domingo, 14 de julho de 2013

Em discussão, uma proposta desde 2005 aos: PDM e PU

A ADEP e o Grupo Desportivo de Castelo de Paiva apresentaram reclamação conjunta no âmbito da Discussão Pública da proposta de alteração do Plano de Urbanização da Vila de Castelo de Paiva.
Estas duas associações tornaram público o seu desencanto pelo facto da actual gestão autárquica também não ter sido sensível aos seus anseios e projetos e nada ter feito para reverter a classificação dos terrenos da Frutuária que em 1993 já eram classificados de RAN (Reserva Agrícola Nacional). Assim vai-se emparedar o Parque das Tílias e proporcionar a urbanização massiva, daquela área, correndo-se o risco de se inviabilizar  desta forma a futura construção naquele local de um verdadeiro Parque da Cidade.
O modelo de infraestrura que tem vindo a ser defendido por ambas as associações é um espaço completo do ponto de vista ambiental, rico em fauna e flora, com espaços  amplos  para a prática de várias modalidades de desporto e recreio, trilhos para percursos diversos, onde pontifiquem algumas quintas, hortas e viveiros e que proporcione espaços e ambiente de repouso e lazer, podendo o conjunto beneficiar da proximidade dos edifícios da Frutuária e Parque das Tílias e no futuro até da extensão ao Rio Sardoura e Quinta da Boavista.
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PDM – Plano Director Municipal do concelho de Castelo de Paiva
Segue-se o conjunto de sugestões apresentadas pela ADEP a 11 de Janeiro de 2005. (NA COMISSÃO MISTA DE ACOMPANHAMENTO DA REVISÃO DO PDM)

1. Património Histórico e Arqueológico
Analisando o documento - Estudo Prévio para a revisão do PDM de Castelo de Paiva — entregue, constata-se uma manifesta ausência de abordagem do tema relativo ao património arqueológico e histórico.
Com efeito, as poucas referências ao património histórico-arqueológico concelhio surgem num contexto de aproveitamento turístico, iniciativa que nos parece de louvar, atendendo a que tal implica uma atitude de recuperação, salvaguarda e valorização do nosso património.
Contudo não se compreende que se pretenda valorizar o que não se conhece: antes de oferecer aos turistas é necessário que os agentes políticos e culturais conheçam o conteúdo da oferta, o que implica, à priori, inventariar.
Ora, o Estudo Prévio apresentado peca pela ausência desta inventariação: ausência de inventariação dos imóveis classificados (como interesse nacional, público e/ou municipal), bem como da indicação das respectivas zonas de protecção.
Consequentemente, peca também pela ausência de redacção da regulamentação da protecção dos imóveis classificados como interesse municipal que, de acordo com a Lei 107/01 de 8 de Setembro, incumbe aos Municípios, bem como da respectiva zona de protecção, com indicação, por parte da autarquia, de quais os imóveis em que a salvaguarda reporta ao próprio imóvel e quais os imóveis em que a salvaguarda se estende à zona de protecção. (Veja-se hoje a importância deste dispositivo na protecção de monumentos como As Pias dos Mouros).
Neste sentido, remetemos para a Carta Arqueológica do Concelho de Castelo de Paiva (que, embora patrocinada, em parte, pelo Município, raramente é tida em linha de conta nas várias intervenções — obras, arranjos urbanísticos, etc., - que vão pontuando pelo Concelho), e cujos sítios arqueológicos e monumentos aí identificados seria desejável beneficiassem de capítulo próprio no PDM concelhio, com indicação da sua situação actual bem como das medidas de salvaguarda respectivas.
Seria também desejável que o PDM esclarecesse, de modo definitivo, a situação do património deixado pelo Sr. Conde de Castelo de Paiva ao Município, bem como as medidas de salvaguarda a aplicar, de forma a travar a sua delapidação e ruína.
Entende-se, por fim, a necessidade de identificação e inventariação de outros imóveis ou sítios com importância histórico-arqueológica espalhados pelo Concelho, de forma a que os mesmos possam beneficiar das medidas de salvaguarda preconizadas para os já inventariados.

2. Florestação e abate de árvores ver questão do ;Mapa PDM art.º19 n.º 2)
A singularidade da nossa paisagem, tão apreciada por quem nos visita, dada a beleza do matizado de cores, no Outono decorrente da variedade de árvores e também na Primavera com as flores silvestres dos campos e montes, está a perder-se por causa dos processos de reflorestação.
Deverá esta revisão criar normas que impeçam a plantação massiva de eucaliptos bem como de outras espécies infestantes e por outro lado que valorizem a floresta tradicional.
Igualmente defendemos que se regulamentem os abates.

3. Potenciar a reconstrução e preservação do nosso parque habitacional
O tipo de construções, que nasceram nas últimas décadas, destinadas a habitação colectiva, e não só, descaracterizou os nossos centros históricos, bem como a tipicidade das nossas paisagens.
A singularidade (também) da nossa arquitectura popular é uma mais valia que estamos a perder. O exemplo deveria ser dado com a colocação de serviços públicos que poderiam ficar em espaços de edifícios recuperados, que os há bem situados, em vez das soluções que têm sido encontradas, de recurso à construção de raiz, abandonando e proporcionando inevitavelmente a degradação do nosso património com arquitectura popular e tradicional.

4. Saneamento
Manifesta a ADEP a sua preocupação pela ausência de saneamento, nomeadamente a construção das inerentes ETAR o que tem contribuído para que as linhas de água, tios (Douro, Paiva, Arda e Sardoura) e outros ribeiros desta região continuam a ser o destino natural dos nossos esgotos.
Só com a protecção destes recursos se poderá crer no seu pleno aproveitamento seja em termos sócio-económicos, desportivos, turísticos, etc.

5. Rio Paiva
Os diversos concelhos ribeirinhos, terão de encontrar um projecto à escala regional, de desenvolvimento sustentado, assentando na singularidade ambiental e paisagística que é a bacia do Rio Paiva e nas diversas potencialidades que podem atrair o mercado do recreio e do turismo.
Haverá fundos comunitários disponíveis para projectos a desenvolver em áreas sensíveis, como é o caso do rio Raiva (classificado pela UE como rede natura 2000).
6. Parque da Cidade
Propomos a introdução de um Parque da Cidade cuja localização seria entre a Bafareira e o Rio Sardoura. Será um espaço amplo que inclua o vale de Alvarigos, e um troço do Rio Sardoura. Ai existem hoje algumas quintas abandonadas, com algumas zonas arborizadas, vinhas e árvores de fruto, terrenos de cultura, matos e lameiros e onde há condições únicas para construir nele um espaço potenciador de actividades desportivas, de lazer, recreativas e ecológicas. São inúmeras também as actividades etnográficas rurais e de jardinagem que se poderiam desenvolver neste espaço amplo, com uma abordagem ambiental, à imagem de outros parques de cidade.            
Este espaço seria complementado pelas potencialidades vizinhas do Parque das Tílias e da Quinta da Boavista, valores que deverão merecer atenção nesta revisão.
Relativamente ao Parque das Tílias continuamos a defender um projecto global que considere todo aquele conjunto de edifícios, pela história, pela traça e arquitectura e pela sua localização.
P.S. – A plena realização de eventos no Parque das Tílias, de que são exemplos  a Feira do séc. XIX, ou (…), requer espaços amplos e multifuncionais, problemática que não passará despercebida a quem  cuida destas questões ou  pensa  e projecta  estruturas para o futuro.

A Direcção da ADEP

terça-feira, 9 de julho de 2013

Linho. Ainda haverá quem saiba, ou queira saber ?

Amanhã haverá linho no Parque das Tílias. Vai ser arrancado, separado da baganha e depois afogado. Para quem saiba ou queira saber coisas sobre esta planta, tarefas e tradições que lhe estavam associadas, aí está uma oportunidade.

É amanhã, mas atenção que o que se vai fazer apenas se faz uma vez por ano!

Este evento chegou a ser pensado para ser incluido na Feira do Vinho e do Lavrador, como já aconteceu noutras edições, mas não se reuniram as condições necessárias...

terça-feira, 2 de julho de 2013

Sessão de autógrafos no sábado no Posto de Turismo

                   animada sessão de autógrafos no Parque Biológico de Gaia

A próxima sessão de autógrafos de Mário Gonçalves Pereira terá lugar no sábado, 6 de Julho, das 15,30 horas às 17,00, no Posto de Turismo, em Castelo de Paiva.( recordamos que é dia de feira mensal e de feira do vinho) 

A partir de amanhã, " Santo António de Lisboa - encontro nas origens - Castelo de Paiva" pode ser encontrado nas seguintes livrarias:

Livraria Les Enfants Terribles
Rua Bulhão Pato, n.º 1
1700-081 Lisboa

Livraria Nun’Álvares
Rua 5 de Outubro, n.º 59
7300-133 Portalegre

Livraria Papelaria 115
Praça 8 de Maio, n.º 29
3000-300 Coimbra

Livraria Branco
Rua Dr. Roque Silveira, n.º 95
5000-630 Vila Real

Livraria Caminho
Rua Pedro Santarém, n.º 41
2000-223 Santarém

Representações Online
Praça do Comércio, n.º 108
4720-337 Ferreiros AMR

Livraria BrincoLivro
Rua Alexandre Herculano, 301
3510 – 038 Viseu

Livraria Universo
Rua do Concelho, n.º 13
2900-331 Setúbal
  
Livraria de José Alves
Rua da Fábrica, n.º 74
4050-246 Porto

Livraria Esperança
Rua dos Ferreiros, 119
9000-082 Funchal

Nazareth e Filho
Praça do Giraldo, 46
7000-406 Évora

Livraria Graça
Rua da Junqueira, n.º 46
4490-519 Póvoa do Varzim

Aliete S Clara Brito
Avenida 25 de Abril, lote 24 R/C
8500-511 Portimão

Livraria Caravana Unipessoal, Lda
Rua José Costa Guerreiro, 
Edf. Viaparque  B/B   R/C 
8100-596 Loulé 
  
Está disponível online no site da Chiado Editora e brevemente na wook, na Bertrand Online e no Sítio do Livro.
Em Castelo de Paiva, no Intermarché e na sede da ADEP.

É possível, também, encomendá-lo em qualquer balcão Fnac, Book.it, Bertrand e Bulhosa.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Santo António de Lisboa - encontro nas origens - Castelo de Paiva




(cartaz da visita guiada realizada a 13 de Junho de 2015)



Na qualidade de Presidente da Direção, quero deixar uma pequena nota de rodapé a esta sessão.

 Quero agradecer,
           - À Chiado editora;
           - Ao Parque biológico de Gaia, na pessoa do seu diretor, Dr. Nuno Gomes com quem tivemos já o grato prazer de estabelecer vários intercâmbios no último dos quais resultou a publicação da obra de Domingos Quintas Moreira “Manual do Cultivo e Confecção do Linho”;
          - Aos executantes e seu mestre Agostinho Vieira, da Academia de Música de Castelo de Paiva, o momento musical com que nos premiaram;
          - À Câmara de Castelo de Paiva, na pessoa do seu presidente Dr. Gonçalo Rocha, que prometeu adquirir 50 exemplares;
          - À Imprensa  presente.
          - Senhoras e senhores, a todos pela Vossa presença. Muito obrigado !

Paiva merece ficar associado ao roteiro da vida e obra de Santo de António e estamos certos que esta iniciativa contribui para engradecer, cuidar e divulgar melhor, o nosso património material e imaterial que lhe está associado.

Depois de nos anos 30 do século passado Abílio Miranda e Strecht de Vasconcelos terem publicado as lendas alusivas à vivência na região e em Paiva de Fernando de Bulhões (Santo António) e seus pais, e de ao longo dos últimos trinta anos termos tomado consciência de estudos vários a fortalecer a ligação das raízes do santo a Castelo de Paiva, a ADEP apesar dos seus parcos meios sempre tem procurado aprofundar e divulgar esse conhecimento em iniciativas várias, editoriais, de denúncia pública e até de teatro para chamar à atenção dos responsáveis pela degradação a que vem sendo sujeito muito do património construído associado a esta memória.
Uma maior divulgação das raízes de Santo António, como está a acontecer com esta publicação de Mário Gonçalves Pereira, criará uma maior consciencialização na população da importância dos nossos valores patrimoniais e imateriais. As novas gerações, mais informadas e participativas, hão-de ser capazes de exigir outras prioridades, linhas de orientação e até de rutura com o estado de abandono, desinteresse - e de saque em alguns casos - a que o município vem assistindo serenamente nos monumentos e espaços arruinados da Boavista, Vegide, Gondim e Frutuária, apesar do legado formal que lhe fez o Conde de Castelo de Paiva e destes outros legados imateriais de outros tantos paivenses generosos e laboriosos.
Para esta obra, Mário Gonçalves Pereira meteu pés ao caminho, recolheu fotografias e testemunhos tal é a profusão toponímica e imagética de estátuas, pinturas, azulejos, em Igrejas, nichos, oratórios, tabernas e mercearias existentes nos quatro continentes, por onde andou, e que comprovam a veneração ao Santo mas também que ele será o português mais conhecido no mundo, ao longo de todos os tempos.
A ADEP não poderia deixar de apoiar uma iniciativa como esta, de trazer aos paivenses, e não só, todo o conhecimento expresso em referências e estudos, lendas e  memórias, pedras e acontecimentos que engrandecem as gentes e fazem mais luz sobre a história da nossa terra, neste particular da ligação umbilical de Santo António a Castelo de Paiva.
Mário Gonçalves Pereira é natural de Castelo de Paiva, casado, pai de três filhos, com três netas, licenciou-se em Engenharia Electronica na Universidade de Lisboa. Trabalhou em várias Empresas no país, destacando-se as firmas Efacec e EDP-Eletricidade de Portugal. É membro, sócio fundador, do Rotary Club de Castelo de Paiva, do qual foi o primeiro Presidente.
O autor, é nosso diretor, Presidente da Assembleia Geral, colaborador assíduo e interessado na descoberta do passado, com obra feita - vários levantamentos fotográficos, leitura e restauro de epígrafes (cruzeiro de Carcavelos e ara de Vila Verde), publicou também “Frases Rimadas” obra poética de pendor autobiográfico e dedicada a Castelo de Paiva.
Escreveu para a ADEP uma monografia sobre a fundação de um lugar na freguesia da Raiva – Castelo de Paiva, cujos primeiros povoadores foram seus pais, em meados do século XX. Trata-se do lugar de Cruz de Alveda, sítio por onde passava a procissão das Cruzes do Concelho, a cada 3 de Maio.
Sobre o livro hoje em lançamento público informou a ADEP de que possuía elementos para escrever um documento alusivo às raízes de Santo António em terras de Paiva. E se bem pensou, melhor o fez. Ei-lo aí. Rebuscou na Internet e em tudo que era sítio, para encontrar a matéria de que precisava para a confeção da sua obra, nomeadamente os locais tantas vezes falados, por vezes à boca pequena, de nascimento dos pais de Santo António. Também recolheu nota de alguma documentação existente na Casa da Boavista e na mira da origens do Santo percorreu Secca e Meca. Foi até Jerusalém.
Na Casa da Boavista encontrou elementos em livro e na árvore genealógica dos Bulhões de Santa Cruz das Serradas que demonstram, com várias ramificações, a ligação dos Condes de Castelo de Paiva aos pais de Santo António. Estes dados consagram definitivamente a existência de uma base histórica sustentável que reconhece terem os pais de Santo António, por berço, Castelo de Paiva.
Saudamos e louvamos o esforço do autor e reconhecemos o mérito do seu trabalho que ficará para sempre ligado ao concelho de Paiva.
Ainda ao autor o nosso Bem Haja pelo contributo que, através da ADEP, prestou em prol da História e Cultura de Castelo de Paiva.
Em meu nome e da ADEP quero deixar este testemunho público de gratidão a Mário Gonçalves Pereira, pelo trabalho e dedicação à causa pública e voluntária, também pela generosidade da oferta dos direitos de autor à ADEP.

Sucesso para a obra e Felicidades Eng.º Mário Gonçalves Pereira!












Apresentação feita por Martinho Rocha, no Parque Biológico de Gaia, quando do lançamento da obra de Mário Gonçalves Pereira

quarta-feira, 26 de junho de 2013

              Apresentação feita por Mário Gonçalves Pereira na cerimónia de lançamento

          Santo António de Lisboa, um livro para a história


O documento que hoje apresentamos ao público em geral não é uma obra científica, não é um romance, nem tão pouco uma imaginária novela.
É, todavia, um retrato de um tempo já passado e longínquo, um encontro com as raízes de Santo António de Lisboa em terra de Paiva, num entroncamento histórico de um santo com uma prodigiosa vida de herói evangélico.

O facto de eu ter vindo ao mundo no emblemático território que viu nascer os pais de Santo António e enquanto membro da ADEP- Associação de Estudo e Defesa do Património Histórico-Cultural de Castelo de Paiva, associação que de facto estuda e defende o património histórico, tornou-se imperioso dar o meu contributo pessoal na divulgação dos elementos históricos existentes, que vão escapando à memória de alguns locais, e que são certamente desconhecidos da maioria deles e perpetuá-los, através desta Associação, antes que esta realidade se esfume no tempo, já que são elementos intrinsecamente ligados à história de Castelo de Paiva, enquanto berço dos pais de Santo António.
E como disse Marco Aurélio: “se uma tarefa te parece difícil, não penses imediatamente que é impossível”. De facto a tarefa foi difícil, mas possível.
Também Santo António dissera: “quem não puder fazer grandes coisas faça, ao menos, o que estiver na medida das suas forças”.
Procurei seguir o seu conselho. E quando recebi o apoio incondicional da ADEP a esta minha ideia,, ala que se faz tarde, lancei-me ao caminho na peugada do Santo.
           
Com a edição deste documento a que foi dado o título Santo António de Lisboa Encontro Nas Origens Castelo de Paiva, pretende-se, assim, dar a conhecer o sentimento generalizado dos naturais de Castelo de Paiva que, honrados pela figura de Santo António, cuja auréola de santo é reconhecida a nível mundial, procuram manter viva, no seu seio e no dos seus vindouros, a efeméride do nascimento, em Terra de Paiva dos progenitores desse santo, e dá-la a conhecer ao mundo, com base na descrição genealógica dos Bulhões de Santa Cruz das Serradas, existente na Casa da Boavista, dos ex-condes de Castelo de Paiva, e que nesta obra se procurou traduzir com igual rigor e o mesmo valor histórico que tal documento representa.
Este livro não foi concebido só de palavras, as ilustrações que contém, para além de lhe dar mais vida e beleza, são também, só por si, uma forma de comunicar, miscigenadas com os textos conexos.

Honrar os pais através do filho Santo António é uma tradição que vai perdurando ao longo dos séculos e que encontra eco no coração de todos os paivenses, apoiados, não só pelas variadíssimas obras escritas sobre tão importante figura da igreja católica, mas também pelas pedras vivas que são as referências ao património existente e identificado, por exemplo, pelo “Marmoiral da Boavista”, “Pia dos Mouros” e, bem assim, pelos edifícios nos locais de Vegide, Serradas, Gondim e Casa da Boavista, em Castelo de Paiva, considerados memórias que não se apagam e que serviram de berço aos pais do Santo e, posteriormente, a outros seus descendentes Bulhões.
“Os paivenses não querem abandonar, por ténue e muito frágil que seja, o único fio que os prende à sua certeza histórica: os pais de Santo António foram naturais de Castelo de Paiva”.


As minhas digressões ocasionais através de muitos países de quatro continentes deste planeta-terra, contribuíram substancialmente para o enriquecimento deste trabalho, já que, dentro da larguíssima área geográfica percorrida, encontrei imensos testemunhos de devoção e homenagem a Santo António, alguns deles recolhidos em imagens fotográficas e inseridos nesta obra, como se poderá verificar.

Numa dessas minhas digressões, por terras ainda mais longínquas do que aquela donde viera o Papa Francisco, em viagem marítima procedente de Ushuaia, Tierra del Fuego, a cidade mais setentrional do planeta, na Argentina,  passando pelo cabo de Hornos, extremo sul do continente americano, com destino a Punta Arenas, no Chile, e entrando no estreito de Magalhães percorrendo parte dele em sentido inverso ao percurso que fizera Fernão de Magalhães, ao enquadrar as águas do canal com tudo o que à sua volta existia, fiz uma incursão momentânea às entranhas da minha já velha memória para reavivar a inigualável façanha que foi, ao tempo, a viagem de circum-navegação, iniciada por Magalhães ao serviço de Carlos V, de Espanha (em 1519), com uma esquadra de cinco navios e uma tripulação de 234 homens, com cerca de 40 portugueses, entre os quais seu primo co-irmão Álvaro de Mesquita, que comandava o navio com o nome “San Antonio”.
Naquelas paragens da Patagónia, ao recordar o nome da nau San António, e encontrando-me nesse caminho mágico da viagem que fizera Fernão de Magalhães, perguntei, a mim mesmo, se alguma vez aquela família com origens na minha terra, Castelo de Paiva, pais de Santo António, imaginaria ou lhes passaria pela cabeça que o nome de seu filho “viajaria” até lugares tão longínquos, não só naquela específica viagem de Magalhães, mas em tudo quanto era Descobrimentos, ao tempo.
Esse momento gerou na minha pessoa uma tal força de vontade e coragem que, aliadas a outra tanta curiosidade, me envolveram desde logo numa luta intensa e constante na busca, na pesquisa, na tentativa de conhecer melhor a história, a ligação dos ancestrais Bulhões, pais de Santo António, aos Bulhões seus descendentes de Castelo de Paiva, e passá-la a escrito desde que encontrasse fios condutores passíveis de alguma credibilidade.
Assim comecei a trabalhar.
Muitos dos textos e imagens que são a base deste documento resultaram de uma pesquisa de conteúdos efectuada principalmente através da Internet, e de viagens nacionais e internacionais que, subtilmente foram chamando a minha atenção para os inúmeros lugares de devoção, dedicados a este santo, testemunhos da sua popularidade espalhada pelo mundo inteiro e cujas origens se enraizaram em Castelo de Paiva.

Seguindo o lema: ”quando estiveres em viagem, pára para leres indicações sobre a história dos sítios por onde passas”; eu confesso: sempre parei, mas para tentar encontrar referências a Santo António.
Foram contributos bastantes para o arranque desta obra, não só a passagem  pelo estreito de Magalhães, como já referido, mas também a leitura do pequeno livro de poemetos de Adriano Mendes Strecht de Vasconcelos, editado pela primeira vez em 1938, ( ano em que eu nasci) denominado “Lendas e Tradições de Castelo de Paiva”, no qual se faz menção à Casa Torre de Vegide que diz ter sido de Tereza Taveira, Mãe de Santo António ( a 200m do local onde vivo, precisamente a rua Tereza Taveira) e também ao Paço de Gondim, nas proximidades da entrada principal da Quinta da Çarrada ou Serrada, propriedade que pertencera a Martim (ou Martinho) de Bulhões, pai de Santo António e, também, pelo facto de as gentes da Terra de Paiva, nomeadamente das freguesias de Sobrado e de Fornos, terem grande devoção, quer pelos progenitores, quer pelo próprio Santo António.

A continuidade desta história terão V.Ex.as oportunidade de a encontrar no livro ora lançado que espero lhes agrade de todo. E descansem aqueles, mais novos, que pensam que o livro se esgotará e não terão oportunidade para desfolhar as belas páginas que o compõem. Garanto-vos que mesmo depois de eu passar a fronteira dos meus aniversários, eu irei, mas a obra fica e será reeditada as vezes necessárias.
Este é um livro apropriado para uma prenda de aniversário, para oferta a um amigo, para prenda de Natal, para sugerir como “lembrança” de Castelo de Paiva, mas é sobretudo uma peça histórica para Castelo de Paiva.

Um outro aspecto que tem a ver com a apresentação deste documento neste ano , é que ele foi concebido para ser lançado, precisamente neste ano de 2013 em que Castelo de Paiva comemora os quinhentos anos da atribuição do Foral à terra de Paiva por D. Manuel I, então rei de Portugal, era o ano de 1513, evento que, planeado com a devida antecedência, nas actividades da ADEP agora se consagra, e que eu faço questão de juntar um poemeto da minha autoria oportunamente escrito, relativo ao Foral:

À procura de mim
   (origens da terra onde nasci)

Corri aldeias, andei, fui por aí além
E vim
À procura de mim
E origens de mais alguém,
Mas encontrei-me perdido,
Despido
De ideias e da memória,
Sem glória,
Enfim!

Voltei por um outro caminho
Mais estreito e mais maninho
E que descobri ?
Um mundo novo,
Criação de um povo
Gentio, que reconheci
Em mim!

Gentes da minha terra,
Da beira rio e da serra,
Do tempo de outrora, de meus avós,
Dos filhos e dos netos, como eu,
Povo que somos todos nós
Tal qual Deus o deu!

Gentes da terra de Paiva
Que me fizeram o berço na Raiva!
Perto do Arda,  em  Oliveira,
Com cais nas Fontaínhas,
Ponto de encontro e  de passagem,
Onde não se pagava portagem!

Gentes que me embalaram,
Que me criaram,
Que me deram o ser e saber
Que me deram força e poder
Poder para reconhecer

Que todo o trabalho vale a pena,
Quando se vai às origens procurar e  explorar,
Recolher, proteger e registar
Elementos que se deseja fiquem a prevalecer,
Na terra de Paiva, por vontade plena,
Nesta comunidade que, em Vilar, de Real,
Em Maio de 1517 recebeu, de El-Rei D. Manuel I, o foral
Concedido no dia primeiro de Dezembro de 1513
Perfazendo cinco séculos em 2013 !



Não quero deixar-vos partir sem antes, pedir a benção de Santo António, para crentes e não crentes, e agradecer a amabilidade e disponibilidade a quantos se deslocarem a este encantador e agradabilíssimo Parque Biológico, e dizer-vos que para mim foi uma grande honra tê-los aqui como amigos e atentos ouvintes.
Na vida, nunca esqueço que aquilo que mais aprecio, ao nível emocional, é sentir que os meus trabalhos são apreciados.
Sinto-me distinguido pela vossa presença e as únicas palavras que tenho para vos dirigir neste momento são, simplesmente: muito obrigado.




     Mário Gonçalves Pereira

terça-feira, 25 de junho de 2013

Tília, amanhã no Parque das Tílias !

Também este ano com algum atraso, mas aí está a  flor de tília !
Como vem acontecendo anualmente damos amanhã oportunidade  aos associados e interessados em geral que queiram integrar a ajuntada da apanha da tília. Quem se  deslocar ao Parque das Tílias, pode apreciar além da sombra e do sossego, também o aroma e ainda pode recolher flores de tília para uso domestico !



Estamos na presença de um produto natural, gratuito e que não tem qualquer tipo de aditivo ou químico.

Da receita recolhida depois de seca a mesma é disponibilizada durante o ano a quem nos contacta.

P.S. A Tília spp. tem propriedades diaforéticas, aperitivas, sedativas e diuriéticas. É utilizada contra febres, hiper acidez gástrica, doênças hepáticas e biliares.

domingo, 23 de junho de 2013

Ele aí está, prós leitores e críticos, para os paivenses e não só !

"Santo António de Lisboa - encontro nas origens - Castelo de Paiva" foi apresentado ontem no Parque Biológico de Gaia pelo autor Mário Gonçalves Pereira, na companhia dos representantes, da Chiado Editora, ADEP, Câmara Municipal e Parque Biológico, embalado pelos sons do "Ensemble de Guitarras" da Academia de Música de Castelo de Paiva, com os aplausos de uma plateia simpática e curiosa, como é saudável neste tipo de eventos.

O autor e o representante da ADEP  tiveram a oportunidade de apresentar as motivações e a justeza de Castelo de Paiva reclamar maior visibilidade para a temática de Santo António e bem assim a necessidade de encontrar novas politicas locais com vista à valorização e divulgação de todo o património material e imaterial associado (Casa da Torre de Vegide, Gondim, Serrada, Casa da Boavista, Marmoiral, Pias dos Mouros e Frutuária).

A obra vai estar à venda em diversas livrarias do país, no Intermarché e na sede da ADEP  e pode ser autografada pelo autor (919927955).

A ADEP agradece às casas comerciais, de doçaria mais emblemática, e particulares, os  produtos de doçaria regional caseira, e outros, a saber de : António Oliveira, Folgoso, Arminda Bernardes, Arminda Mota Francisco, ambas de Vila Verde, Art'Doce, Paiva Doce, Doçaria Paivense de Rosa Vieira Gomes, Serradelo eTropicália, que foram apresentados e servidos no final da sessão de apresentação e de autógrafos.


Foto de bolo inédito. Este bolo teve honras de fotógrafos e curiosos, engenhosamente confecionado, foi oferecido ao autor do livro que logo fez questão de convidar os presentes no evento do lançamento do seu livro, para a sua degustação. É um bolo original e único no mundo, imitando a capa de um livro que agora é considerado um marco na história de Castelo de Paiva.