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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Pela rota pedestre nas origens de Santo António, em Paiva!


As armas, originais dos Bulhões, adotadas pela cidade de Pádua, em homenagem a Santo António, estão há mais de uma dúzia de anos fragilmente amparadas por uma escora enferrujada da construção civil.

A competência da guia de serviço promete outras visitas

Ontem 9 de dezembro de 2018, em parceria com o movimento Cidadãos dos Mundo, visitamos a Casa, jardins e fontanário (oriundo do Mosteiro Pombeiro) da Casa/Quinta da Boavista e agradecemos ao sr Viriato de Almeida seu actual usufrutuário a sua disponibilidade como cicerone, também o cuidado nas limpezas prévias aos locais de passagem e à preocupação em nos transmitir um sem número de informações interessantes sobre a casa (e problemas de conservação e futuro do legado), vida e família dos Condes de Castelo de Paiva. A caminhada que começou no Parque das Tílias e passou por todos os locais da rota pedestre das origens de Santo António, foi desenhada para que os participantes pudessem levar o seu cão, apenas incorporou um, mas teve um grupo razoável de crianças e jovens! Todos os paivenses deveriam visitar a Casa / Quinta da Boavista, para que conheçam o estado em que se encontra um património imenso, e infíndo também de memória  - que é seu -, e que ao conhecermos nos eleva a alma, mas que ao mesmo tempo a deixa a sangrar, tal é inércia em que se encontra, passados que foram 20 anos do falecimento de D. José de Arrochela Pinto de Lancastre Ferrão,  último Conde que teve por vontade fazer legado aos paivenses (Município).
Castelo de Paiva pode e os paivense merecem outro tratamento e uso deste património!

mais informações sobre o tema podem ser acedidas no separador Santo António...




























escreveu Martinho Rocha

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Locais de Santo António em Paiva visitados por Frei Severino, da ordem franciscana de Pádua

Frei Severino fotografa o Brazão com as armas dos Bulhões - adoptadas pela cidade de Pádua!

Frei Severino apresenta o seu projecto

foto de um dos quadros desta temática existentes na Casa da Boavista

Frei Severino, Italiano de nascimento, membro da Ordem Franciscana de Pádua chegou ontem pela manhã ao Parque das Tílias, Castelo de Paiva para ver e fotografar as coisas e as pessoas, inquirir e referênciar testemunhos e memórias dos locais de Santo António em Paiva!
Tinha à sua espera uma mole humana? Não, mas havia um grupo simpático de membros da ADEP-Paiva para lhe fazer uma recepção condigna, bem como ao seu amigo Dr. António José de Meneses Moreira da Fonseca,e foi esse grupo que os acompanhou nas visitas aos locais, onde debaixo de telha, viveram os pais do taumaturgo Santo António.
Os acompanhantes e também na recepção Sérgio Fernando Padre de Sobrado e no encontro/almoço a participação do senhor Presidente da Câmara, Gonçalo Rocha; todos emprestaram a sua animação e alegria, feita a caminhada que os levou até junto da Casa Torre de Vegide, da mãe de Santo António, ao Solar de Gondim, do pai de Santo António, e Portal da Serrada, onde se pode ver o bonito brasão que inclui as “armas” dos Bulhões, e, por fim, à Casa da Boavista de ancestrais descendentes da família de Santo António e dos ex-Condes de Castelo de Paiva, também estes descendentes de Martim de Bulhões, pai de Santo António, e de Teresa Taveira, mãe de Santo António.
Na Casa da Boavista foram guiados pelo Senhor Viriato Soares de Almeida, que franqueou algumas das portas da Casa e a da Capela de Santo António, anexa, para que pudessem ouvir, da sua boca, um pouco da história da Casa da Boavista e a sua inserção no contexto da vida dos descendentes de Santo António e na perpetuação das memórias do Santo, até aos dias de hoje.
Frei Severino chegou…entrou, viu e ouviu…e partiu…com mais conhecimento da história da vida de Santo António: momentos que certamente não deixará de reviver para poder voltar, um dia, aos mesmos locais, e que irá, certamente descrever no seu “Mensageiro” para que outros possam conhecer, também, e compartilhar esta história, dando assim continuidade e alimento às memórias de Santo António.
Está assim inaugurado o percurso - o CAMINHO de SANTO ANTÓNIO - entre Coimbra e Castelo de Paiva.Que tão breve quanto possível possa ser feito em sentido inverso, entre Castelo de Paiva e Coimbra (Igreja de Santa Cruz e Igreja de Santo António dos Olivais) e, porque não, mais tarde, estendê-lo até Lisboa e, quiçá, a Pádua?
Frei Severino trouxe-nos, figurativamente, a imagem de uma vida feita à imagem da vida de Santo António, na sua Igreja de Santo António dos Olivais de Coimbra. Levou consigo a visão dos templos, dos prédios de paredes e tectos em declínio, das telhas estateladas pelo chão à mistura com pedaços de paredes, dos locais que visitou e que outrora deram abrigo aos progenitores de Santo António. Mas levará, também, para conforto, uma certeza: a de que se tenta, por todos os modos, manter vivas as pedras, ainda sobrepostas, que são a referência maior que invade a mente dos paivenses mais atentos e interessados na conservação deste património, ainda recuperável, e na manutenção do passado e memória do filho de Martim de Bulhões, Fernão de Bulhões, aquele que mudou o nome para António e que agora é considerado o Santo António de Paiva, de Coimbra, de Lisboa, de Pádua, do Mundo.
“E se nós paivenses, não pudermos fazer grandes coisas, façamos ao menos, como dissera o Santo, o que estiver na medida das nossas forças”.
Muitos dos naturais de Castelo de Paiva sempre trouxeram ao colo Santo António, como ele trazia o menino, e nos seus corações palpitam a vida do Santo e os seus sermões. A demonstrá-lo, apresenta-se a súmula das capelas e imagens veneradas no concelho e das festividades religiosas em sua honra:
Actualmente Santo António é venerado nas seguintes capelas paroquiais, com festividade própria, no domingo seguinte ao dia 13 de Junho:
Santo António de Gondra – Paraíso e Santo António de Fornos. Também na Igreja de Santa Eulália, matriz de Pedorido, se realizam as festividades em honra deste Santo. Por outro lado existe a capela da Casa da Boavista, em Sobrado, particular, onde já se fizeram procissões e se rezaram missas, em tempos não muito remotos, durante a vida dos Condes de Castelo de Paiva e mesmo posteriormente à morte do último Conde.
Para além disso existem imagens do Santo em outras Igrejas do concelho, embora nelas não se festeje o seu dia, como sejam: Santa Maria de Sardoura e Igreja de Fornos. Acresce dizer ainda que nas Inquirições realizadas a partir de 1258 e em especial as de 1758 e as Inquirições paroquiais de 1788 feitas pelo Bispo da diocese, cujos questionários foram sempre muito semelhantes, aparecem capelas particulares de devoção a Santo António, em número muito substancial para um concelho tão pequeno, como é Castelo de Paiva:
-Freguesia de Fornos:
Ermida de Nossa Senhora do Desterro: para além da imagem com aquele nome e das imagens do Menino Jesus e S. José, tem, também, uma imagem de Santo António. Esta capela, na Quinta do Covelo, pertenceu ao fidalgo Bernardino Luís de Sousa e Abreu, transitando para o fidalgo Francisco Sousa e Abreu;
 A já referida Capela a Santo António, pública, onde se realizam as festividades ao Santo;
Ermida de Santo António que é do senhor Morgado António de Figueiroa  Castelo Branco, na Quinta do Luzio;
- Freguesia de Paraíso:
Capela de Santo António no lugar de Gondra, já antes referida;
- Freguesia de Pedorido:
Igreja matriz de Santa Eulália, possui uma imagem e realiza as festividades próprias, como já referido;
- Freguesia de Raiva:
A igreja matriz de Raiva, possui num dos altares as imagens de Santo Cristo, de Santo António e de Santa Quitéria;
- Freguesia de Santa Maria de Sardoura:
Num altar lateral, além de outras, encontra-se a imagem de Santo António;
Das seis ermidas que existiam ao tempo das Inquirições salientam-se as que respeitam a Santo António, em propriedades particulares:
Ermida de Santo António na fazenda de Valles, em Sá, (capela actualmente na posse de um primo de minha mulher) e que pertenceu aos herdeiros do sargento-mor António Ribeiro da Costa Guimarães da cidade do Porto;
Ermida de Santo António na Quinta do Pedregal, Sardoura, do Morgado Manuel Correia de Melo, onde havia missa cantada e sermão.
- Freguesia de S. Martinho de Sardoura:
Tinha esta freguesia no lugar de Covas uma capela de Nossa Senhora do Pilar em que também se encontrava uma imagem de Santo António. Pertenceu a Ignácio de Azevedo Leyte da cidade do Porto.
- Freguesia de Sobrado:
No referente às terras de Paiva que pertenceram aos “Bulhões”, as Inquirições de 1758 apontam, para além da capela de Santo António na Quinta da Boavista, também as seguintes capelas do mesmo particular:
Capela de Vegide de N.S. da Piedade junto à Casa Torre de Vegide, em ruínas;
Capela de São Luís IX Rei de França na Quinta e Solar de Gondim, em ruínas;
Capela de Santa Cruz das Serradas, de invocação da Santa Cruz, que já não existe.

ADEP - Castelo de Paiva, 21 de Novembro de 2016

Mário Gonçalves Pereira

domingo, 6 de novembro de 2016

Membro da Ordem Franciscana de Pádua, vai visitar locais de Santo António em Paiva!





Frei Severino membro da Ordem Franciscana de Pádua que assume a Paróquia de Santo António dos Olivais em Coimbra, vai efectuar visita aos locais de Santo António em Paiva. Frei Severnio é o director do Mensageiro editado em Santo António dos Olivais e correspondente de MESSAGGERO Di PADOVA e pretende visitar as Casa da Torre de Vegide e os Paços de Gondim e obter imagens do brasão do portal da Serrada onde se encontra o escudete dos Bulhões que é o mesmo que adotou a cidade de Padua (em cuja Catedral se encontra o túmulo de Santo António de Lisboa  - ele que também era membro da Ordem dos Franciscanos, como acontece com o Papa Francisco).

Foi solicitada ajuda à ADEP para esta visita, agendada para o próximo dia 21, visita que queremos constitua uma oportunidade para fazer despertar nas instituições e empresas, ideias de intercâmbio e associação a toda esta temática. Constitui uma honra para Castelo de Paiva e é já a segunda vez que recebemos visita a esses locais de elementos da paróquia de Santo António dos Olivais.
Temos em Paiva locais onde há evidências materiais que alguns autores, desde o século XIX, e a tradição oral ligam à família de Santo António. Uns e outros testemunhos contribuem para não deixar cair no esquecimento uma imagem de Paiva a par de outros locais e cidades de vida de Santo António.
Ligar Lisboa, Pádua, Santo António dos Olivais (Coimbra) e Paiva num itinerário está num horizonte cada vez mais próximo. Estamos a trabalhar tendo em vista esse roteiro temático e para que ele se torne mais praticável e obtenha alguns incentivos das instituições do turismo e da sociedade civil.
Acreditamos que temos em Paiva um produto que eleva a nossa memória a uma dimensão espiritual e terrena grandiosa. Paiva merece ficar associado ao roteiro da vida e obra de Santo de António e estamos certos que a divulgação das obras e dos locais contribui para engrandecer, cuidar e divulgar melhor, o nosso património material e imaterial que lhe está associado.

Aceitamos inscrições para acompanhar esta visita, mas o numero é limitado.


P.S. - Este ano, no Natal, decida-se e ofereça "Santo António de Lisboa - encontro nas origens - Castelo de Paiva” de Mário Gonçalves Pereira, edição da ADEP (á venda, em Castelo de Paiva,no Posto de Turismo, no Hotel da Raiva, na ADEP, na Tabacaria Mil e no Intermarché ) mais em adep-paiva.blogspot.com

domingo, 31 de julho de 2016

Memórias (dos pais) de Santo António visitadas hoje por jovens de Coimbra!

Este domingo um grupo de Jovens da Paróquia de Santo António dos Olivais –Coimbra veio concretizar o pedido de visita guiada então dirigido à ADEP para que lhes mostrasse as casas e locais (dos pais) de Santo António.

                    1.º plano Paço de Gondim, ao longe Casa da Torre de Vegide

Estes jovens visitantes e seus animadores – que estamos certos, todos, ensinarão caminho a outros – estão integrados em núcleo espiritual dos Franciscanos da paróquia de Santo António dos Olivais - Coimbra, terra onde viveu Santo António antes de partir para Marrocos e Itália.
Pelas margens deste rio Douro, é assim, há histórias milenares pedras e lendas, associadas ao Marmoiral. (Veja-se no video da TSF à cerca do Marmoiral de Sobrado da Rota do Românico https://www.youtube.com/watch?v=PBMUju0RkYc), da  Casa da Torre de Vegide (da mãe de Santo António), capela e Pias dos Mouros, Portal da Serrada e Gondim (do pai de Santo António), toda a temática a merecer integrar a rota referida, como temos defendido.
portal da Serrada



Estes jovens incluíram o tema Santo António na sua visita/retiro aos passadiços do Paiva e trabalho de apoio à eucaristía na Paróquia de Travanca. Levaram para as suas vidas, ao que nos foi dado aperceber;  as melhores impressões pelo que passaram a conhecer e do que a lenda e a história já registam das origens da família e do próprio Fernando de Bulhões; a maior surpresa e desencanto pelo estado de abandono, ruína, vandalismo e saque a que estão votados estes locais, todos integrando a herança testamentária do Conde Castelo de Paiva e já propriedade do Município Paivense!

Casa da Torre de Vegide

Lagares e adega, degradados e saqueados


Elementos de interesse sobre a freguesia de
Santo António dos Olivais,
Considerada desde logo como sendo a maior de Coimbra e uma das maiores de Portugal, tem actualmente cerca de 60 mil habitantes.
Nela é possível encontrar duas áreas distintas: a urbana e a rural.
A sua urbanização é muito marcada pelo casario das zonas residenciais que desde muito cedo se terão começado a desenvolver. Tal se deve, em parte, à presença do antigo Mosteiro de Celas que, situado numa área erma de Coimbra, onde a paisagem se caracterizava pela existência de pinhais e olivais, foi permitindo as construções em seu redor.
Foi esta freguesia, desde sempre, muito marcada pela religiosidade, aspecto presente não só nas celebrações eucarísticas mas, sobretudo, em importantes festas e romarias, realizadas em diversas épocas do ano, com destaque para a romaria do Espírito Santo.
Desde muito cedo que a zona dos Olivais foi procurada por monges, que ali encontraram a paz necessária à espiritualidade e refúgio.
A pequenina ermida de Santo Antão é prova disso, deu abrigo a Frei António, depois de ter vivido em Santa Cruz.
Foi aqui que o padroeiro desta freguesia trocou o nome de Fernando por António, abdicando do rico hábito e da murça branca de cónego regrante de Santo Agostinho pela humílima estamenha franciscana.
Frei António morreu em 1231 e, após a sua canonização, ocorrida logo no ano seguinte, o convento franciscano dos Olivais de Coimbra mudou a invocação de Santo Antão para Santo António. E assim nasceu Santo António dos Olivais, cuja povoação se foi desenvolvendo nas imediações da colina sagrada.

in wikipédia

sábado, 13 de junho de 2015

Casa e Quinta da Boavista e rota das origens de Santo António!




Roteiro para a próxima visita a ter lugar segunda -feira, dia 21 e que conta com a honrosa presença de Frei Severino da Ordem Francisca de Pádua - responsável pela Paróquia de Santo António dos Olivais em Coimbra. (sobre este assunto ver aqui noticia da visita, no mesmo tema Santo António)

P. S. - Porque temos em Paiva locais onde há evidências materiais que alguns autores, desde o século XIX, e a tradição oral ligam à família de Santo António, aproveitamos este evento e sinalizamos e identificamos três deles a saber, a Casa da Torre de Vegide, o Paço de Gondim e o Portal da Serrada. 
Agora já é mais fácil aos visitantes, turistas e até muitos conterrâneos ver com os seus olhos estes locais, visita que contribuirá para não deixar cair no esquecimento esta outra imagem de Paiva a par de outros locais e cidades de vida de Santo António.








Chuva não quebra ossos...partimos da Frutuária, pela Rua Teresa Taveira acima, passamos a presa dos sapos, ao lado do forno telheiro, e  pelo poente do Bairro Social de Corvite chegamos às Pias dos Mouros  - monumento classificado como Valor concelhio.
Nestas sepulturas segundo Adriano Strecht de Vasconcelos in "Lendas e Tradições de Castelo de Paiva" foram sepultados os avós maternos de Santo António.
De longa data a ADEP vem reclamendo da autarquia outra atenção a este espaço; igualmente reclamou - sem êxito -  a reclassificação por forma a integrar outros valores das imediações como o "altar de sacrificios"  e acautelar os inumeros vestígios e testemunhos, designadamente cerãmicos.
Tem havido contactos mais recentes com a União de Freguesias de Sobrado e Bairros que faz acreditar haver vontade desta autarquia para avançar com um arranjo do espaço.




descemos e visitamos a capela e Casa da Torre de Vegide. Em primeiro plano pode ver-se uma parede dupla, tipicamente medieval, arruinada, e que temos sugerido deveria ser estudada. L. Lousada Soares em visitas efectuadas ao local para recolha fotográfica, que doou à ADEP, recomenda uma escavação arqueológica.


Hoje na Casa da Torre de Vegide um casal jovem agricola explora uma plantação de Kiwis por conta dos usufrutuários. Na casa o piso térreo ainda exibe galhardamente 4 grandes lagares de vinho, os pesos e as varas, mas os feixes já foram saqueados... Outrora foi esta a casa da morada da mãe de Santo António e seus pais.

 Pinho Leal diz que em Vegide existe uma ermida que  foi templo romano e mesquita árabe (…)essa ermida deve ter sido reconstruida posteriormente, a julgar pelos azulejos interiores, característicos do séc. XVI.  Esta capela está igualmente classificada como monumento de Valor concelhio. Encontra-se totalmente saqueada, não tem já azulejos, altares ou qualquer mobiliário...



pelo caminho passamos pela ADEGA COOPERATIVA DE CASTELO DE PAIVA, o edificio sede e agro-industrial para a produção de vinho do concelho, onde tanto se apregoa o verde de excelência, agoniza e caiu nas "garras" de um armazenista quando nos anos 50 - integrou um projecto audaz,  com muito suor e trabalho, dos agricultores da região, numa atitude corajosa de enfrentar os intermediários e negociantes que sempre lhe cercearam os já curtos proveitos...




Chegamos à Serrada (ou Cerrada??)



e uma vez  mais lamentamos o estado do seu Portal, cujo brazão com a cruz abolotada dos Bulhões continua amparado por uma escora...

Um membro da Casa da Boavista casou com D. Antónia Matilde Pereira de Bulhões, herdeira da Casa das Serradas e descendente do ramo principal dos Bulhões de Portugal. Segundo Abilio Miranda (1), autor penafidelense de "O Menino de Valga", ed. 1942, 







"Nesse solar, onde ainda hoje existe parte das grandes casas  - Paço de Gondim -  e o portão das mesmas com o seu brasão, viveu - segundo a tradição - Martim de Bulhões e Maria  Teresa Taveira, pais de Santo António".



De regresso à Vila subimos até à Casa Chão do Outeiro, no coração da Vila, onde Pinho Leal diz ter existido uma capela e um cruzeiro que foi destruido para abertura da estrada. Hoje não existem vestígios evidentes da capela (senão de um pequeno oratório a Santo António) nem do cruzeiro, nem mesmo do Pelourinho que Pinho Leal diz ter existido "na retaguarda da casa da Câmara (atual cadeia)".

Aqui segundo Adriano Strecht Vasconcelos foi antigo Mosteiro Beneditino: 
"Na Honra de Sobrado, a lenda reza
Um cenobio existiu, beneditino,
Onde, na velha torre, com surpresa
Se viram os Anjos a tocar o sino
Para avisar o Céu do matrimónio 
   Dos que iam ser os pais de Santo António".



Finalmente à entrada da Casa da Boavista O Marmoiral - uma memória do duelo travado por Martim de Bulhões contra o seu rival D. Fafes da Raiva



Ali ao lado o edifício da adega está destelhado e o estado do seu interior adivinha-se, e lamenta-se, estará  a perder-se para todo o sempre uma imponente adega,  onde trabalharam longas vidas, muitos lavradores e assalariados, e que merecia melhor sorte, por respeito àqueles e a todos nós, tanto mais sendo propriedade do Municipio, terra com tanta tradição na arte e cultura do vinho...





E não visitamos a Casa da Boavista porque não nos foi franqueada a porta , apesar das insistentes diligências efectuadas, perante o usufrutuário Sr. Viriato Soares que alegou não ter disponibiulidade para mostrar um património arruinado e degradado, abandonado pelo Municipio. Gostariamos de visitar, designadamente a Capela de Santo António, a Casa e Jardins, (como já aconteceu noutras ocasiões, diga-se). Estes espaços foram recentemente classificados pela DGPC (Direção Geral do Património Cultural).
Perdeu-se a oportunidade de colocar aqui algumas imagens da degradação e deixar algumas impressões sobre a urgência e necessidade dessas intervenções (como deixamos quanto ao conjunto dos visitados), cuja saída temos defendido deveria ser enquadrada no âmbito da Rota do Românico (uma vez que todo este conjunto de valores e monumentos associa a Castelo de Paiva memórias e lendas da vida dos pais de Santo António (de Lisboa?)


Deixamos aqui um agradecimento a todos os que tornaram possível esta iniciativa, e seus participantes, designadamente aos escuteiros do agrupamento 1258 de Castelo de Paiva.

(1) - Bibliografia de suporte: sobre estas memórias e lendas ler: "Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal , "Lendas e Tradições de Castelo de Paiva" de Adriano Strecht Vasconcelos; "O Menino de Valga" de Abilio Miranda; "Elementos para a História de Castelo de Paiva" de Margarida Rosa Moreira de Pinho e "Santo António de Lisboa - encontro nas origens - Castelo de Paiva, de Mário Gonçalves Pereira, entre outros











domingo, 24 de novembro de 2013

Santo António e seus ascendentes na versão de Pinho Leal


                                    Capela de Santo António - Casa da Boavista


S. João / Santo António: qual deles festejar em Paiva?

Haverá argumentos para ambas as escolhas. Em todo o caso  agora em  plena comemoração de S. João com folguedos tamanhos, marchas, foguetórios e noitadas animadas em que até o vinho vai escorrer pelas gargantas, haverá quem aconselhe se deixe o assunto no sossego, como de resto tem estado.
Pode parecer portanto despropositado em plenas comemorações de S. João vir falar de Santo António e se a favor daquele pesam estes anos de tradição com marchas e bailaricos  a mobilizar as escolas e os bairros, a favor deste temos locais que passados estes anos continuam a fixar lendas que não esquecem aos populares e que fascinam autores e poetas, narrativas das andanças e proezas pelas fontes e  caminhos da criança prodígio que viria ser “ O Santo” como carinhosamente é tratado em Pádua. 
Discutir o assunto nesta ocasião,  áparte a presumida falta de concentração por causas dos festejos, terá as suas vantagens para se ponderarem/compararem os gastos/investimentos que temos vindo a  fazer no S. João. É que deve pesar-nos na consciência o estado em que estamos a deixar cair esses locais de referência, alguns a saque, todos ao abandono e degradados.

Quando se perceber que a defesa que se faz pela preservação da memória e divulgação deste valor cultural não acontece por qualquer capricho, adoração de santidade – ainda que ela tenha grande valor social e espiritual - , clubite ou partidarismo, então talvez estejamos no bom caminho e todos tenhamos algo a ganhar. É que Santo António é possivelmente o português (e de ascendência paivense!), mais conhecido por esse Mundo fora, desde sempre, qual Figo, Cristiano Ronaldo ou António Guterres. Veja-se a profusão de imagens, em altares, nichos de azulejos, estátuas e memórias por tudo quanto é sitio, nos quatro continentes, como se pode ver na obra de Mário Gonçalves Pereira “Santo António de Lisboa – encontro nas origens – Castelo de Paiva”, que a ADEP ajudou a publicar recentemente.


                                  ____________________________


De Pinho Leal, desse incontornável historiador, que merecia nome de rua na nossa terra, que nos deixou algumas deliciosas referências sobre os nossos valores sociais e culturais e as muitas, não menos credíveis, constatações de inúmeros vestígios arqueológicos e não só; a que obrigatoriamente havemos de voltar, transcrevemos: " Com razão se ufana esta villa de ser pátria de D. Soeiro de Azevedo, que aqui viveu e falleceu.
A uns 150 metros a O.N.O. da egreja matriz, e do lado da retaguarda d'ella, em um mato, se vê um montão de entulho, e tenues vestígios de alicerces que, segundo a tradição, são restos do paço em que viveu e falleceu D. Soeiro.
De D. Soeiro e de sua mulher, nasceu Maria Soares de Azevedo que casou em S. Vicente da Calçada, acima de Entre-o-Rios (na margem direita do Douro) e deste casamento nasceu D. Theresa d'Azevedo, que casou em Lisboa com Martim (ou Martinho) de Bulhões e foram paes do nosso popular Santo António de Lisboa"(*).
Referência interessante esta se considerarmos que esses vestígios de alicerces resistiram até aos finais do século passado, a esse sítio, ou seja a esse terreno se chamou "O campo de trás da Torre". Efectivamente podemos testemunhar que um residente e seu proprietário nos assegurou que no local onde procedeu a obras de construção "havia de facto uma entulheira antiga ". Episódios destes poderiamos inumerar bastantes...e nem por isso foram (que se saiba) objecto de um estudo mais recente e avalisado, tanto mais que também há quem goste de desconsiderar os relatos e opiniões de Pinho Leal. 
Esquecemos com facilidade que há época (1880) não existiam ainda boldozeres e retroescavadoras e não se fazia então sentir pelos outeiros e quebradas (qual eco, encontrado em Paiva, a que também Pinho Leal quis deixar associado o seu dote de ouvidor, deixando disso registo, e de que havemos de falar...) tal surto de construção que tudo arrasou à sua passagem, como nos aconteceu até à crise em que caímos; além de que Pinho Leal  viveu alguns anos em Paiva. 
E é por estas razões que tantas e tantas vezes apelamos para que haja respeito pelos locais e vestígios arqueológicos, (incluimos aqui naturalmente as construções e terraplenagens, as plantações desenfreadas de eucaliptais, mas também os trilhos de desportos radicais e outros) sendo que os mesmos estão protegidos por lei e isso deveria bastar porque qualquer atropelo ou desrespeito é também uma ofensa e empobrecimento da nossa consciência cívica e cultural.

(*) sobre este tema hoje recomendamos a aquisição da obra "Santo António de Lisboa- encontro nas  origens- Castelo de Paiva" de Mário Gonçalves Pereira. (à venda na ADEP, no Posto de Turismo, no intermarché, na Tabacaria Mil e no Hotel da Raiva).

Para saber mais ver neste blogue o
separador Santo António...





escreveu Martinho Rocha

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Santo António de Lisboa - encontro nas origens - Castelo de Paiva




(cartaz da visita guiada realizada a 13 de Junho de 2015)



Na qualidade de Presidente da Direção, quero deixar uma pequena nota de rodapé a esta sessão.

 Quero agradecer,
           - À Chiado editora;
           - Ao Parque biológico de Gaia, na pessoa do seu diretor, Dr. Nuno Gomes com quem tivemos já o grato prazer de estabelecer vários intercâmbios no último dos quais resultou a publicação da obra de Domingos Quintas Moreira “Manual do Cultivo e Confecção do Linho”;
          - Aos executantes e seu mestre Agostinho Vieira, da Academia de Música de Castelo de Paiva, o momento musical com que nos premiaram;
          - À Câmara de Castelo de Paiva, na pessoa do seu presidente Dr. Gonçalo Rocha, que prometeu adquirir 50 exemplares;
          - À Imprensa  presente.
          - Senhoras e senhores, a todos pela Vossa presença. Muito obrigado !

Paiva merece ficar associado ao roteiro da vida e obra de Santo de António e estamos certos que esta iniciativa contribui para engradecer, cuidar e divulgar melhor, o nosso património material e imaterial que lhe está associado.

Depois de nos anos 30 do século passado Abílio Miranda e Strecht de Vasconcelos terem publicado as lendas alusivas à vivência na região e em Paiva de Fernando de Bulhões (Santo António) e seus pais, e de ao longo dos últimos trinta anos termos tomado consciência de estudos vários a fortalecer a ligação das raízes do santo a Castelo de Paiva, a ADEP apesar dos seus parcos meios sempre tem procurado aprofundar e divulgar esse conhecimento em iniciativas várias, editoriais, de denúncia pública e até de teatro para chamar à atenção dos responsáveis pela degradação a que vem sendo sujeito muito do património construído associado a esta memória.
Uma maior divulgação das raízes de Santo António, como está a acontecer com esta publicação de Mário Gonçalves Pereira, criará uma maior consciencialização na população da importância dos nossos valores patrimoniais e imateriais. As novas gerações, mais informadas e participativas, hão-de ser capazes de exigir outras prioridades, linhas de orientação e até de rutura com o estado de abandono, desinteresse - e de saque em alguns casos - a que o município vem assistindo serenamente nos monumentos e espaços arruinados da Boavista, Vegide, Gondim e Frutuária, apesar do legado formal que lhe fez o Conde de Castelo de Paiva e destes outros legados imateriais de outros tantos paivenses generosos e laboriosos.
Para esta obra, Mário Gonçalves Pereira meteu pés ao caminho, recolheu fotografias e testemunhos tal é a profusão toponímica e imagética de estátuas, pinturas, azulejos, em Igrejas, nichos, oratórios, tabernas e mercearias existentes nos quatro continentes, por onde andou, e que comprovam a veneração ao Santo mas também que ele será o português mais conhecido no mundo, ao longo de todos os tempos.
A ADEP não poderia deixar de apoiar uma iniciativa como esta, de trazer aos paivenses, e não só, todo o conhecimento expresso em referências e estudos, lendas e  memórias, pedras e acontecimentos que engrandecem as gentes e fazem mais luz sobre a história da nossa terra, neste particular da ligação umbilical de Santo António a Castelo de Paiva.
Mário Gonçalves Pereira é natural de Castelo de Paiva, casado, pai de três filhos, com três netas, licenciou-se em Engenharia Electronica na Universidade de Lisboa. Trabalhou em várias Empresas no país, destacando-se as firmas Efacec e EDP-Eletricidade de Portugal. É membro, sócio fundador, do Rotary Club de Castelo de Paiva, do qual foi o primeiro Presidente.
O autor, é nosso diretor, Presidente da Assembleia Geral, colaborador assíduo e interessado na descoberta do passado, com obra feita - vários levantamentos fotográficos, leitura e restauro de epígrafes (cruzeiro de Carcavelos e ara de Vila Verde), publicou também “Frases Rimadas” obra poética de pendor autobiográfico e dedicada a Castelo de Paiva.
Escreveu para a ADEP uma monografia sobre a fundação de um lugar na freguesia da Raiva – Castelo de Paiva, cujos primeiros povoadores foram seus pais, em meados do século XX. Trata-se do lugar de Cruz de Alveda, sítio por onde passava a procissão das Cruzes do Concelho, a cada 3 de Maio.
Sobre o livro hoje em lançamento público informou a ADEP de que possuía elementos para escrever um documento alusivo às raízes de Santo António em terras de Paiva. E se bem pensou, melhor o fez. Ei-lo aí. Rebuscou na Internet e em tudo que era sítio, para encontrar a matéria de que precisava para a confeção da sua obra, nomeadamente os locais tantas vezes falados, por vezes à boca pequena, de nascimento dos pais de Santo António. Também recolheu nota de alguma documentação existente na Casa da Boavista e na mira da origens do Santo percorreu Secca e Meca. Foi até Jerusalém.
Na Casa da Boavista encontrou elementos em livro e na árvore genealógica dos Bulhões de Santa Cruz das Serradas que demonstram, com várias ramificações, a ligação dos Condes de Castelo de Paiva aos pais de Santo António. Estes dados consagram definitivamente a existência de uma base histórica sustentável que reconhece terem os pais de Santo António, por berço, Castelo de Paiva.
Saudamos e louvamos o esforço do autor e reconhecemos o mérito do seu trabalho que ficará para sempre ligado ao concelho de Paiva.
Ainda ao autor o nosso Bem Haja pelo contributo que, através da ADEP, prestou em prol da História e Cultura de Castelo de Paiva.
Em meu nome e da ADEP quero deixar este testemunho público de gratidão a Mário Gonçalves Pereira, pelo trabalho e dedicação à causa pública e voluntária, também pela generosidade da oferta dos direitos de autor à ADEP.

Sucesso para a obra e Felicidades Eng.º Mário Gonçalves Pereira!












Apresentação feita por Martinho Rocha, no Parque Biológico de Gaia, quando do lançamento da obra de Mário Gonçalves Pereira

quarta-feira, 26 de junho de 2013

              Apresentação feita por Mário Gonçalves Pereira na cerimónia de lançamento

          Santo António de Lisboa, um livro para a história


O documento que hoje apresentamos ao público em geral não é uma obra científica, não é um romance, nem tão pouco uma imaginária novela.
É, todavia, um retrato de um tempo já passado e longínquo, um encontro com as raízes de Santo António de Lisboa em terra de Paiva, num entroncamento histórico de um santo com uma prodigiosa vida de herói evangélico.

O facto de eu ter vindo ao mundo no emblemático território que viu nascer os pais de Santo António e enquanto membro da ADEP- Associação de Estudo e Defesa do Património Histórico-Cultural de Castelo de Paiva, associação que de facto estuda e defende o património histórico, tornou-se imperioso dar o meu contributo pessoal na divulgação dos elementos históricos existentes, que vão escapando à memória de alguns locais, e que são certamente desconhecidos da maioria deles e perpetuá-los, através desta Associação, antes que esta realidade se esfume no tempo, já que são elementos intrinsecamente ligados à história de Castelo de Paiva, enquanto berço dos pais de Santo António.
E como disse Marco Aurélio: “se uma tarefa te parece difícil, não penses imediatamente que é impossível”. De facto a tarefa foi difícil, mas possível.
Também Santo António dissera: “quem não puder fazer grandes coisas faça, ao menos, o que estiver na medida das suas forças”.
Procurei seguir o seu conselho. E quando recebi o apoio incondicional da ADEP a esta minha ideia,, ala que se faz tarde, lancei-me ao caminho na peugada do Santo.
           
Com a edição deste documento a que foi dado o título Santo António de Lisboa Encontro Nas Origens Castelo de Paiva, pretende-se, assim, dar a conhecer o sentimento generalizado dos naturais de Castelo de Paiva que, honrados pela figura de Santo António, cuja auréola de santo é reconhecida a nível mundial, procuram manter viva, no seu seio e no dos seus vindouros, a efeméride do nascimento, em Terra de Paiva dos progenitores desse santo, e dá-la a conhecer ao mundo, com base na descrição genealógica dos Bulhões de Santa Cruz das Serradas, existente na Casa da Boavista, dos ex-condes de Castelo de Paiva, e que nesta obra se procurou traduzir com igual rigor e o mesmo valor histórico que tal documento representa.
Este livro não foi concebido só de palavras, as ilustrações que contém, para além de lhe dar mais vida e beleza, são também, só por si, uma forma de comunicar, miscigenadas com os textos conexos.

Honrar os pais através do filho Santo António é uma tradição que vai perdurando ao longo dos séculos e que encontra eco no coração de todos os paivenses, apoiados, não só pelas variadíssimas obras escritas sobre tão importante figura da igreja católica, mas também pelas pedras vivas que são as referências ao património existente e identificado, por exemplo, pelo “Marmoiral da Boavista”, “Pia dos Mouros” e, bem assim, pelos edifícios nos locais de Vegide, Serradas, Gondim e Casa da Boavista, em Castelo de Paiva, considerados memórias que não se apagam e que serviram de berço aos pais do Santo e, posteriormente, a outros seus descendentes Bulhões.
“Os paivenses não querem abandonar, por ténue e muito frágil que seja, o único fio que os prende à sua certeza histórica: os pais de Santo António foram naturais de Castelo de Paiva”.


As minhas digressões ocasionais através de muitos países de quatro continentes deste planeta-terra, contribuíram substancialmente para o enriquecimento deste trabalho, já que, dentro da larguíssima área geográfica percorrida, encontrei imensos testemunhos de devoção e homenagem a Santo António, alguns deles recolhidos em imagens fotográficas e inseridos nesta obra, como se poderá verificar.

Numa dessas minhas digressões, por terras ainda mais longínquas do que aquela donde viera o Papa Francisco, em viagem marítima procedente de Ushuaia, Tierra del Fuego, a cidade mais setentrional do planeta, na Argentina,  passando pelo cabo de Hornos, extremo sul do continente americano, com destino a Punta Arenas, no Chile, e entrando no estreito de Magalhães percorrendo parte dele em sentido inverso ao percurso que fizera Fernão de Magalhães, ao enquadrar as águas do canal com tudo o que à sua volta existia, fiz uma incursão momentânea às entranhas da minha já velha memória para reavivar a inigualável façanha que foi, ao tempo, a viagem de circum-navegação, iniciada por Magalhães ao serviço de Carlos V, de Espanha (em 1519), com uma esquadra de cinco navios e uma tripulação de 234 homens, com cerca de 40 portugueses, entre os quais seu primo co-irmão Álvaro de Mesquita, que comandava o navio com o nome “San Antonio”.
Naquelas paragens da Patagónia, ao recordar o nome da nau San António, e encontrando-me nesse caminho mágico da viagem que fizera Fernão de Magalhães, perguntei, a mim mesmo, se alguma vez aquela família com origens na minha terra, Castelo de Paiva, pais de Santo António, imaginaria ou lhes passaria pela cabeça que o nome de seu filho “viajaria” até lugares tão longínquos, não só naquela específica viagem de Magalhães, mas em tudo quanto era Descobrimentos, ao tempo.
Esse momento gerou na minha pessoa uma tal força de vontade e coragem que, aliadas a outra tanta curiosidade, me envolveram desde logo numa luta intensa e constante na busca, na pesquisa, na tentativa de conhecer melhor a história, a ligação dos ancestrais Bulhões, pais de Santo António, aos Bulhões seus descendentes de Castelo de Paiva, e passá-la a escrito desde que encontrasse fios condutores passíveis de alguma credibilidade.
Assim comecei a trabalhar.
Muitos dos textos e imagens que são a base deste documento resultaram de uma pesquisa de conteúdos efectuada principalmente através da Internet, e de viagens nacionais e internacionais que, subtilmente foram chamando a minha atenção para os inúmeros lugares de devoção, dedicados a este santo, testemunhos da sua popularidade espalhada pelo mundo inteiro e cujas origens se enraizaram em Castelo de Paiva.

Seguindo o lema: ”quando estiveres em viagem, pára para leres indicações sobre a história dos sítios por onde passas”; eu confesso: sempre parei, mas para tentar encontrar referências a Santo António.
Foram contributos bastantes para o arranque desta obra, não só a passagem  pelo estreito de Magalhães, como já referido, mas também a leitura do pequeno livro de poemetos de Adriano Mendes Strecht de Vasconcelos, editado pela primeira vez em 1938, ( ano em que eu nasci) denominado “Lendas e Tradições de Castelo de Paiva”, no qual se faz menção à Casa Torre de Vegide que diz ter sido de Tereza Taveira, Mãe de Santo António ( a 200m do local onde vivo, precisamente a rua Tereza Taveira) e também ao Paço de Gondim, nas proximidades da entrada principal da Quinta da Çarrada ou Serrada, propriedade que pertencera a Martim (ou Martinho) de Bulhões, pai de Santo António e, também, pelo facto de as gentes da Terra de Paiva, nomeadamente das freguesias de Sobrado e de Fornos, terem grande devoção, quer pelos progenitores, quer pelo próprio Santo António.

A continuidade desta história terão V.Ex.as oportunidade de a encontrar no livro ora lançado que espero lhes agrade de todo. E descansem aqueles, mais novos, que pensam que o livro se esgotará e não terão oportunidade para desfolhar as belas páginas que o compõem. Garanto-vos que mesmo depois de eu passar a fronteira dos meus aniversários, eu irei, mas a obra fica e será reeditada as vezes necessárias.
Este é um livro apropriado para uma prenda de aniversário, para oferta a um amigo, para prenda de Natal, para sugerir como “lembrança” de Castelo de Paiva, mas é sobretudo uma peça histórica para Castelo de Paiva.

Um outro aspecto que tem a ver com a apresentação deste documento neste ano , é que ele foi concebido para ser lançado, precisamente neste ano de 2013 em que Castelo de Paiva comemora os quinhentos anos da atribuição do Foral à terra de Paiva por D. Manuel I, então rei de Portugal, era o ano de 1513, evento que, planeado com a devida antecedência, nas actividades da ADEP agora se consagra, e que eu faço questão de juntar um poemeto da minha autoria oportunamente escrito, relativo ao Foral:

À procura de mim
   (origens da terra onde nasci)

Corri aldeias, andei, fui por aí além
E vim
À procura de mim
E origens de mais alguém,
Mas encontrei-me perdido,
Despido
De ideias e da memória,
Sem glória,
Enfim!

Voltei por um outro caminho
Mais estreito e mais maninho
E que descobri ?
Um mundo novo,
Criação de um povo
Gentio, que reconheci
Em mim!

Gentes da minha terra,
Da beira rio e da serra,
Do tempo de outrora, de meus avós,
Dos filhos e dos netos, como eu,
Povo que somos todos nós
Tal qual Deus o deu!

Gentes da terra de Paiva
Que me fizeram o berço na Raiva!
Perto do Arda,  em  Oliveira,
Com cais nas Fontaínhas,
Ponto de encontro e  de passagem,
Onde não se pagava portagem!

Gentes que me embalaram,
Que me criaram,
Que me deram o ser e saber
Que me deram força e poder
Poder para reconhecer

Que todo o trabalho vale a pena,
Quando se vai às origens procurar e  explorar,
Recolher, proteger e registar
Elementos que se deseja fiquem a prevalecer,
Na terra de Paiva, por vontade plena,
Nesta comunidade que, em Vilar, de Real,
Em Maio de 1517 recebeu, de El-Rei D. Manuel I, o foral
Concedido no dia primeiro de Dezembro de 1513
Perfazendo cinco séculos em 2013 !



Não quero deixar-vos partir sem antes, pedir a benção de Santo António, para crentes e não crentes, e agradecer a amabilidade e disponibilidade a quantos se deslocarem a este encantador e agradabilíssimo Parque Biológico, e dizer-vos que para mim foi uma grande honra tê-los aqui como amigos e atentos ouvintes.
Na vida, nunca esqueço que aquilo que mais aprecio, ao nível emocional, é sentir que os meus trabalhos são apreciados.
Sinto-me distinguido pela vossa presença e as únicas palavras que tenho para vos dirigir neste momento são, simplesmente: muito obrigado.




     Mário Gonçalves Pereira