domingo, 15 de julho de 2018

Festas em honra da N.ª S.ª dos Milagres



Este fim de semana, na freguesia de Sobrado “festeja-se” a Senhora dos Milagres.
Sem querer ser dono da verdade, mas a curiosidade em tentar esclarecer algumas dúvidas que se relacionam com estas festividades, resolvi embrenhar-me em jornais e documentos da época e a conclusão foi a seguinte:
Nos distantes anos da decada de 1850, a freguesia de Sobrado festejava por meados de Julho a festa à N.S. da Assunção, padroeira da freguesia.
No entanto em 1892, foi executada na cidade do Porto uma imagem dedicada à N. S.ª dos Milagres, com destino à igreja de Sobrado , assim passados 2 anos em 1894 a festa em honra da N.ª S.ª da Assunção deu lugar ás festas da Senhora dos Milagres.
Passados poucos anos, estas festividades eram consideradas uma das maiores romarias do norte.
Primando sempre com novos atrativos estas festividades em honra da N. S. dos Milagres, chama forasteiros dos concelhos limítrofes, a pé, de cavalo , em carruagens(apeando-se do comboio em Cete) ou em barcos rabelos no cais do Castelo, tudo vinha a estas magnificas festas. (Do jornal “O Comércio de Penafiel de 1896”.
As melhores bandas de música, divertimentos, magnifico fogo de artifíicio e vistosas iluminações eram as prinicipais atrações.
No programa religioso a missa era cantada com grande instrumental , um padre orador por exelência, fazia cair algumas lágrimas pelas faces dos fiéis mais comovidos, a procissão onde os paivenses pediam as suas graças e cumpriam as suas promessas, o andor da Sª. dos Milagres, da Senhora da Assunção , do mártir S. Sebastião, anjinhos, estandartes, bandeiras e as cruzes de todas as freguesias do concelho, faziam desta procissão o ponto mais alto das festividades.
Dada a sua enorme grandiosidade, a Câmara Municipal deliberou na sua sessão de 4 de Setembro de 1941 que as festas em honra da N. Sª dos Milagres deixavam de ser realizadas para dar lugar ás festas do Concelho. Aliás o cartaz que publico com a data de 1965 fala das festas do Concelho e não faz qualquer referência à Senhora dos Milagres o outro cartaz fala das festas da Senhora dos Milagres e não faz qualquer referência às festas do concelho, se dúvidas houvesse estes dois cartazes tiram todas as dúvidas.
Aliás e conforme documenta o cartaz, nesta festa o nosso Santo António também era festejado, o que signifique que ao contrário que alguns fazem querer, as gentes de Paiva desde sempre tiveram um carinho especial por este santo, pena é que este SANTO ANTÓNIO seja esquecido por figuras relevantes da nossa praça, prova disso é a “BIENAL DA CULTURA”que não faz qualquer alusão a este Santo e vai “buscar” a Santa Mafalda que a nós Paivenses pouco ou nada nos diz. 
Meus amigos, não vai demorar muito tempo que a nossa querida terra vai ser muito visitada, não só pelas suas paisagens mas também pela história que nos liga a Santo António.











João Vieira

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Temos uma Cruz Templária na Igreja de S. Martinho (Castelo de Paiva)


Cruz Templária




três imagens "Desfile Templário / Tomar 2018" 


Ara de Vila Verde (Terreiro)




Uma observação mais atenta permite constatar a especificidade daquele monumento. Trata-se de uma cruz templária gravada numa cabeceira  de sepultura que se encontra a servir de verga na porta lateral da antiga Igreja de S. Martinho de Sardoura.
Este curioso motivo sendo representativo da emblemática Ordem dos Templários (nota 1), vem confirmar que o território desta freguesia se centra na malha dos diversos destinos antiquíssimos e vias medievais que indo para Braga e Santiago de Compostela, fundaram comunidades e deixaram marcas bem vincadas em alguns dos nossos caminhos que serpenteiam os montes e vales,  na busca dos melhores e mais seguros locais: de passagem ,  com provisão de  água,  com serviços de estalagem; de atravessamento dos rios, etc.
É de veras muito interessante que S. Martinho de Sardoura , onde no lugar do Terreiro, tivemos a sorte de localizar uma ara pré-cristã, dedicada a divindade tutelar Laribus Ceceaicis, testemunho incontornável de adoração pagã, da era romana, da primeira metade do sec. I, (nota 2 –I) - seja ainda esta freguesia que nos apresenta uma cruz templária, que é um evidente testemunho a assinalar o fervor religioso cristão cultivado pelos naturais destes territórios que com certeza ajudaram a engrossar  as cruzadas, contra os turcos, para protecção dos peregrinos à Terra Santa (nota 2 -II).
E se a geografia situa o nosso território (nota 3)  nos trilhos e caminhos que fazem ligação a locais, de grande destaque  como: Braga, Guimarães, Santiago de Compostela, Viseu, Coimbra, Lisboa, Guarda, Évora, Salamanca, Mérida, Sevilha, Córdova, Málaga, Granada, e temos comprovados sinais de que foram senhores destas nossas terras, ascendentes e/ou descendentes,  de distintos antepassados coevos dos nossos primeiros monarcas, alguns que se sabe integraram essas ordens, natural é que também pontualmente vão surgindo sinais de homenagem ao seu passamento, como acontece agora com esta cabeceira de sepultura dedicada a um templário.

1 – I - Templários, que segundo  insuspeitos autores (A. Herculano, Santa Rosa Viterbo, entre outros) foram influentes e estiveram mesmo diretamente envolvidos na criação de Portugal enquanto Estado-Nação. II - Há relatos históricos no sentido de que os templários já por cá andavam  (no Condado Portucalense) quando da morte do Conde de D. Henrique,  ainda que a sua existência, à data em Jerusalém, fosse apenas embrionária; III – Mais tarde nas Inquirições de 1258 a paróquia de Bairros pertence  à Ordem do Hospital, que era quem tinha o direito de apresentar padre à Igreja de Fornos; IV - I  “Após D. Afonso VI  casar a sua filha Teresa com o Conde D. Henrique os templários sempre vieram em seu auxílio, e não deixaram de o fazer mesmo após a morte do seu filho.” (em 1114) citado em Viterbo. II – “A aquisição (…) do Castelo de Soure, que lhes foi dado (à Ordem do Templo) pelo Conde D. Henrique em 1111, prova que estes cavaleiros já tinham prestado alguns serviços, e que ele estava convicto da sua utilidade” Schaeffer – Histoire de Portugal pag. 61 ss Portugal Templário; III– Os cavaleiros hospitalários (Ordem do Hospital)  foram o primeiro grupo a surgir no Condado Portucalense, em 1104, logo à seguir à chegada do Conde D Henrique da primeira viagem à Terra Santa. Aceita-se que tenham vindo a seu convite. A sua primeira casa conventual (mosteiro, hospital e outras dependências) de que há registo (em 1112) é junto ao Rio Leça, próximo de Porto Cale e da Casa Real de Guimarães. Mas também os cavaleiros do Santo Sepulcro vem a receber importantes doações privadas (o convento de Alpendurada), e  também da viúva D. Teresa como regente. In História da Militária Ordem de Malta, Figueiredo. IV - O caminho de Santiago que a ADEP sinalizou no concelho, em 2017, com apoio no uso recente, diverge do seu traçado original (anterior à construção da ponte Hintze Ribeiro, em Boure no Douro, ainda assim, qualquer desses percursos entronca no caminho português central, em direcção a Braga.

2 – I – Terreiro, Vila Verde, esta Vila é referenciada já nas Inquirições de 1258; II - Templários  também muito presentes no combate aos muçulmanos, na defesa e avanço das nossas fronteiras com os nossos primeiros reis, na fundação da nacionalidade. Em compensação recebem inúmeras doações  de terras vizinhas (Fonte Arcada, Penafiel; Lourosa, Feira; Canelas, Arouca, etc.), direitos e privilégios, que lhes são doados pelos  monarcas e particulares.

3 – Edrisi (historiador árabe) descreve o caminho de Santiago de Compostela a partir de Coimbra, passando por Nojões.

















escreveu Martinho Rocha

terça-feira, 12 de junho de 2018

Agora, a Paiva! Vote!

O Orçamento Participativo deste ano contempla um projecto de 200.000 € para a protecção do Rio Paiva.
Precisamos do seu voto para que este projecto seja implementado!
Vote por SMS:
Envie uma mensagem para o número 3838 com a seguinte mensagem:
OPP 358 (seu nº de cartão de cidadão)
Ou vote online aqui:
https://goo.gl/YdcLB9
Ajude a alcançar mais votos partilhando com a sua família e amigos. A votação termina a 30 de Setembro e os projectos mais votados serão implementados. É fundamental investir na preservação do Rio Paiva, e esta é uma oportunidade única de salvaguardarmos este património ameaçado pela poluição, turismo de massas, espécies invasoras, etc.
Muito obrigado.

O Orçamento Participativo deste ano contempla um projecto de 200.000 € para a protecção do Rio Paiva.
Precisamos do seu voto para que este projecto seja implementado!
Vote por SMS:
Envie uma mensagem para o número 3838 com a seguinte mensagem:
OPP 358 (seu nº de cartão de cidadão)... Ver Mais

sábado, 2 de junho de 2018

Gratos ao Intermarché!





Pelo segundo ano, tivemos o apoio do Intermarché de Castelo de Paiva, na campanha de divulgação de apoio sem custos, na consignação do IRS.
Após um período de vários anos de trabalho, pela alteração da legislação, com exposições e petições junto de vários organismos da administração pública, fiscal e grupos parlamentares,  a ADEP veio a conseguir que a partir de 2017 as instituições de utilidade pública ambiental, como é o seu caso,  passassem a ser igualmente beneficiadas pela legislação fiscal, como já vinha a acontecer com as instituições de solidariedade social e as igrejas.

Um agradecimento público ao Intermaché que nos ajudou a divulgar o nosso apelo e naturalmente o nosso agradecimento a todos quantos decidiram consignar, os 0,5% do seu IRS,  a favor da ADEP.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

A rua do bom ar, ou a do melhor eco" !


Também de coisas simples, triviais até, que nos foram legadas, pelos nossos antepassados, algumas que estão em desuso mas que guardamos na memória, gestos que respeitamos e/ou praticamos, conhecimentos, conselhos e avaliações que reconhecemos podem ser carreadas para a nova redenominação toponímica e antroponímica das nossas ruas, praças  e caminhos que se está a fazer no concelho. 

Tivemos o grato prazer de abrir o nosso espaço de Biblioteca “Manuel Afonso da Silva” ao jovem Luís Moreira, na qualidade de membro de movimento dedicado às causas cívicas e da cultura, onde buscou informação que resultou na proposta entregue ao Município que pretende denominar praças e caminhos do concelho ao abrigo do recente Regulamento criado para o efeito.

Aconteceu nos anos oitenta que a ADEP foi a autora de proposta que, aceite pela Comissão de então, implementou a maior redenominação que ainda hoje é conhecida e patente nas ruas e praças designadamente do casco urbano.

Passados que foram estes anos e considerando o propósito de levar a todo o território, e não apenas à sede do concelho, contributos como este, de identificação,  de conhecimento, até de reconhecimento, ganharemos todos por passarmos no dia a dia a referir, a conhecer e a dar notícia de factos, pessoas, locais, acontecimentos, profissões, produtos, valores, etc. , que nos são caros.
E são muitos os nossos rios, montes e vales, campos e minas onde viveram, trabalharam e morreram os nossos antepassados. Há imensos temas de trabalho, cá e fora para onde emigraram. Há formas de crer, de estar e comemorar que se manifestam em inúmeros eventos. Temos locais de encontro de passagem e de acolhimento.

Pinho Leal, personalidade que dispensamos apresentar aqui por já o termos feito, disse de determinado local ribeirinho de Paiva que tinha o melhor eco que algum dia conheceu...Também temos em Bairros, o melhor Vinho verde Tinto; temos o melhor rio: "A Paiva";  Paiva, é terra dos ascendentes de Santo António e berço da Língua Materna!

Agora que com esta proposta o “trambolho”, começa a ganhar forma de arte, é fácil acrescentar mais este nome, mais aquele local e/acontecimento, e quantos mais forem apresentados melhor será; em todo o caso estamos certos que a Comissão  terá a última e a melhor palavra…

Também no terreno, a traça dos edifícios mais antigos e emblemáticos, as praças, as fontes, devem ser respeitados e não deixar acontecer o que se passou com o acesso romântico (sec. XIX) da Bafareira à Meia Laranja, e outras onde se removeram lages de passeios e sinais de antigos trilhos e caminhos, como a foto documenta (por onde passava o antigo caminho vindo da Frutuária, Vegide e Camosa e Moimenta em direcção à Igreja de Sobrado).



Um voto de encorajamento ao autor pelas propostas apresentadas que na sua maioria subscrevemos.

































Martinho Rocha


domingo, 20 de maio de 2018

ADEP tem centenas de carvalhos para plantar!







Centenas de carvalhos portugueses  crescem no viveiro da ADEP, germinadas que são as bolotas recolhidas na  Quinta da Boavista, nas iniciativas levadas a efeito nos projectos “A árvore e a Floresta”, com jovens em programa de Tempos Livres, do IPDJ e sementeira organizada em que também participaram crianças do Grupo de Escuteiros de Fornos 1258 e membros do SOS Rio Paiva.

Uma iniciativa como esta serve para avaliar o quão mais valioso  seria o panorama florestal do concelho se este tipo de práticas fosse implementado pelas escolas e instituições particulares. Pela certa que haveria mais cidadania, mais conhecimento, melhor natureza, mais biodiversidade, mais qualidade de vida!


No próximo outono estaremos disponíveis para   novas parcerias para plantar estas árvores!








quarta-feira, 9 de maio de 2018

Fenómeno ou milagre da Oliveira?


Está por explicar, mas que o caso é inédito é.
Por aqueles lados de Real, não há memória de tal acontecer. Estão ainda por apanhar as azeitonas!...
O cuidador desta oliveira, e homem de outros afazeres, como todos conhecemos, orgulhoso do fenómeno deixou-se fotografar.
Num ano como o de 2017, quente e seco, esta longevidade, só pode resultar de forças ocultas, ou mezinhas, interessadas em manter o moinho de azeite a funcionar durante todo o ano!














Martinho Rocha