quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

“Esse rio que era Douro”, de Manuel Caetano de Oliveira




“…o homem, o ser humano, não devia morrer…“ e se Simão Cardoso o diz ao jeito de quem aponta à leitura de inscrição filosófica insculpida no frontispício de um pórtico votivo à memória do mais comum dos mortais, é para Caetano de Oliveira que esse desejo e clamor se dirige! E ainda que o apresentante da recentemente editada obra “Esse rio que era Douro”, na oração de memória  “in memoriam” ao autor, seu amigo,  nos tente anestesiar, massajando-nos essa dor (que só conhecemos quando perdemos os que nos são próximos…) com ditos como “A Vida tem um sentido que se projecta muito para além do tempo real; não desaparece, apenas se transforma em Vida, uma Vida Nova…”) cola-se-nos um pesado sentimento de orfandade, mesmo para quem – qual filho estouvado e desavindo – , demasiado tarde, conhece verdadeiramente o pai…
Conhecer um pouco da vivência ribeirinha, na nossa região, e deparar com a descrição feita por Caetano de Oliveira às insónias e canseiras  da pequena campanha do pescador e seus auxiliares “Mundo” e “Portugal”  na crónica d’A pesca do sável”, que leva João de Araújo Correia a exaltar este texto e propô-lo para o lastro e  fundações do Museu do Rio Douro, é perceber e aceitar que afinal à morte física uma nova Vida se segue…. E mais diz, e bem: “Há vidas, umas mais que outras, que permanecem actuantes, nesta terra, até à consumação dos séculos.”
E se esta arte de bem trabalhar a “tesoada” requer cuidados redobrados, em defesa da ética e com vista ao necessário rendimento, a nossa função, prestando tributo ao autor e apresentante, deve ser apenas o mais  pedagógica possível, e não pode fazer outra coisa, que recomendar a sua leitura.


Manuel Caetano de Oliveira, ao centro, numa entrega de prémios aos vencedores dos Jogos Florais da ADEP, no Castelo, nos finais dos anos 80, de que aceitou ser membro do Júri. 





















Martinho Rocha

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