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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Tentativa para mudar a viagem dos barcos rabelos, entre a praia do Castelo (Fornos, Castelo de Paiva) e o Porto, de domingo para segunda feira.



O Pároco da freguesia de Fornos, Padre José S. Correia de Noronha, no ano de 1933, apesar do seu esforço, (e do seu estatuto - já que era vereador da Câmara e membro da União Nacional) não conseguiu mudar as viagens dos barcos rabelos de domingo para segunda-feira, proporcionando assim o descanso semanal ao domingo aos 38 arrais e negociantes e aos 120 homens que trabalhavam sob as suas ordens.

Em 1942, o Cais do Castelo aparece referenciado como o de maior movimento em todo o rio Douro, constituindo um autêntico entreposto com a capital do norte. No ano de 1947, segundo a obra da Dr.ª Margarida Rosa Moreira de Pinho – “Elementos para a História de Castelo de Paiva” ainda o Castelo tinha barcos de carreira para o Porto aos domingos!...
Damos ao conhecimento dos leitores um texto do Arquivo Paroquial da freguesia de Fornos. Aproveitamos para agradecer ao Rev.  Padre Carlos Luís S. Correia o facto de nos ter possibilitado a reconstituição deste mesmo texto no nosso arquivo documental.

“Há na praia do Castelo o costume imemorial de partirem ao domingo para o Porto os barcos do tráfego semanal.
Só nós párocos sabemos o quanto de transtorno e prejuízo isto não custa à vida religiosa da freguesia e por tal motivo, já em tempos o Rev. Sr. Padre Francisco dos Santos Cunha (*) tentou mudar essa viagem para as segundas-feiras, não o conseguindo.
Tentei eu também essa mudança em 1933. Para isso, convidei para uma reunião em minha casa todos os arrais e negociantes do Castelo, comparecendo os senhores, José Pinheiro Branco, Joaquim Pinheiro Branco, António Gomes da Silva Serra, Francisco de Oliveira Vagaroso, Joaquim Teixeira de Melo, Manuel Teixeira Inverneiro Júnior, Manuel Pereira Mil-Homens; António Pinto, Luiz Pinto, Bernardo de Almeida, António de Oliveira Ribas, Jacinto de Sousa, Francisco Teixeira Moranguinho, João Pereira, Manuel Marques, Manuel de Sousa Pitada, José Gabriel de Oliveira, Manuel Teixeira Inverneiro (Anté), Serafim Alves. Heitor Pereira Mil- Homens e Joaquim de Almeida (Mano), representado pelo filho. Todos estes arrais e negociantes concordavam na mudança, com a condição de todos concordarem, tanto desta praia, como das de Bitetos, Fontelas, Vimieiro, Fontaínhas da Raiva e Pé de Moura da Lomba, pois ficando alguns sem se comprometerem, estariam no mercado da Ribeira logo na segunda de manhã fazendo seu negócio antes dos outros chegarem, o que representa a sua ruína.
Havendo alguns que se recusaram a aderir (da praia do Castelo, não compareceram Francisco Teixeira Arranjinho e Joaquim Nunes (Russo), procurei conseguir no Governo Civil do Porto que fosse proibida que a praça da Ribeira fosse aberta às segundas-feiras, antes das 12 horas, mas responderam-me que era isso atribuição da Câmara Municipal do Porto, por isso lhes dirigi o seguinte ofício: Ex. mos Senhores, Presidente e Câmara Municipal do Porto: Eu, José Soares Correia de Noronha, pároco de Fornos, Castelo de Paiva, auxiliado pelos meus colegas da Raiva, Souselo, Várzea do Douro e Lomba, respectivamente dos concelhos de Castelo de Paiva, de Cinfães, do Marco e de Gondomar, convidei a viajarem às segundas-feiras todos os arrais do rio Douro e negociantes que fazem viagens todos os domingos para o Porto, para fazerem a praça da Ribeira às segundas-feiras, tendo em vista o meu convite que 120 homens que trabalham sob as ordens daqueles arrais tivessem o seu descanso semanal ao Domingo como desejam. Trinta e cinco arrais e negociantes que concorrem à praça da Ribeira nas segundas-feiras, cujas assinaturas junto a este pedido, prontificando-se com satisfação  a mudar as suas viagens para as segundas-feiras; mas para não serem prejudicados por gananciosos, pede-se para a praça desses dias na Ribeira, não começar antes das 12 horas.
Nas cinco praias que concorrem à praça da Ribeira, só três arrais deixaram de a assinar, sem alegar o menor motivo. Será por ganância ? Será por hostilidade ao suplicante, que é vereador da Câmara e membro da União Nacional Concelhia de Paiva? Hostilidade política, portanto?
Não o disseram, nem tem explicação o seu procedimento.
Por isso, para prevenir os interesses dos arrais e negociantes que assinaram a quasi totalidade (35 contra 3) e porque se trata de uma medida de grande alcance moral e social para estas terras, venho pedir à Ex.ma Câmara do Porto, a sua intervenção decisiva, mandando que a praça que se realiza todas as semanas às segundas-feiras, no cais da ribeira, não possa começar, de hoje em diante, antes das doze (12) horas, podendo continuar por todo o dia de terça-feira.
Desta sorte, os barcos do Castelo e demais praias concorrentes podem partir na madrugada das segundas-feiras, por forma a estarem na Ribeira ao meio dia, começando todos a essa hora os seus negócios, sem prejuízo para ninguém. Para bem da Nação. Fornos de Paiva, 14 de Julho de 1933. P.e José Soares Correia de Noronha. 
Respondeu a Câmara do Porto a este ofício, dizendo não ser das suas atribuições o que se pedia, mas sim da Capitania Marítima.
Dizia-se ao tempo que a nova lei do descanso semanal abrangeria toda a espécie de comércio, e, como o tráfico do rio Douro era comércio, esperei a ver se a Lei fazia, sem favor, o que pretendíamos. Infelizmente nada se fez. Oxalá este meu esforço sirva de exemplo e incentivo a outro mais feliz. Ass. P.e José Soares Correia de Noronha”.

P.S. – O concelho deve uma homenagem a esta gente de marinheiros, arrais, construtores de barcos, carreteiros e negociantes de toda a espécie de produtos (ovos, animais, fruta, vinho, azeitona, carvão, etc. etc.).Esse gesto hoje em dia, deve ser por forma a ter um efeito multiplicador,  dinamizando a economia, agregando portanto instituições e pessoas, servindo de âncora ao turismo, pelo que pode muito bem ser materializado na promoção e salvaguarda do imenso espólio físico e espiritual recolhido e/ou localizado por efeito das iniciativas levadas a cabo pela ADEP (Associação de Estudo e Defesa do Património Histórico-Cultural de Castelo de Paiva), ao longo dos seus últimos 30 anos de intensa  actividade.
É que é tempo de alterar procedimentos que custam milhares de contos ao erário público com a feitura de fontes luminosas, festarolas e foguetórios, rotundas e mamarrachos, enquanto estes monumentos e memórias estão esquecidos pelos entes públicos...

(*) - Pároco que veio a ser da freguesia de S. Martinho de Sardoura.

Texto revisto do já publicado no TVS, nos finais dos anos 90.

































Martinho Rocha

segunda-feira, 30 de abril de 2018

O mais antigo escrito em Português, localizado na Torre do Tombo, é de nobres paivenses!


ERA LENDA!…  PASSOU A SER UM FACTO HISTÓRICO

O Pergaminho encontrado na Torre do Tombo com o considerado texto mais antigo escrito em Português atribuído  a Paio Soares Romeu, avô de Santo António, e ainda o texto latino escrito no mesmo pergaminho, onde consta uma doação de herdades de Soeiro Pais a sua mulher Urraca Mendes, pais de Paio Soares Romeu, nobres que viveram em terra de Paiva, conforme revelado no livro Sobrado de Paiva Medieval de Mário Gonçalves Pereira, veio confirmar que estes ascendentes de Santo António são a base fundamental para se poder afirmar que de facto Santo António teve a sua descendência e origens em famílias nobres da terra de Paiva, como, aliás, consta de árvore genealógica da Casa da Boavista, deixando, assim, de ser uma lenda para passar a ser um facto  de grande alcance histórico.


FAC – SÍMILE : Notícia de Fiadores de 1175

O mais antigo texto escrito em português por Paio Soares Romeu, em pergaminho, identificado com o n.º 10, do maço 20, pertencente ao fundo documental do Mosteiro de São Cristóvão de Rio Tinto, localizado em 1999, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, por Ana Maria Martins, designado por Notícia de Fiadores e datado na Era MCCXIII = 1213 (que corresponde ao ano de 1175 da Era cristã), constando de apenas três linhas, as primeiras indicadas na imagem fac-símile a seguir.


Transcrição do texto, primeiras três linhas:

Linha 1: noticia fecit pelagio romeu de fiadores Stephano pelaiz. xxi. soldos lecton. xxi. soldos pelai garcia xxi. soldos. Gûdisaluo Menendici. xxi. soldos
Linha 2: Egeas anriquici xxxta soldos. petro cõlaço. x. soldos. Gûdisaluo anriquici. xxxxta. soldos Egeas Monííci. xxti. soldos (…) Ihoane suarci. xxx.ta soldos
Linha 3: Menendo garcia. xxti. soldos. petro suarici. xxti. soldos  Era M.ª CCªª xiii. Istos fiadores atan. v. anos que se partia de isto male que li avem
 Paio Soares Romeu foi um senhor de Paiva, de família nobre com assento nos livros de linhagem, avô de Santo António de Lisboa, e descendente do fundador do Mosteiro de Paço de Sousa, conforme consta em árvore genealógica da CASA DA BOAVISTA, em Sobrado de Paiva.


Diz, ainda Ana Maria Martins, que partilha o mesmo suporte da Notícia de Fiadores uma carta de 1146 ( Era MCLXXXIV = 1184), em registo latino, doação de herdades, a título de arras (garantia de pagamento), por Suario Pelaiz (ou seja Soeiro Pais, dito o Mouro) a sua mulher Orraca Menendiz (Urraca Mendes). Estes Soeiro Pais e Urraca Mendes foram os pais de Paio Soares Romeu segundo a mesma árvore genealógica antes referida.
Esta segunda imagem é a mesma de cima mas rodada de 180.º, para melhor leitura do registo latino.


Notas:
1- Ana Maria Martins, Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa;
2- Texto-narrativa adaptado por Mário Gonçalves Pereira.


domingo, 25 de fevereiro de 2018

“SOBRADO DE PAIVA MEDIEVAL” à venda também na FNAC


FAC – SÍMILE: Notícia de Fiadores de 1175

O mais antigo texto escrito em português por Paio Soares Romeu, em pergaminho, identificado com o n.º 10, do maço 20, pertencente ao fundo documental do Mosteiro de São Cristóvão de Rio Tinto, localizado em 1999, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, por Ana Maria Martins, designado por Notícia de Fiadores e datado na Era MCCXIII = 1213 (que corresponde ao ano de 1175 da Era cristã), constando de apenas três linhas, as primeiras indicadas na imagem fac-símile a seguir.
Transcrição do texto, primeiras três linhas:


Linha 1: noticia fecit pelagio romeu de fiadores Stephano pelaiz. xxi. soldos lecton. xxi. soldos pelai garcia xxi. soldos. Gûdisaluo Menendici. xxi. soldos
Linha 2: Egeas anriquici xxxta soldos. petro cõlaço. x. soldos. Gûdisaluo anriquici. xxxxta. soldos Egeas Monííci. xxti. soldos (…) Ihoane suarci. xxx.ta soldos
Linha 3: Menendo garcia. xxti. soldos. petro suarici. xxti. soldos  Era M.ª CCªª xiii. Istos fiadores atan. v. anos que se partia de isto male que li avem
 Paio Soares Romeu foi um senhor de Paiva, de família nobre com assento nos livros de linhagem, avô de Santo António de Lisboa, e descendente do fundador do Mosteiro de Paço de Sousa, conforme consta em árvore genealógica da CASA DA BOAVISTA, em Sobrado de Paiva.


Diz, ainda Ana Maria Martins, que partilha o mesmo suporte da Notícia de Fiadores uma carta de 1146 ( Era MCLXXXIV), em registo latino, doação de herdades, a título de arras (garantia de pagamento), por Suario Pelaiz (ou seja Soeiro Pais, dito o Mouro) a sua mulher Orraca Menendiz (Urraca Mendes). Estes Soeiro Pais e Urraca Mendes foram os pais de Paio Soares Romeu segundo a mesma árvore genealógica antes referida.
Esta segunda imagem é a mesma de cima mas rodada de 180.º, para melhor leitura do texto da carta.

Esta NOTÍCIA DE FIADORES vem transcrita no livro de Mário Gonçalves Pereira “SOBRADO DE PAIVA MEDIEVAL” à venda, em diversos locais, de que referenciamos os seguintes:

Chiado Editora e Chiado BOOKS – Lisboa

FNAC

Livraria BERTRAND

Livraria GALILEU (Cascais)

Intermarché – Castelo de Paiva

Casa de Payva – Castelo de Paiva

Hotel Casa de S. Pedro – Castelo de Paiva

Pastelaria TROPICÁLIA – Castelo de Paiva

ADEP via Telem. 968 206 757 (só para entregas em mão)

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Reflexão sobre o Testamento do Senhor Conde de Castelo de Paiva




O Presidente da Direcção da ADEP, Martinho Rocha, usando da palavra na cerimónia de apresentação do novo livro de Mário Gonçalves Pereira, “Sobrado de Paiva Medieval”, convidou os presentes a uma reflexão sobre o Testamento do Senhor Conde de Castelo de Paiva.

Em síntese,
agradeceu a colaboração do associado/autor  e ainda Presidente da Assembleia Geral da ADEP, por mais esta obra para engrandecer o panorama histórico e bibliográfico de Castelo de Paiva.

“BEM  HAJA ENG.º MÁRIO GONÇALVES!!
Encontrando-nos nós num local tão emblemático no que respeita ao património material e imaterial de Castelo de Paiva, aqui em Sobrado, na Casa/Quinta da Boavista, entre estas paredes carregadas de memórias e vivências que nos transportam desde o último proprietário, numa linhagem ascendente aos parentes próximos de Santo António, paremos um pouco para reflectir sobre o testamento do senhor Conde de Castelo de Paiva.

Sobre duas notas muito sucintas:
Ouve-se a miúde dizer que:
 1. só depois da terceira geração dos usufrutuários/legatários a Câmara será proprietária;
 2. só depois dos usufrutos está obrigada a criar a Casa Museu Conde de Castelo de Paiva.
 Ouve-se, e não passam de meras opiniões, às vezes muito convenientes…

VAMOS APENAS AOS FACTOS:

 I - Não temos de esperar pela terceira geração porque há hora do falecimento do senhor Conde essa terceira geração não existia…   Veja-se o CÓDIGO CIVIL – art.º 1.441.º;

II - A nossa Câmara / Município também não tem de esperar até à terceira geração para ser proprietária, porque ela já é proprietária, com registo feito, desde Outubro de 2003 da Casa da Torre de Vegide, da Quinta de Gondim, da Quinta da Serrada, da Quinta da Boavista e outros;

III - Há os usufrutos, é verdade, mas em situação semelhante, do mesmo testamento, em Oeiras esse problema já foi resolvido;

IV - A Casa Museu Conde de Castelo de Paiva não avança porquê? O sr. Conde podia ter dado outro destino aos seus bens. Podia ter criado uma Fundação Autónoma – como nos anos 80/90 se defendia - também a ADEP -, mas não, o sr. Conde deixou o seu património ao Município de Castelo de Paiva com a obrigação deste criar e manter a funcionar a Casa Museu Conde de Castelo de Paiva…e não foi só o Município que ficou com esse encargo de ajudar à sua criação, também pessoas singulares, que ele nomeou e que estão vivas: o senhor Viriato (usufrutuário), entre outras;

V - O senhor Conde faleceu aos 19 de Março de 1997.O Município aceitou o legado!
Quando vai respeitar a sua vontade?”

domingo, 19 de março de 2017

Primeiros textos em Língua Portuguesa atribuídos a senhores da terra de Paiva!

Brazão com a cruz abolotada dos Bulhões (no portal da Serrada)

Primeiros textos em Língua Portuguesa atribuídos a senhores da terra de Paiva ascendentes de Santo António

D. Soeiro Pais de Paiva, também conhecido por D. Soeiro Mouro de Paiva ou apenas por D. Soeiro Mouro, (bisneto de D. Trocozendo Guedes, fundador do Mosteiro de Paço de Sousa), foi casado com D. Urraca Mendes (de Bragança), depois de esta ter enviuvado de D. Diogo Gonçalves de Urrô (ou de Cete).
Deste casamento resultaram os filhos:
João Soares de Paiva, D. Cristina Soares e Payo Soares Romeu.
Dona Goda Soares houve três filhos e duas filhas de Dom Paio Romeu (ou Paio Pires de Paiva): e um filho de nome Martim (S)aído?, e não houve filhos; e outro houve nome Pero Galego, e não houve filhos; e outro houve nome dom Soeiro Mo(u)ro de Pa(v)ha, e foi casado com dona Orraca Mendes (…)  
Dom Soeiro Mouro houve dois filhos e uma filha: e um filho houve nome João Soares de Pa(v)ha…outro filho houve nome Pai Romeu, o pequeno (Payo Soares Romeu)….e a filha houve nome Cristina Soares (Livro velho de Linhagens 2F8, PIEL e Mattoso 1980 (I):55-56.”
“Dona Orraca Mendez havia de dom Diogo Gonçalves peça de filhos… e quando soube que seu marido fora morto na batalha que el rei D. Afonso, o primeiro rei de Portugal, houve com os Mouros no campo d’Ourique, nom leixou porém de casar com dom Soeiro Mouro. Este dom Soeiro Paez Mouro foi casado com Orraca Mendez de Bragança (….) e fez em ela Joham Soarez, o Trobador, e Paai Soarez Romeu, o prestimoneiro, e Cristina Soarez ( Livro de Linhagens do Conde D. Pedro 42W5; PIEL e Mattoso 1980 (II/I): 487 – 488)”.
João Soares de Paiva casou com D. Maria Annes e deste casamento resultou Thereza Anes, além de outros.
Esta Thereza Anes era portanto sobrinha de Payo Soares Romeu e de Cristina Soares.
De uma relação, ao que parece, extra-conjugal de Payo Soares Romeu com Thereza Anes, sua sobrinha, nasceu Teresa Taveira ou d’Azevedo, mãe de Santo António, conforme registo na árvore genealógica da Casa da Boavista, em Castelo de Paiva.
Teresa Taveira também aparece em alguns documentos como Maria Teresa Taveira.
Os pais de Teresa Taveira foram assim: Payo Soares Romeu e Thereza Anes, facto que contradiz a descrição inserta a pág. 66 do livro de Guido de Monterey Castelo de Paiva terras ao léu, que aponta como tradição histórica ser Teresa Taveira filha do casal Payo Soares Romeu e de D. Sancha de Portocarrero, descrição que surge certamente, por transcrição de elementos de recolha produzidos com base em análise menos profunda de registos genealógicos medievais, os quais nem sempre se consideraram perfeitamente conciliatórias.
Tendo Santo António de Lisboa (Fernão de Bulhões) por mãe Teresa Taveira, Payo Soares Romeu surge aqui como seu avô. Por outro lado sendo Thereza Anes sua avó, o pai desta, João Soares de Paiva, irmão de Payo Soares Romeu, foi bisavô de Santo António. E neste alinhamento D. Soeiro Pais de Paiva e D. Urraca Mendes também foram seus bisavôs pelo lado do pai de Teresa Taveira (Payo Soares Romeu) e trisavós pelo lado da mãe de Teresa Taveira (Thereza Anes).
Esta família viveu muito chegada ao primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques: O irmão de D. Urraca Mendes de Bragança, Fernão Mendes, senhor de Bragança, casou com D. Sancha Henriques, então viúva de D. Rui (ou Rodrigo) Gonçalves Pereira. Logo, D. Urraca Mendes de Bragança foi cunhada de D. Sancha Henriques, irmã de D. Afonso Henriques, o que quer dizer que as gentes de Paiva ligadas a Santo António, também estiveram ligadas à fundação de Portugal.
Mas mais:
Importa também salientar o facto de João Soares de Paiva e Payo Soares Romeu, também conhecido por Pelágio Romeu, irmãos, nobres oriundos das terras marginais do rio Paiva, a sul do rio Douro, estarem reconhecidos como os autores de uma das primeiras e mais antigas, senão a mais antiga escrita em língua portuguesa, conhecida como: Notícia de Fiadores de 1175 [1] de Payo Soares Romeu, e João Soares de Paiva como um trovador medieval português, o mais antigo autor com obra conservada presente nos cancioneiros medievais galaico-portugueses, com a mais antiga cantiga trovadoresca portuguesa, texto satírico da lírica medieval, de 1196, filho de D. Soeiro Paes, dito Mouro e de D. Urraca Mendes de Bragança[2].
Caminhos do Português[3]:
“O aparecimento da Notícia de Fiadores de 1175 veio confirmar a bondade das observações de Ivo Castro e Rosa Virgínia Mattos e Silva.
Embora o sirvantês “Ora faz ost’ o senhor de Navarra” seja um pouco mais tardio que a Notícia de Fiadores, o seu autor, João Soares de Paiva nasceu presumivelmente na primeira metade do século XII (depois de 1139, data da batalha de Ourique)[4] e terá desenvolvido a sua actividade poética durante a segunda metade do século. Sabe-se que além do referido sirvantês escreveu outras cantigas, provavelmente de amor, das quais nos chega notícia mas não os respectivos textos (cfr. Gonçalves e Ramos 1983, Gonçalves 1976, Carlos Alvar 1993).
Sendo hoje geralmente aceite que a arte poética dos trovadores se constituiu desde sempre em tradição escrita, circulando não em suporte de oralidade e memória mas em “folhas” soltas depois reunidas em cancioneiros individuais e em grandes compilações colectivas, parece não restar qualquer margem para duvidar de que se escrevia em português na segunda metade do século XII.
Curiosamente, João Soares de Paiva e Paio Soares de Paiva, dito Mouro, o autor de Notícias de Fiadores não são só contemporâneos como irmãos, filhos de D. Soeiro Paiz de Paiva, dito Mouro e de D. Urraca Mendes de Bragança.
NOTÍCIA DE FIADORES – o texto dado como o mais antigo na história da língua portuguesa, de Payo Soares Romeu, senhor da terra de Paiva, avô de Santo António:


Ora faz ost’ o senhor de Navarra
A cantiga satírica, dada como trova das mais antigas, escrita em galaico-português, atribuída a João Soares de Paiva, irmão de Payo Soares Romeu, em que, também ele, João Soares de Paiva, foi senhor em terra de Paiva e bisavô de Santo António:


Adep – Castelo de Paiva, 15 de Janeiro de 2017
Mário Gonçalves Pereira




[1] - Notícia de Fiadores de Pelágio Romeu(ou Payo Soares Romeu)(1175)-Mosteiro de S. Cristóvão de Rio Tinto, maço 20, n.º 10 – rosto.
[2] - In cantigas.fcsh.unl.pt e Ivo Castro 2001.
[3] -In books.google.pt pag.40
[4] - Obs: João Soares de Paiva nasceu do segundo casamento de Urraca Mendes, certamente pouco depois do seu primeiro marido ter morrido na batalha de Ourique, 1139, e foi bisavô de Santo António que nasceu em 1195, pelo que aquela data do pós 1139 é perfeitamente aceite.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Touradas e maus tratos a animais

 

As colônias de morcegos facilitam o controle de pestes

Quando existe uma grande colônia de morcegos na região, não é necessário investir em pesticidas nocivos para a agricultura. Isso porque um único morcego come mais de 600 insetos por hora – o que faz desse animal uma excelente alternativa orgânica no controle de peste
Mother Nature Networ
Nestes dias com algum significado para a causa da defesa da vida animal, em geral, bem assim como para o movimento anti touradas,  não tendo a ADEP - quanto a este assunto -   ainda tomado posição pública é muito oportuno trazer à luz do dia dois testemunhos escritos, duas verdadeiras pérolas do nosso jornalismo, do que era já o pensamento e a vontade social e política da sociedade paivense mais influente nos finais do sec. XIX.
Escrevia-se em 4 de Outubro de 1894 a “Gazeta de Paiva”:
I -“Feira de S. Miguel no Castelo – Esteve (…)muito concorrida a feira de S. Miguel n’esta praia. No sábado 29 correram-se dous touros à vara larga salientando-se os picadores Manoel Maneta, Heitor Francisco, Manoel Gabriel, António Piré, Joaquim Beato e o Alfaiate.”
II –“Couto de Souselo, 4 de Outubro de 1894. Realizou-se nos dias 28,29 e 30 de Setembro último, em Escamarão de Souselo a acostumada feira anual(…)No dia 29 houve tourada à vara larga, sendo este espectáculo tão querido do nosso povo, abrilhantado pelas philarmónicas de Bairros e Espadanedo que executaram até à sorte de …o touro fugir, os melhores trechos musicaes dos seus brilhantes reportórios…”
III – “BARBARIDADE - Informam-nos que um dos touros, que por ocasião da feira de S. Miguel, foi corrido na praia, sofreu verdadeiras torturas tendo-se-lhe batido com um maço rodeiro entre as hastes e cortado uma orelha . Estas scenas de selvageria devem ser prohibidas. Olhe, quem disso tem o dever, para estas coisas que são repugnantes e deshumanamente crueis.”

Mas também os políticos, da época fizeram inscrever nos competentes Regulamentos normas respeitosas para com os animais. Veja-se o Regulamento e Código de Posturas da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, (Municipalidade do Concelho de Castello de Paiva, 15 d'Abril de 1877. Martinho Pinto de Miranda Montenegro, Manoel Vieira d’Andrade e Silva, Manoel Moreira da Fonseca, Rodrigo de Freitas, José de Freitas Paiva. Edição de 1877 da Typ. De Artur José de Sousa & Irmão – 38, Rua das Congostas, 38 – Porto), que (se desconhece exista nos nossos arquivos municipais) mas está disponível na Universidade de Toronto / Canadá.
“Capitulo III Dos matadouros e açougues (…) Art.º10.º É prohibido correr ou picar o gado que tiver de ser morto e bem assim matal-o de noute ou antes de ter descançado pelo menos três horas depois que chegue ao local do matadouro, sob a coima de 2$5000 reis.” Os negritos e itálicos são nossos e estes e outros textos podem ser lidos na nossa “Biblioteca Manuel Afonso da Silva” à Frutuária, onde temos cópias de todos os jornais locais desde sempre publicados no concelho (e alguns vizinhos).






























escreveu Martinho Rocha