Mostrar mensagens com a etiqueta Biografias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Biografias. Mostrar todas as mensagens

sábado, 26 de janeiro de 2019

Vão ser cidades irmãs: Castelo de Paiva e Campos de Jordão!

O Executivo Municipal deu parecer positivo ao procedimento de irmanar Castelo de Paiva e Campos do Jordão
Em 2017 fizemos chegar ao executivo Municipal um trabalho que atesta a justeza da pretensão



Felizmente estes dias fomos surpreendidos com notícia que muito nos agrada, e que chegou por email:


(Dizem os nossos irmãos de Campos do Jordão)

 "Já faz algum tempo que trocamos e.mail e informações importantes sobre Castelo de Paiva e pessoas daí que residiram em Campos do Jordão no início do século 20, inclusive queridos parentes.
Falamos, inclusive, da idéia em tornar Castelo de Paiva e Campos do Jordão como cidades irmãs.
Na época enviamos através nosso Prefeito Municipal, correspondência para autoridades de Castelo de Paiva informando da nossa pretensão.
Felizmente, recebemos no dia 23 de janeiro de 2019 o e.mail que copio abaixo, para vossos conhecimentos." :

Assunto: Processo de Estabelecimento "Cidades-Irmãs"

Exmo. Senhor

Secretário Municipal de Cultura
Campos do Jordão - Brasil
Na sequência do pedido formulado a este Município, no sentido da resposta ao Processo de Estabelecimento “Cidades-Irmãs” que perpetua e aprofunda as afinidades e singularidades culturais e turísticas entre os dois municípios, aproximando os cidadãos de ambos os lados do atlântico, numa experiência enriquecedora e geradora de sinergias, incumbe-me o Senhor Presidente da Câmara, Dr. Gonçalo Rocha de informar que a proposta mereceu o parecer positivo do Executivo Municipal, aguardando-se o desenrolar do processo com a celeridade possível.  
Certos do interesse institucional que esta parceria representa, despedimo-nos com cordiais e respeitosos cumprimentos.

Município de Castelo de Paiva
Gabinete da Presidência

TERÇA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 2017



Sebastião de Oliveira Damas e a vontade de geminar Castelo de Paiva e Campos do Jordão


foto Arq. L. Lousada Soares / ADEP






Sebastião de Oliveira Damas e a vontade de geminar Castelo de Paiva e Campos do Jordão


Na passada terça-feira a direcção da ADEP fez chegar ao Presidente da Câmara a  sua anuência  à vontade que lhe foi manifestada de que se iniciem diligências e contactos com vista à geminação de Castelo de Paiva com  a cidade de Campos do Jordão no Brasil.

O pedido chegou-nos por intermédio de parente de Sebastião de Oliveira Damas, este que, como muitos outros paivenses, no inicio do século passado  emigraram para esse local, alguns que tornaram outros que por lá ficaram, e a quem se reconhece muita importância para a cultura, a história e progresso daquela cidade e região.

E se lá em Campos do Jordão a importância deste movimento migratório, se reconhece, tendo a comunidade integrado alguns paivenses que lá ficaram definitivamente, seja pela obra feita ou pela descendência deixada, não será despiciendo dizer o mesmo da importância daqueles que foram e tornaram viagem. Há todo um levantamento e estudo por fazer sobre este movimento migratório e influência na nossa arquitectura e urbanismo. Certo é que há obra feita e que perdura até aos nossos dias em ambos os lados do Atlântico.


Dos estudos genealógicos que estão a ser desenvolvidos no âmbito da ADEP (*) e que podem ser um conteúdo valioso para melhor se conhecer e divulgar a história de vida destas famílias já é possível dizer que o pedido vem da comunidade e família de descendente em segundo grau de irmão da mãe de Sebastião de Oliveira Damas. Estes ascendentes tinham ainda outro irmão, de nome Sebastião Ferreira Rocha, de Vila Verde, também ele emigrante e depois retornado do Brasil, que além de tio daquele era ainda seu padrinho de baptismo,  foi prestigiado mestre de obras na época ( tendo levado a cabo obras emblemáticas como a reconstrução do chafariz da Boavista, a construção da frontaria do cemitério de Sobrado, a ponte de Melo, no Rio  Paiva, entre outras), pessoa que terá tido alguma influência na formação profissional de Sebastião de Oliveira Damas, este empreendedor que se lançou com o entusiasmo e arrojo que se testemunha na obra deixada que ainda hoje perdura em terras de Além Mar e que está na base deste projecto de geminação.




(*) João Vieira, Mário Pereira, Martinho Rocha e Rui Pereira)













escreveu Martinho Rocha

domingo, 31 de dezembro de 2017

"Silêncio", o Filme de Scorcese e o missionário de Fornos, Castelo de Paiva!

                                              Igreja Paroquial de Fornos

O Cinema, hoje dá-nos a oportunidade de comparar e conferir  a heroicidade e espírito asceta  de Manuel de Abreu (que floresceu em virtudes, segundo as memórias paroquiais e o tombo da freguesia de Fornos), nas personagens de Sebastião Rodrigues e Francisco Garrpe, e outros anónimos, que como ele, acabaram mortos e sofreram na carne e na alma  as atrocidades retratadas pelo firme “Silêncio”.
É de Fornos, da Casa do Covelo Manuel de Abreu, missionário apostólico, da Companhia de Jesus, do Reino de Touquim -  Império de Japão que também padeceu de martírio naquela Corte de Touquim, pela fé de Jesus Cristo, em 12 de janeiro de 1737. 
Castelo de Paiva desde remotas datas da sua história que nos surpreende com factos e pessoas que nos levam para a dimensão do imaginário, tal é hoje em dia o nosso distanciamento aos valores e práticas então em voga, que nos recusamos até, nas mais das vezes, a acreditar e reconhecer. São igualmente de Paiva alguns fidalgos que fizeram a  “guerra santa”, em nome da cristandade, que acompanharam D. Joao II e D. Sebastião, como é o caso do avô deste nosso missionário!


Desde sempre a diversidade de religião dos povos os fez sofrer perseguições e crueldades. Os cristãos no Japão no séc. XVII também são disso um triste exemplo. O regime ditatorial de Tokugawa foi implacável na erradicação do cristianismo e quaisquer influências europeias e o filme “Silêncio” de Scorsese baseado na obra homónima escrita pelo japonês Shusaku Endo (que, com esta obra, recebeu o prestigiado Prémio Tanizaki) retrata de forma realista este drama histórico num Japão empobrecido.

Em 1633, quando a Companhia de Jesus recebe a notícia de que o missionário Cristóvão Ferreira teria renunciado publicamente à Fé Cristã, Sebastião Rodrigues e Francisco Garrpe, dois dos seus discípulos mais fiéis, decidem partir para o Japão para o confirmar.


O JN passa revista ao que, na sua opinião, de mais significativo aconteceu nas artes ao longo de 2017 e destaca este filme entre os melhores do ano, que não sendo o melhor de Martin Scorcese, qualifica valer mais que todo o cinema que está em estreia “filmar o silêncio e a fé não é para todos e Scorcese é dos raros mestres a ser capaz de o fazer”.


Recordamos que são de Scorcese: “Taxi Driver”, “O Touro Enraivecido”, “Tudo Bons Rapazes”, “Kundun” ou, mais recentemente, “O Lobo de Wall Street”, ele que estudou para ser padre e acabou por se virar para o mundo do cinema. O Cristianismo sempre esteve presente na sua obra, sendo o expoente máximo disso “A Última Tentação de Cristo”, o polémico filme de 1988.  
O elenco conta com Andrew Garfield, Adam Driver, Liam Neeson, Tadanobu Asano, Issei Ogata, Shinya Tsukamoto, Yoshi Oida Yosuke Kubozuka, Ryo Kase e Nana Komatsu, entre outros.

Agora que o filme está disponível no canal  TV CINE (tv cabo), veja!

































Martinho Rocha

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

DOMINGOS QUINTAS FALECEU!

Domingos Quintas está ao centro - uma das raras fotos onde se deixou fotografar (com o arqueólogo Eduardo Jorge, de costas, e com Almerindo Duarte à direita, na mamôa de Carvalho Mau)


Há percursos de vida que a morte não apaga. Podemos dizê-lo com toda a propriedade de Domingos Quintas Moreira. Foi sempre com grande  profissionalismo  que se dedicou a tudo quanto assumiu  nas diversas áreas de voluntariado com que se relacionou, e que cultivava com alto espírito de responsabilidade e civilidade, pretendendo contribuir  para a elevação moral  e intelectual da sociedade – e são muitas as áreas que lhe conhecemos. No que respeita à ADEP  não podemos esquecer o trabalho que desenvolveu durante um longo período,  no estudo e divulgação de algumas áreas da nossa cultura, designadamente a história /arqueologia e a etnografia, designadamente o folclore. Não teriam tido o mesmo êxito as iniciativas dos anos oitenta e noventa se não tivessem o apoio, o acompanhamento e envolvimento de Domingos Quintas, como é o caso do Levantamento Arqueológico de Castelo de Paiva, do projecto do Barco Rabelo, da Recolha Etnográfica, da organização da Biblioteca,  da publicação da sua obra “Manual do Cultivo e da confecção do Linho” e de tantos outras! Foi igualmente importante o relacionamento que ajudou a estabelecer entre instituições, como no caso da Federação de Folclore.

Fica à responsabilidade dos presentes dar testemunho público desta postura e atitude que a ADEP reconheceu também em vida, cujos valores de cidadania e dedicação devem ser transmitidos aos mais novos. Em 2010 a Direcção e a Assembleia Geral deliberaram por unanimidade  atribuir-lhe o título de sócio honorário.
Neste dia a Direcção da ADEP presta aqui a sua sentida homenagem e expressa o seu pesar aos familiares, amigos e nossos associados.
O seu corpo estará hoje a partir das 18,30 horas, em câmara ardente na Capela Mortuária de Sobrado, e o Funeral realiza-se amanhã às 15,30 horas para o Cemitério de Sobrado.























Martinho Rocha

terça-feira, 11 de julho de 2017

Sebastião de Oliveira Damas e a vontade de geminar Castelo de Paiva e Campos do Jordão


foto Arq. L. Lousada Soares / ADEP






Sebastião de Oliveira Damas e a vontade de geminar Castelo de Paiva e Campos do Jordão


Na passada terça-feira a direcção da ADEP fez chegar ao Presidente da Câmara a  sua anuência  à vontade que lhe foi manifestada de que se iniciem diligências e contactos com vista à geminação de Castelo de Paiva com  a cidade de Campos do Jordão no Brasil.

O pedido chegou-nos por intermédio de parente de Sebastião de Oliveira Damas, este que, como muitos outros paivenses, no inicio do século passado  emigraram para esse local, alguns que tornaram outros que por lá ficaram, e a quem se reconhece muita importância para a cultura, a história e progresso daquela cidade e região.

E se lá em Campos do Jordão a importância deste movimento migratório, se reconhece, tendo a comunidade integrado alguns paivenses que lá ficaram definitivamente, seja pela obra feita ou pela descendência deixada, não será despiciendo dizer o mesmo da importância daqueles que foram e tornaram viagem. Há todo um levantamento e estudo por fazer sobre este movimento migratório e influência na nossa arquitectura e urbanismo. Certo é que há obra feita e que perdura até aos nossos dias em ambos os lados do Atlântico.


Dos estudos genealógicos que estão a ser desenvolvidos no âmbito da ADEP (*) e que podem ser um conteúdo valioso para melhor se conhecer e divulgar a história de vida destas famílias já é possível dizer que o pedido vem da comunidade e família de descendente em segundo grau de irmão da mãe de Sebastião de Oliveira Damas. Estes ascendentes tinham ainda outro irmão, de nome Sebastião Ferreira Rocha, de Vila Verde, também ele emigrante e depois retornado do Brasil, que além de tio daquele era ainda seu padrinho de baptismo,  foi prestigiado mestre de obras na época ( tendo levado a cabo obras emblemáticas como a reconstrução do chafariz da Boavista, a construção da frontaria do cemitério de Sobrado, a ponte de Melo, no Rio  Paiva, entre outras), pessoa que terá tido alguma influência na formação profissional de Sebastião de Oliveira Damas, este empreendedor que se lançou com o entusiasmo e arrojo que se testemunha na obra deixada que ainda hoje perdura em terras de Além Mar e que está na base deste projecto de geminação.



















(*) João Vieira, Mário Pereira, Martinho Rocha e Rui Pereira)






















escreveu Martinho Rocha

sábado, 20 de julho de 2013

Barão de Castelo de Paiva também estudou as Ilhas Selvagens ?

Vulto paivense estudou as Selvagens, no séc. XIX ?


A visita de Cavaco Silva às Selvagens não deixará de reafirmar a soberania daquele território que confere a Portugal a maior Zona Económica Exclusiva da União Europeia (1,6 milhões de quilómetros quadrados), potenciando além do mais a dimensão de mais 2,15 milhões de quilómetros da plataforma continental, cuja jurisdição Lisboa quer ver reconhecida pelas Nações Unidas entre 2014 e 2015. 
Independentemente da soberania e consequentemente do valor económico que possa representar, há que reconhecer que estamos perante um sítio de elevada importântia ambiental, já classificado pela UE como Rede Natura 2000.A Macaronésia foi mesmo a 1º região biogeográfica a existir na Rede Natura 2000!
É noticiado que a visita assinala também o 50.º aniversário da primeira expedição científica às ilhas, realizada pelo ornitólogo de origem inglesa Paul Alexander Zino e que conduziu ao estabelecimento nas Selvagens da mais antiga reserva natural do país (1971). Porém um vulto paivense das letras e das ciências, António da Costa Paiva (Barão de Castelo de Paiva) desenvolveu actividade de exploração científica nas ilhas da Macaronésia (que inclui os arquipélagos da Açores, Madeira, Canárias, Selvagens, Cabo Verde), onde estudou insetos e moluscos e descobriu novas espécies, na companhia de distintos cientistas como John Edward Gray e Vernon Wollaston. Ficará o trabalho de um paivense ligado à maior ZEE da União Europeia ?
Segundo Tolentino da Nobrega in Público "As Ilhas Selvagens despertaram desde sempre o interesse de naturalistas e cientistas. A primeira visita com fins de carácter científico foi feita pelo capitão James Cook em 1768 e em 1778 Francis Masson, botânico do Jardim Botânico Real de Kew, efectuou colheitas de plantas nas Selvagens. Durante os séculos XVIII, XIX e até meados do século XX, as visitas de cientistas às Selvagens foram sempre de carácter esporádico e nunca com o intuito de estudar com continuidade a fauna lá existente, nomeadamente as aves marinhas, que durante uma parte do ano se encontram nas ilhas a nidificar, sublinha o biólogo madeirense Manuel Biscoito. Tendo consciência da precariedade da informação científica existente, Günther Maul, director do Museu Municipal do Funchal e o major na reserva C. Pickering, botânico amador, decidiram em 1963 organizar a primeira expedição científica multidisciplinar às Ilhas Selvagens, para a qual foi fretado o navio “Persistência” da Empresa Baleeira do Arquipélago da Madeira.
Esta expedição, entre 15 e 27 de Julho, contou com a presença de cientistas de diversas especialidades, entre os quais Christian Jouanin e Francis Roux, do Museu de História Natural de Paris, os quais a partir daí se mantiveram intimamente ligados ao estudo da fauna ornitológica das Selvagens. Desta expedição resultou a publicação, no Boletim do Museu Municipal do Funchal, de nove artigos científicos, sobre as aves, insetos, plantas e rochas das Selvagens, constituindo um volume com 170 páginas."
Motivos estes que exigem que se conheça mais sobre a vida e obra deste paivense. Este como outros assuntos deviam merecer mais reflexão, ponderação e outra atitude no que aos orçamentos da cultura deveria dizer respeito.


Sobre a biografia de António da Costa Paiva(Barão de Castelo de Paiva) ver post anterior (recorte de informação da FLUP)

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Vulto paivense, António da Costa Paiva, estudou as Selvagens, no séc. XIX ?




Em 2013 noticiou-se o 50.º aniversário da primeira expedição científica às ilhas, realizada pelo ornitólogo de origem inglesa Paul Alexander Zino e que conduziu ao estabelecimento nas Selvagens da mais antiga reserva natural do país (1971). Porém um vulto paivense das letras e das ciências, António da Costa Paiva (Barão de Castelo de Paiva) desenvolveu atividade de exploração científica nas ilhas da Macaronésia (que inclui os arquipélagos da Açores, Madeira, Canárias, Selvagens e Cabo Verde), onde estudou insetos e moluscos e descobriu novas espécies, na companhia de distintos cientistas como John Edward Gray e Vernon Wollaston. Ficará o trabalho de um paivense ligado à maior ZEE da União Europeia ?

Já em 2013 o Presidente da República visitou este sítio classificado como Rede Natura 2000, pretendendo naturalmente contribuir com este gesto para a  reafirmação da soberania daquele território que confere a Portugal a maior Zona Económica Exclusiva da União Europeia (1,6 milhões de quilómetros quadrados), potenciando além do mais a dimensão de mais 2,15 milhões de quilómetros da plataforma continental, cuja jurisdição Lisboa quer ver reconhecida pelas Nações Unidas.

Quem foi António da Costa Paiva (Barão de Castelo de Paiva) recorte de biografia com base na informação da FLUP)





António da Costa de Paiva (Barão de Castelo de Paiva)
Médico, botânico, professor e 1.º diretor do Jardim Botânico

Biografia de António da Costa de Paiva (Barão de Castelo de Paiva, 1806-1879)
António da Costa de Paiva, filho de Manuel José da Nóbrega, negociante, natural de Castelo de Paiva, e de D. Maria do Carmo da Costa, nasceu no Porto a 12 de outubro de 1806.

Bacharel em Filosofia e Medicina pela Universidade de Coimbra e doutor em Medicina pela Universidade de Paris, obteve este último grau após a defesa de uma tese sobre a tísica pulmonar, elaborada durante o exílio a que o conduziram os seus ideais liberais. Quando pôde regressar a Portugal, exerceu clínica privada.

Entre 1834 e 1836 regeu a cadeira de Filosofia Racional e Moral na Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto. Em 1836 foi nomeado lente de Agricultura e Botânica nesta Academia por decreto de 20 de outubro e carta régia de 3 de janeiro de 1837. Neste ano, aquando da reforma da Academia Real da Marinha e Comércio e criação da Academia Politécnica do Porto, passou a ser o 1.º lente proprietário da 10.ª cadeira – Botânica, Agricultura, Metalurgia e Arte de Minas, funções que exerceu entre 1838 e 1858. Por inerência do cargo, foi nomeado primeiro diretor do Jardim Botânico pelo decreto de 11 de janeiro e carta régia de 28 de julho de 1838. Assegurou estas funções entre 1838 e 1855.

Um ataque de tuberculose pulmonar afastou-o da cátedra, recebendo tratamento na ilha da Madeira, tendo-se mais tarde jubilado com a categoria de lente por decreto de 31 de dezembro de 1858 e carta régia de 19 de janeiro de 1859.
O restabelecimento do seu estado de saúde possibilitou-lhe uma intensa atividade de exploração científica nas chamadas ilhas da Macaronésia, sobretudo nos arquipélagos da Madeira, Canárias e Cabo Verde, onde estudou insetos e moluscos e descobriu novas espécies, na companhia de distintos cientistas como John Edward Gray e Vernon Wollaston. As coleções que reuniu foram posteriormente estudadas por Bernardino António Gomes e Barbosa du Bocage.

Escreveu sobretudo trabalhos de caráter científico. Foi autor de obras como "Aphorismos de medicina e cirurgia práticas" (1837), "Relatório do Barão de Castello de Paiva, encarregado pelo governo de estudar o estado da Ilha da Madeira, sob as relações agrícolas e económicas" (1853), "Descripção de duas espécies novas de coleópteros das Ilhas Canárias" (1861), "Novíssimos ou últimos Fins do Homem" (1866), depois de se converter ao cristianismo em 1851, e "Biographia" (1877).
Iniciou a publicação de obras literárias com a tradução comentada dos romances de Voltaire. Em 1837 editou a "Crónica d'El-Rei D. Sebastião", de Frei Bernardo da Cruz, juntamente com Alexandre Herculano (1810-1877) e o "Roteiro da Viagem de Vasco da Gama" atribuído a Álvaro Velho, com Diogo Kopke (1805-1875); numa segunda edição, em 1860, com Alexandre Herculano.
A propósito da sua obra escrita, disse Camilo Castelo Branco: "A forma, o dizer, é de tão bom quilate portuguez, que apenas podereis estremar a vernaculidade do auctor dos Soliloquios d'entre as paginas lusitaníssimas do auctor dos Novissimos, que tanto hombro se eleva como o oratoriano (P. Manuel Bernardes), de quem temos um devoto livro idêntico na tenção e no título."
Júlio Dinis referiu-se ao Barão de Castelo de Paiva na sua obra "Os Fidalgos da Casa Mourisca", a propósito de um animado diálogo sobre Frenologia, Metafísica e Filosofia que ele terá mantido com um alemão, administrador da Casa de Orneias, na Madeira.

No decurso da sua carreira, António da Costa de Paiva foi distinguido com diversos títulos e cargos honoríficos. O grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo e da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa foi-lhe atribuído em 1836 e o título nobiliárquico de Barão de Castelo de Paiva em 1854.

António da Costa de Paiva foi membro de academias e sociedades científicas, nacionais e estrangeiras, como a Academia Real das Ciências de Lisboa (sócio efetivo), a Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, a Sociedade Zoológica de Londres, a Sociedade de História Natural de Cassel, a Sociedade das Ciências Naturais de Estrasburgo, as sociedades botânicas de França e Edimburgo, a Real Academia Imperial do Rio de Janeiro, a Academia de Medicina e Cirurgia de Toulouse (sócio correspondente) e a Academia de Medicina de Montpellier (sócio correspondente). Foi vogal extraordinário do Conselho Geral de Instrução Pública, até à extinção deste em 1868.

Legou parte da sua fortuna a hospitais, instituições de caridade e a associações científicas e culturais e estabelecimentos de ensino. Ofereceu à Academia Real das Ciências de Lisboa o seu herbário da Madeira, composto por 600 espécies, e uma coleção botânica de 372 espécies, recolhida nas ilhas das Canárias. Ofereceu ao Museu dos Jardins Botânicos Reais de Kew, em Inglaterra, um herbário com plantas indígenas de Portugal e dos Açores. À Academia Politécnica do Porto doou uma inscrição de assentamento da Dívida Pública Portuguesa no valor de 1 000$00 reis, em benefício do Jardim Botânico. Em 1879 deixou 1 conto de reis à Academia Portuense de Belas Artes para a criação de um prémio a atribuir ao melhor quadro de temática bíblica presente na exposição trienal daquela Academia. Instituiu um legado – o Legado do Barão de Castelo de Paiva - na Escola Médico-Cirúrgica do Porto: "Pertence, por minha morte, a propriedade d'esta inscripção á Escola Medico-Cirurgica da cidade do Porto para servir de premio o seu juro anual ao alumno da mesma Escola que mais destreza mostrar nas operações cirúrgicas, ou nas dissecações anatomicas do corpo humano; reservando para mim o direito de receber o juro enquanto eu vivo fôr. Funchal, 22 d'outubro de 1874". (Annuario da Escola Medico-Cirurgica do Porto : Anno lectivo de 1906-1907, p.143)

Faleceu na ilha da Madeira a 4 de junho de 1879.


Universidade Digital / Gestão de Informação, 2012. Revisão científica de Jorge Fernandes Alves (FLUP)


P.S.
Recentemente tivemos a grata noticia da criação pelo Museu de Ilhavo do Prémio Octávio Lixa Filgueiras. Orgulha-nos que mais um paivense - outro expoente do saber e da nossa cultura - premeie o mérito e sirva de exemplo para alunos e investigadores aplicados e apaixonados pelo progresso da ciência e da arte.
Desejamos a este prémio a perenidade da do homónimo Barão que vigora desde o séc. XIX e que premiou figuras ilustres como por exemplo Isolino Vaz, artista e professor gaiense que como o Arquitecto Filgueiras - foram ambos colaboradores da Revista "O Pejão".









escreveu Martinho Rocha


terça-feira, 16 de abril de 2013

O Pelourinho da Justiça


Publicamos o texto anexo inserido na entrada Foral, em jeito de homenagem ao Professor José Maria Seabra Strecht, que nos deixou. Pessoa dedicada à causa pública, interventivo na política, nosso associado e diretor, era nos jornais que ocupava muito do seu tempo livre, redigindo textos mordazes sobre a política local e notas informativas sobre assuntos variados, da cultura e património muitos deles integrados em rubrica da ADEP.
Texto interessante por se propor  levantar o véu que ensombra a localização do nosso Pelourinho, que nas suas inquirições se terá situado no cimo da Rua 5 de Outubro. É verdade que nessas imediações ainda existe uma pedra, na entrada de uma casa, que pode muito bem ser a base do dito.
Por sua vez  Margarida Rosa M. de Pinho, em nota de rodapé da sua obra “Elementos para a História de Castelo de Paiva” em 1947, refere que“…, não existe qualquer vestígio, (…)do pelourinho que Pinho Leal diz ter existido “na retaguarda da casa da Câmara (atual cadeia)  e quase escondido a um recanto””. Margarida ainda acrescenta nesta nota que “É voz corrente que a entrada deste cemitério (antigo, à Rua Emídio Navarro) foi construído com os restos das ruínas da capela de S. Sebastião, existente no cimo da Vila e perto da qual se diz ter existido cruzeiro que foi destruído para a abertura da estrada…”
A talho de foice e para evitar confusões entre cruzeiros, padrões e pelourinhos, lembramos que o nosso cruzeiro(*), sito na Praça da Independência foi erigido em 1940 integrado no plano do Estado Novo que incluía obras públicas relevantes, escolas (“dos centenários”), padrões, cruzeiros e monumentos, destinado a comemorar o duplo centenário da Nacionalidade (1140/1640/1940).
Uma nota final para assinalar a existência física do Pelourinho da Raiva, um outro em Midões e de uma pedra em Vila Verde que pode ter sido da forca. 

(*) Um dos secretários da inauguração do Cruzeiro da Independência, segundo texto de João Bernardo Galvão Teles in Contributos para o Futuro Arquivo de Arouca) foi o Padre José Soares Correia de Noronha, de Alvarenga, Arouca que foi durante muitos anos abade de Fornos.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Santo António


Uma obra em livro ilustrada, interessante e de grande valor histórico, brevemente nas principais livrarias do país, que interessa a todos os portugueses e que aborda a origem dos Bulhões e Terras de Paiva, lançada pela ADEP no contexto da celebração dos 500 anos, em 2013, da atribuição do Foral, por D. Manuel I, à terra de Paiva.

Se esta obra vier a atingir o volume de 3000 exemplares vendidos será publicada, também, nas línguas castelhana e inglesa.

Um trabalho original que merece o carinho de todos os paivenses residentes, ou não, que na sua leitura, vão encontrar uma mensagem das Terras de Paiva, e de Portugal, no rasto da descendência dos Bulhões, mensagem, esta, que pode percorrer todos os cantos do mundo.



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Papiniano Carlos faleceu.


  • Em jeito de homenagem, trazemos aqui uma relação de algumas das obras do Escritor e Poeta que soube pegar nos nossos valores como foi o caso do rio Paiva e nas vidas que lhe estavam associadas! Foi nosso associado e nos anos oitenta júri dos nossos jogos Florais! A nossa singela homenagem! As nossas saudades!
  • CARLOS, Papiniano – Esboço: poemas. Porto, Tip. Artes & Letras, 1942.
  • CARLOS, Papiniano – Estrada nova: caderno de poemas. Porto, Tip. Livr. Progredior, 1946.
  • CARLOS, Papiniano – Mãe terra: poemas. Porto, Portugália, 1949.
  • CARLOS, Papiniano – As florestas e os ventos: contos e poemas. Porto, Papiniano Carlos, 1952.
  • CARLOS, Papiniano – Caminhemos serenos: poemas. Coimbra, Textos Vértice, 1957.
  • CARLOS, Papiniano – A rosa nocturna: crónicas. Lisboa, Sagitário, 1960.
  • CARLOS, Papiniano – A menina gotinha de água: poema para as crianças. 3 ed., Lisboa, Portugália Editora, 1972.
  • CARLOS, Papiniano – A ave sobre a cidade. Porto, Paisagem, 1973.
  • CARLOS, Papiniano – O rio na treva. Porto, Inova, 1975.
  • CARLOS, Papiniano – Luisinho e as andorinhas. Maia, Gráfica Maiadouro, 1977.
  • CARLOS, Papiniano – O cavalo das sete cores. Lisboa, A Opinião, imp. 1977.
  • CARLOS, Papiniano – O grande lagarto da pedra azul. Lisboa, Caminho, 1986.
  • CARLOS, Papiniano – Recordando António Ramos de Almeida "companheiro da esperança". Porto, s.n., 1975.
  • CARLOS, Papiniano – A viagem de Alexandra. Porto, Porto Editora, 1989.
  • CARLOS, Papiniano – A memória com passaporte: um tal perafita na "Casa del Campo". Porto, Campo das Letras, 1998.
  • CARLOS, Papiniano – Era uma vez.... Porto, Campo das Letras, 2001.
  • CARLOS, Papiniano – CARLOS, Papiniano – A Viagem de Alexandra. Arca das Letras, 2008.

domingo, 10 de julho de 2011

Faleceu Augusto Gomes dos Santos

O Sr. Comendador Augusto Gomes dos Santos, Fundador da Federação do Folclore Português e seu Presidente Honorário, faleceu no sábado dia 9. O seu funeral realiza-se amanhã (segunda feira - dia 11) pelas 10 horas, da sede da Federação (onde esteve em câmara ardente no dia de hoje), donde partirá em cortejo fúnebre para a Igreja, onde se celebrará Missa de Corpo Presente, a que se seguirá o enterro no cemitério local.
Augusto Gomes dos Santos nasceu a 23 de Julho de 1924 na freguesia de Arcozelo, no Concelho de Vila Nova de Gaia e dedicou mais de 40 anos à divulgação do folclore, da etnografia e das tradições populares Portuguesas.
Teve um papel fundamental no apoio aos Grupos folclore, (a convite da ADEP esteve duas vezes em Castelo de Paiva) tendo com eles iniciado um trabalho de formação e orientação para a pesquisa e recolha de folclore e etnografia, de modo a melhorar a autenticidade das suas representações, nomeadamente com a realização de Encontros, Colóquios e Jornadas de Folclore.
Sentidas condolências à sua Família parental e do Folclore.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Prof. Jorge Paiva - BOAS FESTAS !


Aí está o 20.º cartão ambientalista de Boas Festas, do nosso amigo e associado Prof. Jorge Paiva que poderá vir a ser incluido numa brochura sua, a publicar ! Bem Haja, porque constituirá um manual indispensável para professores e alunos !

Estes cartões, que têm focado alguns dos grandes problemas do ambiente à escala mundial e local, produzidos apartir de fotos suas (tem sido coleccionados na ADEP), poderão deixar de aparecer nos destinatários de eleição (escolas e associações), face aos encargos económicos com a sua expedição. Neste Ano Internacional para a Biodiversidade, é justo fazer um esforço de divulgação pela valia da atitude e realçar a militância e persistência do Homem.

Nesta quadra festiva a Direcção da ADEP deseja a todos os seus associados, colaboradores, patrocinadores e amigos um Feliz Natal e um Bom Ano Novo!

terça-feira, 2 de março de 2010

DOMINGOS QUINTAS A SÓCIO HONORÁRIO

A próxima Assembleia Geral, sessão onde deverão ser aprovados os documentos anuais de gestão da associação, vai deliberar sobre a proposta da Direcção de atribuição do título de sócio honorário a Domingos Quintas Moreira.
A Direcção da ADEP na sua última reunião aprovou por unanimidade a presente proposta no sentido da atribuição deste honroso título, como forma de prestar público reconhecimento e agradecimento pelo trabalho e dedicação que este associado tem desenvolvido no estudo e divulgação de algumas áreas da nossa cultura, designadamente a história/arqueologia e a etnografia.
Refira-se que recentemente foi editado pela ADEP em parceria com o Parque Biológico de Gaia o "Manual do cultivo e da confecção do Linho", obra de sua autoria.

domingo, 8 de junho de 2008

espaço de biblioteca: Manuel Afonso da Silva. Ler à segunda feira de manhã, é na ADEP!


Graças à disponibilidade demonstrada pelo nosso amigo Fernando Damas o espaço Biblioteca da ADEP "Manuel Afonso da Silva" vai voltar a estar aberto.

Fica por conta dos nossos associados, amigos e população em geral dar-lhe o merecido uso, "gratificar"  assim este contributo voluntário que é jus realçar!
                 
                         - - - - - - - o   o   o       O O O     o o o - - - - - - - - -

O texto que se segue dava nota em 08-06-2008, dos esforços de Domingos Quintas Moreira para manter aberto e minimamente organizado o nosso espaço de Biblioteca, colaboração que veio a prestar meritória e desinteressadamente -não fosse o seu amor aos livros e a dedicação à ADEP, enquanto a saúde lho permitiu. Neste momento é justo e oportuno agradecer o exemplo dado: obrigado Domingos Quintas!


Biblioteca MANUEL AFONSO DA SILVA

Assim passará a designar-se o espaço de Biblioteca da ADEP, que reune inumera documentação histórico-arqueológica e etnográfica da região, além de todos os números dos diversos jornais regionais, alguns deles, encadernados e oferecidos por Manuel Afonso da Silva. De referir títulos actuais, que nos continuam a ser disponibilizados como o TVS e o Miradouro e antigos como o Terras de Paiva, O Pejão, O Defensor e a Gazeta de Paiva (cujo 1.º número data de 1894 !)
No mesmo espaço vai passar a estar uma antiga máquina de impressão dos primeiros números do Miradouro, também ela oferecida por Manuel Afonso da Silva e que tem vindo a ser utilizada para demonstração pelo seu funcionário e nosso associado João Vieira.
Com este gesto de homenagem a ADEP pretende reconhecer publicamente o contributo deste seu associado cuja vida profissional esteve sempre ligada à escrita como forma de proporcionar a notícia das preocupações e dos anseios das populações.
Este espaço que vai voltar a estar disponivel para consulta, graças à disponibilidade de Domingos Quintas Moreira, contém ainda imensa documentação temática como o Foral de Paiva, A Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, obras e textos de autores que nos são próximos como, Barão de Castelo de Paiva, Caetano de Oliveira, Guido Monterey, Inácio Pignattelli, João Salema, José Adriano Freitas Carvalho, Lixa Filgueiras, Papiniano Carlos, etc. , etc.. reunidas por nós ao longo dos anos.
Não comparamos este nosso espaço com as bibliotecas de Mafra, Joanina de Coimbra, ou de Alexandria, mas ainda assim considerámo-lo dotado de muita informação que não existe noutros espaços. Um local onde podem encontrar-se pérolas do nosso jornalismo regional, sempre actuais, como: "GATUNOS - Ultimamente os gatunos tem feito limpeza às capoeiras. Não se poderá saber quem gosta de comer frangãos e gallinhas à custa alheia ? " - in "A Gazeta de Paiva" de Outubro de 1894.

terça-feira, 25 de março de 2008

Voto de pesar pelo falecimento do Eng.º Luis Lousada Soares

Foi aprovado por unanimidade e por iniciativa da Direcção, um voto de pesar pelo falecimento do associado e colaborador, Eng. Luís Lousada Soares, que também doou à ADEP um valiosíssimo espólio fotográfico, em que se empenhou na segunda metade da década de 90 e, que retrata o estado do património arquitectónico do concelho, denominado "Património do Concelho de Castelo de Paiva".
O nome do paivense Luís Lousada Soares vai passar a ficar ligado à sala e arquivo fotográfico e/ou outros da ADEP, que com este acervo se aumenta significativamente, nos termos de deliberação próxima a tomar pela Direcção.