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quinta-feira, 2 de maio de 2024
As Cruzes, são amanhã dia 3 de maio!
PROCISSÃO DAS CRUZES
No próximo dia 3 de Maio, já esta sexta-feira (amanhã), realizar-se-á a tradicional procissão conhecida por “As Cruzes”
Esta Procissão em que se incorporam as cruzes das freguesias do concelho e grande número de pessoas, durante a qual é cantada a ladaínha de Todos os santos, sai da capela S. Caetano, em Serradelo, freguesia da Raiva, e recolhe à capela da Senhora das Amoras, em Oliveira do Arda, na mesma freguesia.
Sobre esta procissão escreveu o DR. Simões Júnior ” O Provisor Dr. Manuel de Payva Castro capitulou em 1757 o seguinte: “Os paroquianos desta freguesia (Raiva) são negligentes e remissos em cumprirem o voto antigo da romaria da Senhora das Amoras, achando-se às vezes o revº. pároco com poucos ou nenhumas pessoas que acompanham a Cruz. Ordeno que este as possa condenara cada uma em dois tostôes, não indo de cada casa uma pessoa à dita romaria, os quais aplicará para a fábrica da igreja”.
Fotos retiradas do Facebook, registos de anos anteriores, de vários autores
in COUTO MINEIRO DO PEJÃO- C. de PAIVA
João Teixeira
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
O 35.º aniversário e as tradições que se vão perdendo
“Quando o barco era lançado à água, depois de entrar no rio
não se esqueciam os ramos votivos para lhe dar sorte: no bico da proa um festão
de flores de papel; à popa um ramo de oliveira com azeitonas (e bolachas)…
Estes ramos ficavam a cargo do arrais (que no nosso caso – e
das fotos, foi o já saudoso Mestre Arnaldo de Melres) – pois no início da
construção, contra o mau olhado, para não empachar
o trabalho dos carpinteiros, o mestre construtor pregava pelo lado de dentro do
bico da proa (na ouca da vante, portanto) uma cruz de trovisco formado por quatro
hastes iguais.” transcrevemos do guião e textos do catálogo da Exposição O Barco Rabelo - "um retrato de família" de Octávio Lixa Filgueiras, para a Inauguração da Casa da Cultura, quando da visita de sua Excelência o Senhor Presidente da República(1987).
Queremos desta forma agradecer aos amigos que nos
felicitaram no dia do nosso aniversário, a todos e a
cada um queremos desejar a sorte que os nossos mestres construtores de rabelos
procuravam alcançar com a sua crença.
Nós por cá continuaremos a trabalhar esperando merecer a
vossa atenção e sempre que possível também a vossa participação ativa nos
nossos eventos!
Sobre cruzes de trovisco, ou outras, para afastar o mau olhado, destas e de outras tradições alguêm quer partilhar?
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domingo, 24 de maio de 2015
Hoje e amanhã é a Festa do Espirito Santo (dos Tremoços) de Vila Verde!
Percebe-se a aceita-se que o catolicismo tenha ido às
práticas pagãs, aproveitar os locais, as tradições, até a generosidade das
ofertas e sacrifícios, até aí destinados às divindades, para dar visibilidade
aos seus símbolos e santos e reencaminhar os donativos para os necessitados.
Remontará ao tempo de D. Dinis a comemoração do Espirito
Santo que segundo a história assenta numa promessa feita pela sua mulher a
Rainha Santa Isabel (de Portugal e Aragão) , pelo ano de 1320, apelando ao
espirito divino para que lhe proporcionasse
a paz entre o seu marido Rei, e filho D.
Afonso (legítimo e futuro herdeiro do trono), sendo que para isso se oferecia para ir pelo
país pedir donativos para os pobres.
Estamos como é bom de ver perante uma festividade
aculturada, muito antiga e que tendo
lugar em maio coincide com as primeiras colheitas, cinquenta dias após a
Páscoa. Na origem era festejada com banquetes coletivos com distribuição de esmolas e
comida aos pobres “ o Bodo aos Pobres” como ficou para a história. A
tradição terá então ganhado novas raízes e as festividades que ainda hoje estão
vivas e muito participadas (veja-se no Brasil, nos Açores e destes para os
Estados Unidos e por cá) são marcadas pela
esperança na chegada de uma nova era para o mundo dos homens, com igualdade,
prosperidade e abundância para todos.
Nós por cá temos tudo para defender também em Vila Verde a
existência de uma tradição bem antiga, que ultrapassa, como se pode deprender,
o sec. XIV. No local onde se realiza e
nas imediações da atual Capela do Espirito Santo foi encontrada, pela ADEP, há
alguns anos uma ara votiva, dedicada à Divindade pagã Lares – isto é uma
espécie de altar que servia para - em locais de passagem como é o caso – as
pessoas poderem oferecer flores, comida e outros à Divindade. Este testemunho
arqueológico dá-nos uma referência temporal muito importante, estamos numa era
anterior ao cristianismo (sec. I).
Vila Verde aparece
referenciado nas Inquirições de 1258, isto é, no reinado de D. Afonso III, já
pagava foros. Ficamos assim a saber que estes campos e vales, terra agrícola
por excelência, banhada pelo Sardoura, que desde tempos imemoriais proporcionou
levadas e força motriz para os moinhos, e até algum peixe, é também local de
passagem - com encruzilhada de caminhos
muito antigos de que chegaram aos nossos dias trilhos com sulcos
impressionantes - , tinha de longa data uma vivencia com certeza muito bem
estruturada e alicerçada social e culturalmente.
A festa dos tremoços como ainda hoje é conhecida é uma das
festividades de cariz popular mais antiga; de que temos resquícios da
generosidade e crença da população que, ao oferecer tremoços aos visitantes, acredita
que os gestos de despendimento material alegram hoje a Divindade do Espirito Santo
e podem ainda favorecer um bom ano agrícola para beneficio de todos…
Martinho Rocha
Martinho Rocha
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Festa das Cruzes: a 3 de Maio em Oliveira do Arda
Festa das Cruzes
Revitalizar
a tradição é preciso, depois, quem tem horta/jardim ou trata da agricultura,
pode valer a pena !
Tradição que, no concelho, terá sido influenciada pela, ainda hoje muito viva, festa das Cruzes
de Barcelos, terra a que estivemos ligados - por causa da orgânica da Justiça e
senhorios desta terra - desde a idade média (1). Transcrevemos extractos de
notícias:
I
Em 1758, nas Memórias Paroquiais (2), o Padre da Raiva
informava: “ No dia trez de Mayo vem a mesma ermida (do povo e cita fora do
lugar de Oliveira, Nossa Senhora das Amoras) hum clamor das nove freguesias de
que se compõem o conselho de Payva, com as suas cruzes e a camara do mesmo
conselho. Na primeira segunda-feira depois do Domingo do Espirito Santo costuma
ir todos os anos com um clamor a mesma ermida todas as cruzes do Valle e Villa
de Arouca”.
II
“Realiza-se no
próximo dia 3 de Maio, na Senhora das Amoras, freguesia da Raiva a tradicional
festa das Cruzes. O local é muito pitoresco, dizendo-nos que de todas as casas
é obrigatório mandar alguém para salvar os campos das crises cerealíferas e das
epidemias vérmicas. As procissões e os bailes afogentarão a bicharia
destruidora. O concelho cairá ali em pezo. Há corridas de camions. Aos que faltarem, já
se sabe os campos… “ Jornal “ O Defensor” 28 de Abril de 1921.
III
Ainda em 1941 (28 de Abril) o jornal Defesa de Arouca dava
realce à tradição do concelho vizinho: “ No próximo dia 3 de Maio realizar-se-á
a tradicional processão conhecida por “As Cruzes”.
Esta procissão em que se incorporam as cruzes das freguesias
do concelho e grande número de pessoas, durante a qual é cantada a ladainha de
Todos os Santos, sai da capela de S. Caetano, em Serradelo, freguesia da Raiva,
e recolhe à capela da Senhora das Amoras, em Oliveira do Arda, na mesma
freguesia”.
IV
Esta
notoriedade que passa as fronteiras do concelho e que pelos anos 50 a 70
creditava a muito do operariado agrícola, e não só, a alforria de um dia de
folga (para compensar o 1.º de Maio…) teve como tudo os seus altos e baixos. Em
1757 foi necessário o provisor Dr. Manuel de Payva Castro capitular: “Os
paroquianos desta freguesia (da Raiva) são negligentes e remissos em cumprirem
o voto antigo da romaria da Senhora das Amoras, achando-se às vezes o ver.º
pároco com poucas ou nenhumas pessoas que acompanhem a Cruz. Ordeno que este as
possa condenar a cada uma em dois tostões, não indo de cada casa uma pessoa à
dita romaria, os quais aplicará para a fábrica da igreja”.
Biografia:
(1)-“Elementos para a História de
Castelo de Paiva”- (realçamos a 3.ª parte) de Margarida Rosa Moreira de Pinho.
Reedição da ADEP em 1991;
(2) -“Memórias Paroquiais de
Castelo de Paiva” de Manuel Joaquim Moreira da Rocha e Olimpia Maria da Cunha
Loureiro. Ed. Câmara Municipal 1988;
(3)-“Castelo
de Paiva” - Terras ao Léu de Guido de Monterey. Edição do autor 1997;
Foto de M. Rocha (de memória proveniente de Cruz de Alveda, existente no Parque das Tílias).
Estes e outros
documentos podem ser lidos e consultados no espaço Biblioteca Manuel Afonso da
Silva da ADEP, no Parque das Tílias à Frutuária.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Grupo do Linho de Real / ADEP no Aeroporto !
Ontem na acção promocional da Camara Municipal nas instalações da Turismo Porto e Norte no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, lá esteve o nosso Grupo do Linho de Real / ADEP a promover e a divulgar as nossas tradições!
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
O Carnaval em Castelo de Paiva
Iniciava-se na Festa do Santo Antão, em Sá, logo em Janeiro e repetia-se na festa de S. Sebastião (na Vila). O ponto alto era depois no domingo e na terça-feira de Carnaval. Carros enfeitados, serpentinas, confetis e bisnagas de éter com um chuveiro de papelinhos multicores
…era assim que se jogava o carnaval em Castelo de Paiva!
Vejam-se os recortes do "O Defensor", dos anos 20, que reunimos do calendário da ADEP - 2007.
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domingo, 26 de outubro de 2014
Tradições: A Barrela
Este vídeo documenta um saber ancestrar de proceder à limpeza da roupas por um processo que era isento de produtos químicos como hoje conhecemos.A cinza e as plantas aromáticas eram o segredo!
Esta é mais uma visita às tradições de outrora, em que a roupa era lavada num cortiço...Mais um trabalho, do Grupo do Linho de Real /ADEP.
resumo do vídeo
domingo, 19 de outubro de 2014
Os bailes da Paiva (in Jornal Miradouro)
Os bailes da Paiva retratam um tempo em que na sociedade rural, como esta, do Vale do Paiva, todas as manifestações sociais públicas tinham de ser púdicas e recatadas. Os bailes eram das poucas distrações ao alcance da mocidade. Pela Gralheira, Faifa e arredores pontuavam estes eventos e numa légua ao redor a rapaziada, pela calada da noite, de lumieira ou archote em punho alistava-se, se necessário, em demoradas incursões pela serra para os alcançar. Este recorte, com a devida vénia do "Jornal Miradouro" dá-nos, pela autoria de Vitor Silvestre, uma imagem dos bailes, alguns num formato mais arrojado - destinados apenas a pares convidados e que se apresentavam "descalços até ao pescoço - que uma certa moral (designadamente a Igreja) reprimiu; (evitando os padres e pregadores frequentá-los ...já que o baile era das poucas ocasiões em que o contacto físico entre sexos era permitido em público e isso potenciava o pecado da carne).
"(segundo o autor) Os bailes da Paiva eram organizados (...), acompanhados por pequenas orquestras de cordas, tangidas por músicos de ouvido afinado. Outros, de trazer por casa, rodados a toque de realejo, eram improvisados em qualquer eira ou terreiro, para escapar à vigilância dos pais e mirones delatores."
Com a mudança das mentalidades, o fim da censura, o espartilho deixou de fazer parte do formato das "vestes" dos bailes e bailarinas e das orquestras, estas e aqueles que se democratizaram e passaram a integrar as festas de todas as padroeiras e eventos sociais.
Obrigado Vitor Silvestre por mais este tributo à Paiva!
"(segundo o autor) Os bailes da Paiva eram organizados (...), acompanhados por pequenas orquestras de cordas, tangidas por músicos de ouvido afinado. Outros, de trazer por casa, rodados a toque de realejo, eram improvisados em qualquer eira ou terreiro, para escapar à vigilância dos pais e mirones delatores."
Com a mudança das mentalidades, o fim da censura, o espartilho deixou de fazer parte do formato das "vestes" dos bailes e bailarinas e das orquestras, estas e aqueles que se democratizaram e passaram a integrar as festas de todas as padroeiras e eventos sociais.
Obrigado Vitor Silvestre por mais este tributo à Paiva!
domingo, 4 de maio de 2014
A Festa das Cruzes !
No dia 3 de Maio vem à ermida de Nossa Senhoras das Amoras
um clamor das 9 freguesias de que se
compõe o concelho de Paiva, com as cruzes e a Câmara do concelho; Na 1.ª e 2.ª
feira depois do Domingo do Espirito Santo costuma vir à mesma ermida um clamor,
com todas as cruzes do Vale e vila de Arouca. (cópia livre de texto incerto nas
Memórias Paroquiais - 1758).
Em 2012 tomamos a iniciativa de reconstruir no Parque das
Tílias - graças ao empenho de Mário Gonçalves Pereira - a partir da pedra base,
aquilo que seria uma cruz desse itinerário, situada algures no lugar de Alveda,
Raiva.
E porque não motivar vontades e fazê-la regressar ao primitivo local, procedendo-se
à sua colocação em local digno. Têm a palavra os moradores…
Martinho Rocha
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
O Carnaval nos anos 20 - em Paiva !
foto: Grupo de jovens senhoras paivenses, da época, angariadoras de donativos para os soldados portugueses (in Ilustração Portuguesa 1915).
O Jornal local não deixava passar em claro.
Os festejos do Carnaval juntavam-se à festividade do S. Sebastião, na Vila de Sobrado.
"Realizou-se
no passado domingo, com desusado brilho, a festa de S. Sebastião, nesta Vila,
merecendo particular referência os jogos carnavalescos que aí se exibiram, as
serpentinas, confetti e bisnagas de éter, que sem serem ofensivos, se tornam
interessantes pelas lutas renhidas que se viam travar de quando em quando (…)Houve
vencedores ou melhor vencedoras e vencidos heroicamente, mas (…)vencidos (…) No
próximo domingo e terça feira de Carnaval, carros enfeitados percorrerão as
ruas da Vila, jogando-se afanosamente o Carnaval, sendo a principal arma de
combate, a serpentina.
Dizem-nos
ser este um dos anos em que o Entrudo tem mais animação, mas animação decente,
nestas paragens. Ainda bem que saímos desta apatia e aborrecimento vulgares.Jornal “O
Defensor” 23 de Fevereiro de 1922".
domingo, 15 de setembro de 2013
15 de Setembro - Hoje é festa da Santa Eufémia !
E porque hoje é dia da festa da nossa Santa Eufémia aqui deixamos esta pérola, "Saudades da Santa Eufémia" também como homenagem ao seu autor, Júlio do Bacelo, e a tantos outros Homens de letras dos nossos "pequenos" Jornais! Uma prosa com 61 anos, com memórias de outros tantos !
domingo, 12 de maio de 2013
Tentativa para mudar a viagem dos barcos, entre a Praia do Castelo e o Porto...
foto foto António S. Pereira. "Tentativa para mudar a viagem dos barcos, entre a praia do Castelo e o Porto, de domingo para segunda", é mais um texto publicado a propósito dos 25 anos da ADEP no jornal TVS (está na página anexa - na entrada: construiu-se o rabelo) que é uma reflexão sobre o nosso imenso potencial de memória que não tem sido devidamente aproveitado e que nos transporta para as preocupações da Igreja, face ao "mau costume" laboral instalado, na década de 30 do séc. passado.
De sublinhar que nesta iniciativa esteve o empenho do carismático Padre de Fornos, José S. Correia de Noronha, de que já falamos a propósito da construção do Cruzeiro existente na Praça da Indepência (*).
De sublinhar que nesta iniciativa esteve o empenho do carismático Padre de Fornos, José S. Correia de Noronha, de que já falamos a propósito da construção do Cruzeiro existente na Praça da Indepência (*).
(*) segundo o texto de João Bernardo Galvão Teles in Contributos para o Futuro Arquivo de Arouca) o Padre José
Soares Correia de Noronha, é natural de Alvarenga - Arouca, da Casa da
Chieira.
Foi durante muitos anos abade de Fornos, no concelho de Castelo de Paiva, e - a exemplo do que muitas vezes sucedia nesses tempos - andou nos meandros da política: em 1933 foi integrado como vogal na Comissão Concelhia de Castelo de Paiva da União Nacional, em 1937 foi nomeado presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal e do Conselho Municipal de Castelo de Paiva. Em 1940, foi um dos secretários da sessão de inauguração do Cruzeiro da Independência, também em Castelo de Paiva.
Ainda em plena II Grande Guerra, corria o ano de 1942, foi nomeado para integrar a Comissão Reguladora do Milho em Castelo de Paiva e, no mesmo ano, foi nomeado vogal do Grémio da Lavoura da mesma localidade.
Em 1950, prestou-se sentida homenagem ao padre José Soares Correia de Noronha, pelas suas bodas de ouro sacerdotais e pelas bodas de prata como pároco de Fornos.
Foi durante muitos anos abade de Fornos, no concelho de Castelo de Paiva, e - a exemplo do que muitas vezes sucedia nesses tempos - andou nos meandros da política: em 1933 foi integrado como vogal na Comissão Concelhia de Castelo de Paiva da União Nacional, em 1937 foi nomeado presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal e do Conselho Municipal de Castelo de Paiva. Em 1940, foi um dos secretários da sessão de inauguração do Cruzeiro da Independência, também em Castelo de Paiva.
Ainda em plena II Grande Guerra, corria o ano de 1942, foi nomeado para integrar a Comissão Reguladora do Milho em Castelo de Paiva e, no mesmo ano, foi nomeado vogal do Grémio da Lavoura da mesma localidade.
Em 1950, prestou-se sentida homenagem ao padre José Soares Correia de Noronha, pelas suas bodas de ouro sacerdotais e pelas bodas de prata como pároco de Fornos.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
“Cortiçadas” vs Direito ao sossego
Quem se lembra ?
"São conhecidas na nossa terra por nome de ”cortiçadas”, as
algazarras que frequentemente se fazem de noite nos meios rurais e que em geral
são acompanhadas de buzinas e latas velhas. O nosso concelho enferma,
infelizmente do mesmo mal. Na vila propriamente dita não se nota isso, pois que
como habitam pessoas civilizadas, logo poriam cobro a tais liberdades, mas o
mesmo não se verifica nas redondezas onde meia dúzia de indivíduos se julgam
com o direito de dar largas à sua falta (…), incomodando toda a gente.
Tal, tem-se verificado no vizinho lugar de Vila Verde, da
freguesia de São Martinho e na freguesia de Sardoura, onde chegaram a tomar
foros da maior desfaçatez. Consta-nos
que, o que dá azo a tal procedimento é o próximo casamento de um rapaz com uma
mulher alguns anos mais velha do que ele! No facto não vemos que haja algo de
anormal.
Sendo assim, há que as autoridades se imponham, aplicando o
correctivo devido, antes que ocorrências lamentáveis se verifiquem e também
para que haja sossego(…)”
No Jornal “O Pejão”,
na rubrica “Vida do concelho” a cargo de Evaristo L. Vasconcelos de Freitas
fomos encontrar (no n.º 37 Fev.º 1960)
esta verdadeira pérola da nossa imprensa regional, no caso, dando voz às preocupações sociais em defesa
do sossego.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Cruz de Alveda. A Festa das Cruzes. Um contributo de Mário Gonçalves Pereira
“Cruz de Alveda – Raiva, Suas origens” é mais um álbum produzido e
oferecido por Mário Gonçalves Pereira à ADEP. Trata-se de um contributo para a
história da freguesia da Raiva e de uma das tradições mais antigas do concelho
(As Cruzes).
“O topónimo “Cruz de Alveda” era atribuído, verbalmente, a
um sítio ermo, num pequeno planalto, onde um carreiro e uma cruz marcavam a passagem
de muitos transeuntes. Naquele mesmo local e com o mesmo nome está hoje
implantado um agregado populacional que nasceu, para ir crescendo, em 1944.”(e
que foi fundado pelos seus ascendentes)
O álbum faz um retrato social da vivência das populações
locais, que se ocupavam da agricultura, do pequeno comércio e serviços ligado
aos barcos rabelo no porto das Fontaínhas e ainda à incontornável azáfama da
Mina(Fojo, Choupelo e Germunde). Um testemunho e esforço de memória do menino
estudante-bolseiro que foi da ECD.
Desde 2006 que Mário Gonçalves Pereira imprime e exprime em álbum
rígido e lavável fotos e notas obtidas nas
iniciativas e/ou selecionadas das existentes no Arquivo Luís Lousada Soares,
que generosamente entrega à ADEP, para que possam ser consultados.
“A Cruz de Alveda” está hoje reconstruída no Parque das
Tílias, junto do Cruzeiro de Carcavelos,
sobre a base suporte do primitivo cruzeiro que existiu em Cruz de Alveda -reconstruções
que se devem aos Irmãos Merru - assunto a que se há-de voltar a falar a propósito
da muito antiga Festa e Procissão das Cruzes.
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sábado, 25 de agosto de 2012
Homenagem aos "remadores" do Castelo (de Paiva)!
“(…)A roupa dos homens do rio era velha e remendada. De cor
escura, era composta por: ceroula e camisa de flanela ou castorina e um gorro
na cabeça. Levavam-na dentro de uma saca de amostras(…)
Os ombros dos marinheiros eram calejados e tinham nos
músculos vãos, de lhe caber um dedo ao través, provocados pelas sirgas, quando
vinham àlar, ou de fincar os bicheiros para fazer deslizar o barco. Neste sítio
do corpo era onde mais rompiam as roupas.
As ceroulas eram sempre remendadas nos joelhos de os
encostar ao barco para fazer força a empurrar(…)
(…)Lembro-me dos pescadores do Castelo e do sável saboroso e
da lampreia que apanhavam.
E as enguias?!...Que delícia! Eram apanhadas com minhoqueiro
e comidas fritas passadas por ovo.
O Bilinho era o
pescador por excelência(…)”
Este texto foi, como
se vê, publicado no Chafariz (de
Novembro de 1992) e o tema continua atual! Há gestos …e memórias que ficam para
sempre! O nosso obrigado à colaboradora
e associada Fátima Gabriel!
Diz Armando de Matos na sua obra "O Barco Rabelo" que quando não há vento há, que sirgar os barcos (sobre este tema ver nosso texto As pedras da Sirga, de Rio Mau - Penafiel em 13 de Agosto a propósito da classificação das Fragas da Penela, em Rio Mau, Penafiel - em que trabalhamos - e que pretendemos propôr à DGRN), mas quando nem isso é possível, "tem de deitar mão dos remos. E para isto, é que os remadores de Castelo de Paiva são estimados, pois gozam fama de serem dos melhores" !
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terça-feira, 19 de julho de 2011
A tradição da malha do centeio
Amanhã pelas 14 horas no Parque das Tílias e Domingo no Largo da Feira de Cabeçais a ADEP vai malhar centeio.
Como era a tradição da malha do centeio na nossa terra ?
Na nossa terra, a tarefa era realizada pelo ajuntamento dos vizinhos e deveria ter lugar em até final de Julho. Em Agosto seria já para desgosto. Era então chegado o dia de separar o grão do centeio da palha, ou seja fazer a malhada. Primeiro batendo com as espigas no carro de bois, depois batendo naquelas que ainda tivessem grão com o mangual, coisa que obedecia a um ritmo sincronizado e executado a preceito pelos experientes malhadores.
Era de tradição, se a eira fosse em terra, barrar a eira toda com uma mistura de bosta de vaca e água, para que o centeio não se enterrasse na terra, quando chegasse a hora de retirar a palha e de varrer o centeio para o monte, logo que entrassem em acção as vassouras de giesta.
Depois de limpo, isto é, depois de levantado ou de passado no ventilador, o centeio é medido em alqueires e levado para as tulhas, que eram umas enormes caixas de madeira feitas com tábuas, bem grossas de castanheiro, que é para os ratos não as furarem e o comerem, onde permanecerá até ao dia em que há-de ser levado pelo moleiro, para ser transformado em farinha, ou para ser lançado novamente à terra e dar origem a uma nova seara.
Finda a malhada os malhadores e demais ajudantes iam almoçar a merecida cabra ou cabrito que o dono tanto tinha apregoado.
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