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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Parque das Tílias cheio de vida: uma iniciativa a repetir e a fazer crescer!


Nos dias 1 e 2 de junho, o Parque das Tílias voltou a cumprir uma das missões para que vem a ser mantido e preservado: ser um espaço de encontro, aprendizagem, convívio e contacto com a natureza.

Por iniciativa da UCC Terras do Paiva – Unidade de Cuidados na Comunidade –, realizou-se a atividade “Os Cuidados a Ter com o Sol”, dirigida aos alunos do ensino pré-escolar da rede pública do concelho. Ao longo destes dois dias, centenas de crianças encheram de alegria, movimento e cor um dos mais emblemáticos espaços verdes de Castelo de Paiva, participando em ações de sensibilização para a promoção da saúde e para a adoção de hábitos de vida saudáveis.

A UCC Terras do Paiva desenvolve um trabalho de grande proximidade junto da população, promovendo a saúde, prevenindo a doença e apoiando pessoas e famílias nas mais diversas circunstâncias. Esta iniciativa constituiu mais um excelente exemplo da sua ação junto da comunidade escolar, recorrendo a uma abordagem pedagógica e lúdica que permitiu transmitir conhecimentos importantes de forma simples e eficaz.

A realização deste evento contou com a colaboração da ADEP, que disponibilizou o Parque das Tílias, do Município de Castelo de Paiva e da Junta de Freguesia de Sobrado e Bairros, que assegurou a preparação e limpeza do espaço, bem como da Divisão de Educação, Inovação Social e Bem-Estar do Município. A todos os envolvidos é devida uma palavra de reconhecimento pelo empenho demonstrado.

Entendemos, contudo, que esta experiência revelou um potencial ainda maior. O sucesso alcançado justifica plenamente que esta iniciativa passe a integrar o calendário anual de atividades do concelho, podendo evoluir para um evento mais abrangente, reunindo entidades da saúde, educação, ambiente, proteção civil, associativismo e património.

Neste contexto, parece-nos particularmente interessante associar esta realização à comemoração do Dia Nacional dos Parques e Jardins, valorizando o papel destes espaços na qualidade de vida das populações, na preservação da biodiversidade e na sensibilização para a importância das árvores, dos jardins, dos arboretos e das florestas. Afinal, cuidar da saúde humana passa também por cuidar dos ambientes naturais que garantem o ar que respiramos e o equilíbrio dos ecossistemas.

O Parque das Tílias oferece ainda oportunidades únicas para enriquecer este programa. Entre elas, destaca-se a tradicional colheita da flor de tília, que todos os anos a ADEP promove e disponibiliza ao público interessado, constituindo uma ocasião privilegiada para divulgar os usos, propriedades e tradições associadas a esta espécie tão característica do parque.

Por outro lado, não deveria faltar a valorização da memória e da obra do Barão de Castelo de Paiva, figura intimamente ligada à biodiversidade cuja visão continua pode continuar presente no património paisagístico e cultural que chegou até aos nossos dias. Dar a conhecer o seu legado às gerações mais jovens seria uma forma de unir educação, património, ambiente e cidadania num mesmo projeto.

O entusiasmo demonstrado pelas crianças, educadores e entidades participantes demonstra que o caminho está aberto. O Parque das Tílias provou, uma vez mais, que pode ser muito mais do que um espaço de lazer: pode ser uma verdadeira sala de aula ao ar livre, onde se aprende a cuidar da saúde, da natureza e da nossa própria identidade coletiva.






segunda-feira, 25 de maio de 2026

DIA NACIONAL DOS JARDINS EM HOMENAGEM A GONÇALO RIBEIRO TELES

     




Instituído em homenagem a Gonçalo Ribeiro Teles, celebra-se em 25 de maio  o Dia Nacional dos Jardins. Arquiteto paisagista, Jardineiro de Deus como lhe chamou o filósofo Eduardo Lourenço, celebramos nesta data também o cidadão, o homem de ação, o governante que introduziu em Portugal uma ousada e muito necessária legislação ambiental nos anos que se seguiram, com o 25 de Abril, à restauração da liberdade.


     Já no antigo regime de ditadura, por ocasião das grandes inundações de 1967, explicou ao país as razões ecológicas desse fenómeno. Infelizmente, em vez de se atacarem as causas, estas foram-se continuamente agravando, e a passagem ao regime democrático não foi suficiente para corrigir erros, sobretudo após a saída de Gonçalo Ribeiro Teles da governação.


     Assim, chegámos à devastação das tempestades no inverno deste ano. Mas, de novo, em vez de se terem tirado as lições dadas pelos vendavais, logo, a pretexto de simplificar processos, foi dispensada de licença ou comunicação prévia a reconstrução de casas em leito de cheia, abrindo assim o caminho para a repetição dos estragos em próximas ocasiões. Em vez de aproveitar para apoiar os atingidos a construir fora das zonas de leito de cheia, o governo atual, com o Decreto-Lei n.º 40 – A / 2026, instituiu um regime é certo excecional e temporário mas com vigência de um ano. Tempo suficiente para cometer novos erros desprezando a oportunidade de reparar os já existentes.


     No domínio da arborização, também a tempestade tem servido de pretexto para podas e abates indiscriminados. As árvores mais robustas, que resistiram à intempérie, não logram ainda assim ser poupadas ao trauma, desta vez provocado por autarquias menos informadas.


     Oportunamente, o CNADS – Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, se bem que focado sobretudo na orla costeira, veio a público, em 14 de maio, chamar a atenção para a necessidade de regular os chamados direitos adquiridos, constantemente invocados, acrescentamos nós, para justificar erros urbanísticos seja na orla costeira seja noutros pontos do território.


     O recurso a esta figura, diz o CNADS, contribui para criar situações paradoxais e injustas. Mas, podemos acrescentar, o mesmo se tem passado com outros instrumentos de planeamento para além dos que se referem à orla costeira, como acontece com frequência em planos diretores municipais em que se atropelam valores relativos ao património natural, ecológico e paisagístico.


     A Campo Aberto, ao recordar o pensamento e a obra de Gonçalo Ribeiro Teles, chama a atenção para a necessidade de ter em conta as condicionantes ecológicas, se queremos evitar as consequências trágicas de as esquecermos na forma como se planeia e gere o território.


 

O texto que partilhamos é da Campo Aberto - associação de defesa do ambiente

 

Porto, 23 de maio de 2026

sexta-feira, 19 de maio de 2023

SOBRE O DIA NACIONAL DOS JARDINS

A criação, pela Assembleia da República, do Dia Nacional dos Jardins (instituído a 16 de setembro de 2022), a celebrar anualmente no dia 25 de maio, data do nascimento do Arquiteto Paisagista Gonçalo Ribeiro Teles (1922-2020), foi ideia proposta sob forma de petição pública por um grupo de jovens estudantes de Portimão. Esta iniciativa foi dinamizada por um docente do ensino secundário, o Professor de Filosofia e de Cidadania e Desenvolvimento, Carlos Café, grande admirador de Gonçalo Ribeiro Telles. A ideia, transformada em decisão pela Assembleia da República, foi aprovada por unanimidade por todos os partidos representados no parlamento, e pode ser vista como um bom augúrio. Todos os partidos, incluindo aqueles que têm sido governo desde 1974, sentiram-se vinculados a respeitar a obra do homenageado e a pôr em prática o seu ideário. Mas é forçoso ver tal unanimidade com alguma prudência e sentido crítico. São ainda muito comuns as situações, e algumas de grande gravidade, em que foi e continua a ser violado não só o espírito da obra do homenageado como ainda, não raro, a letra das leis de proteção do Território, da Natureza e do Ambiente, que a ele devemos, e aos que com ele colaboraram. Violações sempre apoiadas no suposto «interesse público». Os parques, os jardins, as árvores estão, sem dúvida e de modo permanente, no cerne do pensamento e da ação de Ribeiro Telles. São, aliás, de sua autoria ou coautoria algumas obras paisagísticas em Portugal que mais se destacam nas últimas décadas. Mas no cerne do seu pensamento e da sua obra está também todo o território português visto na sua unidade e diversidade profunda, porquanto foi também promotor da REN – Reserva Ecológica Nacional e da RAN – Reserva Agrícola Nacional, que têm sido delapidadas ao longo dos anos. Esperemos que os promotores desta decisão da Assembleia da República, nas comemorações e ações que venham a pôr em prática, tenham em atenção não só a letra mas também o espírito de toda a obra, pensamento e ação do homenageado, e façam da criação desse Dia Nacional algo mais do que um verniz cosmético ou uma celebração oca e convencional, tão ao contrário do homenageado. ARTE DOS JARDINS Para Francisco Caldeira Cabral a arquitectura paisagista mobiliza simultaneamente a arte e a ciência ao aliar uma arte muito subtil a uma técnica muito apurada apoiada numa ciência vasta. Organiza-se o espaço para a criação de beleza para satisfação lúdica do Homem. Eram estas as razões que o levavam a insistir em incluí-la nas Belas Artes. Celebrar a Arte dos Jardins como Património Natural e Cultural implica acabar com a nefasta prática, frequente na administração central e local, de utilizar jardins, parques e espaços arborizados como locais que se podem mutilar, agredir e até demolir impunemente a pretexto desta ou daquela obra. Para evitar intervenções pesadas e destrutivas, incluindo a ocupação desses espaços com estaleiros de obras, deverá algum tipo de avaliação de impacte ambiental estar presente, tendo em conta as suas dimensões e caraterísticas, desde a conceção e não apenas quando já forem dados como irreversíveis trajetos, localizações e destruições ou mutilações de valores naturais, ecológicos e ambientais. Importa igualmente sublinhar que, além da preservação do património em jardins e espaços verdes similares, é necessário criar novos jardins e espaços verdes em meio urbano. De facto, trazem consigo grandes benefícios por intermédio dos ecossistemas por eles criados, com relevo para a mitigação dos efeitos microclimáticos negativos das «ilhas de calor» nas cidades, da poluição atmosférica, funcionando como filtro e/ou barreira, e das, cada vez mais frequentes, épocas de seca, sem esquecer os benefícios que trazem para a saúde física e mental de todos. Por outro lado, através dos solos permeáveis que preservam e da criação de novos habitats para a flora herbácea e fauna que incentivam, criam uma proteção suplementar nos períodos de chuvas intensas e inundações, ampliando assim o «efeito de esponja» e de barreira à erosão do solo, cuja presença insuficiente foi bem evidente ainda no outono-inverno de 2022-2023. A MODA DAS «REQUALIFICAÇÕES» Embora a preservação de um jardim seja compatível com intervenções pontuais desde que no respeito do espírito originário que presidiu à sua conceção, sejam eles jardim de autor ou de tradição anónima, é necessário desincentivar a atual moda das «requalificações» quando destroem elementos integrantes e essenciais de jardins e de espaços ajardinados preexistentes. Em alternativa às «requalificações» simplistas e abusivas deve ser incentivada a criação de novos jardins de raiz. As intervenções no que já existe devem respeitar o património vegetal já plantado, respeitando igualmente os direitos dos seus autores, em grau idêntico àquele que todos reconhecem aos autores de obras de Pintura, Escultura ou Arquitetura. O SUPOSTO E O VERDADEIRO INTERESSE PÚBLICO A destruição ou mutilação de jardins invocando declarações de suposto «interesse público» devia ser interditada e assumida como crime ambiental. O mesmo se passa com árvores e maciços arbóreos, seja por abate ou podas incorretas. Em teoria a nova Lei n.º 59/21 de 18 de agosto sobre o regime jurídico de gestão do arvoredo urbano deveria interditar tais práticas. No entanto, ela é muitas vezes interpretada de modo laxista pelas autoridades, incluindo pelo próprio Governo, que se atrasa na publicação de regulamentações essenciais à aplicação desta lei. Nas comemorações do Dia Internacional da Paisagem ocorridas no Porto, Oscar Bressane, colaborador do arquiteto paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, recordou que árvores e jardins não devem ser tratados como coisas de que se pode dispor a bel-prazer, mas antes com respeito, já que são seres vivos. No que se refere ao conjunto do território, e à forma como é desrespeitada a necessidade de preservar ecossistemas e valores naturais, multiplicam-se igualmente as declarações de «interesse público» que contradizem a legislação nacional e até desrespeitam compromissos contraídos em acordos, convenções e tratados internacionais. Factos tanto mais graves quanto é urgente, na situação mundial atual de alteração climática, proteger a biodiversidade, reserva e fonte de carbono acumulado e reguladora da qualidade do ar, água e solo, de modo a mitigar os efeitos negativos de temperaturas e secas extremas. Como forma de respeitar e homenagear Gonçalo Ribeiro Telles, o Dia Nacional dos Jardins devia servir para relembrar a necessidade de aumentar e requalificar as manchas verdes urbanas, tornando-as mais naturalizadas e biodiversas, e assumir a preservação destes espaços e dos ecossistemas naturais, como verdadeiro interesse público. Subscrevem associações, grupos e coletivos formais e informais, entidades, empresas A.C.E.R. - Associação Cultural e de Estudos Regionais  Academia Cidadã ACRÉSCIMO - Associação de Promoção ao Investimento Florestal ADACE - Associação de Defesa do Ambiente de Cacia e Esgueira ADEP - Associação de Estudos e Defesa do Património Histórico-Cultural de Castelo de Paiva AEPGA - Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino - Atenor Aliança pela Floresta Autóctone ALMARGEM - Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental Alvorecer Florestal – Web e V. N. Gaia APTS – Associação Portuguesa de Turismo Sustentável ASPEA – Associação Portuguesa de Educação Ambiental Associação Amigos dos Açores Associação BioLiving Associação de Defesa do Paul de Tornada – PATO Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal Associação Dunas Livres Associação Vamos Salvar o Jamor CADEP-CN - Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural e Natural da Ilha de Sta Maria (Açores) Associação Espaço VIPA 1051 – Matosinhos Associação Evoluir Oeiras Associação Famalicão em Transição Associação ReflorestarPT - Regeneração Ecológica e Social Associação Vimaranense para a Ecologia Campo Aberto – associação de defesa do ambiente Chão do Rio – Turismo de Aldeia - Travancinha, Seia CIDAMB – Associação Nacional para a Cidadania Ambiental CISMA - Associação Cultural – Covilhã Clube UNESCO da Cidade do Porto Colectivo HortaFCUL FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade Forum Amigos das Árvores - FAA GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente Glocal Faro Grupo Olhar o Futuro com Ribeiro Telles H2AVE – Associação Movimento Cívico para a Dinamização e Valorização do Vale do Ave (Riba de Ave) Instituto Zoófilo Quinta Carbone – IZQC Íris – Associação Nacional de Ambiente Liga Portuguesa dos Direitos do Animal - LPDA LPN – Liga para a Proteção da Natureza MAPA – Movimento Académico de Proteção Ambiental – Universidade da Beira Interior Movimento Bem da Terra – Felgueiras Movimento Jardim Martim Moniz Movimento Peticionário Rua Régulo Megauanha-Porto Movimento por um Jardim Ferroviário na Boavista – Porto Movimento Unidos pelo Rossio – Aveiro MUBi- Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta NDMALO-GE: Núcleo de Defesa do Meio Ambiente de Lordelo do Ouro – Grupo Ecológico Onda Verde – Associação Juvenil de Ambiente e Aventura Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural PCI – Paramédicos de Catástrofe Internacional Plataforma em Defesa das Árvores PUMI – Movimento Por Um Mundo Ideal QUERCUS – Associação Nacional de Conservação da Natureza Renovar a Mouraria – Associação Rio Neiva - Associação de Defesa do Ambiente  Salvar o Jardim da Parada SEA – Sociedade de Ética Ambiental Slow Motion Tours - Porto SPECO – Sociedade Portuguesa de Ecologia TAGIS- Centro de Conservação das Borboletas de Portugal Tree Talk Gaia – Movimento pela Preservação de Espaços Verdes em Gaia Litoral Verde – Associação para a Conservação Integrada da Natureza ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável