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sábado, 26 de setembro de 2026

A Ara de Vila Verde e a sua riqueza histórico-cultural


O Valor da Descoberta

A Ara votiva de Vila Verde é um testemunho arqueológico de era anterior ao Cristianismo (período romano), de enorme valor científico e patrimonial. Trata-se de um monumento epigráfico dedicado aos Lares (especificamente designados no estudo como Laribus Ceceaicis), que eram divindades domésticas e locais a quem os cidadãos da época recorriam em âmbito privado para solicitar proteção.
O valor histórico deste monumento é reforçado pela sua curiosa e fustigante história de preservação: a pedra foi inadvertidamente reaproveitada na construção de uma parede de uma corte de animais junto ao rio Sardoura e perto da Capela do Espírito Santo, demonstrando como peças fundamentais do nosso passado sobrevivem ocultas no quotidiano rural.
Quem a Descobriu e Quem a Interpretou
  • A Descoberta: Foi identificada e resgatada em 2007 pela ADEP (Associação de Estudo e Defesa do Património Histórico-Cultural de Castelo de Paiva) no lugar do Terreiro em Vila Verde, na freguesia de São Martinho de Sardoura.
  • A Interpretação: A primeira leitura e o estudo epigráfico aprofundado foram realizados pelo Professor Doutor José d'Encarnação, um dos maiores especialistas e investigadores na área da Epigrafia em Portugal.
Importância para o Território
Este achado representa um contributo inestimável para a história de Castelo de Paiva. Ele comprova a ocupação e a vivência religiosa de época romana no vale do rio Sardoura, uma zona agrícola por excelência e local de passagem imemorial (onde ainda se vislumbram sulcos de rodados gravados no caminho granítico).
A publicação internacional do artigo científico na plataforma Academia.edu  https://www.academia.edu/124350073/Ara_Laribus_Ceceaicis_em_Castelo_de_Paiva_Conventus_Scallabitanus_projeta o concelho no mapa da comunidade científica internacional. O registo constante de consultas e a inclusão deste achado como referência em novos trabalhos de investigadores globais validam a riqueza histórico-cultural da região.
A Necessidade de Manutenção e Visibilidade
Por se tratar de um marco da identidade e da memória coletiva de Castelo de Paiva, torna-se imperativo assegurar que esta peça se mantenha musealizada, protegida e totalmente visível a residentes, turistas e investigadores. A salvaguarda do património material só cumpre plenamente a sua função social quando este deixa de estar oculto e passa a estar acessível ao público, gerando valor cultural, promovendo o turismo sustentável e permitindo a fruição da herança histórica por quem visita o território.

sábado, 17 de agosto de 2024

A Senhora da Silva e outras festas nos caminhos de Santiago!

A propósito da Festa da Senhora da Silva diz Serafim Oliveira (https://www.facebook.com/serafim.oliveira.3) que é uma festa com tradições na freguesia de Alpendorada Várzea e Torrão. Acontece no lugar de Vila Cete no dia 15 de Agosto de cada ano, mas não é muito vulgar nas regiões próximas, pelo que a curiosidade me levou a dar uma espreitadela na tentativa de descobrir algumas curiosidades que mostro aqui, para quem estiver interessado, no blog "Tancos Golas e Ladies". Capela a que já tivemos acesso em visita guiada por José Antunes, em outubro de 2019, a propósito da iniciativa " Na senda de Almansor a caminho de Santiago" procurando reconhecer caminhos e travessias alternativas do Douro, nos percursos do espiritual que de longa data se desenham por este território. https://tancosgolaseladies.blogs.sapo.pt/nossa-senhora-da-silva-4905?fbclid=IwY2xjawEt5A1leHRuA2FlbQIxMQABHXwsgeVp3896T_gNbFGB3YyhiQo36oRzErAY77t1iH148C0NeiIHhd3JkA_aem_mf3eCkngc9-hTnwVmregYw
Outra festa pouco vulgar na região é o Espírito Santo, que vem acontecendo em Viva Verde, S. Martinho de Sardoura, Castelo de Paiva e que nos coloca numa rota de ligação ao Douro. Em 2008 foi ali encontrada uma ara romana, dedidacada à dividade Lares o que nos leva a procurar respostas para muitas perguntas que se fazem sobre a grandeza da terra, crenças e tradições desde esses tempos remotos anteriores ao cristianismo. Sobre este tema voltaremos a falar.

sábado, 18 de maio de 2024

A Festa dos Tremoços / Espírito Santo de Vila Verde

Hoje e amanhã decorrem os festejos ao Espírito Santo de Vila Verde. Comemoração popular nos dois dias, no Largo criado para o efeito pelos zeladores e tendo o seu momento alto, na Capela (do Terreiro), com foguetes à chegada de procissão vinda, amanhã domingo, da missa na Igreja de São Martinho. Ao lugar, antiquíssimo, terra farta e bem trabalhada pelos caseiros, regada com as águas do Sardoura, hoje e amanhã vai-se a pé, pelos caminhos antigos que aí se dirijem, vindos e idos de Nojões, atravessando o Rio Sardoura, antigamente em carros de bois que carregavam e descarregavam bens e passageiros no Castelo, Boure, Gramão ou Linhares, e os entreguavam nos antigos rabelos. Há poucos anos foi descoberta, pela ADEP, no Terreiro, uma ara com inscrições romanas (altar de invocação a divindade anterior ao Cristianismo). A festa do Espírito Santo é única festa onde ainda se pratica a partilha de comida e vinho e se promove o convívio com os conterrãneos e visitantes, que desde remotos tempos é lembrada pela distribuição gratuita dos tremoços!
< Martinho Rocha

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

E se em Vila Verde também houver uma anta (ou o que resta dela)?



E se em Vila Verde também  houver uma anta (ou o que resta dela)?

E se até há poucos dias não tínhamos qualquer referência megalítica na freguesia de São Martinho poderá muito bem acontecer que afinal também ela tenha valores dessa era.
Em Vila Verde foi encontrada recentemente uma estrutura em granito (o que é uma novidade, porque todas as nossas mamoas são em xisto), que não oferece dúvidas ser construção humana,  e que merece uma intervenção de estudo.
Os incêndios que percorreram grande parte dos nossos montes deixaram a descoberto este e outros vestígios, que não eram conhecidos, que estão agora em perigo por serem desconhecidos dos proprietários e público em geral  face aos trabalhos de reflorestação.
Lembramos que temos vindo a encontrar outros monumentos por todo o concelho e que solicitamos a colaboração e apoio das entidades autárquicas (Câmara e Juntas de Freguesia) para que se conheçam e informem os proprietários e população.















Martinho Rocha

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Em Paiva os monumentos ainda (só) são uns trabalhos de arte de decoração nas rotundas!...



Ao 25 de Abril!

Mais ou menos apilarados vão ocupando as nossas rotundas uns pretensos monumentos  que sendo desejados apenas por alguns, são pagos por todos nós…
Representar a tarefa de medir vinho a cântaro, passá-lo por um funil ou balsa, é afinal, e apenas, um pequeno vislumbre de projecto bem largo e arrojado que ficamos hoje a conhecer. Nós que pensávamos que património (*)e monumento era tudo o que está do outro lado da estrada a degradar-se e que “grita” dia e noite por obras de recuperação…uma estrutura e local – pertença do Município - onde há lagares, pipas, tonéis e história, mas não…Quais mamoas de Carvalho Mau ou outras, Quinta Boavista, Minas do Pejão, Casas pedras e memórias dos Bulhões…
A coisa é outra, disseram-nos. É que não vai beber-se mais vinho, em adega, tasca, taberna, merenda de recreio, almoçarada de restaurante ou loja de centro comercial sem que o afamado Vinho de Paiva seja servido e acompanhado da mais que justa denominação e origem. Este ano não irá haver muito vinho, por causa da seca, mas as adegas estão cheias dele e bom, ao que dizem! E de hoje para o futuro acabou-se o tempo das uvas a serem compradas por produtores de vinho de Felgueiras, de Barcelos ou de Penafiel. Ponto de honra dos mentores do monumento é que passará a partir de agora a ser exclusivamente  vinificado, engarrafado e publicitado como vinho de Paiva. Fará parte da Casa de Payva, em substituição da extinta Cooperativa ? Eis assim bem justificada e compreendida a razão de  ser do pretenso monumento… está lançado e será implementado o mais que necessário e legitíssimo processo de controlo de qualidade e de origem, para o nosso Vinho!


Brindemos pois, um verde de Payva!



(*) ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA Lei n.o 107/2001 de 8 de Setembro Estabelece as bases da política e do regime de protecção e valorização do património cultural
Artigo 14.o Bens culturais
 1 — Consideram-se bens culturais os bens móveis e imóveis que, de harmonia com o disposto nos n.os 1, 3 e 5 do artigo 2.o , representem testemunho material com valor de civilização ou de cultura.
2 — Os princípios e disposições fundamentais da presente lei são extensíveis, na medida do que for compatível com os respectivos regimes jurídicos, aos bens naturais, ambientais, paisagísticos ou paleontológicos.
_________________________________________
Artigo 2.º
Conceito e âmbito do património cultural
1 - Para os efeitos da presente lei integram o património cultural todos os bens que, sendo testemunhos com valor de civilização ou de cultura portadores de interesse cultural relevante, devam ser objecto de especial protecção e valorização.
2 - A língua portuguesa, enquanto fundamento da soberania nacional, é um elemento essencial do património cultural português.
3 - O interesse cultural relevante, designadamente histórico, paleontológico, arqueológico, arquitectónico, linguístico, documental, artístico, etnográfico, científico, social, industrial ou técnico, dos bens que integram o património cultural reflectirá valores de memória, antiguidade, autenticidade, originalidade, raridade, singularidade ou exemplaridade.
4 - Integram, igualmente, o património cultural aqueles bens imateriais que constituam parcelas estruturantes da identidade e da memória colectiva portuguesas.
5 - Constituem, ainda, património cultural quaisquer outros bens que como tal sejam considerados por força de convenções internacionais que vinculem o Estado Português, pelo menos para os efeitos nelas previstos.







Paiva das Vinhas

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A Capela do Espírito Santo em Vila Verde (no Terreiro) encerra um segredo!


O Douro é também um factor aglutinador de vias. Uma via romano/medieval ligava a margem esquerda (atravessava o Douro junto à Ilha dos Amores (foz do Paiva) a Tongóbriga e Vila Boa de Quires e entroncando no eixo principal que se dirigia a Santiago de Compostela. A ritualidade religiosa  era similar nas terras ribeirinhas. A confirmá-lo estão testemunhos como o das duas capelas do Espírito Santo(Marco de Canaveses e Castelo de Paiva)
ROTA DO ROMANO/MEDIEVAL 
(Marco de Canaveses)

"No ordenamento romano do séc. II d.C., o rio Douro servia de fronteira entre as províncias de Tarraconense (a norte/margem direita) e a Lusitânia (a sul/margem esquerda), acarretando essa divisão administrativa distintos ritmos de crescimento e de desenvolvimento. No entanto, mantinha-se uma ritualidade religiosa similar nas terras ribeirinhas das duas margens, segundo conclusões da investigação arqueológica recente.
Tomar contacto com estes conhecimentos e, em simultâneo, percorrer os espaços e observar as paisagens que acolheram estas vivências antigas é uma boa justificação para o presente itinerário, estando em experiência, por agora, apenas o troço de estrada S. Nicolau a Tongobriga."
(Fonte: Folheto de Divulgação do Projecto)

O troço experimental, com início em S. Nicolau, compreende:
Visita à Igreja de S. Nicolau, de estilo românico, que ainda apresenta no seu interior restos sobrepostos de frescos de diversas épocas, sendo a maior parte atribuíveis ao séc. XVI. À direita da Igreja de S. Nicolau pode visitar também a Capela de S. Lázaro bem como o cruzeiro da Boa Passagem que se encontra em frente à Igreja.
Continue subindo a pé a rua romano/medieval e pare junto à Albergaria de D. Mafalda e capela do Espírito Santo que terá servido para albergar nove peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela.
in "Marco de Canaveses, Um Município em Movimento"

(Castelo de Paiva)

A semelhança destas duas capelas é mais que evidente. Aconselhamos a inclusão nesta rota da Capela do Espírito Santo em Vila Verde (no Terreiro).Tudo indica que esta Capela (do Espírito Santo situada no Terreiro, Vila Verde),  que em 1758, estava arruinada, e foi portanto reconstruída nos século XVIII e XIX, onde nas imediações já encontramos a célebre ara pré cristã  - (em pleno e farto celeiro agrícola do rio Sardoura) - desempenhou no passado uma função social caridosa de albergue e  ajuda aos peregrinos e caminhantes que passavam por esta via indo e vindo de Santiago de Compostela, como acontecia no Marco de Canaveses.


                                        Albergaria de Canaveses e Capela do Espírito Santo




                         A Capela do Espírito Santo em Vila Verde (no Terreiro)
                                                   (foto OTL - Arquivo Luis Lousada Soares/ADEP)

Até nas linhas arquitecturais temos uma réplica perfeita, senão vejamos. Na foto, é fácil divisar uma fachada “tirada a papel químico” da fachada da Capela do Espírito Santo do Marco de Canaveses. Desta se diz que é de arquitectura civil, medieval e maneirista; que o Paço foi transformado em albergaria, por ordem da rainha Santa Mafalda. A albergaria consiste num conjunto de edifícios térreos, virados para a estrada romana/medieval, (como acontece em Vila Verde) mas que até aos dias de hoje sofreram grandes modificações que lhe alteraram a traça original. Segundo a tradição e a interpretação de vários investigadores, foi mandada construir por D. Mafalda uma albergaria junto à capela do Espírito Santo (VASCONCELOS,1935) de que ainda permanece uma pequena casa térrea já alterada (hoje é uma adega). No interior desta estrutura é detectável uma janela aberta para o interior da capela, ou seja, quem estivesse no interior do edifício, a atual adega, ouvia as missas ditas na capela sem ter de se deslocar.
E se a fachada foi tirada a papel químico também a nossa Capela de Vila Verde tem igualmente uma janela aberta, para que quem estivesse nos aposentos anexos. Num e noutro caso hoje os espaços anexos estão ao serviço de casas rurais e agrícolas, servindo de adegas e espaços de habitação. Na capela do Marco refere o autor que ainda é visível uma padieira (em xisto) e junto à adega, existe um conjunto de pequenos compartimentos, pouco espaçosos, mas, que no seu total, dariam para albergar talvez nove ou um número um pouco maior de peregrinos.
Graça, L. “Hospitais e outros Estabelecimentos Assistênciais até ao Final do Século XV” diz-nos: “Quanto às albergarias (tal como as gafarias), sabe-se que a sua existência é anterior à própria fundação da nacionalidade. Tenderão entretanto a desaparecer entre nós, embora mais lentamente do que no resto da Europa, a partir do fim da Idade Média, com o progressivo declínio das peregrinações.
Grande parte das albergarias situavam-se junto a mosteiros e igrejas, povoações e estradas mais importantes, nomeadamente ao longo do caminho de Santiago, e em particular a norte do Mondego.
Às primeiras rainhas atribui-se igualmente a fundação de diversas albergarias, como, por exemplo, aquela que terá dado origem ao toponónimo Albergaria-a-Velha, criada em 1120 por Dona Teresa, mãe do primeiro rei de Portugal. Ou a de Chaves, mandada construir por D. Mafalda.
Os primeiros reis de Portugal também se preocuparam com a manutenção e a extensão da rede de albergarias — caso de D. Sancho I que no seu testamento de 1209 deixa legados, em dinheiro, a diversos estabelecimentos do género existentes no centro e norte do país.
Como diz o historiador Veríssimo Serrão (1990, vol. I. 221), "falta um mapa global para reconstituir esses marcos de cobertura viática, mas para certas ordens há elementos precisos. Assim, no que respeita aos mosteiros beneditinos que ficavam a norte do Mondego, possuíam albergues: uns, da invocação de Claraval, como Maceira Dão, Lamego, Sever e Tarouca; e outros, ligados à regra de Cister, como Moimenta, Tabosa, Arouca e Bouças".
Correia (1938) situa as principais albergarias sobretudo ao longo das antigas estradas romanas, tal como de resto uma boa parte dos outros estabelecimentos de beneficência. Na mesma localidade, podiam coexistir, aliás, diferentes tipos de estabelecimentos: Albergarias, Mercearias, Gafarias, Hospitais e Hospícios, para além dos Conventos. De qualquer modo, a sua concentração é sobretudo ao longo da rede viária romana ou de outras vias de comunicação utilizadas pelos peregrinos que, de França, Espanha e Portugal, demandavam Santiago de Compostela. Essa concentração era mais evidente em troços como:
  • Vila Real de Santo António/Mértola/Beja/Alcácer do Sal/Setúbal
  • Beja/Évora/Estremoz/Arronches/Badajoz
  • Lisboa/Santarém/Coimbra/Porto
  • Porto/Braga/Santiago de Compostela
  • Alcântara (Espanha)/Idanha-A-Nova/Guarda/Penafiel/Braga/Santiago (sublinhado nosso, para lembrar que na margem sul correspondente está Paiva, com o conhecido atravessamento para Várzea do Douro (próximo do Convento de Alpendurada), no Castelo e além disso com inúmeros portos, cais e embarcadouros de Pedorido, Fontaínhas, Midões, Gramão e Boure).

·         Aqui nas imediações desta capela temos de memória visual caminhos calçados de enormes fragas graníticas desgastados com enormes sulcos dos rodados e que se não estão  hoje visíveis, nem sequer referênciados como passagem, de importante via antiga, a sua presença não será mera obra do acaso, mas há-de dever-se à proximidade dos rios Douro e Sardoura; da situação  geográfica do território e sua ligação a locais (Nojões) e  territórios vizinhos importantes (Arouca). Castelo, Boure, e Gramão que foram importantes lugares de travessia e embarque no Douro. Nojões e Várzea são locais de passagem de peregrinos, vindos do sul e de leste como pode muito bem ser o de passagem para Santiago de Compostela na Galiza.

Pena que não tenhamos tido ainda acesso a documentação (se é que ela existe) sobre a história desta Capela (do Espírito Santo de Vila Verde) para que se possa fazer luz sobre o passado que encerra; sendo certo que é mais um importante referencial para confirmar o que temos defendido da inevitabilidade da passagem de uma importante via medieval e quiça romana de acesso e atravessamento dos rios Sardoura e Douro passando por Vila Verde e Nojões.























transcrições e texto de Martinho Rocha


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Santo António de Lisboa - encontro nas origens - Castelo de Paiva




(cartaz da visita guiada realizada a 13 de Junho de 2015)



Na qualidade de Presidente da Direção, quero deixar uma pequena nota de rodapé a esta sessão.

 Quero agradecer,
           - À Chiado editora;
           - Ao Parque biológico de Gaia, na pessoa do seu diretor, Dr. Nuno Gomes com quem tivemos já o grato prazer de estabelecer vários intercâmbios no último dos quais resultou a publicação da obra de Domingos Quintas Moreira “Manual do Cultivo e Confecção do Linho”;
          - Aos executantes e seu mestre Agostinho Vieira, da Academia de Música de Castelo de Paiva, o momento musical com que nos premiaram;
          - À Câmara de Castelo de Paiva, na pessoa do seu presidente Dr. Gonçalo Rocha, que prometeu adquirir 50 exemplares;
          - À Imprensa  presente.
          - Senhoras e senhores, a todos pela Vossa presença. Muito obrigado !

Paiva merece ficar associado ao roteiro da vida e obra de Santo de António e estamos certos que esta iniciativa contribui para engradecer, cuidar e divulgar melhor, o nosso património material e imaterial que lhe está associado.

Depois de nos anos 30 do século passado Abílio Miranda e Strecht de Vasconcelos terem publicado as lendas alusivas à vivência na região e em Paiva de Fernando de Bulhões (Santo António) e seus pais, e de ao longo dos últimos trinta anos termos tomado consciência de estudos vários a fortalecer a ligação das raízes do santo a Castelo de Paiva, a ADEP apesar dos seus parcos meios sempre tem procurado aprofundar e divulgar esse conhecimento em iniciativas várias, editoriais, de denúncia pública e até de teatro para chamar à atenção dos responsáveis pela degradação a que vem sendo sujeito muito do património construído associado a esta memória.
Uma maior divulgação das raízes de Santo António, como está a acontecer com esta publicação de Mário Gonçalves Pereira, criará uma maior consciencialização na população da importância dos nossos valores patrimoniais e imateriais. As novas gerações, mais informadas e participativas, hão-de ser capazes de exigir outras prioridades, linhas de orientação e até de rutura com o estado de abandono, desinteresse - e de saque em alguns casos - a que o município vem assistindo serenamente nos monumentos e espaços arruinados da Boavista, Vegide, Gondim e Frutuária, apesar do legado formal que lhe fez o Conde de Castelo de Paiva e destes outros legados imateriais de outros tantos paivenses generosos e laboriosos.
Para esta obra, Mário Gonçalves Pereira meteu pés ao caminho, recolheu fotografias e testemunhos tal é a profusão toponímica e imagética de estátuas, pinturas, azulejos, em Igrejas, nichos, oratórios, tabernas e mercearias existentes nos quatro continentes, por onde andou, e que comprovam a veneração ao Santo mas também que ele será o português mais conhecido no mundo, ao longo de todos os tempos.
A ADEP não poderia deixar de apoiar uma iniciativa como esta, de trazer aos paivenses, e não só, todo o conhecimento expresso em referências e estudos, lendas e  memórias, pedras e acontecimentos que engrandecem as gentes e fazem mais luz sobre a história da nossa terra, neste particular da ligação umbilical de Santo António a Castelo de Paiva.
Mário Gonçalves Pereira é natural de Castelo de Paiva, casado, pai de três filhos, com três netas, licenciou-se em Engenharia Electronica na Universidade de Lisboa. Trabalhou em várias Empresas no país, destacando-se as firmas Efacec e EDP-Eletricidade de Portugal. É membro, sócio fundador, do Rotary Club de Castelo de Paiva, do qual foi o primeiro Presidente.
O autor, é nosso diretor, Presidente da Assembleia Geral, colaborador assíduo e interessado na descoberta do passado, com obra feita - vários levantamentos fotográficos, leitura e restauro de epígrafes (cruzeiro de Carcavelos e ara de Vila Verde), publicou também “Frases Rimadas” obra poética de pendor autobiográfico e dedicada a Castelo de Paiva.
Escreveu para a ADEP uma monografia sobre a fundação de um lugar na freguesia da Raiva – Castelo de Paiva, cujos primeiros povoadores foram seus pais, em meados do século XX. Trata-se do lugar de Cruz de Alveda, sítio por onde passava a procissão das Cruzes do Concelho, a cada 3 de Maio.
Sobre o livro hoje em lançamento público informou a ADEP de que possuía elementos para escrever um documento alusivo às raízes de Santo António em terras de Paiva. E se bem pensou, melhor o fez. Ei-lo aí. Rebuscou na Internet e em tudo que era sítio, para encontrar a matéria de que precisava para a confeção da sua obra, nomeadamente os locais tantas vezes falados, por vezes à boca pequena, de nascimento dos pais de Santo António. Também recolheu nota de alguma documentação existente na Casa da Boavista e na mira da origens do Santo percorreu Secca e Meca. Foi até Jerusalém.
Na Casa da Boavista encontrou elementos em livro e na árvore genealógica dos Bulhões de Santa Cruz das Serradas que demonstram, com várias ramificações, a ligação dos Condes de Castelo de Paiva aos pais de Santo António. Estes dados consagram definitivamente a existência de uma base histórica sustentável que reconhece terem os pais de Santo António, por berço, Castelo de Paiva.
Saudamos e louvamos o esforço do autor e reconhecemos o mérito do seu trabalho que ficará para sempre ligado ao concelho de Paiva.
Ainda ao autor o nosso Bem Haja pelo contributo que, através da ADEP, prestou em prol da História e Cultura de Castelo de Paiva.
Em meu nome e da ADEP quero deixar este testemunho público de gratidão a Mário Gonçalves Pereira, pelo trabalho e dedicação à causa pública e voluntária, também pela generosidade da oferta dos direitos de autor à ADEP.

Sucesso para a obra e Felicidades Eng.º Mário Gonçalves Pereira!












Apresentação feita por Martinho Rocha, no Parque Biológico de Gaia, quando do lançamento da obra de Mário Gonçalves Pereira

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Publicações de Arqueologia!

Apresentamos hoje duas brochuras da área da arqueologia, uma delas editada recentemente e que estão à disposição do público por um preço simbólico. Podemos dizer que nos orgulhamos por apresentar trabalho feito!Reportam-se a dois importantes trabalhos, de escavação no primeiro caso,  e de investigação epigráfica no segundo, levados a cabo nas duas freguesias marginais ao rio Sardoura por duas ilustres personalidades que trabalharam em colaboração com a ADEP. "A Necrópole Romana de Valbeirô (Sardoura, Castelo de Paiva)" é da autoria de Lino A. Tavares Dias - arqueólogo responsável pela área arqueológica do Freixo, Marco de Canaveses e a "Ara Laribvs Ceceaicis em Castelo de Paiva" (Vila Verde, São Martinho), esta com publicação digital no Ficheiro Epigráfico da Universidade de Coimbra e em papel a integrar o logotipo dos 500 anos do foral, deve-se muito especialmente ao Professor da UC José d'Encarnação

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sábado, 25 de maio de 2013

Folha de serviço, na Arqueologia!

Hoje 18 de Abril de 2018 que registamos mais alguns valores inéditos e valiosos do ponto de vista histório-ambiental (penedos com formas zoomórficas e antropomórficas), lembramos o que já temos, temos dito, e pouco valorizamos!






Do período romano detectamos minas em Pedorido e Real, necrópoles (antigos cemitérios onde se depositavam as cinzas) em Real, Sardoura e Sobrado. Foi descoberta uma ara votiva (pagã) em São Martinho. Muitos monumentos megalíticos (mamoas) em Bairros, Paraíso, Raiva, Real e Sardoura a maior parte totalmente desconhecidos. Inventariamos vestígios da idade média  em Fornos (Ilha dos Amores e sepultura no Crosso)  e São Martinho  (cabeceira de sepultura) .
Efectuaram-se escavações em alguns locais, classificaram-se monumentos. Fotografou-se e divulgou-se um património desconhecido.
Nalguns casos apenas demos a notícia do achamento e pedimos proteção adequada. Graças à nossa dedicação gerou-se um intercâmbio promissor com escolas, universidades e investigadores. Foi pedida a classificação de alguns monumentos (Edificio da Cadeia, Casa e Quinta da Boavista, Portal da Serrada, Portão do Adro Real, etc.). Com o especial apoio de particulares foi possível intervir e criar zonas de protecção a dois monumentos (Marmoiral e Mamoa 1 de Carvalho Mau). Publicaram-se estudos e relatórios dos trabalhos (Levantamento Arqueológico de Castelo de Paiva, Necrópole de Valbeirô, Sardoura e Ara de Vila Verde).
De 1980 a 2013 foi imensa a actividade na área da arqueologia. Nem sempre reconhecido esse trabalho e mal apoiado muito do conhecimento adquirido corre riscos de se perder. Não temos ainda um museu. O  concelho valoriza muito pouco as nossas referências do passado que atestam uma ocupação plena e permanente do nosso território.
Há com certeza muitos segredos por revelar!












em 25 de Maio de 2013
Martinho Rocha

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ara romana publicada!

A Ara romana (do sec. I d. C.) descoberta em Vila Verde em 2007,  foi descodificada pelo Investigador José D'Encarnação da Universidade de Coimbra e já integra o Ficheiro epigráfico (suplemento da revista Conimbriga) destinado a divulgar inscrições romanas inéditas de toda a Península Ibérica.
A descoberta e divulgação de mais este testemunho, dos mais antigos e estudados, da era romana no concelho fica a dever-se ao trabalho e persistência da ADEP.

sábado, 23 de março de 2013

Ara Laribus Ceceaicis em Castelo de Paiva


A Ara de Vila Verde surpreende a comunidade cientifica e passa a  constar do ficheiro epigráfico (suplemento de Conímbriga) da Universidade de Coimbra, elaborado para reunir todas as inscrições romanas inéditas de toda a Península Ibérica. Foi descoberta em 2007 e logo divulgada pela ADEP, está a ser publicada. É dedicada à divindade Lares e datável da primeira metade do séc. I da nossa era.
O patrocínio da  Universidade de Coimbra – Faculdade de Letras, através do seu Instituto de Arqueologia, sob a direção e especial empenho do conceituado Professor e Investigador de Epigrafia  José D’Encarnação, tornam possível este estudo  e divulgação pelo que fica desde já o nosso agradecimento extensivo também a todos os que todos os que  trabalharam para fazer luz sobre este importante testemunho do nosso passado.
Vila Verde passa a ser conhecido em toda a comunidade estudiosa  e localizado num mapa onde a idade deste  testemunho é, no nosso concelho, um  dos mais antigos do período romano.
Dentro de dias estarão disponíveis o referido ficheiro e a separata de papel.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ara de Vila Verde é romana e dedicada aos LARES !


A Ara encontrada pela ADEP em 2007 no sítio do Terreiro (Vila Verde), Castelo de Paiva, zona agrícola por excelência no vale do rio Sardoura e local de passagem  imemorial, não fossem os testemunhos dos grandes sulcos dos rodados, gravados no granito do caminho, está a ser decifrada e vai ser publicada.
Das primeiras conclusões do estudo que, em colaboração connosco, lhe está a fazer José d’Encarnação – ilustre Professor e Investigador da área da Epigrafia – ficamos a saber que se trata de uma ara dedicada aos LARES, divindade a que recorriam, no âmbito privado, os cidadãos que buscavam assim proteção nos espíritos domésticos.
Para J. Leite de Vasconcelos in Religiões da Lusitânia: “Os lares, na crença dos romanos, eram divindades que protegiam não só as casas e os campos, mas os indivíduos, as cidades e mesmo certas collectividades. Havia Lares Viales para os viajantes, Lares vicorum para os bairros; Lares militares para os soldados, Lares compitales para as encruzilhadas.(…) o culto dos Lares compitale foi restaurado por Augusto,  que mandou que os altares d’elles (…)se enfeitassem com flores na primavera e no verão.” O imperador Augusto consentiu ser adorado em vida e que o seu genius fosse colocado entre os Lares compitales.
Temos assim, em Paiva, mais um testemunho da vivência e neste caso da religiosidade das gentes num tempo em que dominava o Império Romano e, portanto, antes da sua cristianização. A religião oficial de Roma Antiga caracterizou-se pelo politeísmo, com elementos que combinavam influências de diversos cultos. Estes cultos começaram a decair com a conversão, que aconteceu no ano de 313 com o Edito de Milão, assinado por Constantino.
Mais um trabalho da ADEP, sobre uma pequena parte do nosso passado colectivo, do muito que há para saber e estudar. Oportuno se torna lamentar que a maior parte dos materiais localizados e conhecidos estejam dispersos, pelos museus vizinhos e casas particulares, e no concelho não existam condições nem espaços, que não sejam os que a ADEP lhe vem disponibilizando, sem que receba quaisquer apoios consignados para esse fim.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Ara romana de Vila Verde objecto de estudo

O Professor Armando Coelho, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, reputado especialista em epigrafia, mostrou interesse em estudar a Ara romana encontrada no ano passado pela ADEP no Terreiro - Vila Verde, freguesia de São Martinho. Passados quase trinta anos pós as primeiras escavações (Valbeirô - Sardoura) que promoveu sob a orientação do Arqueólogo Lino Augusto Tavares Dias a ADEP vem somando inúmeras participações, recolhas, visitas e estudos pelo concelho e região em colaboração com universidades, investigadores e alunos. A descoberta desta Ara e do que pode ser um Forno Telheiro dos séc. XVI/XVII, localizado recentemente em Real, demonstra que a ADEP é, também na Arqueologia, a única entidade que no terreno continua a desenterrar testemunhos, a reclamar e a fazer estudos, protecção e divulgação do nosso património. De lamentar que a generalidade dos materiais localizados e conhecidos estejam dispersos pelos Museus vizinhos e no concelho não existam condições e espaços que não sejam os que a ADEP lhe vem disponibilizando sem que receba quaisquer apoios consignados para esse fim.