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quinta-feira, 23 de maio de 2024

Tempos de grandeza vs decadência !

Um foto dos nossos dias de um local, não muito comum, pela dimensão do espaço e do mobiliário. Comum sim na atividade de fazer vinho, e de imemorial data! Haveria meia dúzia de instalações do género, no concelho, coisa que hoje não se vislumbra; Os trabalhos subsequentes à vindima não dispensavam os mestres, capatazes e rendeiros e seus descendentes à azáfama e canseiras inerentes. Seguiam-se as tarefas de sobar, medir de bica aberta (se fosse branco), deixar ferver, mexer, medir...; algum seguia de imediato em carro de bois para o barco rabelo e/ou para a adega do patrão, transbordo que exigia perícia e alguma força; o mesmo se diga dos trabalhos prévios das limpezas e restauros das pipas e tonéis. O vinho aí produzido era genuíno, fazia-se apenas de uvas, de castas antigas de tinto, mourisco, verdelho, e outras vindimadas por todos num ato de alegre celebração, fossem velhas cepas em parreira ou subindo em enormes escadas aos esguios enforcados. Bebia-se muito - como se vivia - na aldeia, na cidade, em casa, nas tabernas, nas festas, no trabalho! Hoje não sabemos cuidar deste legado...

terça-feira, 2 de abril de 2019

Vinho de Paiva sem Adega Comunitária!

Vinho de Paiva sem Adega Comunitária!

Se leu e acreditou, desengane-se porque ontem foi 1.º de abril!
Lamentamos que tal não aconteça...quem sabe um dia!

"Vinho de Paiva volta a ter Adega Comunitária!

Os pequenos produtores de vinho vão ter ao seu dispor, a adega e lagares da Quinta da Boavista, junto ao Marmoiral, para vinificar as suas uvas e armazenar os seus vinhos. Num encontro tripartido, dos vários produtores, Município e  usufrutuários ter-se-á chegado a acordo sobre esta reutilização, com especial vocação para a fermentação vínica, nos seus grandes lagares de granito, admitindo-se até que possa vir, numa segunda linha, a ser também agregada ao projecto a adega da Casa da Torre de Vegide (esta a necessitar de maior reabilitação). Além da vinificação estão previstos programas didáticos de visitas e de provas em ocasiões festivas e a coordenar pelos utilizadores.
Um projeto que vai ao encontro do interesse de todos os intervenientes, considerando que se salva assim uma utilidade patrimonial que estava a degradar-se, dá uma oportunidade de concorrência ao único comprador cessionário da extinta Adega Cooperativa, e potencializa-se um ativo que remunera a sua utilização e fortalece a economia  e o saber adquirido de fazer vinho, já pelos nossos antepassados, como testemunha o Foral de Paiva.

E se o município tem vindo a apoiar a divulgação deste produto, com clara vantagem para os produtores com marca, é mais que justo que  se dê um sinal de apoio também aos pequenos produtores e à produção familiar.

Igualmente esperançosa se torna a perspectiva de que o avanço deste projecto crie outros consensos e dê finalmente novas oportunidades  para que se concretize a vontade e o Legado do Conde de Castelo de Paiva."



domingo, 22 de julho de 2018

Sardoura / Feiras do Vinho serão como as capelas, distintas apenas pelo santo de invocação…



Viva a freguesia de Sardoura que não aceita ficar para trás, puxa  dos seus galões e organiza estes dias a primeira feira do vinho. Pois se todas as freguesias passaram a organizar as suas feiras do vinho (e/ou atividades), porque não o havia de fazer Sardoura? Vinho, pois então, que a freguesia é grande, senão  mesmo, das maiores em produção.
Não deixa no entanto de causar alguma estranheza que tantas vontades e entidades se unam para organizar estes eventos de promoção de vinho, o que sob o ponto de vista do mercado, está certo porque o objetivo  é  vender, e nada se mova para dotar o concelho - a sub-região de Paiva – das infraestruturas que já teve  (a adega cooperativa) e necessitará  voltar a ter – pensamos - (que nos convençam do contrário…) de organização idêntica como forma de apoio aos pequenos produtores e explorações familiares, seja no que isso significa para a economia local e também de escala produtiva, seja  numa atitude de responsabilidade social,  por parte das empresas já bem colocadas ou até  autónomas.
A criação da sub-região do Paiva terá na sua génese (pensamos, mesmo para quem não perceba muito do tema, que do gosto já é mais fácil…), a boa aptidão do nosso território, em termos de solo, de clima; fatores que potenciam a conjugação de algumas castas que nos brindam com uvas que fazem os famosos tintos e brancos… a que podemos hoje sem falsa modéstia acrescentar o prestígio granjeado, o saber fazer e a memória e história desta cultura ancestral…
E estas são razões mais que suficientes para que o tema mereça uma reflexão séria e que  haja iniciativas concretas porque também das estatísticas nos dizem que as exportações dos vinhos verdes vem ano a pós ano a aumentar . Se houver mais produção e trabalharmos com profissionalismo há-de chegar-se ao mercado, criando mais trabalho e emprego, contribuindo para dar mais condições de vida e combate à desertificação a que vimos assistindo, e que permite  a devastação e o avanço de outras forças (como os incêndios, as infestantes…),  mortais à nossa paz e sossego de tantos e tantos ecossistemas perfeitos que foram recantos outrora cultivados, alguns também a vinha, pelos nossos antepassados.
Uma nota para louvar a iniciativa da Câmara de Oeiras (*)que de há anos a esta parte vem a trabalhar para relançar e desenvolver o cultivo, produção com envelhecimento (como é de regra no caso) e venda do famoso vinho da sua região (generoso de Carcavelos).

Adega do Palácio Marquês de Pombal

(*)
O vinho de Carcavelos faz parte da impressão digital de Oeiras. Na reconstrução do que se herdou e na criação de um novo modelo de território, não poderíamos na plena consciência do que fomos, esquecer e abandonar à sua má-sorte, o nosso vinho de Carcavelos.
Este vinho generoso remonta ao século XIV e atingiu o seu período áureo pelas mãos laboriosas e mente acutilante de Sebastião José de Carvalho e Melo – Marquês de Pombal e Conde de Oeiras. O vinho de Carcavelos correu mundo. Entrou nas mais variadas culturas. Chegou a dar parte da sua 'alma' ao vinho do Porto de forma a proporcionar-lhe um 'corpo' e um paladar superior. Deste período fértil e auspicioso, decaiu para níveis que sem a intervenção da autarquia era expectável que deixasse de existir.
Nele se pegou e se recuperou e hoje, a vinha continua a produzir, na encosta virada para o Tejo, na terra que sempre foi fértil, sacudida pelo vento que nos é típico, as castas. No branco, Galego Dourado, a Ratinho, a Arinto, as Rabo-de-Ovelha e a Seara-Nova; no tinto, a combinação perfeita entre as castas Castelão, Amostrinha e a Trincadeira. Castas que misturadas na medida exata, qual alquimia, dá origem ao nosso generoso.
​Seis prémios nacionais e internacionais foram atribuídos já em 2018 ao vinho de Carcavelos produzido pelo Município de Oeiras. 
Prémio Prestígio da Revista Paixão pelo Vinho ao Villa Oeiras Colheita 2004, Medalha Grande Ouro do ViniPortugal/Concurso Vinhos de Portugal ao Villa Oeiras Colheita 2004, Medalha de Prata do Concurso Mundial de Bruxelas ao Villa Oeiras Blend 15 Anos Superior, Medalha de Prata do Concurso Selezione del Sindaco ao Villa Oeiras Blend 15 Anos Superior, Medalha de Ouro do Concurso Selezione del Sindaco ao Villa Oeiras Colheita 2004 e Medalha de Ouro do Concurso Selezione del Sindaco ao Villa Oeiras Blend 7 Anos. 

Recorde-se que se celebram em 2018 os 110 anos da Região Demarcada do Vinho de Carcavelos
O vinho Villa Oeiras produzido pelo Município envelhece na Adega do Palácio Marquês de Pombal que está agora aberta ao público de terça-feira a sábado, entre as 10h. e as 18h.










Escreveu Martinho Rocha


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

FEIRA À MODA DO SÉC. XIX

A Feira do séc. XIX vai ter lugar em Outubro, dia 19 - Domingo. Também na tarde e noite do dia 18 prevemos desenvolver algumas iniciativas. Algumas das valências da ADEP, como já é habitual, vão estar abertas ainda que possa haver acessos condicionados - este ano com uma sala destinada às Minas do Pejão e aos Mineiros. O evento - na 11.ª edição - está a ser programado dentro dos parâmetros em que tem vindo a ser desenvolvido, procurando a organização sensibilizar todos para que em cada ano se melhore em áreas como o rigor da representação, a qualidade da animação, da gastronomia, dos produtos agrícolas e do artesanato, ciente de que aí reside o carisma que tanta gente atrai anualmente à Feira. O Parque das Tílias e os edifícios da antiga Frutuária vão assim ser o cenário de mais uma feira à moda do século dezanove, onde se espera muito público, animação e uma concorrida procura de produtos adequados à época desde logo, sem esquecer, os petiscos, a brôa de milho, o vinho verde e os pratos típicos da região.