Abriu-se hoje ao público a Casa dos Engenhos do Núcleo de Museus ADEP – Museu do Território de Castelo de Paiva, dando continuidade ao sucesso das demonstrações dinâmicas iniciadas durante a 27.ª Feira do Século XIX, nos passados dias 10 e 11 do corrente. Com esta reabertura, cumpriu-se o desejo e o compromisso do Grupo Etnográfico de Fermedo que, com a estreita colaboração do Rancho Folclórico de S. Martinho, uniu esforços com a nossa instituição para, em comunidade, procedermos à moagem tradicional do linho.
Esta atividade partilhada permitiu reativar o complexo processo de quebra e separação da parte lenhosa do caule da planta, preservando uma arte multimilenar. Foi um enorme privilégio para o Museu e para a ADEP receber artesãos e detentores do saber-fazer, que trouxeram os meios e a mestria necessários para colocar o nosso engenho (também conhecido como atafona) em funcionamento através de tração animal.
Movido pela força de um macho, o engenho ganhou vida. Os pequenos molhos de linho foram cuidadosamente repartidos em "panadas" e entregues ao "enginheiro", que os introduzia com perícia entre os roletos e o tambor. No final deste ciclo mecânico tradicional, o linho foi devolvido e recebido na forma de "maçadoiras". Para memória futura e salvaguarda do património imaterial, recordou-se também a antiga regra dos honorários: o dono do engenho cobrava estritamente uma maçadoira por cada dúzia de panadas moídas.
Após vários anos de interrupção destas tarefas agrícolas e artesanais no território, o esforço conjunto entre a associação, o museu e os grupos parceiros tornou possível voltar a amassar o linho. Esta manifestação cultural demonstra que as artes tradicionais não serão esquecidas enquanto houver memória, identidade e vontade na alma de quem as pratica e salvaguarda.
Para os que desejam aprofundar o conhecimento sobre esta arte e a sua cadeia de produção, o Museu do Território convida à leitura da obra "Manual do Cultivo e Confeção do Linho", da autoria de Domingos Quintas Moreira e com fotografia de Cármen Rocha. Esta edição é o resultado de uma feliz parceria cultural entre a ADEP, o Município de Vila Nova de Gaia e o Parque Biológico de Gaia, reforçando o compromisso das instituições na valorização da nossa herança comum.
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