Após mais de uma década de acompanhamento, divulgação pública e defesa do seu valor patrimonial, tivemos finalmente conhecimento da conclusão do processo de classificação da "Centenária" Ponte Velha de Pedorido, agora reconhecida oficialmente como Monumento de Interesse Municipal.
Fomos à procura da documentação produzida no âmbito deste processo, que ficará disponível para consulta dos nossos apoiantes no Patreon, constituindo mais um importante contributo para o conhecimento da história e do património local.
Trata-se do desfecho de um percurso longo e por vezes complexo, marcado por sucessivas diligências administrativas, pareceres técnicos e intervenções de diversas entidades. Durante este período, a ponte foi também objeto de obras de conservação e restauro, circunstância que permitiu salvaguardar uma estrutura de elevado significado para a memória coletiva das populações ribeirinhas do Douro e do Couto Mineiro do Pejão.
A singularidade desta ponte reside precisamente na sua dupla história. Construída inicialmente para o trânsito rodoviário e pedonal, viria, a partir de 1925, a servir igualmente o transporte ferroviário associado à exploração mineira, tornando-se uma das mais expressivas testemunhas da epopeia industrial que marcou profundamente esta região.
Ao longo dos anos, neste processo colaboraram diversas pessoas, associações e instituições culturais e sociais, cada uma exercendo, à sua maneira, os seus direitos e deveres de cidadania. Nem sempre existiu coincidência entre as posições defendidas pela sociedade civil e as decisões tomadas pela Administração Pública, o que é natural em processos desta natureza.
No nosso caso, continuamos a entender que os valores históricos, tecnológicos, ferroviários, industriais e paisagísticos da Ponte Velha de Pedorido justificariam uma classificação de âmbito superior, nomeadamente como Monumento de Interesse Público. Da mesma forma, durante o processo de reabilitação defendemos a preservação dos carris da antiga linha mineira e uma solução de valorização integrada da locomotiva existente, permitindo uma leitura mais completa da memória ferroviária do local e a sua adequada proteção.
Independentemente dessas divergências, importa hoje assinalar o que verdadeiramente importa: a ponte está classificada, foi recuperada e vê finalmente reconhecido o seu valor patrimonial, assegurando melhores condições para a sua preservação e transmissão às gerações futuras.
Registamos igualmente com particular satisfação que a sua história continua a despertar interesse junto das novas gerações. Nesse sentido, merece destaque o trabalho atualmente em curso pelos alunos da Escola Básica do Couto Mineiro, que estão a desenvolver um registo fílmico dedicado à ponte, à sua memória e às vivências das populações que com ela conviveram ao longo de décadas.
A iniciativa, orientada pelo Professor Rui Pereira — nosso associado e colaborador — constitui um excelente exemplo de como o património se preserva não apenas através da classificação legal ou da recuperação física dos monumentos, mas também pela recolha das memórias, dos testemunhos e das histórias de vida que lhes dão significado.
A todos os envolvidos neste projeto educativo e cultural deixamos as nossas felicitações e o reconhecimento pelo seu contributo para a valorização da história local.
A Ponte Velha de Pedorido é agora um monumento classificado. Mas continua, acima de tudo, a ser uma ponte entre o passado, o presente e a memória coletiva das gentes do Douro e do Couto Mineiro do Pejão.






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