O Valor da Descoberta
A Ara votiva de Vila Verde é um testemunho arqueológico de era anterior ao Cristianismo (período romano), de enorme valor científico e patrimonial. Trata-se de um monumento epigráfico dedicado aos Lares (especificamente designados no estudo como Laribus Ceceaicis), que eram divindades domésticas e locais a quem os cidadãos da época recorriam em âmbito privado para solicitar proteção.
O valor histórico deste monumento é reforçado pela sua curiosa e fustigante história de preservação: a pedra foi inadvertidamente reaproveitada na construção de uma parede de uma corte de animais junto ao rio Sardoura e perto da Capela do Espírito Santo, demonstrando como peças fundamentais do nosso passado sobrevivem ocultas no quotidiano rural.
Quem a Descobriu e Quem a Interpretou
- A Descoberta: Foi identificada e resgatada em 2007 pela ADEP (Associação de Estudo e Defesa do Património Histórico-Cultural de Castelo de Paiva) no lugar do Terreiro em Vila Verde, na freguesia de São Martinho de Sardoura.
- A Interpretação: A primeira leitura e o estudo epigráfico aprofundado foram realizados pelo Professor Doutor José d'Encarnação, um dos maiores especialistas e investigadores na área da Epigrafia em Portugal.
Importância para o Território
Este achado representa um contributo inestimável para a história de Castelo de Paiva. Ele comprova a ocupação e a vivência religiosa de época romana no vale do rio Sardoura, uma zona agrícola por excelência e local de passagem imemorial (onde ainda se vislumbram sulcos de rodados gravados no caminho granítico).
A publicação internacional do artigo científico na plataforma Academia.edu https://www.academia.edu/ 124350073/Ara_Laribus_ Ceceaicis_em_Castelo_de_Paiva_ Conventus_Scallabitanus_projeta o concelho no mapa da comunidade científica internacional. O registo constante de consultas e a inclusão deste achado como referência em novos trabalhos de investigadores globais validam a riqueza histórico-cultural da região.
A Necessidade de Manutenção e Visibilidade
Por se tratar de um marco da identidade e da memória coletiva de Castelo de Paiva, torna-se imperativo assegurar que esta peça se mantenha musealizada, protegida e totalmente visível a residentes, turistas e investigadores. A salvaguarda do património material só cumpre plenamente a sua função social quando este deixa de estar oculto e passa a estar acessível ao público, gerando valor cultural, promovendo o turismo sustentável e permitindo a fruição da herança histórica por quem visita o território.

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