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sexta-feira, 15 de março de 2019

Descoberta mais uma Mamoa, mas, o ordenamento do nosso território está a fazer-se ao ritmo dos ventos e dos fogos




Mamoa de Carvalho Mau

Acrescentamos ao cadastro,  estes dias,  mais uma mamoa e relativamente perto da Vila. Será a número 3 da Cruz, sobranceira ao Sardoura, na freguesia de Real. O nosso território não pára de nos surpreender. Isto é o que nos ocorre dizer quando visitamos um local pela primeira vez e encontramos algo de valor até então desconhecido. No entanto para quem acumula tantas milhas percorridas por montes e vales e tantos tem sido os "encontros imediatos", diríamos até que há locais - não fosse a fúria desenfreada dos plantadores de eucaliptos - que era certo sabido onde encontrar, monumentos desta natureza (mamoas) e/ou outros. 
Mas, já passou um ano... os contactos, com os proprietários, tarefa assumida pelos serviços municipais, não foi realizada. Há inúmeras máquinas e trabalhos sem acompanhamento arqueológico...como já aconteceu outros valores serão facilmente destruídos se não se chegar ao contacto com os proprietários. O trabalho que a ADEP vem realizando, voluntária e gratuitamente, traduz-se na elaboração de uma relação actualizada dos monumentos do neo-calcolitico, vulgo antas/mamoas, com localização GPS, conferindo a sua existência e integridade no terreno, com a descrição feita na Carta Arqueológica dos anos 80, e integrará o futuro Plano Director. Foram visitados até ao momento perto de 50 mamoas, cinco delas já destruídas (parcial e/ou totalmente), por máquinas de terraplanagem ao serviço da florestação (licenciada?), perigo de destruição que estão a correr grande parte das restantes mamoas.
O ordenamento do nosso território está a fazer-se ao ritmo dos ventos e dos fogos e uma estratégia dessas não devia acontecer no século XXI, uma Era em que é necessário algo mais para compensar e reverter os efeitos nefastos das alterações climáticas fruto também elas de politicas erradas. 
E depois, no campo da arqueologia, há tantas frentes onde é necessário e urgente intervir...














Martinho Rocha

sábado, 26 de janeiro de 2019

Trabalhos na Mamoa de Carvalho Mau


Convidamos todos os interessados em conhecer a realidade megalítica do concelho para um encontro de trabalho (eliminação de vegetação arbustiva infestante) na Mamoa de Carvalho Mau, no próximo sábado, a partir das 10,00 horas. Os trabalhos serão coordenados pelo Arqueólogo Vitor Gomes.

Faça parte da história!



Próximas iniciativa ambiental:


Plantação de carvalhos autóctones  em conjunto com diversas entidades e pessoas singulares no sábado 23 de Março.


Temos previsto com o Grupo Natureza Viva e todos os demais participantes interessados realizar :


  NOVA SEMENTEIRA DE CARVALHOS E OUTRAS AUTÓCTONES

A 16 de Fevereiro, Sábado - 10 horas - no Parque das Tílias.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

E a ponte velha de Pedorido ?

cover photo, A imagem pode conter: ponte, nuvem, céu, ar livre e água




Movimento de Defesa da Ponte Centenária de Pedorido
Nota Informativa
Caros concidadãos.
Na ausência de qualquer informação à população por parte da Câmara Municipal, sobre as razões
que levaram ao recente encerramento da Ponte Centenária a todo o trânsito motorizado, o
Movimento de Defesa da Ponte Centenária de Pedorido indagou os Srs Presidente e Vice
Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva no sentido de darem um esclarecimento sobre
as seguintes questões:
• quais as reais condições de segurança da Ponte Centenária de Pedorido?
• esta medida foi tomada por indicação de que entidades e com base em que dados?
• tendo sido assinado em junho de 2018, um contrato de aquisição de serviços, com vista a
realizar os procedimentos necessários para a elaboração de um projeto de execução para a
remodelação e reforço da Ponte Centenária de Pedorido, este projeto já está finalizado e nas
mãos do executivo camarário?
• o executivo camarário já tem fonte de financiamento para as referidas obras de remodelação e
reforço da ponte?
A estas questões Senhor Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, Dr. Gonçalo Rocha,
através dos serviços camarários, enviou-nos o seguinte esclarecimento, que transcrevemos na
integra:
“O Município de Castelo de Paiva adjudicou externamente a prestação de serviços para elaboração
do projeto de execução para remodelação e reforço estrutural da ponte velha de pedorido.
O projeto de execução foi já apresentado na Câmara municipal, estando nesta altura a aguardar a
emissão de pareceres por parte das entidades da administração central, necessários para a sua
aprovação posterior.
Tendo-se verificado recentemente queda de gravilha do tabuleiro da ponte foi determinada a
realização de uma vistoria conjunta, por parte de técnicos da Câmara Municipal e do Gabinete
autor do projeto de execução referido, na qual se concluiu que a queda da gravilha se deve à
deterioração por corrosão localizada de uma chapa metálica que integra a plataforma do tabuleiro
da Ponte. Sendo um elemento secundário da estrutura, não consubstanciava um problema de
estabilidade global. Não obstante, esta situação, veio reforçar a necessidade de se manter interdita
a circulação na ponte.
Nesta fase estão a ser efetuadas diligências tendentes ao enquadramento da intervenção em linhas
de financiamento comunitário.”
O Movimento Continuará a diligenciar junta de todas as entidades no sentido da preservação deste património. Não esquecendo que ADEPaiva elaborou em 19-06-2015 um processo de pedido de classificação da Ponte rodo-ferroviária de Pedorido à Câmara Municipal de Castelo de Paiva e até hoje não existe resposta.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

ADEP PEDE À CÂMARA QUE PROTEJA AS 50 MAMOAS QUE ACABA DE REDESCOBRIR NO CONCELHO








Realizou-se a reunião que vinha sendo solicitada pela ADEP. Encontraram-se no passado dia 16 (da parte da Câmara Municipal estiveram presentes Adão Santos e Maria da Luz (respectivamente Director de Departamento Técnico e Técnica superior com formação em arqueologia).A reunião de trabalho que durou cerca de 90 minutos teve pela ADEP, os directores: Martinho Rocha, Elisabete Nobre, Fernando António Beato e Vitor Gomes, este Arqueólogo e também em representação da DGPC (Direcção Geral do Património Cultural) que fizeram assim entrega do trabalho que vem realizando e pediram aos serviços um contacto urgente com os proprietários e técnicos de reflorestação com vista à sensibilização e necessária protecção daqueles monumentos.

A ADEP obteve dos serviços a garantia de que a Autarquia vai com celeridade diligenciar/notificando todos os proprietários e profissionais da reflorestação esclarecendo das medidas e cautelas necessárias a fim de evitar  mais destruições, sensibilizando e alertando para a responsabilidade penal de tais acções e perda irremediável do nosso património histórico-arqueológico, dos nossos antepassados (de há 3000 a 3500 anos antes de Cristo).


O trabalho que a ADEP vem realizando traduz-se na elaboração de uma relação actualizada dos monumentos do neo-calcolitico, vulgo antas/mamoas, com localização GPS, conferindo a sua existência e integridade no terreno, com a descrição feita na Carta Arqueológica, que integrará o futuro Plano Director. Foram visitados até ao momento perto de 50 mamoas, cinco delas já destruídas (parcial e/ou totalmente), por máquinas de terraplanagem ao serviço da florestação não licenciada, perigo de destruição que estão a correr grande parte das restantes mamoas.

Depois que o assunto do vandalismo e dos perigos com a reflorestação  nas Mamoas de Carvalho Mau, Paraíso chegou  por iniciativa da ADEP ao Parlamento, à GNR, à Imprensa, à Câmara Municipal, à DGPC, tem vindo esta a coordenar com  a ADEP esses trabalhos de reconhecimento e identificação dos locais percorridos pelos últimos incêndios, onde se encontram em perigo muitos destes monumentos.  Há obras e trabalhos de florestação a decorrer nos terrenos queimados pelos incêndios, que não respeitam vestígios arqueológicos, antas, mamoas e outros monumentos. 
Este é o momento de agir preventivamente para amanhar não chorarmos o "leite derramado", tanto mais que este ano se comemora o Ano Europeu do Património Cultural!

ADEP

sábado, 10 de março de 2018

Nova Anta / Mamoa descoberta pela ADEP (A nossa homenagem a Domingos Quintas Moreira !)


Esta foto tem horas. Foi obtida já de noite depois de uma tarde de árduo trabalho a fugir da chuva, subindo encostas, descendo aos vales, localizando e revendo monumentos que tínhamos de memória visual, em Real, no Paraíso, em Sardoura.
Face ao massacre que tem sido a reflorestação para o nosso património arqueológico-megalítico, desastre que promete continuar, é  urgente alertar e responsabilizar as autoridades, demonstrar que há valores no terreno ainda a necessitar de cuidados e que não podem continuar a ser abalrroados pelas pás das escavadoras, sob pena de estarmos a cometer um criminoso suicídio cultural, sem qualquer hipótese de reversão, que a todos prejudica.
Fomos estes dias, e hoje também, procurar no terreno as mamoas que tínhamos registado em mapas de inventário da nossa Carta Arqueológica, mas em alguns casos não encontramos mais que ténues sinais da sua existência, porque foram destruídas pelos acessos e plantações de eucaliptos...
E se a angustia  nos acompanha nestes reconhecimentos eis que hoje a sorte nos premeia e entusiasma com o que resta de uma grande anta/mamoa - embora destruída - que é inédita, e apresenta dois enormes esteios de granito. Fica algures na Cruz, entre Touriz e Cruz da Carreira, e talvez tenha passado despercebida ao longo dos tempos por causa dos matos e vegetação.
De todas as mamoas conhecidas e quando são visíveis esteios ou parte deles, em nenhuma outra há tamanha monumentalidade, nem em Carvalho Mau!


Este vai ficar como o nosso tributo de homenagem a Domingos Quintas Moreira, recentemente falecido, e que com grande entusiasmo e saber nos lançou nestas lides. Reeditamos um texto seu, já de 1985, publicado no Miradouro, que faz jus à sua maneira de estar, a participar,  a conhecer e a divulgar!



p.s. para uma informação mais completa sobre este tema ler: "Carta Arqueológica do concelho de Castelo de Paiva".


















Vitor Gomes e Martinho Rocha

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

LAMENTAMOS O QUE SE ESTÁ A PASSAR COM A FALTA DE PROTECÇÃO AOS NOSSOS MONUMENTOS.








LAMENTAMOS O QUE SE ESTÁ A PASSAR COM A FALTA DE PROTECÇÃO AOS NOSSOS MONUMENTOS. HÁ OBRAS E TRABALHOS DE FLORESTAÇÃO QUE NÃO RESPEITAM, MAMOAS E OUTROS MONUMENTOS!

O assunto - no que respeita às Mamoas de Carvalho Mau, Paraíso- já chegou ao Parlamento (mas também à imprensa, à Câmara Municipal, à DGPC - Direcção Geral do Património Cultural, e até à GNR) e agora aguardamos que especialmente as entidades com responsabilidades na administração central e local tomem medidas, venham ao terreno e nomeiem vigilantes e/ou curadores, face aos atropelos, informem e notifiquem os prevaricadores dos seus direitos e deveres e acautelem actos desrespeitosos como os que vimos assistindo, sob pena de se perder irremediavelmente património histórico-arqueológico, megalítico dos nossos antepassados, de há 3000 a 3500 anos antes de Cristo. Sendo que além deste valores outros há de outras Eras a correr igualmente perígo.
O concelho não é tão rico assim que possa deixar perder este importante vector cultural indispensável a uma estratégica de desenvolvimento sustentável e que hoje é um aliado importante do turismo cultural.
É impensável que num concelho onde se cometeram ao longo dos anos tantos atentados ao património histórico e arqueológico,  que tão divulgados foram, alguns deles onde houve intervenção dos Tribunais; terra que não mereceu ainda da administração local aprovisionamento de meios para uma reserva museológica, se  desconheça, se desleixe, se deixe andar ao sabor dos interesses imediatos e individuais quando o património é um bem cultural que a todos pertence e é assim que terá de ser  gerido e administrado.

Lamentamos!


























escreveu, Martinho Rocha

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Mamoa de Carvalho Mau - o vandalismo continua!

A  denuncia efectuada pela ADEP a propósito das diversas acções de vandalismo na Mamoa de Carvalho Mau levaram já o assunto ao Parlamento pela mão do Grupo Parlamentar " Os Verdes" que questiona o Governo/ Ministro da Cultura sobre o conhecimento que tem do assunto e as medidas que pensa tomar. Igual iniciativa teve o mesmo resultado sobre a combustão nas escombreiras da antiga mina de carvão do Pejão, Castelo de Paiva.



Como já tivemos oportunidade de denunciar a mamoa de Carvalho Mau continua a ser vandalizada. Depois do painel informativo lá colocado há meia dúzia de anos pela ADEP ter sido irremediavelmente danificado e arrancado,agora é a zona de protecção lá colocada, também pela ADEP com o consentimento do proprietário, que está a ser abalroada, não sabemos se a fazer perigar a integridade do próprio monumento megalítico, que é cronologicamente do mais antigo que o concelho e região pode orgulhosamente exibir aos seus cidadãos e visitantes - do terceiro milénio antes de Cristo! Alertam-se as autoridades para uma visita ao local e a implementação de medidas. Recorda-se que este monumento é de extrema valia ao nível cientifico pois foi objecto de escavação pelo arqueólogo e professor Eduardo Jorge Lopes da Silva nos anos 90, tendo esses trabalhos ficado suspensos por virtude de pender acção judicial decorrente de trabalhos da autarquia que não teriam sido consentidos.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Começa a contagem: 1.º dia ! Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

 ADEP. Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, 18 de Abril 2017









CASA TORRE DE VEGIDE

Hoje ainda podemos dizer: Um dia a Casa vai abaixo!...   E amanhã?
Não queremos que isso aconteça.
Para ir lembrando a quem de direito que o património existente (a par de outro,  únicos  no país do ponto de vista do seu historial), está carente de conservação e reconstituição, vamos lançar esta iniciativa: uma espécie de contagem  dos dias que restam para o seu desmoronamento completo.
O dia de hoje será o primeiro das nossas vidas desta iniciativa. 


Há ideias e vontades para que se inverta este percurso do deixa andar e de que tudo se resolverá com o tempo!
Não! Não queremos ir por aí. Temos obrigação de agir rapidamente. A CASA TORRE DE VEGIDE é já um património histórico medieval, tal como as Vilas, ali ao lado, de Gondim e de Sobrado, cujos registos escritos e muito do edificado, remontam aos anos entre 1000 e 1100, mas está vulnerável. Também a capela de Vegide, dentro da mesma propriedade, com traços de origem mourisca – (Qubba Islâmica?) faz parte desse património histórico, bem como as sepulturas na rocha, a que atribuíram o nome de Pias dos Mouros, estas, um pouco mais afastadas no monte de Corvite.
A Casa Torre de Vegide foi berço de ascendentes da mãe de Santo António. Está num estado avançado de ruína e um dia – se nada fizermos – vem abaixo!
Amanhã não poderão outros dizer que ninguém chamou à atenção para este” estado de coisas”. Há muita coisa que se pode fazer como preservação. Reúnam-se as pessoas responsáveis pela administração dos usufrutos e dos bens de raíz, façam acordos, parcerias com quem pode vir a contribuir com iniciativas na implementação de actividades que possam produzir rendimentos aplicáveis na conservação urgente dos espaços e edifícios. O telhado está prestes a desabar. Não deixem caír o alpendre. Reconstruam a torre. Valorizem os lagares. Façam do prédio um museu das artes do campo e afins. Por favor…

Um dia – se nada fizermos – a casa vem abaixo!  Começa a contagem: 1.º dia !

O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (DIMS), foi criado pelo Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMS) a 18 de Abril de 1982, e aprovado pela UNESCO no ano seguinte, com o objectivo de sensibilizar os cidadãos para a diversidade e vulnerabilidade do património, bem como para a necessidade da sua protecção e valorização.




























Texto e fotos de Martinho Rocha e Mário Gonçalves Pereira

Diz - se na base de dados da DGPC. ” Segundo a tradição, a Casa de Vegide terá pertencido a D. Trocozendo Guedes, senhor de Paiva e bisavô materno de Santo António de Lisboa. A quinta foi aumentada ao longo das centúrias, passando por descendência para a família Pinto de Vegide. 
A capela terá sido edificada no início século XVII, apresentando um modelo de gosto maneirista, muito utilizado na edificação de oratórios em quintas a partir de meados do século XVI, que neste caso possui um carácter rural, pouco erudito. 
É um tempietto de planta rectangular coberto por uma cúpula de tijolo, sem qualquer elemento decorativo exterior. O portal principal apresenta uma moldura rectangular com empena encimada por três pináculos. Sobre a fachada, no eixo do portal, foi colocada um nicho, que originalmente devia albergar a imagem do orago da capela, actualmente desconhecido.
No interior, um espaço único coberto por cúpula, destacam-se os azulejos seiscentistas e o que resta da estrutura do retábulo, de talha barroca setecentista.
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/ 9 de Maio de 2005”, 

domingo, 5 de março de 2017

“O Cromeleque da Cerca” (S. Martinho, Castelo de Paiva) sobranceiro ao Sardoura a meio caminho do Douro ?



Não é assunto que possa dispensar uma análise atenta de Arqueólogo da área do megalítico, mas não deixa de nos fazer interrogar se estamos perante um imponente Cromeleque construído numa zona onde abunda o granito e beneficia de uma exposição a poente, com uma vista panorâmica de grande alcance sobre o vale agrícola do rio Sardoura e com  condições favoráveis – ainda hoje – para a prática agrícola/pastoril. A grandeza dos monólitos e a sua disposição é no mínimo muito surpreendente. Este tipo de monumentos geralmente associado a vestígios de práticas ancestrais da pré-história tem também confirmada essa evidência considerando o aparecimento – há anos - nas proximidades de machados de pedra e de bronze. Não podemos esquecer até que nas imediações das pias dos Mouros (monumento classificado sobre o qual já temos falado e pode ver-se no tema Monumentos e Arqueologia) existiam ainda há poucos anos (não sabemos se ainda existem e estarão subterradas) umas outras pias e pedras afeiçoadas mais rudimentares  e que o povo associa a práticas e rituais  pagãos.

Notas: 
1 - Das enciclopédias sabemos que o megalitísmo é um fenómeno cultural que é representado, materialmente, pela utilização de grandes pedras, em granito ou xisto, quase sempre em bruto ou sumariamente afeiçoadas, com as quais se construíram, em recuadas épocas pré-históricas, determinado tipo de monumentos, tais como menires, cromeleques, alinhamentos, cistas e antas (ou dólmenes).
2 - Portugal é um dos países europeus mais ricos em património megalítico: dólmenes ou antas, cromeleques, menires alinhamentos, de diversas formas e dimensões, estão espalhados na nossa paisagem de norte a sul. 
3 - Em Paiva estão identificadas mais de quatro dezenas de mamoas (trabalho de localização e reconhecimento em que a ADEP se empenhou nos anos 80 com jovens autores da Carta Arqueológica), sendo certo que nas suas imediações e em lugares como Serradêlo, Sabariz, Touriz, Vale e Sequeirô, entre outros, não será difícil descobrir portais e vergas que terão vindo destas construções pré-históricas!
4 - Antas, mamoas e cromeleques são estruturas monumentais que representam aspectos da vida do Neolítico (sistemas de calendário, templos de adoração, locais funerários, etc.) e muitas sofreram transformações quando adaptados ao culto cristão e mesmo para outros usos do quotidiano profano.

5 – Para a UNESCO são designados sítios as obras do homem ou obras conjugadas do homem e da natureza, bem como áreas, que incluem os sítios arqueológicos, de valor universal excepcional do ponto de vista histórico, estético, etnológico ou antropológico as formações geológicas e fisiográficas e as zonas estritamente delimitadas que constituam habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas, de valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico (UNESCO. Convenção para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural, 1972).









escreveu Martinho Rocha

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

"... fazemos a vós Rei Garcia (...) escritura de todas as nossas propriedades na terra de Paiva, a vila Gondim e a vila de Sobrado, no Douro, acima do Arda, em Paiva."


Vila Gondim e Vila Sobrado, “Honras” medievais já no século XI
Quintãs onde se instalaram Bulhões, ascendentes de Santo António, provenientes de França, através da Galiza, convidados pelo Conde D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, 1.º rei de Portugal

Nos nominibus Garsea Monniniz et conjuge mea lelvira…facimus a vobis Garsea rex textus scripture et kartula benefactis de omnes nostras hereditates quicquid sumus habere de aviorum parentorum atque…It sunt…in terra de Pavia villa Gondin et villa Soperato…in Durio et de Alarda in Pavia”.
(“Diplomata et Chartae”, documento 451 de 1066)
“Nós de nome Garcia Moniz e minha esposa Elvira fazemos a vós Rei Garcia (filho de Fernando Magno rei de Leão que conquistou lamego, Viseu e Coimbra aos Mouros)[1] escritura e carta de benefícios de todas as nossas propriedades que temos de avós e de parentes, as quais jazem na terra de Paiva, a vila Gondim e a vila de Sobrado, no Douro, acima do Arda, em Paiva.
Quatro anos depois, o Rei Garcia, da Galiza, doa estas mesmas propriedades, (e outras mais, onde inclui as da freguesia de Real, também na terra de Paiva) a D. Afonso Ramires (Adefonso Ramiriz), como recompensa por serviços prestados:
Ego Garsia gratia Dei rex filii Fredenandi imperatoris et Sanctia Regina tibi fidele meo Adefonso Ramiriz...placuit mihi ut facerem a tibi Adefonso Ramiriz textum scripture et kartula firmitatis…de illa parte Dorio villa Gundin, villa Soperato, villa Gelmiriz[2]...villa Rial…
(“Diplomata et Chartae”, documento 491 de 1070.
Segundo a dinastia de Asturias – Leon, sabe-se que, anteriormente a estas datas, o reino medieval de Leão teve a sua origem na transferência da capital do reino das Astúrias de Oviedo para a cidade de Leão, nos tempos de Afonso III das Astúrias. Mais tarde Afonso III dividiu o seu reino pelos três filhos: Fruela II governou nas Astúrias, Ordonho II na Galiza, e Garcia I em Leão, em 910.
Entidade hegemónica, por alguns períodos de tempo o reino de Leão dividiu-se noutros vários reinos (Castela, Galiza, Portugal), para depois se voltar a unificar (excepto Portugal), que não mais voltou à sua jurisdição.
Com Afonso III de Leão, em 868, as terras abaixo do rio Minho ter-se-ão designado por “Portucale”, designação que terá permanecido até 1096, quando passou a designar-se por Condado Portucalense.
Os reis de Leão, desde Afonso III, em 866, foram-se sucedendo no tempo e em 1037 Fernando I de Castela passa a governar, também, com D. Sancha I, com quem casara, o reino de Leão. Após a morte deste D. Fernando, o reino foi repartido pelos seus três filhos: a Galiza para Garcia; Castela para Sancho (II) e Leão para Afonso (VI).
Garcia terá governado a Galiza por pouco tempo: entre 1065 – 1071/72, porque envolvido em guerras, delas saiu a perder e teria sido encarcerado até ao fim da vida. Seu irmão, Afonso VI de Leão, assumiu, então, o reinado da Galiza a partir de 1071, bem como o de Castela, em 1072, tornando-se Imperador de Castela e Leão a partir de 1073, até 1109.
Foi a este Rei Garcia, da Galiza, a quem foram entregues as “villas” da terra de Paiva.
Com a queda do Rei Garcia, da Galiza, o irmão Afonso VI, que governou entre 1065 e 1109, as terras entregues ao Rei Garcia, voltaram à posse de familiares dos anteriores proprietários, mas terão sido compartilhadas com outros cavaleiros-fidalgos oriundos da Galiza, mas originários da Borgonha e da Lorena, de famílias nobres francesas aí reinantes, cavaleiros que vieram de França em auxílio dos reinos de Leão e da Galiza, a pedido destes e com as quais passaram a estabelecer laços de amizade (Leão e Borgonha) acabando por se consolidar tais laços através de casamentos entre as famílias dos dois reinos.
Assim, D. Urraca I, de Leão, Casara com Raimundo da Borgonha[3], em primeiras núpcias[4]. Filha única do enlace entre D. Afonso VI de Leão e de Constança da Borgonha, sua terceira esposa. Urraca sucede a seu pai Afonso VI, tendo reinado, entre 1109 e 1126. O seu casamento com Raimundo fortalece o relacionamento entre as famílias reinantes de Leão e Galiza com a família da Borgonha e traz como consequência a deslocação de muitas pessoas entre esses condados, sendo de maior afluência a que se verificara entre a Borgonha e a Galiza, mas também entre a Lorena e a Galiza, uma vez que Raimundo da Borgonha, filho de Guilherme I, conde da Borgonha e de Estefânia Borgonha, e sendo esta filha de Adalberto da Lorena e de Clemência de Foix, certamente Adalberto da Lorena não deixaria de ter influência nessa migração de nobres cavaleiros.
E este casamento, bem como o de outra sua filha, terão resultado de favores de Afonso VI para com o reinado da Borgonha, a quem pedira auxílio para combater os seus opositores ou inimigos, já que D. Afonso VI, terá pedido auxílio, em 1087, aos cristãos do outro lado dos Pirinéus, chamada a que corresponderam muitos nobres da Borgonha, entre eles D. Raimundo e D. Henrique.
Afonso VI de Leão casara, então, a sua outra filha, Teresa de Leão, meia-irmã de D. Urraca (que não era filha de Constança, mas de outra mulher) com Henrique de Borgonha, que viria a ser o Conde D. Henrique de Portucale e depois do Condado Portucalense, cunhado de Raimundo da Borgonha e irmão de Hugo I e de Odo I, duques, filhos de Roberto I da Borgonha.
D. Henrique parece ter sido seduzido pelo movimento das cruzadas do se tempo, chegando mesmo a incorporar-se numa delas.
Neste movimento das cruzadas e na migração de cavaleiros entre a Borgonha e a Galiza, estaria envolvido, com grande eficácia, D. Hugo abade de Cluny, tio-avô de D.Henrique, sendo que este, D. Henrique, foi o líder de um grupo de cavaleiros, monges, clérigos e políticos, de origem francesa que exerceram uma grande influência na península Ibérica, em especial nas Astúrias-Leon e por extensão Portucale, onde impulsionaram muitas reformas e os costumes cluniacenses e rito romano.
É lícito aceitar que nesse grupo estariam incluídos alguns descendentes dos “Bouillon” franceses, provindos da Lorena, em que uns se fixaram em Oviedo, nas Astúrias, onde ainda hoje se encontram os “Bullón” de Oviedo, e outros na terra de Paiva, e também por Viseu, terras que, ao tempo, estariam sob a jurisdição dos senhores da Galiza, fixando-se nas Quintâs de Gondin e Sobrado, onde surgiram os “Bulhões”, que se encontram descritos na árvore Genealógica de Santa Cruz das Serradas, ascendentes de Santo António, no Cartório da Casa da Boavista, em Castelo de Paiva.
Assim se compreende a ligação do ou dos Bulhões de Santa Cruz das Serradas, de Gondim, em terra de Paiva, com os “Bouillon” de França, da Borgonha e da Lorena, via Adalberto da Lorena, descendentes de Godofredo de Bouillon da Baixa Lorena e também com os “Bullón” que ficaram por Oviedo.
Segundo o Cartório da Casa da Boavista e pela Árvore genealógica dos Bulhões de Santa Cruz das Serradas, esse “Bulhões” teriam ocupado uma parte da Quintã de Gondim, (Santa Cruz das Serradas, com entrada pelo Portal que ostenta no Brasão o escudete dos Bulhões), onde já viveria D. Pedro Trocozendo de Paiva que, segundo nota inscrita na árvore genealógica, foi contemporâneo do rei Afonso VI de Leão, pelo que entre eles, certamente, teria havido troca de mensagens, face aos factos antecedentes com as cedências e transferências de propriedades, ao tempo do rei Garcia da Galiza.
Por outro lado, sabe-se, também, que Raimundo da Borgonha, cunhado de D. Henrique, casado com D. Urraca, esteve ligado externamente ao condado de Portucale, entre 1093 e 1096, tendo-lhe sucedido Nuno Mendes e, posteriormente D. Henrique, que o veio a transformar, oficialmente, no condado Portucalense, continuado por sua mulher a condessa Teresa de Leão, enquanto seu filho Afonso Henriques foi menor. Em lutas travadas com a mãe, Leonesa de sangue, tendo ela perdido a batalha, viu-se obrigada a aceitar, em 1139, que seu filho, D. Afonso Henriques proclamasse definitivamente a independência e começasse a governar como 1.º rei de Portugal.

Numa pedra de granito de um portal de “habitação medieval”, actualmente (2016) apenas com paredes, na propriedade de Santa Cruz das Serradas, em Gondim, aparece gravada a data 1146, data esta que surge já D. Afonso Henriques levava sete anos de reinado. Pode dizer-se, com alguma certeza, que as Quintãs de Gondim e de Sobrado também estiveram envolvidas, de alguma forma, na origem da formação do Condado Portucalense e por conseguinte na fundação de Portugal, uma vez que D. Urraca Mendes de Bragança, bisavó de Santo António, foi cunhada de Sancha Henriques, irmã de D. Afonso Henriques.
E é assim que dos “Bouillon” chegados a Santa Cruz das Serradas, surge naquela árvore genealógica, o nome de Vicente Martins de Bulhões pai de Martim de Bulhões e avô de Fernando de Bulhões (Santo António) e de seus irmãos.
Martim de Bulhões casou com D. Teresa Taveira, que ao tempo estaria na Quintã de Vegide, (Casa Torre de Vegide) pertencente aos mesmos proprietários das Quintãs de Gondim e de Sobrado (Casa da Boavista).
A árvore genealógica de Santa Cruz das Serradas, existente na Casa da Boavista, Sobrado, Castelo de Paiva, leva-nos, Teresa Taveira, (mãe de Santo António) pela via dos seus ascendentes, até ao fundador do Mosteiro de Paço de Sousa, em 960, em Penafiel: D. Trocozendo Guedes, penta-avô de Santo António.



Capela de S. Luís (IX) Rei de França – Quintã ou Solar de Gondim – foto dos anos 30 do Séc. XX



ADEP, Castelo de Paiva, 16 de Dezembro de 2016
Mário Gonçalves Pereira




[1] - Rei Garcia era filho de Fernando I de Leão e de Castela e D. Sancha I de Leão e tinha mais dois irmãos: Sancho II de Castela e Afonso VI de Leão.
[2] -Gelmiriz ou Gelmir, (nome apenas comparável com o nome espanhol Gelmirez) teria que situar-se muito próxima de “Soperato” e de “Rial” e seria uma villa importante, naquela época. O nome que lhe atribuíram não nos conduz a nenhuma localidade das actualmente existentes, mas pode deduzir-se que seria uma villa administrada, apostólicamente pela diocese de Santiago de Compostela, que recebera doações de muitas terras de Portucale e que teve à sua frente, como gestor, por duas vezes, D. Diego(Diogo) Gelmirez, amigo ou familiar de Afonso VI, com influências do abade de Cluny. Essa villa Gelmiriz estaria certamente no caminho de Santiago, pelo que em terra de Paiva só poderia ser Nojões, uma vez que o Caminho entre Coimbra e Santiago passava por Avô, S. Miguel do Outeiro, Nojões, Sobrado de Paiva, Vila Boa de Quires e Braga (Braga que chegou a ter, em tempos medievais, tanta ou mais importância que Compostela).
[3] - D. Raimundo nascido em Besançon, 1070, neste casamento recebeu em apanágio, como feudo, segundo as práticas peninsulares, o condado da Galiza.
[4] - Depois de enviuvar voltou a casar, agora, com D. Afonso I de Aragão.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A Capela de Vegide será uma Qubba (islâmica) ?

É interessante o estudo de Luís Lobato de Faria que vem confirmar a tese de Pinho Leal e atestar uma vez mais a antiguidade e história deste monumento e dos que lhe estão associados (Casa da Torre de Vegide e Pias dos Mouros).
Diz - se na base de dados da DGPC. Segundo a tradição, a Casa de Vegide terá pertencido a D. Trutezendo Guedes, senhor de Paiva e bisavô materno de Santo António de Lisboa. A quinta foi aumentada ao longo das centúrias, passando por descendência para a família Pinto de Vegide. 
A capela terá sido edificada no início século XVII, apresentando um modelo de gosto maneirista, muito utilizado na edificação de oratórios em quintas a partir de meados do século XVI, que neste caso possui um carácter rural, pouco erudito. 
É um tempietto de planta rectangular coberto por uma cúpula de tijolo, sem qualquer elemento decorativo exterior. O portal principal apresenta uma moldura rectangular com empena encimada por três pináculos. Sobre a fachada, no eixo do portal, foi colocada um nicho, que originalmente devia albergar a imagem do orago da capela, actualmente desconhecido.
No interior, um espaço único coberto por cúpula, destacam-se os azulejos seiscentistas e o que resta da estrutura do retábulo, de talha barroca setecentista.
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/ 9 de Maio de 2005”, 

Não se diz  no entanto o que pensava e escreveu na sua obra Pinho Leal. Este autor do sec. XIX refere que em  em Vegide, há uma ermida que foi templo romano e depois mesquita mourisca. Também as Pias dos Mouros - outro monumento classificado, (de que já temos falado) - para este autor, constitui evidente vestígio de um almocabar (cemitério) dos muçulmanos.

Tese recente vem reforçar este entendimento ao apresentar um levantamento de edificações - na maior parte a sul - que em tudo se assemelham ao nosso monumento "Capela da Quinta de Vegide"


Para quem quiser saber mais sobre Qubbas










Monumento Classificado
Classificado como IM - Interesse Municipal. A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112 da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001 
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977  na aplicação/base de dados dos monumentos classificados da DGPC diz-se que















escreveu Martinho Rocha

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Câmara Municipal quer requalificar a Casa da Boavista e legado do Conde de Castelo de Paiva

Câmara Municipal quer requalificar a Casa da Boavista e legado do Conde de Castelo de Paiva
O Director Regional da Cultura do Norte, António Ponte, esteve ontem em Castelo de Paiva, tendo protagonizado uma visita de trabalho à Casa da Boavista, a fim de conhecer “ in loco “ este património cultural de grande interesse para o município paivense, que deseja ver concretizada a breve prazo, a requalificação, valorização e promoção deste importante património classificado
É com satisfação que damos nota  desta  noticia, que tomamos a liberdade de transcrever, e tem a referência "informação oficial".
Não é portanto "notícia" do 1.º de Abril, e temos toda a satisfação em poder replicá-la. No 1.º de Abril estavamos longe de saber destes progressos - o que é absolutamente gratificante assistir a este propósito - passados tantos anos em que nada se fez!



qui 28 abr, Informação Oficial


Recebidos pelo usufrutuário Viriato Soares de Almeida, o presidente da edilidade Gonçalo Rocha e o Vereador da Cultura, José Manuel Carvalho, acompanharam o responsável da Cultura na Região Norte, neste contacto directo com o património edificado da Casa da Boavista, outrora residência do Conde de Castelo de Paiva, e ficaram a conhecer o avançado estado de degradação em que se encontra este imóvel classificado, em virtude de não se registar qualquer obra de conservação há vários anos, podendo avaliar também, a importância de preservar de forma adequada, muito do valioso espólio que este solar do século XVII ainda acolhe, tudo isto integrado num espaço privilegiado no centro da urbe, com mais de 10 hectares de área.
Para o autarca de Castelo de Paiva é urgente encontrar – se uma solução entre as partes, envolvendo o actual usufrutuário e a raíz, que pertence ao Município, na perspectiva de salvaguardar este importante património cultural, classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto lei Nº 129/77 de 29 de Setembro, sugerindo num modelo de gestão sustentado, que possa potenciar uma mais valia para o concelho, para a cultura e para o turismo local.
Recorde-se que esta era a residência do Conde de Castelo de Paiva, integrada numa quinta com amplos e frondosos jardins, cavalariças, garagens e área de arrumações. A casa central apresenta alçados com cunhais boleados seiscentistas, e no segundo piso, tetos de madeira atribuídos aos séculos XVII e XVIII, ficando o conjunto completo com uma capela, consagrada a Santo António, no interior da qual se pode admirar um altar de talha, já bastante degradado, tal como muitas outras peças de arte sacra que ali estão depositadas.
A intervenção e o enquadramento para o financiamento para esta requalificação do imóvel e espaços envolventes, estão a ser trabalhados pela Câmara Municipal de Castelo de Paiva, através do "PO Norte 2020 “ – Património Cultural e o edil paivense Gonçalo Rocha, refere que só recorrendo a Fundos Comunitários será possível criar condições de resolver este assunto, até porque, mais do que nunca, o usufruto da Quinta da Boavista também tem que ser tratado, sendo que, salienta o autarca, “ todos sabem quantos anos tem este processo, conhecem a sua complexidade, mas é possível avançar neste projecto de requalificação e valorização, continuando o trabalho que se está a fazer, agora que há possibilidades neste novo quadro comunitário, que devem ser aproveitadas “, evidenciando depois a colaboração e disponibilidade da Direcção da Cultura do Norte, para ajudar neste propósito.
Os sectores cultural e criativo, numa lógica de crescimento inteligente, inclusivo e sustentável, constituem vectores importantes da estratégia Europa 2020, os quais por sua vez se desdobram em acções como reconhecimento, requalificação, valorização, mediação e promoção do património cultural material e imaterial, dinamização de Redes e Rotas, museologia e indústrias criativas.
Assim sendo, e atendendo a que o Acordo de Parceria e os Programas Operacionais do Portugal 2020 condicionam os sectores indicados a um mapeamento das necessidades de intervenção e das infra-estruturas passíveis de enquadramento nos Pactos para o desenvolvimento e coesão, identificam-se agora as prioridades que o Município de Castelo de Paiva quer desenvolver no âmbito deste projecto:

Requalificação, valorização e promoção do património classificado :
1- Recuperação e valorização do edificado da Quinta da Boavista enquanto monumento classificado, potenciando a criação da Casa-Museu:
a) Inventariação e restauro/conservação de todo o espólio/acervo existente (custo estimado 100.000 €);
b) Elaboração do Programa Museológico a apresentar na Rede Portuguesa de Museus (custo estimado 50.000 €);
c) Recuperação/conservação do Solar da Boavista e Capela anexa (interior e exterior) (custo estimado 400.000 €)
d) Recuperação/conservação da Fonte da Quinta de Boavista, do séc. XIII (custo estimado 75.000 €)
e) Recuperação das áreas envolventes, nomeadamente os jardins de bucho, para fruição pública (custo estimado 50.000 €)

2- Recuperação e valorização das infra-estruturas associadas à Casa da Boavista, com sinalética e circuito de visita:
a) recuperação da Adega, à saída da Quinta da Boavista e valorização da área envolvente – desmatação, limpeza, alvenarias, etc. (custo estimado 100.000 €);
b) recuperação do Solar de Gondim e valorização da área envolvente - desmatação, limpeza, alvenarias, etc. (custo estimado 100.000 €)
c) recuperação da Casa da Torre e valorização da área envolvente - desmatação, limpeza, alvenarias, etc. (custo estimado 100.000 €)
d) recuperação do Portal da Serrada e valorização da área envolvente - desmatação, limpeza, alvenarias, etc. (custo estimado 100.000 €)
e) recuperação da Capela de Vegide e valorização da área envolvente - desmatação, limpeza, alvenarias, etc. (custo estimado 100.000 €)"

sábado, 23 de abril de 2016

Casa e Quinta da Boavista, na rota do Director Regional da Cultura!




Ao tomarmos conhecimento pelas redes sociais que está agendada uma visita à casa da Boavista por parte do Director Regional da Cultura, não poderemos deixar de nos associarmos à iniciativa para, quanto mais não seja, lembrar alguns assuntos e desejar que seja uma jornada de trabalho proveitosa.
Esperamos sinceramente que esta visita seja também uma oportunidade para ajudar os autarcas paivenses a encontrar um caminho para encarar o legado do Conde de Castelo de Paiva e a despertar para a realidade e necessidade de cumprir com a vontade de D. José - sob pena do Município (e nós cidadãos) o perdermos. 
Bom seria que esta visita fosse proveitosa em termos de assumpção de responsabilidade e calendarização de intervenção para a recuperação de património construído e até arqueológico. 
Há que ter em conta também o património que está associado à memória de Santo António, Gondim, Serrada e Vegide (estudo e intervenção na ruína da Torre medieval), Pias dos Mouros (e vestígios nas imediações); mas outros valores há a que não tem sido prestada devida atenção: a Frutuária, a Ponte centenária(rodo -ferroviária), o Cavalete do Fojo, os vários conjuntos megalíticos (mamoas) como Carvalho Mau, e não estão aqui todos...
Lembramos ao Director Regional que Castelo de Paiva tem imenso património a degradar-se e em "fase terminal" que não se cinge à Boavista e que não se pode continuar a jogar para canto como se fez com a Ponte centenária (rodo ferroviária de Pedorido); Em 2014 a ADEP pediu a classificação - como monumento de Interesse público - à DRCN, esta não classificou, empurrou para a Câmara, esta também não o fez e o que é pior é que ninguêm assume a sua recuperação. 
Votos de bom trabalho, é o que desejamos a bem do património!

sábado, 12 de março de 2016

III . actividade desenvolvida e propostas apresentadas

Em defesa do património construído e de memória...



Estivemos lá...

"a)      Património edificado e de memória a Santo António. Este ano tendo coincidido com um sábado o dia de Santo António organizamos uma caminhada,  com saída do Parque das Tílias, pelos locais onde há património edificado e de memória  das famílias do Conde e de Santo António. Uma oportunidade para constatar e dar a conhecer o estado de degradação, vandalismo e até de saque em que se encontra  o património construído. Não tivemos acesso à Casa  e Quinta da Boavista. A iniciativa contou também com a participação do Grupo de Escuteiros 1258 de Fornos. O evento terminou no Parque das Tílias com um convívio/sardinhada tendo-se seguido a habitual apanha de flor de tília, evento também aberto à população;"
(transcrito do relatório das actividades em 2015 a ser discutido e votado na próxima assembleia)


E  temos  tido propostas para melhorar...


                                                        Pias dos Mouros, Vegide


"c) – PIAS DOS MOUROS – continuamos a insistir na necessidade de reclassificar alguns sítios. Insistir na sinalização, estudo protecção e divulgação de outros. Mantemos disponibilidade para colaborar  com União de Freguesias de Sobrado e Bairros  e Câmara Municipal na construção de uma zona de protecção e de interpretação às Pias dos Mouros (à imagem do que se fizemos em Carvalho Mau em 2011 e no Marmoiral nos anos 90)."

(transcrito do Plano de actividades para 2016 a ser discutido e votado na próxima assembleia)