá situado no cimo da Rua 5 de Outubro. É verdade que nessas imediações ainda existe uma pedra, na entrada de uma casa, que pode muito bem ser a base do dito.
Por sua vez  Margarida Rosa M. de Pinho, em nota de rodapé da sua obra “Elementos para a História de Castelo de Paiva” em 1947, refere que“…, não existe qualquer vestígio, (…)do pelourinho que Pinho Leal diz ter existido “na retaguarda da casa da Câmara (atual cadeia)  e quase escondido a um recanto””. Margarida ainda acrescenta nesta nota que “É voz corrente que a entrada deste cemitério (antigo, à Rua Emídio Navarro) foi construído com os restos das ruínas da capela de S. Sebastião, existente no cimo da Vila e perto da qual se diz ter existido cruzeiro que foi destruído para a abertura da estrada…”
A talho de foice e para evitar confusões entre cruzeiros, padrões e pelourinhos, lembramos que o nosso cruzeiro(*), sito na Praça da Independência foi erigido em 1940 integrado no plano do Estado Novo que incluía obras públicas relevantes, escolas (“dos centenários”), padrões, cruzeiros e monumentos, destinado a comemorar o duplo centenário da Nacionalidade (1140/1640/1940).
Uma nota final para assinalar a existência física do Pelourinho da Raiva, um outro em Midões e de uma pedra em Vila Verde que pode ter sido da forca. 

(*) Um dos secretários da inauguração do Cruzeiro da Independência, segundo texto de João Bernardo Galvão Teles in Contributos para o Futuro Arquivo de Arouca) foi o Padre José Soares Correia de Noronha, de Alvarenga, Arouca que foi durante muitos anos abade de Fornos.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Paleontólogos do Geoparque vão estudar os Fósseis do Pejão!


As coleções paleontológicas da ADEP e António Patrão provenientes da zona do Couto Mineiro do Pejão vão ser objeto de visita e estudo por parte de investigadores do Geoparque. Artur Sá e Daniela Rocha  pretendem identificar as cristas quartzicas com icnofósseis para que possam constar do inventário do património  geológico da área de intervenção da ADRIMAG e neste caso de Castelo de Paiva. Esta saída agendada já para finais deste mês demonstra o valor geológico em presença e vai ser guiada por António Patrão, antigo mineiro, entusiasta desta área da cultura a quem se deve um importante trabalho de deteção e recolha de algumas centenas de valiosos e raros exemplares.
Desejamos que este trabalho contribua como temos defendido num maior reconhecimento e divulgação  de todo um conjunto de valores materiais e imateriais associados às Minas do Pejão e que pode passar pela sua integração na área de influência do Geoparque Arouca.  


domingo, 31 de março de 2013

O rabelo, o turismo a partir do Douro




Em 1988 Castelo de Paiva e a ADEP podem orgulhar-se de com um corpo de antigos marinheiros ter hospedado e conduzido no rabelo “Douro Paiva” o mais alto magistrado na Nação – O senhor Presidente da República, Dr.  Mário Soares e sua comitiva (foto anexa) na descida do Douro, apoteótica no Porto, como era seu desejo como forma de se inteirar das grandes linhas de desenvolvimento do Douro.
Em 2005 publicamos no TVS – Terras do Vale do Sousa, enquanto nos deixaram, entre outros, o texto na página anexa que procura lembrar-nos da valia da nossa história e do importante recurso que constitui a nossa situação geográfica. Falamos também da epopeia que foi reunir artesãos construtores e marinheiros para construir (em 1986) um rabelo e pô-lo a navegar,  “obrigar” a administração pública a legalizá-lo e a encarar um projeto de turismo para o Douro.
O Rio, o turismo a partir do Douro, o artesanato e o saber das gentes, nas suas mais variadas áreas de vida, são um potencial que tem sido ignorado. Este desprezo, como erro que é,  há-de pagar-se caro…numa terra  “do leite e mel” a que chamaram já “ Suíça Portuguesa”, onde ao longos séculos se formaram homens de trabalho e engenho que de longa data dominaram as artes da pesca dos sáveis e das lampreias com que pagavam os foros e aprenderam a confecionar lautas refeições, para venerar os seus santos, trabalharam na mina, amanharam a terra, cultivaram o pão, o vinho, o azeite e o linho,  desbravaram as terras, construíram socalcos,   igrejas e capelas, construiram casas e caminhos, fontes, levadas e moinhos; teares onde teceram o bragal, para as suas roupas, e até os barcos com que comerciaram no Porto todas as qualidades de fruta, animais e produtos agrícolas, onde não faltava também o mel, a compota e a manteiga.
Hoje, volvidos estes anos, mergulhados na crise que todos conhecemos, constatamos que perdemos esse trilho e desconhecemos  se ainda  o saberemos reencontrar.


 












escreveu Martinho Rocha