quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Dicionário "Palavras da Terra" III





LUGARES no concelho de Castelo de Paiva

Abelheira - lugar da freguesia de Real.

Adroia - lugar da freguesia de São Martinho de Sardoura.

Ancia - lugar da freguesia de Real. Adriano M Strecht de Vasconcelos (Lendas e Tradições de Castelo de Paiva: 1981, p.29 a 37)  localiza aí, numa cruz de caminhos o local onde D. Paio Soeiro de Paiva mata a mulher que lhe foi desleal. O lento sofrimento e a agonia da morte terão dado o nome de Ancia ao local.

Azevide - lugar da freguesia de Real.

OUTROS LUGARES

Ancêde - vila na margem direita do Douro, Baião. Na estrada que vai para as Caldas, houve no lugar de Lordelo um arco de 2 metros de alto  e no meio dele um tumulo. Na tampa da sepultura (que já não existe) estava gravada uma espada. Também aqui se diz que assinala o local onde descansou a rainha Santa Mafalda, quando foi fundar a casa de banhos das Caldas d'Aregos. Pinho Leal diz que o tumulo é (era) de um guerreiro, em vista da espada. Interessante a similitude com uma das lendas associada ao Marmoiral, que o referencia como a memória onde descansou o corpo da rainha beata Mafalda, que traziam da vila de Canaveses para o real mosteiro de Arouca (Memórias Paroquiais:1758 - Padre Luís Cardoso).

Anégia - em 1062 em Villa Rial, (Castelo de Paiva) aparecem mencionados os lugares do Crasto, Freamil, Várzea Dona, Agrela, Azevido, Santa Cristina, Nogueira e S. Pedro como fazendo parte do mesmo território. O rio Sardoura e a "serra Sicca" aparecem mencionados em diversos documentos para localizarem as propriedades ou lugares pertencentes ao global do território da Anégia, com as variantes "anegia", "annegia" e "aneeie" (Margarida Rosa M. de Pinho: 1991, p.67/8. A civitas de Anégia, parece indiscutível se localizava na freguesia de Santa Maria da Eja, onde atualmente se instala a capela de Nossa Senhora da Cividade. (Eja "Entre-os-Rios" A Civitas e a Igreja de S. Miguel de Carlos Alberto Ferreira de Almeida e Francisco Gaspar Almeida Lopes.

EXPRESSÔES POPULARES

A Apitar - expressão em gíria que designa falta de recursos, de dinheiro. "Paguei o que devia e fiquei a  a-apitar" (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira).

Abifa-te, (e avinha-te e abafa-te) Receituário popular para as constipações ligeiras.

Abispa-te - Desenrasca-te; acautela-te; põe-te fino (Dicionário de Cinfães, de José Rodrigues: 2024).

Aboilada - Chacota; zombaria ruidosa quando um dos elementos do par (ela que fazia as "mancheias" e ele que as ripava / passava no ripo), atrasava o andamento do trabalho. (Margarida Rosa M Pinho:1991, p.36. Próximo de acaçoar - o mesmo que caçoar - troçar; escarnecer; zombar. Na mesma tarefa agrícola também se fala de arrincar (arrancar/colher) o linho. Associado à temática do linho temos ainda o Arejo (Margarida Rosa M Pinho:1991: p.35) doença nas folhas das plantas que faz secar(mirrar).

Afinfar - bater; dar pancada (Dicionário de Cinfães de José Rodrigues: 2024).

Anhar - passei o dia a anhar. Não fiz nada hoje.(Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2025)

Assizanar - chatear, provocar. Vocabulário popular recolhido por Manuel Caetano de Oliveira, na sua obra "Esse rio que era Douro": 2017, pag. 54

NOMES DE COISAS

Açafate - cesto baixo, redondo ou oval, sem arco nem tampa, normalmente feito de vime, zangarinheiro ou castanheiro. Imagem neste blogue da adep-paiva.blogspot.com (abrir Tema "Artesanato e produtos locais" e deslizar até 19.março.2011).

Aguilhada - pau com pico na ponta para picar os bois e vacas (o tamanho deste pico já é de longa data objeto de regulamentação, seja para proteção do couro, seja para evitar o sofrimento  e respeito pelo animal / outro pau é o fueiro que também se diz estadulho - deste, no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, se diz, pau que se coloca de lado no carro de bois ou em atreladopara segurar a carga. 

Alar - rede para pescar lampreias; puxar ou conduzir à sirga. ver sirga (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).

Anforas (vasos de cerâmica preta) - encontradas junto ao Monte do Crasto na estrada Frutuária/Castelo (Margarida Rosa M Pinho:1991, p.47).

Almocaba - o cemitério, em árabe (ilucidário de Adriano M Strecht Vasconcelos: 1981, pag. 93).


Recordamos o nosso estatuto editorial, desta rubrica: 


Estamos a reunir palavras e expressões do povo neste dicionário a que vamos chamar “Palavras da Terra”. Pretende-se um resgate afetivo e curioso das palavras que brotaram do chão onde pisamos — expressões antigas, regionalismos, topónimos singulares e vocábulos que carregam memórias, história, sotaques e modos de viver. Aqui colhem-se nomes de lugares e falares que não se leem nos manuais, mas se ouvem nas esquinas, nas feiras, nas conversas com os mais velhos e também nas bibliotecas. Um arquivo vivo da língua enraizada, onde cada palavra conta uma história do lugar de onde veio." Não estão no dicionário, mas ouvimos... às vezes podem estar nos livros antigos...
Não as localizaremos todas, pelo que fica aqui um convite à sua participação. Ajude-nos!












Martinho Rocha







 

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