domingo, 8 de dezembro de 2013

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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

As Casas da Roda, de Nojões e de Sobrado de Paiva.

Resultado de imagem para a casa da roda

foto obtida na pesquisa Google


O que era a roda  dos expostos (ou enjeitados) ? Fisicamente era um cilindro giratório com uma cavidade que era instalado nas portarias dos conventos, permitia o anonimato na comunicação de bens e evitava também  o contacto e avistamento de quem utilizava o serviço. Este processo facilitava o abandono  e começou a usar-se para depositar as crianças enjeitadas ou fruto de ligações “inconvenientes”. Noutros casos a pobreza justificava a entrega, que era feita em alguns casos com bilhetes de recomendação e promessa de futura procura. Algumas estatísticas registam um aumento de abandono proporcional ao aumento do preço do trigo.
Pelo muito uso que teve a nível nacional acabou por ser oficializada com a designação de Roda dos expostos ou enjeitados por Pina Manique em 1783, com o objetivo oficial de pôr fim aos infanticídios e também o comércio ilegal de crianças a que à época eram sujeitas muitas crianças na raia onde os espanhóis as vinham buscar. Há quem veja nesta medida um estratagema da nova moral da Contra Reforma que assim combatia e atrasava o reconhecimento dos filhos bastardos como preconizava a Reforma protestante. O desenvolvimento de novas organizações sociais de assistência e a ideia de que aquela proporcionava a dissolução dos “bons costumes” e ainda a elevada mortalidade e ineficácia educacional contribuíu para a sua extinção em 1867.
Até quando temos roda em Nojões e quando se transfere para Sobrado?  Onde estavam situadas? Quem participou na caminhada do Foral de 2015 pôde admirar a casa de Nojões onde essa instituição esteve alojada. Em Sobrado terá sido no Outeiro, portanto na casa ao cimo da Rua 5 de Outubro (antigo convento segundo Adriano Strecht Vasconcelos) .
Apenas temos elementos sobre as crianças recebidas na Roda de Sobrado a  partir de 1 de Julho de 1827 (há 186 anos). Considerando que em  1832  o edifício da Cadeia de Sobrado já servia de Casa de Comarca e Paço Foral de Audiências, então é mesmo provável que a inauguração do edifício da Cadeia de Sobrado e transferência para  Sobrado de todas estas Instituições (Tribunal, Cadeia, Roda, serviços da Fazenda) terá ocorrido nessa data, 1827.
E a partir daí recolheram-se em 12 anos, de 1827 a 1845 (faltam-nos elementos nos anos de 1834 a 1839), na Roda de Sobrado mais de 3 centenas de crianças o que corresponde a uma média de 26 crianças por ano. É um número surpreendente (ainda que os registados sejam oriundos de todo o concelho), tendo em conta que entre os anos de 1833 a 1859 a paróquia de Sobrado batiza e regista apenas uma média de 24 crianças (nascidas e criadas pelos pais).
Se quisermos comparar o movimento de crianças encaminhadas para a roda com os nascidos e criados em casa dos pais, noutras freguesias, então os elementos que possuímos registam; entrados na Roda de 1840 a 1844 (e oriundos de todo o concelho): 123. Registados nas paróquias e criados com os pais: na de Sobrado: 132; na da Raiva 200; na de Bairros: 113; na de Sardoura: 183.

Curiosidades sobre o enquadramento social da época:  Qual era o tecido social, que profissões tinham os pais dos nascidos em Sobrado no ano de 1865? Dos 27 nascimentos é certo que não há desempregados, mas todos de uma maneira geral tem um profissão direta ou indiretamente  ligada à terra – no conjunto dos pais dos 27 nascidos temos, mais de metade,  ligados ao sector primário, 32 profissionais entre lavradores, caseiros de terra e criados de servir ), a que acresce num outro parâmetro  os proprietários das terras 4 e outros tantos alegadamente incógnitos e os restantes 15 afectos ao sector secundário – transformação de produtos (pequena industria e artesanato)  e são elas: fiadeiras, tecedeiras, costureiras, soqueiro e alfaiate, pedreiro e almocreve. (não esqueçamos que o linho e a lá estão na base do vestuário usado à época.












escreveu Martinho Rocha

domingo, 1 de dezembro de 2013

Nojões, em festa!

Há 500 anos neste dia, ou mesmo nos dias imediatos, dificilmente alguém de Paiva ou de Nojões saberia da atribuição do Foral à Terra de Paiva por D. Manuel .
Só a 6 de Maio o feito teria honras de comemoração, que o povo, por ter estado presente ou por ouvir dizer, podia atestar e jurar, ser  verdade o mesmo ali ter sido entregue no ano de 1517 contra o pagamento de setecentos e tal reais, portanto, só passados 3 anos e 5 meses  e seis dias.
Hoje é dia de festa, comemorada a preceito. E as papas e a broa, uma maravilha!


Nojões esteve à altura. Parabéns à organização (Associação Social e Cultural de S. Gonçalo de Nojões, ADEP e Grupo Desportivo de Castelo de Paiva) e aos participantes. Gratos ao apoio prestado pelas Junta de Freguesia de Real e Câmara Municipal. Paralelamente à caminhada decorreu a estafeta, foi lançado o calendário de parede da ADEP para 2014 e plantaram-se dois carvalhos !

E para o ano, há ou não comemoração a 6 Maio ? A palavra a quem tem organizado estes eventos.

sábado, 30 de novembro de 2013

As casas da Cadeia: de Nojões e de Sobrado !


O Edifício da Cadeia na Praça da República e Largo do Conde foi construído para substituir a antiga Casa de Audiências e Cadeia de Nojões. A sua construção, paga a expensas do concelho,  foi decidida por sua Majestade em 1775, na sequência de exposição feita por juíz e mais oficiais da Câmara do concelho alegando que estava de tal forma degradada (a casa de audiências e cadeia de Nojões ), que  os presos com culpa grave tinham de ser levados para cadeias (mais seguras) de cabeça de comarca e “se metiam nela os presos, logo saiam para fora” …“quando chovia, eram obrigados a socorrerem-se de casas particulares alugadas para o efeito” coisas que além do prejuízo que acarretavam levava a uma grande falta de temor da justiça…
Em 1832 já o edifício servia de Casa de Comarca e Paço Foral das Audiências, como pode ver-se num interessante “abaixo-assinado” dirigido a Sua Majestade, pela Câmara, Clero, Nobreza e Povo deste concelho.

O texto anexo foi elaborado a partir de consultas feitas no Arquivo da Casa de Bragança, em Vila Viçosa, e fundamentou o pedido de classificação do Edifício da Cadeia, que a ADEP apresentou na SEC (Secretaria de Estado da Cultura) no início da década de 80.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

DUAS DATAS, MAS UM SÓ FORAL !

No domingo 1.º de dezembro de 2013 comemora-se o 500.º aniversário da outorga por D. Manuel I do Foral à Terra de Payva.
No dia 6 de maio de 2017 comemorar-se-á o 500.º aniversário da entrega do mesmo em Nojões, contra o pagamento de 700 reais, na presença de diversas individualidades como se diz:


“Anño Do nascjmento De nosso Senhor Jhesu christo De mjll e quinhentos e dezasete anños ssejs Dias Do mês De Majo Em o Vyllar de Nojõees que he ê termo Do Jullgado e terra De Payua no alpêdere De Gonçalo annês çapateyro EstanDo hy ffernam Dalluarez e Gonçalo pirjz Vereaedores e lujs alluarez pprocurador do Cconcelho e Joam añes Do Dicto logo e Joam alluarez De Nojoêes e outros homêes Do Dicto Concelho e bê assy estando hy alluaro barrosso criado e meyrjnho e pprocurador Do Senhor Lopo De soussa Senhor Da Dicta terrã – parecêo hy perante elles bras de ferreyra scripuã Dalfandega e allmoxarife daueyro e logo per elle foy amostrado hû Regimento que falla Da maneira ê que sse am De lançar os forãees e bê assy appressetou este forall que ffoy pobricado a todos e outro tall E este carregou aos Dictos Vereaedores e pprocurador e homêês bõõs e lhes Requereo que o conprise como ell rrey per elle mãda e que lhe pagãse setecentos rreaaes que sse nele monta e elles Receberam o Dicto forall e Diserõ que lho pagarjam testemunhas prresêtes erão Gonçalo pirjs / morador ê fornos e antonjo martjnz De ssãa E outrros e eu Johãm ffernandez tabeliam puprico e Judiciall no Dicto Concelho e escrispuã Da câmara que a todo fuy pressête e o esto escrepuy” 

domingo, 24 de novembro de 2013

Santo António e seus ascendentes na versão de Pinho Leal


                                    Capela de Santo António - Casa da Boavista


S. João / Santo António: qual deles festejar em Paiva?

Haverá argumentos para ambas as escolhas. Em todo o caso  agora em  plena comemoração de S. João com folguedos tamanhos, marchas, foguetórios e noitadas animadas em que até o vinho vai escorrer pelas gargantas, haverá quem aconselhe se deixe o assunto no sossego, como de resto tem estado.
Pode parecer portanto despropositado em plenas comemorações de S. João vir falar de Santo António e se a favor daquele pesam estes anos de tradição com marchas e bailaricos  a mobilizar as escolas e os bairros, a favor deste temos locais que passados estes anos continuam a fixar lendas que não esquecem aos populares e que fascinam autores e poetas, narrativas das andanças e proezas pelas fontes e  caminhos da criança prodígio que viria ser “ O Santo” como carinhosamente é tratado em Pádua. 
Discutir o assunto nesta ocasião,  áparte a presumida falta de concentração por causas dos festejos, terá as suas vantagens para se ponderarem/compararem os gastos/investimentos que temos vindo a  fazer no S. João. É que deve pesar-nos na consciência o estado em que estamos a deixar cair esses locais de referência, alguns a saque, todos ao abandono e degradados.

Quando se perceber que a defesa que se faz pela preservação da memória e divulgação deste valor cultural não acontece por qualquer capricho, adoração de santidade – ainda que ela tenha grande valor social e espiritual - , clubite ou partidarismo, então talvez estejamos no bom caminho e todos tenhamos algo a ganhar. É que Santo António é possivelmente o português (e de ascendência paivense!), mais conhecido por esse Mundo fora, desde sempre, qual Figo, Cristiano Ronaldo ou António Guterres. Veja-se a profusão de imagens, em altares, nichos de azulejos, estátuas e memórias por tudo quanto é sitio, nos quatro continentes, como se pode ver na obra de Mário Gonçalves Pereira “Santo António de Lisboa – encontro nas origens – Castelo de Paiva”, que a ADEP ajudou a publicar recentemente.


                                  ____________________________


De Pinho Leal, desse incontornável historiador, que merecia nome de rua na nossa terra, que nos deixou algumas deliciosas referências sobre os nossos valores sociais e culturais e as muitas, não menos credíveis, constatações de inúmeros vestígios arqueológicos e não só; a que obrigatoriamente havemos de voltar, transcrevemos: " Com razão se ufana esta villa de ser pátria de D. Soeiro de Azevedo, que aqui viveu e falleceu.
A uns 150 metros a O.N.O. da egreja matriz, e do lado da retaguarda d'ella, em um mato, se vê um montão de entulho, e tenues vestígios de alicerces que, segundo a tradição, são restos do paço em que viveu e falleceu D. Soeiro.
De D. Soeiro e de sua mulher, nasceu Maria Soares de Azevedo que casou em S. Vicente da Calçada, acima de Entre-o-Rios (na margem direita do Douro) e deste casamento nasceu D. Theresa d'Azevedo, que casou em Lisboa com Martim (ou Martinho) de Bulhões e foram paes do nosso popular Santo António de Lisboa"(*).
Referência interessante esta se considerarmos que esses vestígios de alicerces resistiram até aos finais do século passado, a esse sítio, ou seja a esse terreno se chamou "O campo de trás da Torre". Efectivamente podemos testemunhar que um residente e seu proprietário nos assegurou que no local onde procedeu a obras de construção "havia de facto uma entulheira antiga ". Episódios destes poderiamos inumerar bastantes...e nem por isso foram (que se saiba) objecto de um estudo mais recente e avalisado, tanto mais que também há quem goste de desconsiderar os relatos e opiniões de Pinho Leal. 
Esquecemos com facilidade que há época (1880) não existiam ainda boldozeres e retroescavadoras e não se fazia então sentir pelos outeiros e quebradas (qual eco, encontrado em Paiva, a que também Pinho Leal quis deixar associado o seu dote de ouvidor, deixando disso registo, e de que havemos de falar...) tal surto de construção que tudo arrasou à sua passagem, como nos aconteceu até à crise em que caímos; além de que Pinho Leal  viveu alguns anos em Paiva. 
E é por estas razões que tantas e tantas vezes apelamos para que haja respeito pelos locais e vestígios arqueológicos, (incluimos aqui naturalmente as construções e terraplenagens, as plantações desenfreadas de eucaliptais, mas também os trilhos de desportos radicais e outros) sendo que os mesmos estão protegidos por lei e isso deveria bastar porque qualquer atropelo ou desrespeito é também uma ofensa e empobrecimento da nossa consciência cívica e cultural.

(*) sobre este tema hoje recomendamos a aquisição da obra "Santo António de Lisboa- encontro nas  origens- Castelo de Paiva" de Mário Gonçalves Pereira. (à venda na ADEP, no Posto de Turismo, no intermarché, na Tabacaria Mil e no Hotel da Raiva).

Para saber mais ver neste blogue o
separador Santo António...





escreveu Martinho Rocha

sábado, 23 de novembro de 2013

Florestar Portugal Hoje !

Cerca de 60 árvores  entre tílias, carvalhos franceses, lódãos e azevinhos foram hoje cedidos pela  ADEP e saíram do Parque das Tílias no âmbito do programa Florestar Portugal para serem plantados no Gilde e em São Martinho. Está ainda a ser programada a plantação de 6 oliveiras em Oliveira do Arda e um carvalho português em Nojões, este no próximo dia 1 de Dezembro para assinalar a efeméride.