segunda-feira, 6 de julho de 2026

A Caminho de Santiago de Compostela!







Uma caminhada familiar organizada com tempo e em tempos e distâncias limitadas.

Etapas mensais com quilómetros percorridos limitados a 10 a 12 km, por forma a permitir que o caminhante mais idoso, um ancião pai de três filhos e avô de três netas, possa incorporar-se no grupo familiar que está predisposto a atingir o objetivo de num período aproximadamente 3 anos, sem pressas, sem desânimos, sem constrangimentos nas suas vidas profissionais e académicas e mesmo dos momentos de lazer, que em domingos pré-determinados, possam caminhar em grupo, de 4 a 10 elementos, formado por si, dois filhos e noras, filha e genro e três netas, que se encontrem disponíveis, a cada de domingo agendado, para essas caminhadas. Paulatinamente vão calcorreando os trilhos mais propícios à sua viagem pedestre, tentando evitar as grandes vias de circulação do trânsito automóvel, sempre poluentes nas suas diversas formas de poeiras, gases e ruídos, resguardando-se de eventuais acidentes, procurando, ao mesmo tempo, encontrar trajetos de antigas vias, caminhos romanos, que os há, por estas terras dos Vales dos rios Arda, Sardoura, Douro, Sousa e mesmo o Vizela, alguns deles sinalizados pela Rota do Românico.

O caminho, no concelho de Castelo de Paiva, foi definido e mapeado, tempos atrás, aquando da

elaboração pela ADEP do Guia do Peregrino, definindo os trajetos relativamente aos Caminhos de

Santiago e de Fátima.

O grupo definiu que a caminhada tem de ter a concordância dos que podem avançar no que respeita

à data programada para cada etapa, tendo sempre em consideração que no final da caminhada será a

hora de almoçar, e, por isso, convém pesquisar os locais onde se possa tomar essa refeição.

Primeira etapa:

Neste Caminho de Santiago, na primeira etapa, o grupo partiu da extrema sul do concelho de

Castelo de Paiva, na Ponte do Arda e definiu-se que terminaria na zona de Cruz da Carreira.

Subimos pela estrada nacional, atravessando as rotundas do Pejão e de Carvalho Mau em direção a

Sabariz. Nessa zona de Carvalho Mau, recordaram-se os monumento megalíticos pré-históricos, de

3 mamôas, ali existentes.

E daí até à Cruz da Carreira, aproveitando a descida, o avançar do grupo tornou-se mais compacto e

com probabilidade de conversas mais cara a cara e sem desfasamento nos movimentos das pernas

andarilhas.

Segunda etapa:

A segunda etapa avançou pelo centro de Nojões até ao vale do rio Sardoura, que atravessamos pela

pequena ponte pedonal, a norte da ponte do concelho, que nos introduziu no antigo caminho

mineiro percorrendo a encosta até nos entroncarmos com a estrada N222, e passando junto do

Cemitério logo se alcançam a Travessa do Mineiro e Rua Emídio Navarro, Largo do Conde e

Marmoiral da Boavista, da Rota do Românico.

Nas redondezas, os caminhantes não podem, nem devem, perder de vista as terras dos progenitores

de Santo António, de Gondim, da Cerrada e mesmo as de Vegide, onde encontrarão as

emblemáticas sepulturas de antanho designadas por Pia dos Mouros, memórias sepulcrais de

ancestrais habitantes desta zona.

Continuando o caminho até ao alto de Vegide, ali no topo do monte, depara-se-nos uma ampla

janela aberta sobre as terras verdes de S. Martinho de Sardoura e de Santa Maria de Sardoura e

descemos, descemos, deslumbrados, até à Cruz de Agra, cruzando a estrada N224, para voltarmos a

subir nova encosta e pelo cume do Monte, via Espinheirinho, não tardou, chegarmos à rua do Areal

e daí a Boure e à ponte nova Hintze Ribeiro, que nos permite atravessar o rio Douro, para

ingressarmos nos caminhos do concelho de Penafiel . Ali, sempre nos espera uma subida íngreme e


difícil até atingirmos o local do fim da etapa: as Quintas de Abôl de Cima e Abôl de Baixo, a menos

que tomemos outra alternativa, contornando a tal encosta de subida difícil e penosa, avançando pela

estrada até próximo do Inatel, na Torre, onde se pode voltar à esquerda para apanhar as vias

interiores até próximo da Rotunda do Pingo Doce / Hospital e daí até Lodares, na terceira e quarta

etapas.

Terceira e quarta etapas:

Nas terceira e quarta etapas atravessamos o território do concelho de Penafiel, iniciando a

caminhada no ponto de chegada da segunda etapa, Quintas de Abôl. Entramos no concelho de

Lousada, com finalização previamente prevista para a zona de Lodares.

A caminhada realizou-se na base do “sempre que possível, encurtar caminho” e procurar recuperar

vias antigas de rotas de peregrinações diversas, paralelas às vias de trânsito principais, mas

acessíveis do ponto de vista pedonal, procurando, ao mesmo tempo, passar junto de templos

religiosos que se deparem nos nossos caminhos e visitá-los, aproveitando para alguns minutos de

descanso.

As quinta e sexta etapas estão previstas serem realizadas, entre Lodares e Lustosa no concelho de

Lousada e entre Lustosa e “algures” no concelho de Vizela, junto à N 105.

Desde esse local até ao Castelo de Guimarães tenciona-se percorrer mais uma, perfazendo assim um

total de 7 etapas no percurso desde Castelo de Paiva a Guimarães.

E porquê Guimarães?

Guimarães foi uma cidade fulcral nas Rotas de Santiago, muito antes do seu contexto histórico da

Independência e Fundação de Portugal.

Por isso, pensamos entrar aí no secular Caminho de Torres que liga Salamanca, via Guimarães,

Braga e Valença do Minho a Santiago de Compostela, na suposição, de que não há alternativa a esse

antigo caminho, em terras de Portugal.

De Guimarães avançaremos em direção às Caldas das Taipas, Serra da Falperra, Braga, Ponte de

Lima e por fim Valença do Minho.

De Guimarães a Valença a previsão aponta para 10 etapas ao ritmo de 10 km por etapa.

Ou seja, no total será um percurso de 17 etapas entre Castelo de Paiva e Valença do Minho.

De Valença a Santiago seguiremos o percurso definido pelos Galegos e que consta no Guia do

Peregrino editado pela ADEP.

O grupo parece estar a ser movido por uma atração magnética que o encaminha para Santiago,

mentalizado de que o tempo não conta, demore muito ou pouco, o que conta é que sempre se avance

até concluir, não uma “promessa”, mas a iniciativa assumida de se tentar chegar quando se chegar!

Cada percurso, cada nova descoberta é sempre única. Os nossos olhares vão cruzando com os

olhares de outras personagens que nos mesmos caminhos seguem outras direções e destinos

diversos.

E não há pressa em chegar, de facto! O grupo terá todo o tempo para quando entrar em Santiago, na

Catedral, focar-se na Cripta do Apóstolo, no Altar-Mor com a sua imagem, no icónico pórtico da

Glória, na Missa do Peregrino e no espetáculo sempre presente do balancear do Botafumeiro, o

incendiário com cerca de 80 kg, também descer as escadas da Girola e chegar ao Mausoléu

subterrâneo com os restos mortais do Apóstolo Tiago, subir depois ao altar e dar o tradicional

“abraço” à imagem que representa a figura do Santo.

Só então, teremos cumprido, realizado o nosso caminho até Santiago de Compostela.


Que os paivenses sigam os nossos passos e bendigam São Tiago.

Mário Gonçalves Pereira