domingo, 29 de julho de 2012

Mosaicos e Ouro em Castelo de Paiva


Mosaicos e Ouro, a riqueza que justificará a existência de um importante povoado  perto do Sardoura, no alinhamento Fundões, Felgueiras e Fojo.

Ourais, Ouriz, Mama de Oiro e até Rio Douro, são alguns dos topónimos que os estudiosos apontam para localizar atividades de exploração mineral, designadamente ouro, no passado. Há um afloramento que atravessa o concelho paralelo à jazida do carvão onde são visíveis várias minas, no nosso concelho, desde o Rio Paiva em Bairros, Sobrado, (Paraíso?) e Raiva em direção a Melres, do outro lado do Douro.
Segundo Margarida Rosa Moreira de Pinho nos seus “Elementos para a História de Castelo de Paiva”, no concelho já laboraram, além do carvão no Couto Mineiro do Pejão , “(…)minas de metais de várias qualidades: uma de antimónio chamada Cabranca, na Raiva, duas de chumbo, no ribeiro de Terramonte e quatro de chumbo e zinco denominadas Gardunha, Ourais, Ribeiro da Castanheira e Serradelo. Todas estas ficam situadas na freguesia da Raiva(…)”. É rico portanto o nosso sub-solo.
Os sinais dessa riqueza deixados pelos nossos antepassados poderão muito bem estar nos mosaicos encontrados.  Pinho Leal refere-se a vestígios arqueológicos encontrados, do domínio romano, e que eram  as ruínas de um templo, em Fundões – Sobrado, onde havia fragmentos de mosaico no pavimento. Também em Felgueiras, nessa mesma freguesia de Sobrado apareceu em 1861 uma grande peça de mosaico.
Para Maia Marques, investigador e palestrante no Encontro da ADEP, em Castelo de Paiva em Agosto de 1989, a região, “(…)já na época megalítica era extremamente habitada(…)A população na época romana seria uma população com certeza dispersa (o que prova a dispersão das necrópoles) ”. Considera que sendo raros os mosaicos, a haver três locais no concelho geograficamente próximos (Fundões, Felgueiras e Fojo) isso quer dizer que há indícios de um pequeno núcleo urbano nas imediações e que “(…)teria  a suficiente importância (riqueza) para possuir mosaico. No Alentejo há dezenas de Villae romanas, só as mais importantes têm mosaico. O mosaico era algo de muito caro que não estava ao alcance de qualquer bolsa(…)”  Vai mais longe este arqueólogo, “(…)Na Raiva, na zona de Ourais, vários autores põem a hipótese de aqui ter havido uma pequena Villae  ou pequeno estabelecimento e que este topónimo poderia ter a ver com a exploração de ouro, daí Ourais. Sabemos perfeitamente que era uma das atividades principais que os romanos levavam a cabo nestes rios cujos aluviões, tinham muitas vezes de facto areias auríferas(…)”. Para ler artigo relacionado com este tema "Ouro no Rio Paiva ?!" - ir a página anexa, in Jornal Chafariz, Janeiro de 1989.

domingo, 22 de julho de 2012

As Pedras e as Lendas (uma das comunicações apresentadas pelo seu autor Inácio Nuno Pignatelli).



…“Se ao Marmoiral da Boavista não estivesse associada a história dos amores difíceis dos pais de Santo António, era mais um marmoiral, mais uma pedra. (…)Mas, precisamente porque se encontram associados a lendas, porque há uma história que se concentra nelas e deles parte a povoar o pensamento dos homens, ganham logo outros foros, assumem de imediato uma nova condição que os individualiza, deixam de ser uma qualquer fraga ou rocha para passarem a ser O Penedo Cão, O Marmoiral da Boavista, O Penedo d’ El-Rei Garcia.
E porque assim é e alguém lhes deu voz e soube dialogar com eles, os homens procuram mantê-los e conservá-los”…
O texto(*) integral  da comunicação apresentada no “Encontro Castelo de Paiva: Ontem e Hoje” realizado pela ADEP em 12 de Agosto de 1989, na Quinta do Pinheiro, está na página anexa.


(*) As actas do Encontro não chegaram a ser publicadas por não terem sido recebidos todos os textos das comunicações apresentadas.

sábado, 14 de julho de 2012

À bomba (d'água) senhores, também se fazem revoluções!


Há iniciativas que merecem ser divulgadas. Os tempos em que vivemos merecem atitudes e opções, no caso, que desprezem as energias do petróleo e valorizem as energias limpas. É o caso da reutilização da bomba de água manual de família (a que pode ser acopolada uma alça com motor), em que se empenhou o P.e Constantino Alves no seu sítio, a sua "A nossa casa", em Vale Frio, Nogueira, Paraíso - Castelo de Paiva.
Parabéns e que sirva de exemplo para essas hortas das redondezas, e de Setúbal, porque não ?

terça-feira, 10 de julho de 2012

Castelo de Paiva não deixa morrer a tradição

Nesta quadra em que vários textos e fotos foram divulgados, designadamente a propósito da regata de rabelos em Vila Nova de Gaia, é oportuno lembrar um artigo de Alfredo Mendes no Diário de Noticias de 13 de Dezembro de 1986, intitulado "Castelo de Paiva não quer deixar morrer a tradição - Um barco rabelo volta a navegar no Douro", donde, qual caixa de pandora, se sentem silêncios e tremores, se ouvem vozes e sussurros, se vêm lágrimas, se ouvem gritos e silvos metálicos do progresso; irrompe em contraponto a fanfarronife e a euforia embriagada, tal é o emaranhado de memórias, histórias e vivências que se entre-cruzam, (até discursos e medalhas...porque presentes estiveram também políticos), como se numa tela se estivesse a projetar esse jorro de vida trágico- fluvial que nos é caro, e muito vivo ainda nas populações ribeirinhas, também ele digno de constituir homenagem a marinheiros, construtores e população ribeirinha.
Texto na página anexa

quinta-feira, 5 de julho de 2012

GILDE ( Real - Castelo de Paiva ) Um inédito de Domingos A. Moreira!

"...Assim "Urgildi"/Gilde (Real - Castelo de Paiva), grafado outrora em forma genitiva (na terminação -i) a indicar posse, significaria ter sido a povoação de um senhor Orgildo tal como se observa também no caso da expressão documental "Uilla de Berulfe que fuit de comit domno Berulfo"(26). Escusado será dizer que, por ser de origem germânica (visigoda, etc.) o nome pessoal Orgildo, isso não significa só por si que seja de sangue germânico o possuidor de Gilde, pois os nomes pessoais germânicos também acabaram por ser adoptados pelos indígenas hispânicos.
....
O nome pessoal Usgildus / Orgildo traduz a mentalidade germânica, guerreira e conquistadora segundo as características apontadas pelo escritor romano Tácito: "a mocidade nobre passa contente para os países onde sabem que há guerra, porque esta gente aborrece o repouso e é nos perigos que mais facilmente se ganha nome (...) Apreciam muito os presentes dos povos vizinhos"(27)..."

Nota: Texto integral na página anexa

domingo, 1 de julho de 2012

Domingo na Feira haverá pão e vinho. Também, rojões, rabanadas, papas e pataniscas !

O tinto é o tinto, mas o vinho branco de Paiva feito de bica aberta era já um dos tributos do Foral em 1513!

                                       


Vinho, linho e azeite não sendo tudo é do mais emblemático que produzimos de longa data.  Alguns deles constam do Foral. Contam-se quinhentos anos com avanços e recuos. Assim se foi fazendo a evolução para a realidade dos dias de hoje. Nos anos sessenta (do séc. passado) com a emigração e a mecanização; nos anos oitenta com a industrialização e a politica da CEE...Sobre a paixão, o desencanto e rotina dos processos; sobre os sabores; sobre as vidas nos momentos altos e baixos muito teriamos que conversar...



recortamos excertos de uma brochura "Os moinhos e lagares da nossa memória", publicada já há mais de dez anos a propósito dos engenhos e lagares que recuperamos e instalamos no Parque das Tílias - "Museu Etnográfico", espaço Casa dos Engenhos, Dr. Justino Strecht Ribeiro.



A terra de Paiva tal como a generalidade das terras do interior tinha na agricultura a sua atividade principal. Os cereais (milho miúdo, centeio, trigo e cevada) e a vinha ocupavam  por certo a maior parte do tempo de trabalho das pessoas.
A qualidade e o prestígio do nosso vinho,  há-de ter raízes na nossa ancestral mestria de o saber fazer. O vinho branco feito de bica aberta era já um dos foros do Foral concedido à terra de Paiva.
As estrigas de linho, o mel, a cera, a manteiga, o pão terçado e meado,  eram produtos que necessitavam de outros saberes e trabalhos, ainda assim a necessitar de pouca “industrialização” . As nozes e as azeitonas são frutos presentes no Foral. Não se pagava por exemplo com azeite, ainda que o concelho tenha hoje testemunhos de uma forte presença dessa cultura nos últimos séculos. A pecuária, assim como os ovinos, caprinos, bem como os porcos e a aves de capoeira também são referenciados. Não eram ainda conhecidos a batata e o feijão, porque terão sido introduzidos mais tarde, com as descobertas.
Há 500 anos, acabávamos de descobrir o Brasil, e já nesta terra eramos uma sociedade com organização desorganizada. Isto é, com o Foral pretendeu-se pôr ordem nos foros e tributos que se pagavam na terra de Paiva. Atualizaram-se os direitos dando-se-lhe um suporte legal que até então não existia, por causa das falsificações, interpretações erradas e ainda os abusos e pressões dos alcaides, senhorios, ordens religiosas, igrejas, etc.
Num território que incluía a freguesia da Espiunca e deixava de fora a de Bairros, o vinho, branco e vermelho, era um dos foros que, a par do milho, do trigo e do dinheiro, se pagava em maiores quantidades. Segundo Francisco Ribeiro da Silva pagavam-se no total cerca de 250 alqueires de trigo, 300 de milho e 12$752,5 reais em dinheiro.
O Foral fixou também os encargos com o trânsito comercial dos mais variados produtos, fossem eles transportados em besta cavalar, muar, carro ou carreta. Também as barcas de passagem e as que transportavam o vinho vindo do Douro assim como a ocupação dos maninhos e as pescarias da lampreia e do sável nos sítios de Boure, Midões e Pedorido, são matéria, como a Lei Penal, objeto de regulamentação.























escreveu Martinho Rocha