O programa nacional já tem datas:7, 8 e 9 de Abril. O Programa da ADEP será oportunamente anunciado. No ano passado os espaços da Casa dos Engenhos "Dr. Justino Streht Ribeiro" e Museu Etnográfico "Primeiras Artes" esteve aberto e foi organizada uma caminhada, em parceria com o agrupamento dos Escuteiros 1258/Fornos, que foi até ao rio Arda; mostrando e assinalando para os participantes e futuros passantes os locais das primeiras Minas do Pejão e diverso património afeto como o cavalete de extração do Fojo, forno comunitário de Folgoso e ainda a fábrica de papel mais antiga do concelho. Fica desde já o convite e o desafio!
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Dia Nacional dos Moinhos Abertos 2017
O programa nacional já tem datas:7, 8 e 9 de Abril. O Programa da ADEP será oportunamente anunciado. No ano passado os espaços da Casa dos Engenhos "Dr. Justino Streht Ribeiro" e Museu Etnográfico "Primeiras Artes" esteve aberto e foi organizada uma caminhada, em parceria com o agrupamento dos Escuteiros 1258/Fornos, que foi até ao rio Arda; mostrando e assinalando para os participantes e futuros passantes os locais das primeiras Minas do Pejão e diverso património afeto como o cavalete de extração do Fojo, forno comunitário de Folgoso e ainda a fábrica de papel mais antiga do concelho. Fica desde já o convite e o desafio!
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
A Capela do Espírito Santo em Vila Verde (no Terreiro) encerra um segredo!
ROTA DO
ROMANO/MEDIEVAL
(Marco de Canaveses)
"No
ordenamento romano do séc. II d.C., o rio Douro servia de fronteira entre as
províncias de Tarraconense (a norte/margem direita) e a Lusitânia (a sul/margem
esquerda), acarretando essa divisão administrativa distintos ritmos de
crescimento e de desenvolvimento. No entanto, mantinha-se uma ritualidade
religiosa similar nas terras ribeirinhas das duas margens, segundo conclusões
da investigação arqueológica recente.
Tomar
contacto com estes conhecimentos e, em simultâneo, percorrer os espaços e
observar as paisagens que acolheram estas vivências antigas é uma boa
justificação para o presente itinerário, estando em experiência, por agora,
apenas o troço de estrada S. Nicolau a Tongobriga."
(Fonte: Folheto de Divulgação do Projecto)
O
troço experimental, com início em S. Nicolau, compreende:
Visita
à Igreja de S. Nicolau, de estilo românico, que ainda apresenta no seu interior
restos sobrepostos de frescos de diversas épocas, sendo a maior parte
atribuíveis ao séc. XVI. À direita da Igreja de S. Nicolau pode visitar também
a Capela de S. Lázaro bem como o cruzeiro da Boa Passagem que se encontra em
frente à Igreja.
Continue
subindo a pé a rua romano/medieval e pare junto à Albergaria de D. Mafalda e
capela do Espírito Santo que terá servido para albergar nove peregrinos que se
dirigiam a Santiago de Compostela.
in "Marco de Canaveses, Um Município em Movimento"
in "Marco de Canaveses, Um Município em Movimento"
(Castelo de Paiva)
A semelhança destas duas capelas é mais que evidente. Aconselhamos a inclusão nesta rota da Capela do Espírito Santo em Vila Verde (no Terreiro).Tudo indica que esta Capela (do Espírito Santo situada no Terreiro, Vila Verde), que em 1758, estava arruinada, e foi portanto reconstruída nos século XVIII e XIX, onde nas imediações já encontramos a célebre ara pré cristã - (em pleno e farto celeiro agrícola do rio Sardoura) - desempenhou no passado uma função social caridosa de albergue e ajuda aos peregrinos e caminhantes que passavam por esta via indo e vindo de Santiago de Compostela, como acontecia no Marco de Canaveses.
Albergaria de Canaveses e Capela do Espírito Santo
A Capela do Espírito Santo em Vila Verde (no Terreiro)
(foto OTL - Arquivo Luis Lousada Soares/ADEP)
Até nas linhas arquitecturais temos uma réplica perfeita,
senão vejamos. Na foto, é fácil divisar uma fachada “tirada a papel químico” da
fachada da Capela do Espírito Santo do Marco de Canaveses. Desta se diz que é de
arquitectura civil, medieval e maneirista; que o Paço foi transformado em
albergaria, por ordem da rainha Santa Mafalda. A albergaria consiste num
conjunto de edifícios térreos, virados para a estrada romana/medieval, (como
acontece em Vila Verde) mas que até aos dias de hoje sofreram grandes
modificações que lhe alteraram a traça original. Segundo a tradição e a
interpretação de vários investigadores, foi mandada construir por D. Mafalda
uma albergaria junto à capela do Espírito Santo (VASCONCELOS,1935) de que ainda
permanece uma pequena casa térrea já alterada (hoje é uma adega). No interior
desta estrutura é detectável uma janela aberta para o interior da capela, ou
seja, quem estivesse no interior do edifício, a atual adega, ouvia as missas
ditas na capela sem ter de se deslocar.
E se a fachada foi tirada a papel
químico também a nossa Capela de Vila Verde tem igualmente uma janela aberta,
para que quem estivesse nos aposentos anexos. Num e noutro caso hoje os espaços
anexos estão ao serviço de casas rurais e agrícolas, servindo de adegas e
espaços de habitação. Na capela do Marco refere o autor que ainda é
visível uma padieira (em xisto) e junto à adega, existe um conjunto de pequenos
compartimentos, pouco espaçosos, mas, que no seu total, dariam para albergar
talvez nove ou um número um pouco maior de peregrinos.
Graça, L. “Hospitais e
outros Estabelecimentos Assistênciais até ao Final do Século XV” diz-nos: “Quanto às albergarias (tal como as gafarias), sabe-se
que a sua existência é anterior à própria fundação da nacionalidade. Tenderão
entretanto a desaparecer entre nós, embora mais lentamente do que no resto da
Europa, a partir do fim da Idade Média, com o progressivo declínio das
peregrinações.
Grande parte das albergarias situavam-se junto a
mosteiros e igrejas, povoações e estradas mais importantes, nomeadamente ao
longo do caminho de Santiago, e em particular a norte do Mondego.
Às primeiras rainhas atribui-se igualmente a fundação
de diversas albergarias, como, por exemplo, aquela que terá dado origem ao
toponónimo Albergaria-a-Velha, criada em 1120 por Dona Teresa, mãe do primeiro
rei de Portugal. Ou a de Chaves, mandada construir por D. Mafalda.
Os primeiros reis de Portugal também se preocuparam
com a manutenção e a extensão da rede de albergarias — caso de D. Sancho I que
no seu testamento de 1209 deixa legados, em dinheiro, a diversos
estabelecimentos do género existentes no centro e norte do país.
Como diz o historiador Veríssimo Serrão (1990, vol. I.
221), "falta um mapa global para reconstituir esses marcos de cobertura
viática, mas para certas ordens há elementos precisos. Assim, no que respeita
aos mosteiros beneditinos que ficavam a norte do Mondego, possuíam albergues:
uns, da invocação de Claraval, como Maceira Dão, Lamego, Sever e Tarouca; e
outros, ligados à regra de Cister, como Moimenta, Tabosa, Arouca e
Bouças".
Correia (1938) situa as principais albergarias
sobretudo ao longo das antigas estradas romanas, tal como de resto uma boa
parte dos outros estabelecimentos de beneficência. Na mesma localidade, podiam
coexistir, aliás, diferentes tipos de estabelecimentos: Albergarias,
Mercearias, Gafarias, Hospitais e Hospícios, para além dos Conventos. De
qualquer modo, a sua concentração é sobretudo ao longo da rede viária romana ou
de outras vias de comunicação utilizadas pelos peregrinos que, de França,
Espanha e Portugal, demandavam Santiago de Compostela. Essa concentração era
mais evidente em troços como:
- Vila Real de Santo António/Mértola/Beja/Alcácer do Sal/Setúbal
- Beja/Évora/Estremoz/Arronches/Badajoz
- Lisboa/Santarém/Coimbra/Porto
- Porto/Braga/Santiago de Compostela
- Alcântara (Espanha)/Idanha-A-Nova/Guarda/Penafiel/Braga/Santiago
(sublinhado nosso, para lembrar que na margem sul correspondente está
Paiva, com o conhecido atravessamento para Várzea do Douro (próximo do Convento de Alpendurada), no Castelo e além disso com inúmeros portos,
cais e embarcadouros de Pedorido, Fontaínhas, Midões, Gramão e Boure).
·
Aqui nas imediações desta capela temos de
memória visual caminhos calçados de enormes fragas graníticas desgastados com
enormes sulcos dos rodados e que se não estão
hoje visíveis, nem sequer referênciados como passagem, de importante via
antiga, a sua presença não será mera obra do acaso, mas há-de dever-se à
proximidade dos rios Douro e Sardoura; da situação
geográfica do território e sua ligação a locais (Nojões) e territórios vizinhos importantes (Arouca). Castelo,
Boure, e Gramão que foram importantes lugares de travessia e embarque no Douro. Nojões e Várzea são locais de passagem de peregrinos, vindos do sul e de leste como
pode muito bem ser o de passagem para Santiago de Compostela na Galiza.
Pena que não
tenhamos tido ainda acesso a documentação (se é que ela existe) sobre a
história desta Capela (do Espírito Santo de Vila Verde) para que se possa fazer
luz sobre o passado que encerra; sendo certo que é mais
um importante referencial para confirmar o que temos defendido da
inevitabilidade da passagem de uma importante via medieval e quiça romana de
acesso e atravessamento dos rios Sardoura e Douro passando por Vila Verde e Nojões.
transcrições e texto de Martinho Rocha
transcrições e texto de Martinho Rocha
domingo, 22 de janeiro de 2017
Pedorido: na senda do Mineiro e do penedo Lastrão!
Oportunidade de tertúlia e conhecimento duma realidade rural adormecida e ainda não acordada pela administração nem pelo turismo.
Para quem não teve oportunidade de participar, fica a recomendação de que vale a pena, numa próxima...
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
150.000 visitas a adep-paiva.blogspot.com
Agradecemos as
150 000 visitas a
adep-paiva.blogspot.com
Obrigado!
(Este ano já com mais de 50 000 visitas!)
quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
"... fazemos a vós Rei Garcia (...) escritura de todas as nossas propriedades na terra de Paiva, a vila Gondim e a vila de Sobrado, no Douro, acima do Arda, em Paiva."
Vila
Gondim e Vila Sobrado, “Honras” medievais já no século XI
Quintãs
onde se instalaram Bulhões, ascendentes de Santo António, provenientes de
França, através da Galiza, convidados pelo Conde D. Henrique, pai de D. Afonso
Henriques, 1.º rei de Portugal
“Nos nominibus Garsea Monniniz et conjuge mea
lelvira…facimus a vobis Garsea rex textus scripture et kartula benefactis de
omnes nostras hereditates quicquid sumus habere de aviorum parentorum atque…It
sunt…in terra de Pavia villa Gondin
et villa Soperato…in Durio et de
Alarda in Pavia”.
(“Diplomata et Chartae”, documento 451
de 1066)
“Nós
de nome Garcia Moniz e minha esposa Elvira fazemos a vós Rei Garcia (filho de Fernando Magno rei de Leão que
conquistou lamego, Viseu e Coimbra aos Mouros)[1]
escritura e carta de benefícios de todas as nossas propriedades que temos de
avós e de parentes, as quais jazem na terra de Paiva, a vila Gondim e a vila de
Sobrado, no Douro, acima do Arda, em Paiva.
Quatro
anos depois, o Rei Garcia, da Galiza, doa estas mesmas propriedades, (e outras
mais, onde inclui as da freguesia de Real, também na terra de Paiva) a D.
Afonso Ramires (Adefonso Ramiriz), como recompensa por serviços prestados:
“Ego Garsia gratia Dei rex filii Fredenandi
imperatoris et Sanctia Regina tibi fidele meo Adefonso Ramiriz...placuit mihi
ut facerem a tibi Adefonso Ramiriz textum scripture et kartula firmitatis…de
illa parte Dorio villa Gundin, villa Soperato,
villa Gelmiriz[2]...villa
Rial…
(“Diplomata et Chartae”, documento 491
de 1070.
Segundo
a dinastia de Asturias – Leon, sabe-se que, anteriormente a estas datas, o
reino medieval de Leão teve a sua origem na transferência da capital do reino
das Astúrias de Oviedo para a cidade de Leão, nos tempos de Afonso III das
Astúrias. Mais tarde Afonso III dividiu o seu reino pelos três filhos: Fruela
II governou nas Astúrias, Ordonho II na Galiza, e Garcia I em Leão, em 910.
Entidade
hegemónica, por alguns períodos de tempo o reino de Leão dividiu-se noutros
vários reinos (Castela, Galiza, Portugal), para depois se voltar a unificar
(excepto Portugal), que não mais voltou à sua jurisdição.
Com
Afonso III de Leão, em 868, as terras abaixo do rio Minho ter-se-ão designado
por “Portucale”, designação que terá permanecido até 1096, quando passou a
designar-se por Condado Portucalense.
Os
reis de Leão, desde Afonso III, em 866, foram-se sucedendo no tempo e em 1037
Fernando I de Castela passa a governar, também, com D. Sancha I, com quem
casara, o reino de Leão. Após a morte deste D. Fernando, o reino foi repartido
pelos seus três filhos: a Galiza para Garcia; Castela para Sancho (II) e Leão
para Afonso (VI).
Garcia
terá governado a Galiza por pouco tempo: entre 1065 – 1071/72, porque envolvido
em guerras, delas saiu a perder e teria sido encarcerado até ao fim da vida. Seu
irmão, Afonso VI de Leão, assumiu, então, o reinado da Galiza a partir de 1071,
bem como o de Castela, em 1072, tornando-se Imperador de Castela e Leão a
partir de 1073, até 1109.
Foi
a este Rei Garcia, da Galiza, a quem foram entregues as “villas” da terra de
Paiva.
Com
a queda do Rei Garcia, da Galiza, o irmão Afonso VI, que governou entre 1065 e
1109, as terras entregues ao Rei Garcia, voltaram à posse de familiares dos
anteriores proprietários, mas terão sido compartilhadas com outros
cavaleiros-fidalgos oriundos da Galiza, mas originários da Borgonha e da
Lorena, de famílias nobres francesas aí reinantes, cavaleiros que vieram de
França em auxílio dos reinos de Leão e da Galiza, a pedido destes e com as quais
passaram a estabelecer laços de amizade (Leão e Borgonha) acabando por se
consolidar tais laços através de casamentos entre as famílias dos dois reinos.
Assim,
D. Urraca I, de Leão, Casara com Raimundo
da Borgonha[3], em primeiras núpcias[4].
Filha única do enlace entre D. Afonso VI de Leão e de Constança da Borgonha, sua terceira esposa. Urraca sucede a seu pai
Afonso VI, tendo reinado, entre 1109 e 1126. O seu casamento com Raimundo fortalece
o relacionamento entre as famílias reinantes de Leão e Galiza com a família da Borgonha
e traz como consequência a deslocação de muitas pessoas entre esses condados, sendo
de maior afluência a que se verificara entre a Borgonha e a Galiza, mas também entre
a Lorena
e a Galiza, uma vez que Raimundo da Borgonha, filho de Guilherme I,
conde da Borgonha e de Estefânia Borgonha, e sendo esta filha de Adalberto da Lorena
e de Clemência de Foix, certamente Adalberto da Lorena não deixaria de ter influência nessa migração de nobres cavaleiros.
E
este casamento, bem como o de outra sua filha, terão resultado de favores de
Afonso VI para com o reinado da Borgonha, a quem pedira auxílio para combater
os seus opositores ou inimigos, já que D. Afonso VI, terá pedido auxílio, em
1087, aos cristãos do outro lado dos Pirinéus, chamada a que corresponderam
muitos nobres da Borgonha, entre eles D. Raimundo e D. Henrique.
Afonso
VI de Leão casara, então, a sua outra filha, Teresa de Leão, meia-irmã de D.
Urraca (que não era filha de Constança, mas de outra mulher) com Henrique de Borgonha, que viria a ser o Conde
D. Henrique de Portucale e depois do Condado Portucalense, cunhado de Raimundo
da Borgonha e irmão de Hugo I e de Odo I, duques, filhos de Roberto I da
Borgonha.
D.
Henrique parece ter sido seduzido pelo movimento das cruzadas do se tempo,
chegando mesmo a incorporar-se numa delas.
Neste
movimento das cruzadas e na migração de cavaleiros entre a Borgonha e a Galiza,
estaria envolvido, com grande eficácia, D.
Hugo abade de Cluny, tio-avô de D.Henrique, sendo que este, D. Henrique,
foi o líder de um grupo de cavaleiros, monges, clérigos e políticos, de origem
francesa que exerceram uma grande influência na península Ibérica, em especial
nas Astúrias-Leon e por extensão Portucale, onde impulsionaram muitas reformas
e os costumes cluniacenses e rito romano.
É
lícito aceitar que nesse grupo estariam incluídos alguns descendentes dos “Bouillon”
franceses, provindos da Lorena, em
que uns se fixaram em Oviedo, nas Astúrias, onde ainda hoje se encontram os
“Bullón” de Oviedo, e outros na terra de Paiva, e também por Viseu, terras que,
ao tempo, estariam sob a jurisdição dos senhores da Galiza, fixando-se nas Quintâs de Gondin e Sobrado, onde
surgiram os “Bulhões”, que se
encontram descritos na árvore Genealógica de Santa Cruz das Serradas,
ascendentes de Santo António, no Cartório da Casa da Boavista, em Castelo de
Paiva.
Assim
se compreende a ligação do ou dos Bulhões de Santa Cruz das Serradas, de Gondim,
em terra de Paiva, com os “Bouillon” de França, da Borgonha e da Lorena, via Adalberto da Lorena, descendentes de
Godofredo de Bouillon da Baixa Lorena
e também com os “Bullón” que ficaram por Oviedo.
Segundo
o Cartório da Casa da Boavista e pela Árvore genealógica dos Bulhões de Santa
Cruz das Serradas, esse “Bulhões” teriam ocupado uma parte da Quintã de Gondim,
(Santa Cruz das Serradas, com entrada pelo Portal que ostenta no Brasão o escudete
dos Bulhões), onde já viveria D. Pedro Trocozendo de Paiva que, segundo nota
inscrita na árvore genealógica, foi
contemporâneo do rei Afonso VI de Leão, pelo que entre eles, certamente,
teria havido troca de mensagens, face aos factos antecedentes com as cedências
e transferências de propriedades, ao tempo do rei Garcia da Galiza.
Por
outro lado, sabe-se, também, que Raimundo da Borgonha, cunhado de D. Henrique,
casado com D. Urraca, esteve ligado externamente ao condado de Portucale, entre
1093 e 1096, tendo-lhe sucedido Nuno Mendes e, posteriormente D. Henrique, que
o veio a transformar, oficialmente, no condado Portucalense, continuado por sua
mulher a condessa Teresa de Leão, enquanto seu filho Afonso Henriques foi
menor. Em lutas travadas com a mãe, Leonesa de sangue, tendo ela perdido a
batalha, viu-se obrigada a aceitar, em 1139, que seu filho, D. Afonso Henriques
proclamasse definitivamente a independência e começasse a governar como 1.º rei
de Portugal.
Numa
pedra de granito de um portal de “habitação medieval”, actualmente (2016) apenas
com paredes, na propriedade de Santa Cruz das Serradas, em Gondim, aparece
gravada a data 1146, data esta que surge já D. Afonso Henriques levava sete
anos de reinado. Pode dizer-se, com alguma certeza, que as Quintãs de Gondim e
de Sobrado também estiveram envolvidas, de alguma forma, na origem da formação
do Condado Portucalense e por conseguinte na fundação de Portugal, uma vez que
D. Urraca Mendes de Bragança, bisavó de Santo António, foi cunhada de Sancha
Henriques, irmã de D. Afonso Henriques.
E é
assim que dos “Bouillon” chegados a Santa Cruz das Serradas, surge naquela árvore
genealógica, o nome de Vicente Martins de Bulhões pai de Martim de Bulhões e
avô de Fernando de Bulhões (Santo António) e de seus irmãos.
Martim
de Bulhões casou com D. Teresa Taveira, que ao tempo estaria na Quintã de
Vegide, (Casa Torre de Vegide) pertencente aos mesmos proprietários das Quintãs
de Gondim e de Sobrado (Casa da Boavista).
A
árvore genealógica de Santa Cruz das Serradas, existente na Casa da Boavista,
Sobrado, Castelo de Paiva, leva-nos, Teresa Taveira, (mãe de Santo António)
pela via dos seus ascendentes, até ao fundador do Mosteiro de Paço de Sousa, em
960, em Penafiel: D. Trocozendo Guedes, penta-avô de Santo António.
Capela de S. Luís (IX) Rei
de França – Quintã ou Solar de Gondim – foto dos anos 30 do Séc. XX
ADEP, Castelo de Paiva, 16 de Dezembro de 2016
Mário Gonçalves Pereira
[1]
- Rei Garcia era filho de Fernando I de Leão e de Castela e D. Sancha I de Leão
e tinha mais dois irmãos: Sancho II de Castela e Afonso VI de Leão.
[2]
-Gelmiriz ou Gelmir, (nome apenas comparável com o nome espanhol Gelmirez) teria
que situar-se muito próxima de “Soperato” e de “Rial” e seria uma villa
importante, naquela época. O nome que lhe atribuíram não nos conduz a nenhuma
localidade das actualmente existentes, mas pode deduzir-se que seria uma villa
administrada, apostólicamente pela diocese de Santiago de Compostela, que
recebera doações de muitas terras de Portucale e que teve à sua frente, como
gestor, por duas vezes, D. Diego(Diogo) Gelmirez, amigo ou familiar de Afonso
VI, com influências do abade de Cluny. Essa villa Gelmiriz estaria certamente
no caminho de Santiago, pelo que em terra de Paiva só poderia ser Nojões, uma
vez que o Caminho entre Coimbra e Santiago passava por Avô, S. Miguel do
Outeiro, Nojões, Sobrado de Paiva, Vila Boa de Quires e Braga (Braga que chegou
a ter, em tempos medievais, tanta ou mais importância que Compostela).
[3]
- D. Raimundo nascido em Besançon, 1070, neste casamento recebeu em apanágio,
como feudo, segundo as práticas peninsulares, o condado da Galiza.
[4]
- Depois de enviuvar voltou a casar, agora, com D. Afonso I de Aragão.
Etiquetas:
caminhos de Santiago,
El-Rei Garcia,
Monumentos e Arqueologia
domingo, 15 de janeiro de 2017
Ponte romana submersa no Paiva?
Já foi noticia há um ano atrás e o assunto é de extrema actualidade se tivermos em conta a necessidade de se fazer luz sobre a rede viária romana da região.
Há uma expectativa e curiosidade imensas em reconhecer os locais de ligação de Viseu a Braga, e da atractividade que teria na época a travessia do Douro na foz do Paiva (Castelo de Paiva), junto ao Outeiro (actual Ilha dos Amores) passando por Tongóbriga no Marco de Canaveses.Também o caminho de Santiago na Idade Média aproveitaria a antiga via romana e falta portanto confirmar esses locais de passagem nesta região.
Edrisi, geógrafo e cartógrafo árabe e muitos outros autores e investigadores, alguns dos nossos dias, continuam a não se entender sobre esses traçados e sobre a localização de Talabriga.
Reconheça-se que o nosso território continua a ser chão que guarda interessantes mistérios e que de quando em vez surgem revelações e estudos que nos surpreendem.
meandros do Paiva
As bravas e profundas águas do Rio Paiva, que nasce na freguesia de Peravelha,
concelho de Moimenta da Beira, podem esconder um importante tesouro
arqueológico, que vários pesquisadores têm vindo a investigar.
A revista “Humanitas” editada pelo Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, publicou no seu volume LXVI (2014) um artigo de Nair de Nazaré Castro Soares, onde é abordada a questão da existência de uma ponte romana submersa no Rio Paiva, que serviria de travessia no percurso entre Lamego e as cidades do litoral, na região de Alvarenga/Arouca.
A descoberta não foi no espaço geográfico do município de Moimenta da Beira, mas é importante porque se trata de um curso de água com a nascente primeira no concelho.
O artigo faz referência à descoberta de grandes blocos de granito, submersos a sete metros de profundidade, em Janarde (Arouca), ligados por vestígios de metal encastrado, que se supõe serem as fundações de uma ponte que ligava os lugares de Louredo e Janarde. A descoberta foi feita ocasionalmente pelo Hélio Mário de Castro Pereira através da realização de prática desportiva de “mergulho de apneia”.
O facto da existência de referências históricas a vias romanas que cruzavam a região, e a inexistência de granito naquela zona, fazem com que alguns investigadores não tenham dúvidas que os vestígios encontrados são as ruínas da antiga ponte romana sobre o Rio Paiva, facto que terá que ser avaliado e confirmado pela realização de estudos de pormenor.
O Paiva, que desagua Douro, em Castelo de Paiva, foi considerado, ainda não há muitos anos, o rio menos poluído da Europa, e ainda hoje é local de desova de trutas. Está classificado como Sítio de Importância Comunitária na Rede Natura 2000.
A revista “Humanitas” editada pelo Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, publicou no seu volume LXVI (2014) um artigo de Nair de Nazaré Castro Soares, onde é abordada a questão da existência de uma ponte romana submersa no Rio Paiva, que serviria de travessia no percurso entre Lamego e as cidades do litoral, na região de Alvarenga/Arouca.
A descoberta não foi no espaço geográfico do município de Moimenta da Beira, mas é importante porque se trata de um curso de água com a nascente primeira no concelho.
O artigo faz referência à descoberta de grandes blocos de granito, submersos a sete metros de profundidade, em Janarde (Arouca), ligados por vestígios de metal encastrado, que se supõe serem as fundações de uma ponte que ligava os lugares de Louredo e Janarde. A descoberta foi feita ocasionalmente pelo Hélio Mário de Castro Pereira através da realização de prática desportiva de “mergulho de apneia”.
O facto da existência de referências históricas a vias romanas que cruzavam a região, e a inexistência de granito naquela zona, fazem com que alguns investigadores não tenham dúvidas que os vestígios encontrados são as ruínas da antiga ponte romana sobre o Rio Paiva, facto que terá que ser avaliado e confirmado pela realização de estudos de pormenor.
O Paiva, que desagua Douro, em Castelo de Paiva, foi considerado, ainda não há muitos anos, o rio menos poluído da Europa, e ainda hoje é local de desova de trutas. Está classificado como Sítio de Importância Comunitária na Rede Natura 2000.
Fonte: Soares, Nair de Nazaré Castro, “Achado arqueológico: ponte submersa no rio Paiva em Alvarenga”. Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014.
transcrevemos texto e foto do concelho de Moimenta da Beira aos 13 janeiro 2015
escreveu Martinho Rocha
sábado, 7 de janeiro de 2017
Mário Soares faleceu!
Também nós não podemos deixar de assinalar este momento
triste. Mário Soares faleceu.
Como politico e como pessoa terá cometido alguns erros mas
isso não ofusca a imagem que nos deixa de um verdadeiro Homem de Estado.
Tendo ocupado os mais altos cargos e travado as mais difíceis
disputas em defesa dos seus ideais, fê-lo como político do povo e o povo não o
esquecerá tão cedo!
Nós que o contávamos entre os nossos sócios honorários,
ficamos também mais pobres e indefesos; tivemos o enorme orgulho de ver a
nossa causa de defesa do património ao serviço da sua iniciativa – enquanto Presidente da
República - de apresentar ao povo, com o nosso barco rabelo "Douro Paiva" a navegabilidade do Douro em 1988.
Ontem foi dia de Reis. Mário Soares faleceu hoje, era Republicano.
O nosso pesar à
família e aos amigos.
escreveu Martinho Rocha
escreveu Martinho Rocha
Subscrever:
Comentários (Atom)











